Sábado, Novembro 21, 2009

Do incômodo

(originalmente publicado em agridoce da luciana)

“Animal arisco
Domesticado esquece o risco”



Acomodada

Com meus empreguinhos de estimação

Meu dinheirinho de estimação

Naquela conta, no fim do mês, quarta estação

Morando com a mamãe sem pagar nada

Ou quase nada

Acomodada

Indo pra aula com as amiguinhas

Lanchando, conversando, ouvindo música com as amiguinhas

Batendo papo no msn

Aquele papo

Tuitando flashs da minha vida

Aquela vida

Nao era isso que eu sonhava aos cinco anos

Eu queria ser bombeira, astronauta, cabeleireira

Todas essas coisas de aventura

Nao era isso que eu sonhava aos dez anos

Eu queria ser jornalista, professora

Todas essas coisas que agora eu sou,

Mas nem é tão legal assim.

Acomodada

Sem fotografar, sem me achar a melhor mesmo

Sem escrever aqueles textos legais

Aqueles textos que te faziam chorar

Aqueles textos que ainda te fazem vir aqui me procurar

Aqueles textos ansiosos, sonhadores, inquietos

Incomodados.

Luciana

COMENTÁRIO MEU:

ED Said,

É que a vida não é sempre o último capitulo da novela, ou os primeiros 13 minutos de um filme de ação… a maior parte do tempo temos é que continuar em busca daqueles momentos que fazem a diferença… e eles eventualmente acontecem… e eu que nem te conheço de fato… já chorei copiosamente com alguns textos que você escreveu (e ainda escreve) … acomodar-se … as vezes é necessário … e as vezes é essa percepção que causará a grande mudança… e mais um daqueles momentos singulares… vamo em frente….



Quarta-feira, Novembro 11, 2009

O APAGÃO E A IMPRENSA BRASILEIRA



(Como se fosse novidade)
Não quero me utilizar deste espaço para fazer campanha política, muito menos defender governos e/ou opositores, mas o que ocorre no dia de hoje no país, é simplesmente asqueroso.
O blackout na noite de ontem que atingiu 18 estados brasileiros e de cheio a cidade e o estado de São Paulo está servindo de palanque político da oposição. Digo isso porque uma causa amplamente técnica virou uma causa política, e de repente passamos a ter inúmeros engenheiros eletricistas especializados no Sistema Elétrico Brasileiro.
Agora vem a imprensa, que diz que isso “pode” (mas com uma boa ponta de pseudo-certeza) ser fruto da incompetência do governo de gerir o tal Sistema Elétrico Brasileiro. A mesma que nesta tarde diz, sinicamente, que o Ministro de Minas e Energia se limita a dizer que o problema foi causado por descargas atmosféricas (eles leigamente chamam de raios).
Ora, no local da ocorrência da falha foram detectadas mais de 10 mil descargas. Se 0,1% dessas descargas atingirem uma linha de transmissão, em qualquer parte do mundo, duvido que a mesma fique ativa! DÚVIDO! Mas os novos especialistas de Brasília dizem que temos de ter mais meios de proteger nosso Sistema Elétrico, que temos de investir mais (se eles deixassem sobrar dinheiro), e que isso foi sim um apagão (essa foi do Senador Artur Virgílio – PSDB). E a imprensa só alimentando. É só ler os blogs do UOL, Estadão e G1. A Rede Globo falou o dia inteiro sobre esse assunto. E sempre de forma tendenciosa. É simplesmente triste.
Cheguei a ler que o Sistema Elétrico é frágil e se fosse nos EUA ou Canadá isso não teria acontecido. Sobre isso teço três comentários:
1) Esqueceram de mencionar que a aproximadamente 5 anos atrás Nova York e Nova Jersey passaram por um blackout de aproximadamente 48 horas. 2 dias!!!!
2) Isso que chamam de fragilidade é também um ponto forte, pois o Brasil possui o maior Sistema Elétrico interligado do Mundo, o que permite isolar cargas(áreas) atingidas. Ou seja, é uma questão de arquitetura do Sistema, não fragilidade. Então por que aconteceu? Aconteceu porque foi de 5 linhas de transmissão que levam a Saõ Paulo, 3 foram atingidas, então fica difícil manter. Além do mais, o crítico foi em SP, pois nos demais locais a volta foi rápida.
3) Por conta da monitoração e cobrança da ANNEL sobre as empresas do Setor Elétrico, essas vêm promovendo uma modernização na monitoração e proteção de seus sistemas, o que aumenta em muito a sua confiabilidade.
Portanto, a imprensa tem de se informar melhor antes de proferir um monte de asneira. Isso foi uma questão técnica, não falta de investimento. E mesmo assim, depois da maciça privatização do setor elétrico nos anos 90, o governo não tem muito mais a investir em sua proteção, uma vez que boa parte do sistema fica na mão dessas empresas. O governo tem de investir sim é em construção de novas geradoras e pensar na forma de usar energia limpa para garantir o abastecimento futuro e o crescimento do país.
Espero que o governo faça sua parte, garantindo energia para o futuro e que os urubus sedentos pela carniça façam exame em suas consciência e repensem sobre as balelas que andam escrevendo.
Este fato me fez lembrar outro apagão em 1995 ou 96. O amigo Ed deve se lembrar que quando fazíamos aula prática de alguma coisa, o coordenador entra na sala perguntando quem tinha feito bobagem porque havia derrubado o disjuntor geral do Campus, quando na verdade foi uma falha na usina de Furnas. Muito hilário aquele fato e a cara do professor quando soube.




Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Ficha suja ou voto limpo?

Por Joaquim Falcão no Blog do Noblat.
Independentemente do destino que vier a ter no Congresso Nacional, o projeto de lei de Iniciativa popular, proibindo candidaturas de políticos com processos na justiça, a possibilidade do voto limpo já é real.

O movimento iniciado o ano passado por Mozart Valadares da Associação dos Magistrados do Brasil já é vitorioso. E já para estas eleições de agora. Por um motivo simples.
O Tribunal Regional Eleitoral (TER) do Estado de Minas Gerais decidiu colocar no seu site já para estas próximas eleições, a relação, on line, com o nome de todos os candidatos e informações pertinentes aos processos judiciais de que façam parte.

Se todos os tribunais eleitorais, federais, estaduais ou trabalhistas tomarem a mesma atitude, o eleitor em todo o país terá todas as condições de estar bem informado ew decidir pelo voto limpo.

Não precisa que o Congresso Nacional faça uma triagem ou assuma a responsabilidade que no fundo é do próprio eleitor. Proibir esta ou aquela candidatura. Vetar este ou aquele candidato, com o risco de ferir o princípio da presunção de inocência.

Quem terá esta responsabilidade será o decisor maior, o juiz maior: o eleitor bem informado. Basta acessar a informação disponível. A grande novidade é justamente esta.

Antes estas informações estavam escondidas nos diários oficiais, de linguagem codificada, difícil e fragmentada em cada vara, e em cada tribunal.

Com exemplo do TRE de Minas Gerais, sobretudo se a configuração do site for de fácil acesso e de linguagem simples e compreensível, a informação se faz luz do dia. Imediata e disponível igualmente a todos. Não haverá informações privilegiadas. Maior democracia não há.

Evidentemente se mais tarde o Congresso passar legislação mais restritiva, como pondera o presidente Michel Temer, exigindo pelo menos condenação em duas instâncias para a proibição da candidatura, e evitar injustiças, melhor ainda.

Num país onde a pena é o processo, onde a denúncia irresponsável muita vez vale por condenação definitiva não devemos menosprezar a presunção de inocência.

O problema surgiu pela impaciência do eleitor com a lentidão do judiciário em tomar suas decisões e do corporativismo do Legislativo. É o que sugere a pesquisa de O Globo que diz que 83% dos eleitores querem proibir candidatura logo na primeira instância, e 49% bastando ter um processo em andamento.

Este projeto de lei de Iniciativa Popular é a evidência maior de até onde podemos ir em radicalidades, quando a justiça é lenta e não funciona. Trata-se de nítida reação popular, um by pass, a lentidão judicial.

O melhor de tudo é que ao colocar nas mãos do eleitor a informação que ele precisa para saber se o candidato tem ou não ficha suja, o problema deixa de ser o candidato, o político, a ficha. O problema passa a ser os critérios que o eleitor adota.

Nenhum candidato de ficha suja chega ao Congresso com voto limpo. Será cada dia mais difícil haver esta dicotomia às vezes muito cômoda: eleitor limpo e candidato


Saiba os cuidados que blogueiros devem ter na hora de fazer campanha na rede

Por Guilherme Felitti, do IDG Now!

Ainda que a reforma eleitoral dê liberdade para blogs, fóruns e redes sociais, os internautas precisam seguir algumas recomendações durante eleições.
A pressão popular diante da votação das emendas referentes ao uso da internet na reforma eleitoral forçou o senador e relator do Projeto de Lei 141 de 2009, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), a mudar o texto do artigo que estipulava restrições ao uso da web durante as eleições.

Para ser aprovado no Senado, o texto final do antes polêmico artigo 57-D foi condensado em seis linhas que garantem a liberdade de manifestação de pensamento por sites, serviços, blogs e redes sociais, com eventuais problemas por utilização indevida sendo apreciados conforme a Constituição federal.

Isso quer dizer que você está totalmente livre de problemas legais quando manifestar apoio a seu candidato ou criticar outros postulantes a cargos públicos em blogs, redes sociais e fóruns? Longe disto.

O IDG Now! compilou dúvidas e possíveis distorções referentes às duas principais restrições presentes no texto final da reforma eleitoral - o anonimato e o direito de resposta. Essas informações podem ajudar blogueiros a evitar problemas durante o pleito de 2010.

Anonimato
O intuito da proibição ao anonimato nas eleições tem fundo nobre, como lembraram por seguidas vezes senadores presentes na plenária que aprovou a reforma eleitoral: trata-se de uma maneira para coibir ataques e ofensas feitas contra candidatos por quem se esconde atrás do anonimato.

Há, no entanto, um problema quanto à definição vaga de anonimato no texto, argumenta o pesquisador e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul, Marcelo Träsel.

"O problema é que esse parágrafo não define o que é anonimato", afirma. Ele argumenta que até mesmo aqueles que blogam usando apelidos (ainda que suas identidades sejam amplamente conhecidas) podem ser classificados como anônimos em uma possível interpretação jurídica.

Outra possibilidade aventada pelo pesquisador é um comentário feito no nome (real) de outra pessoa. Ainda que se use nome e sobrenome, "ninguém garante que seja a mesma (pessoa) que está falando. Isso não é mais crime eleitoral, mas de falsidade eleitoral", diz.

Ambas as possibilidade deve ser levadas em consideração pelos mais prevenidos. "Se fosse dar uma sugestão a um blogueiro, diria para assinar comentários com o próprio nome e moderar os que forem anônimos", explica. O conselho vale também para quem opera um fórum online ou comunidades em rede social destinados ao debate político.

Em um cenário menos extremo, Träsel pondera a possibilidade de contatar o candidato criticado por leitor anônimo para que haja uma resposta oficial logo que o comentário for ao ar, o que impediria a interpretação de difamação por parte do respectivo político.

Nem a lei, no entanto, pode impedir que blogs difamatórios sejam criados em serviços hospedados fora do Brasil ou com empresas sem operação no Brasil. Situações como essas que praticamente inviabilizariam a quebra de sigilo exigida pela Justiça para se chegar aos culpados e aplicar a punição prevista pela Constituição.

O cuidado, obviamente, se traduz em um esforço maior por parte daqueles que cuidam de blogs, comunidades em redes sociais e fóruns. "No final das contas, o blogueiro fica responsável pelo que está no site", sintetiza. O esforço, porém, é inimigo também da Justiça. "Quem vai fiscalizar isso?, questiona Träsel.

Direito de resposta
A questão levantada pelo pesquisador ecoa opinião do professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), Massimo di Felice, ao comentar as dúvidas envolvidas na segunda restrição a blogueiros prevista no texto final da reforma eleitoral: o direito de resposta.

Ao prever que um blogueiro deve abrir seu blog à resposta de um candidato supostamente ofendido, usando o mesmo destaque e com o dobro de tempo de exposição do conteúdo original, a reforma eleitoral emula na internet restrições que fazem sentido em mídias analógicas - rádio e TV, por exemplo- , como espaço reduzido para programação.

Para que a lei se tornasse aplicável, Felice seria necessário rastrear toda a rede. "Quero ver quem vai ficar monitorando todo site e blog para ver se há ataques a um candidato. Na TV era fácil, são sete ou oito canais. Agora, é objetivamente inaplicável. Trata-se de uma lei cômica, coisa absolutamente hilária”, afirmou ele ao IDG Now!.

Para o blogueiro, na prática a distorção pode guiar os usuários mais precavidos a consultar advogados antes da publicação de conteúdos potencialmente ofensivos em uma plataforma de relativa relevância, para que não haja exploração indevida do artigo 58.

A impossibilidade de aplicação da lei tal como formulada, diz Felice, mostra como, por mais que na teoria haja perigos para blogueiros, a tendência na prática é haver sua aplicação em "casos muito extremos, com uma difamação muito grande", algo que deve ser punido a título de exemplo para os outros, afirma Träsel. Ainda assim, um pouco de cuidado não faz mal a ninguém.


Blogueiros relatam dificuldades enfrentadas por ações na Justiça no Brasil

Por Guilherme Felitti, do IDG Now!

Caso do Resenha 6, pressionado a tirar do ar post com críticas a bar, é exemplo mais recente do encontro entre blogs e tribunais no País.
A pressão dos sócios do bar São Bento sobre os responsáveis pelo Resenha em 6, blog que publicou crítica desfavorável ao estabelecimento, é o mais novo capítulo de um crescente fenômeno que deve deixar os blogueiros preocupados: o encontro entre blogs e tribunais.

O caso do Resenha em 6, que tirou o post original do ar e vem negociando com advogados do bar, é emblemático também por mostrar como a alardeada liberdade que blogs ofereceriam frente aos veículos já estabelecidos esbarra na capacidade financeira que blogueiros têm para custear suas defesas na Justiça.

O post original publicado por Raphael Quatrocci em 20 de setembro foi o gatilho para uma notificação extrajudicial enviada pela empresa Dinamite Itaim Choperia, que administra o bar, por criticar o atendimento do São Bento e chamá-lo de “pior bar do sistema solar”.

Além de citar o potencial enquadramento do blog por injúria e difamação, os sócios afirmam pela notificação que foram alvo de falsidade ideológica, já que um suposto administrador do bar comentou o post com ameaças a Rafael. A Dinamite defende que não tem nenhum funcionário de nome Jonas Steinmayer.

No dia seguinte à notificação, o Resenha em 6 tirou do ar não apenas o post original, mas também o comentário do suposto administrador e a mensagem no perfil do Twitter do blog com incentivo a comentários dos leitores.

“Ainda que com a consciência de não ter feito absolutamente nada de errado, não temos nenhuma intenção de entrar numa batalha jurídica - que, dependendo do caso, deve ser mais fácil de levar do que investir na qualidade do serviço”, afirma o post que explica o imbróglio.

Segundo o jornalista Juliano Barreto, criador do Resenha em 6, as advogadas tanto do blog como da empresa que administra o bar negociam para que o caso não vá à Justiça – a proposta do Resenha em 6 é republicar o post, sem o comentário do falso administrador.

"Golpe do RH" no primeiro caso
Um dos primeiros casos em que um blog brasileiro se viu em problemas com a Justiça não teve notificação. O advogado Fernando Gouveia soube que a empresa de contabilidade de sua mãe (no nome de quem o domínio estava registrado) estava sendo processada após a publicação de um comentário anônimo no blog coletivo Imprensa Marrom, em agosto de 2004.

O problema estava em um post publicado cinco meses antes por uma colaboradora do blog (cujo nome Gouveia não releva) que criticava o “golpe do RH”, em que candidatos eram entrevistados para vagas que não existiam. O post não citava nomes de companhias.

“Nos comentários, leitores começaram a citar nomes de empresas em seus relatos (sobre o golpe) ou transcreviam trechos de fóruns. Um comentário anônimo usou o nome completo (do sócio da consultoria que processou o Imprensa Marrom) falando que ele era gay”, detalha Gouveia, cuja persona na internet brasileira é conhecida como Gravatai Merengue.

Dois anos depois, a juíza responsável pela audiência deu ganho de causa ao réu sem que a defesa fosse ouvida, condenando Gouveia a pagar três mil reais ao acusador. O blogueiro recorreu da decisão e o caso atualmente está parado no Tribunal de Justiça, esperando para que sua apelação seja julgada.

“Eu apelo para voltar o processo e ter uma audiência. Não apelo só pela minha inocência, mas peço um processo em que eu possa me explicar. Foi um caso meio estranho”, define ele, que teve de recorrer a um agravo de instrumento para que apenas o post, e não todo o blog, fosse tirado do ar até o veredicto final.

Em suas contas, o processo já lhe consumiu 3,5 mil reais dos encargos com advogado, além de viagens para São José dos Campos, onde a ação foi iniciada, e despesas jurídicas pelo recurso.

Na hipotética situação da Justiça considerar Gouveia culpado, a exclusão definitiva do post (que saiu do ar após a citação) ou mesmo do blog não será suficiente como punição, já que a ação pede indenização por danos morais – uma condenação na Justiça deverá elevar os gastos de Gouveia além dos milhares de reais já consumidos.

O caso A Nova Corja
Caso mais emblemático que o do Imprensa Marrom é do blog gaúcho A Nova Corja, focado principalmente em comentários sobre a política do Rio Grande do Sul. Criado em 2004, o A Nova Corja acabou em agosto de 2009 em função da rotina atribulada de seus colaboradores, mas o desgaste causado por quatro processos movidos contra o canal apressou o fim.

“O Rodrigo (Álvares, cofundador do blog) começou a trabalhar no jornal O Estado de S. Paulo. É inviável seguir o ritmo de redação e tocar um blog. Eu concluí minha tese de doutorado em agosto – comecei a escrever em 2008. Não teria como continuar. E teve muito gasto com advogado. Não foi o principal, mas ajudou”, afirma Walter Valdevino, blogueiro do A Nova Corja citado em todos os processos movidos.

Três dos processos foram movidos por dois jornalistas gaúchos, enquanto o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) conseguiu liminar que exigia que o blog retirasse do ar “dados do empresário que vendeu a casa para a (governadora do Rio Grande do Sul) Yeda Crusius”, com multa diária estipulada em mil reais por desobediência.

Como o domínio do blog estava em seu nome, Walter foi processado por um post escrito por Rodrigo, em ação criminal derrubada pela Justiça gaúcha em outubro de 2008. Ainda restam um processo civil, com audiência marcada para o 19 de outubro, e outra ação criminal, parada na Justiça até que os endereços corretos de todos responsáveis pelo A Nova Corja, fora Walter, sejam listados.

Segundo estimativas próprias, os custos envolvendo os processos (que vão da contratação de advogados à elaboração da defesa, passando pelas audiências) já consumiram mais de 10 mil reais, o que obrigou tanto Walter como Leandro Demori, outro blogueiro do A Nova Corja, a adquirirem empréstimos financeiros com amigos e familiares.

“É muita grana. É coisa para tornar inviável ter um blog independente. O único fator que segura (em situações envolvendo Justiça, como é seu caso) é estar vinculado a algum portal ou ter alguma estrutura jurídica por trás. A Nova Corja não tinha isto”, afirma Walter.


Guia legal para blogueiros
A Fundação da Fronteira Eletrônica (da sigla em inglês EFF), grupo criado nos Estados Unidos para proteger os direitos digitais dos cidadãos, criou um guia legal para blogueiros que pode ser usado como base para guiar a publicação de assuntos espinhosos. O documento, porém, é voltado exclusivamente para a legislação norte-americana. O Brasil não tem guia legal semelhante.

No documento, a EFF esclarece questões envolvendo processos por infração de direitos autorais, difamação e divulgação de informações privilegiadas, com tópicos exageradamente básicos que fundamentam todos os principais percalços que blogueiros podem enfrentar durante a atualização de seus blogs.

Pelo ineditismo em um setor que historicamente não havia sido confrontado tão explicitamente com os tribunais, os casos do Imprensa Marrom, do Resenha em 6 e, principalmente, do A Nova Corja abrem precedentes perigosos para a blogosfera no Brasil. Como Walter sintetiza, o caso do blog gaúcho dá a ideia de que, “com 3 ou 4 processos, você quebra alguém que está independente”.


Chaves é a cara da Globalização

Do Blog do Luis Nassif, por Alessandro

A coisa mais universal que existe na televisão é o Chaves. Não o Hugo Chavez. O Chaves mesmo, aquele programa do SBT.

Desde que sou criança é a mesma coisa… Sempre passando o Chaves. E, no entanto, impossível ver aquelas cenas e não parar nem que seja um pouquinho para ver. O Chaves é a cara da globalização. O programa é mexicano, mas não há quem diga isso. Ele poderia ser brasileiro, norte-americano, polonês, russo e até africano. A sua essência é universal: ingenuidade misturada com maldade, que dão um humor explosivo. Um programa sem retoques. Sem politicamente correto. Sem regras definidas pelos padrões de audiência.

Ali naquela vila, que bem poderia ser um cortiço da periferia de São Paulo, vive uma criança miserável, órfã e que apanha o dia todo: o Chaves. Ele é foco do programa, mas acaba servindo de escada para outro personagens, como Kiko – o almofadinha maldoso e O Sr. Madruga – um cara que goza de todos os predicados pejorativos e motivadores de preconceito: é vagal, fuma, bebe, tem tatuagem. Ao mesmo tempo, é um cara de uma bondade inacreditável.

Quem pesquisar na internet vai encontrar muita coisa sobre o programa e uma leitura muito mais completa e aprofundada das personagens. Até achei um cara que fez uma dissertação de mestrado sobre o programa.

O que mais me chama a atenção é a vanguarda na linguagem. O Programa que assistimos até hoje foi rodado nos anos 70 e início dos 80. E o desejo de fazer humor mostrando as coisas como elas são estão lá.

Sem hipocrisias e sem o falso “bom mocismo” que mediocrizam programas de TV. Muita gente criticava, no alvorecer do modismo da psicologia familiar para qualquer coisa, que o programa mostrava famílias desestruturadas, pessoas com vícios, relações de violência, opressão… enfim, coisas que ninguém jamais veria no mundo perfeito das novelas. Grande bobagem.

Claro que o programa tinha seus exageros, como no episódio em que o Sr. Madruga apaga uma bituca de cigarro na mão do Kiko. Mas olha: que era engraçado era.

E quem não acha, é porque é uma Gentalha, Gentalha!!!


Terça-feira, Outubro 06, 2009

Mais uma do Rio 2016

Do Blog do Juca Kfouri e da CBN:

Lição de cidadania


Enquanto alguns babam ovo e vêem bairrismo, ou espírito de porco, onde há apenas preocupação em fazer bom jornalismo, eis que a seção de cartas do carioquíssima "Globo" de ontem traz uma lição de cidadania.

As únicas três cartas que se referem a Olimpíada-2016 são exemplares, todas elas da Cidade Maravilhosa.

A leitora Nemoara M.M.Silva, diz: "Alô, governantes. Não façam das Olimpíadas em terras cariocas uma farra do boi. Nossa esperança é a de que a imprensa fique atenta. O Rio merece".

Já o leitor José Luiz de Jesus Salgado diz: "Num país onde existem corrupção e graves denúncias envolvendo pessoas e instituições públicas, esperamos que o planejamento e o trato com a coisa pública na Olimpíada de 2016 sejam feitos com transparência e seriedade, sem interesses escusos, para que estes não superem a vontade de sediar uma Olimpíada e o efetivo amor pelo esporte".

Finalmente, Elson de Azevedo Burity escreve: "No Pan de dois anos atrás prometeram urbanizar o bairro do Méier, do Engenho de Dentro e adjacências. O resultado pífio é aquilo que se vê até hoje: nada. Na Vila Olímpica, após serem vendidos todos os imóveis, cerca de 90% deles permanecem desocupados por falta de documentos da prefeitura. E o metrô ligando a Zona Sul à Barra da Tijuca? Vislumbra-se uma farra futura de corrupção, nepotismo e irresponsabilidade com o erário público".

São leitores dando exemplo a jornalistas, alguns que nem cariocas são, que só fazem babação.


Viagem ao tempo do double-deck

Por Bia Kunze no Tecnoblog




Minha sala de estar tem uma daquelas enormes estantes com rack que, além de abrigar TV, som, DVD player, etc, tem aqueles espaços para guardar coleção de CDs e DVDs. Esses espaços já estavam lotados faz tempo, mas não é por isso que os deixei de usar. É que comprar CD e DVD tem se tornado coisa cada vez mais rara, salvo um ou outro box de seriado ou sequências de filmes – a maioria, ganhos de presente.

Mas olhar aquele amontoado de coisas estava me incomodando mais a cada dia. Além de juntar poeira, já que eles nunca saíam dos seus nichos, estavam interferindo na decoração da sala. Por mais arrumadinhos que estivessem, iam contra meu senso de “clean”. Um belo dia, numa tarde de domingo, tirei tudo de lá (com direito a máscara, por causa da asma) e no lugar coloquei uns poucos objetos de decoração, porta-retratos, etc. Numa casa onde não há tapetes nem cortinas (apenas persianas), tive a sensação que desalojei de vez os últimos ácaros que coabitavam meu lar.

Olhei o aparelho de som. Ele tem uns 20 anos de uso, mas continua em excelentes condições. Na época em que foi comprado, era um arroubo de ousadia não vir com toca-discos. No lugar, ele orgulhosamente trazia uma enorme gaveta com capacidade para 5 CDs, para ouvir “horas de música ininterrupta sem repetição”. O supra-sumo da modernidade! Intimamente, dei risada. Estava com medo de apertar o botão do carrossel de CDs e uma aranha pular de lá de dentro. Hoje, praticamente só uso a saída auxiliar, devidamente ligada no computador-mediacenter.

Enchi um armário com os DVDs e CDs. Achei algumas coisas que nem lembrava mais que tinha. Filmes velhíssimos da Bette Davis e um do Rodolfo Valentino. (alguém conhece?) Discos do Legião Urbana. Trabalhos audiovisuais da época da faculdade de rádio e TV. Edição de colecionador de “Cantando na Chuva”, com pôster e tudo – presente do marido ainda quando nos conhecíamos. Uma coletânea “10 anos (!) sem Vinícius de Moraes”. DVDs de Cidadão Kane, O Iluminado e Um Estranho no Ninho, que já separei para rever na primeira oportunidade. Um CD do Netinho. (desculpem… é que ô-milaaaaaaa era música tema da minha turma nos tempos da faculdade de odonto).

Aquela faxina se transformou numa viagem no tempo. Boa parte do que eu mais ouvia em MP3 hoje eram coisas que já havia ripado desses CDs há muito tempo. Conversei com o marido, que já pretendia comprar um Time Capsule de 2 TB. Ele também tem uma biblioteca de mídia ótica respeitável. Agora reforçamos os planos e já o colocamos no orçamento para daqui uns meses. Aos poucos, converteremos tudo para digital e, excetuando-se as peças de valor sentimental (tipo o CD do Netinho ), vamos nos desfazer de tudo. Talvez doando para alguma instituição ou biblioteca pública…

A idéia do Time Capsule é ter um super-roteador com armazenamento de sobra e, a partir de qualquer computador da casa, acessar todo o conteúdo que estiver lá. Além de servir de backup para nossas máquinas. Mas, muito mais do que isso, poderemos também viajar e acessar nossas coisas de qualquer lugar, via MobileMe.

Olho para o aparelho de som ligado ao mediacenter na sala e reflito o quanto as coisas mudaram em tão pouco tempo. Como tudo ficou mais fácil, instantâneo e também – por que não – descartável. Há 20 anos consumíamos bem menos mídia que hoje, mas selecionávamos melhor.

Atualmente, na minha sala, a única reminiscência visível do passado é o duplo-deck de fitas cassete do aparelho de som. Até isso se transformou num paradigma: esses tudo-em-um vendiam horrores, todo mundo copiava vinis ou duplicava fitas cassete, mas nenhuma gravadora reclamava disso, lembram?

É. Como o mundo mudou…


Bia Kunze, também conhecida como Garota Sem Fio, teve seu primeiro celular 3 anos antes do seu primeiro PC. É dentista homecare, consultora e palestrante em tecnologia móvel e comentarista da rádio CBN. A paixão pela mobilidade é orgânica: ela não tem a menor paciência de ficar sentada na frente de um computador.


Política Brasileira (assunto para profissionais)

O Presidente Tancredo Neves era quem gostava de dizer que politica não é coisas para amadores, em especial no Brasil (e mais ainda aqui em Minas).

Achei interessantíssimo essas duas análises, uma do quadro, outra da primeira análise no quadro colocádo. Observem:

Do Jornal Valor:

Lula trabalha pela desistência de Serra
2010: Presidente e governistas estariam “espremendo” Serra até levar o governador a desistir de candidatura

Por Raymundo Costa, de Brasília

A troca de domicílio eleitoral de Ciro Gomes do Ceará para São Paulo provavelmente tirou um potencial candidato a presidente, na eleição de 2010, e revela que depois da escolha de Dilma Rousseff para concorrer à sua sucessão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elegeu a retirada do governador José Serra (SP) da disputa como próximo objetivo.

Para se candidatar a presidente, Ciro não precisaria trocar de domicílio eleitoral. O deputado submeteu-se a uma decisão de Lula, na expectativa de que, mais tarde, possa compor uma improvável chapa com Dilma Rousseff ou mesmo ser candidato a presidente pelo PSB, na hipótese de os governistas julgarem necessário o lançamento de mais de um nome para assegurar um segundo turno com José Serra.

A candidatura a vice de Dilma é improvável porque isso retiraria da aliança o PMDB, o maior partido brasileiro. Ciro teria chance de habilitar-se a vice na eventualidade, hoje improvável, de o candidato do PSDB vir a ser o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Ao trocar de domicílio eleitoral, Ciro desgastou-se com os cearenses que o elegeram prefeito de Fortaleza, governador do Estado e deputado federal, além de lhe garantirem uma passagem pela Assembleia Legislativa. É uma jogada de risco, pois não se sabe qual será a reação dos paulistas.

O movimento da peça Ciro foi o principal lance de Lula, ao vencer o primeiro prazo importante para as eleições de 2010. O outro deu-se fora do campo governista: a filiação da ex-ministra Marina Silva ao PV. Ela dificilmente será uma nova Heloisa Helena (P-SOL), agressiva e sem estrutura. Marina é calma e mesmo num partido pequeno, deverá contar com o apoio de movimentos organizados como as ONGs ambientais. Deve ter menos problemas de financiamento de campanha do que Heloísa Helena. Lula preferia que Henrique Meirelles ficasse sem filiação partidária, mas ele decidiu ir para o PMDB.

A mudança de domicílio de Ciro foi decidida em reunião da cúpula do PSB com o presidente. Os dirigentes do partido ainda argumentaram que Ciro candidato a presidente serviria melhor aos interesses do Palácio do Planalto, pois assegurava a passagem de um aliado de Lula para o segundo turno. O presidente respondeu que compreendia o raciocínio dos pessebistas, mas que ele queria Ciro em São Paulo.

Ciro Gomes disse ao Valor que transferiu domicílio eleitoral para São Paulo, mas que a única certeza que tem é a de que será candidato a presidente da República. “Estou tão seguro disso como das duas outras vezes em que disputei (e perdeu)”, disse. O que ele não nega é que entra na campanha pronto para azucrinar Serra. “Vou dizer o que José Serra representa”. E o que o governador paulista representa? Segundo Ciro, “com todos os méritos que ele (Serra) tem, não pode fingir que não representa a volta da turma do Fernando Henrique Cardoso”. Basta observar, segundo o deputado, que Serra governa São Paulo “com a turma de FHC”. Entre outros, cita Andrea Matarazzo e Paulo Renato, ex-ministros tucanos. “O que Serra fez quando o câmbio estava apreciado?”.

O deputado e ex-ministro de Lula ri com desdém quando confrontado com informações segundo as quais não seria o Plano B de Lula na disputa presidencial. Ciro entende que a imprensa ainda não compreendeu e nem deu a devida importância ao que de fato está ocorrendo: eles (os governistas) estariam “espremendo” Serra até levar o governador a desistir de sua provável candidatura a presidente. “O Serra faz uma avaliação ciclotímica”, acredita o deputado. Nas últimas pesquisas feitas, Serra já perde para a soma dos outros candidatos. E ninguém esquece que ele já desistiu uma vez: em 2006 liderava as pesquisas, mas cedeu a vaga para Geraldo Alckmin.

Serra costuma dizer que não será candidato a qualquer custo e que só se decidirá por volta de março. É provável – é seu estilo deixar decisões como essa para o último minuto. Mas a direção tucana não vê um movimento sequer que a leve a especular a eventual desistência de Serra. Pelo contrário, e até com uma certa surpresa, vê o governador de São Paulo bem mais ativo, nas articulações internas, que Aécio Neves. O tucano mineiro trabalha mais no sentido de provar que é capaz de agregar mais apoios.

Semana passada, Aécio conversou com o presidente da República. Deixou claro que, se for o escolhido dos tucanos, não será um candidato antiLula. Ciro diz que, na eventualidade da candidatura Aécio, ele próprio vai repensar a sua. Ele acha que o governador de Minas seria um candidato forte, que de saída levaria 80% dos votos mineiros e não teria dificuldades no Sul, que já vota contra o PT. E na região Nordeste, reduto do lulismo, teria mais chances que Serra. Ciro diz que o país não deseja outro presidente de São Paulo, e que Lula pensa como ele, nesse aspecto em particular.

Aécio, de fato, ampliou o arco de suas articulações políticas fora do PSDB. Ele acena para os tucanos, por exemplo, com a possibilidade de fazer uma aliança com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. O Rio é terreno minado para Serra. O governador de São Paulo havia estabelecido uma cabeça-de-ponte no Estado por intermédio do deputado Fernando Gabeira (PV). Mas o cenário muda com a candidatura de Marina Silva a presidente. Cabral, por seu turno, já não demonstra tanto entusiasmo com a candidatura Dilma, o que deve mudar se a ministra voltar a subir nas pesquisas de opinião, como esperam Lula e o PT.

Serra não tem como ignorar Ciro em seu quintal. Segundo os tucanos, a decisão de Lula deixou o governador incomodado. Menos pelo potencial eleitoral do deputado – ‘Ciro é mamão com açúcar’, dizem dirigentes do PSDB -, e mais pelo papel que ele vai desempenhar em São Paulo atacar o governador e baixar o nível da campanha, deixando para a candidata do governo o figurino ‘Dilminha paz e amor’. Partidos aliados dizem haver um acordo tácito Lula-Serra para manter elevado o nível da campanha eleitoral, em 2010. A prática aponta outra direção..

Pouco antes de mudar de domicílio, Ciro disse que Serra tinha alma mais feia do que o rosto. O deputado do PSB queixa-se de que a imprensa deu destaque a sua declaração, segundo ele publicada fora de contexto. No entanto, ignorou uma frase de Serra em que o governador diz que as críticas a um projeto do Palácio dos Bandeirantes não passavam de “trololó político”. Segundo o dicionário Aurélio, trololó significa “música de caráter ligeiro e fácil”. Mas na linguagem popularmente quer dizer “nádegas”. Trololó é uma expressão constante no vocabulário de Serra. “Trololó petista”, costuma dizer o governador.


Do Blog do Luis Nassif:
 
O quebra-cabeça das eleições
Luis Nassif


O quebra-cabeças político não é para qualquer um. O repórter colhe dados, informações, rumores e tem dificuldade para entender o jogo, quando há a necessidade de deduzir as peças que faltam. O analista recolhe dados incompletos, monta um quebra-cabeça com algumas peças, deduz as peças que faltam, para chegar à conclusão final.

O bom repórter, se não for analista, acaba se confundindo com os sinais.

É o que ocorre no Valor de hoje, com a matéria que afirma que a intenção da estratégia eleitoral de Lula é inviabilizar a candidatura José Serra.

O repórter juntou peças e raciocínios, alguns corretos, alguns incompletos, para chegar a uma conclusão errada.


Seu raciocínio:

1. Lula teria estimulado Ciro Gomes a mudar o domicílio para São Paulo (informação provavelmente correta).

2. Lula teria estimulado Marina Silva a se mudar para o PV (informação com baixa probabilidade de ser correta). Ambos – Ciro e Marina – tiram votos de José Serra.A evidência na qual o repórter se baseia é no fato de Marina não atacar o governo Lula. Ora, reside nessa estratégia sua única chance de capturar votos de dissidentes do PT que jamais aceitariam Serra. Se ela se tornasse uma antilulista, aí sim se poderia dizer que estaria disputando o espaço com Serra.

3. O papel de Ciro seria o de assumir a frente anti-Serra (provável), liberando Dilma Roussef para ser a conciliadora. Mais à frente, seria o vice de Dilma (muito cedo para essas certezas).

O raciocínio está certo quando apresenta o plano A (com Dilma) como o da conciliação) e o B (com Ciro) como o da guerra.

Mas não tem como combinar o fim do jogo, com Dilma e Ciro casando-se politicamente no final e sendo felizes para sempre. Foi dada a largada e só mais à frente se saberá qual alternativa está mais avançada, se A ou B. Tem-se uma obra aberta, que comportará vários finais.

4. A partir desses dados, como o alvo principal parece ser Serra, o repórter conclui que a estratégia de Lula será a de inviabilizar a candidatura Serra. Aí faltou a sutileza do analista.

O Planalto centrou a estratégia de ataque em São Paulo simplesmente porque São Paulo é a alma do PSDB nacional e o reduto do antilulismo mais intransigente.

Há uma dupla relação de causalidade nesse jogo.

* A força de Serra reside no antilulismo paulista. E sua imagem está fortemente blindada pela mídia.

* O crescimento do lulismo depende da derrubada dessa blindagem. E ninguém melhor que Ciro para ousar esse desafio.

O erro central da análise está justamente sua conclusão final. Interessa ao Planalto enfraquecer Serra (e, por tabela, o PSDB em São Paulo), mas não tirá-lo da disputa. Teme-se muito mais o fato novo – representado por Aécio – do que o candidato conhecido, com a imagem imprudentemente colada ao do político de maior rejeição da história moderna do país: Fernando Henrique Cardoso.

Comentário Meu:

Não Acredito, de fato, em toda essa orquestração observada pelo primeiro analista. De fato creio que as canditaturas de Marina Silva e Ciro Gomes, são, para o Lula mais problemas com que se deve lidar, do que ferramentas para minar uma eventual candidatura de José Serra. O mundo perfeito para a candidatura da Dilma, seria sim, a eleição plebsitária projetada por Lula e pelo PT. Marina aparece enfraquecendo a candidatura oficial, e o Ciro chega absorbendo em parte a aura da continuidade (atrapalhando Dilma ainda mais). A transferência do domicílio eleitoral do Ciro Gomes é uma forma de ele se manter como plano B de Lula à candidatura da Dilma, mas mantendo para si, também, a possibilidade de um plano alternativo, com uma possivel candidatura ao governo de São Paulo ungida com o apoio e a indicação do Presidente Lula.

Concodo com o Nasif em relação a candidatura do Aécio (que não está morta ainda, acreditem), e se para Biografia do Lula, seria interessante para ele poder dizer que não haveria opositores ao seu governo entre os candidatos a sucedê-lo. Porém o Risco (que já é grande) da candidatura de Dilma Roussef naufragar, torna-se ainda maior no caso da Candidatura do Governador de Minas que tem muitas boas relações entre expoentes da base que apoiaria a candidatura da Ministra.

Por fim, do meu ponto de vista, esse atribuo muito do quadro formado e das decisções tomadas, mais ao feeling dos envolvidos, do que a planejamentos e estratégias mirabolantes.


A Microsoft e os Danos do Monopólio

por Luis Nassif no seu Blog.

Li no excelente caderno Link, do Estadão, que o Xbox, da Microsoft, deixou de ser o campeão de problemas técnicos, entre os consoles de jogo.

Eu nem sabia disso. Acompanhei o inicio da guerra, o alarido infernal preconizando que a Microsoft bateria a Sony nesse campo. Mas só agora fico sabendo que seu aparelho foi o campeão de reclamações. E em uma nota que afirma que isso é passado. De um tempo para cá o Xbox teria dado a volta e tornou-se o aparelho com menor número de reclamações.

Daqui a algum tempo é possível que apareça outra matéria informando que em setembro de 2009 o Xbox ainda dava muitos problemas, mas agora…

Em outra revista leio que o aparelho que a Microsoft lançou com estardalhaço para concorrer com o iPod, detém parcelas insignificantes do mercado americano. Deverá ser desativado em breve.

Em uma outra matéria, a informação de que a Microsoft admite que o Windows Vista foi o maior fracasso (“menor sucesso”, como diz um executivo da empresa) da história da empresa. E o Windows Mobile, para celulares, caminha para a irrelevância.

Fica cada vez mais claro a extraordinária importância do marketing positivo na história da companhia.

Quando saíram os primeiros Outlooks, uma geringonça inadministrável, só se ficava sabendo dos defeitos e reclamações de uma versão quando eram lançadas novas versões corrigindo as anteriores.

Agora, será lançado o Windows 7. Um sucesso total, de acordo com as pesquisas que a empresa divulga – e são aceitas acriticamente pela mídia especializada. E me lembrei do extraordinário sucesso de público que foi o Windows Vista.

Li uma boa avaliação na Infoexame. Nada que me fizesse abrir mão do XP no Toshibão. E menos ainda dos meus Macs. A edição analisa a nova versão do OS do Mac e o Ubuntu. Terminei a leitura pensando em fazer uma nova tentativa com o Ubuntu em uma das partições do Toshibão.

O ponto mais interessante é que, enquanto a nova versão do OS-Leopard, da Apple, será lançada por menos de R$ 100,00, o Windows Vista terá o estratosférico preço de R$ 700,00. E porque isso? Porque o último monopólio que restou à Microsoft é das redes empresariais de grandes empresas que usam o Exchange. Se ela entrar na guerra de preços, garante o futuro, mas esmigalha o próximo balanço.

Já existe um movimento consistente – da Google à IBM – para oferecer redes virtuais como substituta das redes internas das empresas. Essa nova onda irá conquistar rapidamente pequenas e médias empresas. As grandes corporações exigirão níveis de segurança maiores. São elas o último reduto do poderio da outrora imbatível Microsoft, centrado em dois produtos básicos: o Exchange e o Office (incluindo o Messenger).

Toda a criatividade exibida antes de se tornar monopólio, exauriu-se com o monopólio. Cadê o OneNote, o Sharepoint, as comunidade de relacionamento, os produtos virtuais? Rompeu-se em um momento qualquer em que a competição deixou de ser a mola mestra da empresa, substituída por manobras jurídicas, conluio com setor público e abusos de poder de mercado.

Comentário Meu:

Desde de a fantástica jogada do Bill Gates de licenciar o DOS, gratuitamente, e abocanhar quase todo o mercado de sistemas operacionais no mundo, a microsoft nunca mais deu uma dentro (se analisarmos a qualidade de seusprodutos). Enfim a Microsoft sempre foi uma empresa de excelente negociantes, mas não de programadores  e programas e produtos top de linha.


A Olimpíada que perdemos. Sempre

Por Clóvis Rossi para a Folha de São Paulo


Não deixa de ser pedagógico o fato de as Nações Unidas terem divulgado o seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) apenas 48 horas depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter decretado que o Brasil passara a ser um país de "primeira classe", porque o Rio fora escolhido para sede da Olimpíada de 2016.

Não, presidente, o Brasil é de 75ª classe, a sua classificação no IDH, vexatória como sempre.

Aliás, toda vez que sai um ranking internacional que mede algum aspecto do desenvolvimento humano, o Brasil passa vergonha.

Ficou, desta vez, quase empatado com a Bósnia-Herzegovina. Ajuda-memória: a Bósnia-Herzegovina é aquele pedaço da antiga Iugoslávia que passou faz pouco menos de 20 anos por um genocídio --e nada é mais devastador para o desenvolvimento humano que uma guerra como aquela.

O Brasil, ao contrário, não tem uma guerra desse tipo desde a do Paraguai, no remoto século 19. Não obstante, empaca no desenvolvimento humano desde sempre.

O que torna ainda mais desagradável o resultado é o fato de que, nos 15 anos mais recentes, o país teve dois governos de eficiência acima do padrão usual e de proclamadas intenções sociais --algumas realizadas, outras nem tanto ou nada.

O Brasil de fato passou a ter, nos últimos anos, um peso internacional inédito na sua história, mas o IDH só dá total razão ao que escrevi domingo, para a Folha: "Nada de perder a perspectiva: os que fizeram a viagem [rumo à primeira classe] são poucos, pouquíssimos políticos, um bom número de diplomatas e funcionários públicos graduados, um número crescente mas ainda pequeno de empresários. É uma vanguarda que, se olhar para trás, verá que a grande massa ainda come poeira".

A ONU assinou embaixo. E de quebra desmontou a falácia dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) como as grandes potências de um futuro próximo. A Rússia ficou pouco acima do Brasil, no 71º lugar; a China, bem abaixo, no 92º. A Índia, então, é de terceira classe no capítulo desenvolvimento humano (134º posto).

Clóvis Rossi é repórter especial e membro do Conselho Editorial da Folha, ganhador dos prêmios Maria Moors Cabot (EUA) e da Fundación por un Nuevo Periodismo Iberoamericano. Assina coluna às quintas e domingos na página 2 da Folha e, aos sábados, no caderno Mundo. É autor, entre outras obras, de "EnviadoEspecial: 25 Anos ao Redor do Mundo e "O Que é Jornalismo".

Comentário do Maurício Noriega (de cujo Blog tive acesso a esse texto através do post O mais importante era ganhar outra Olimpíada):

Brilhante texto do Clóvis Rossi sobre a posição do Brasil no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano. Vale a pela ler aqui.


É ótimo ter os Jogos no Rio em 2016 e a Copa em 2014, mas só seremos um País de primeira classe quando vencermos essa outra Olimpíada, a da dignidade. O resto, inclusive a ilusão do pré-sal (uai, antes não era o etanol a nossa salvação?) é fanfarronice política.
 
Comentário Meu:
 
Ainda escreverei aqui sobre, a campanha a escolha e a realização dos jogos olímpicos no Rio em 2016. Mas é imprescindível a tomada de consciência de nós todos enquanto povo e enquanto nação das nossas prioridades verdadeiras.
 
Em tempo, Maurício Noriega é empregado das organizações Globo, a grande e maior patrocinadora dessa patriotada toda... meus parabéns pela postura...


Segunda-feira, Outubro 05, 2009

Jovem Nerd leva o prêmio VMB de Blog do Ano


Publicado Originalmente no Meu Dejavu do amigo Coutinho.



O Jovem Nerd ganhou nesta quinta-feira o prêmio VMB da MTV na categoria Blog do ano. Totalmente merecido para os caras mais bacanas da internet brasileiras. Parabéns @azaghal e @jovemnerd.


Jovem Nerd no VMB


A Lei de Lula

Publicado por Daisy Carvalho no Blog da Dai


Este aí é o Lúcifer. Ou melhor, hoje, depois de milhares de anos, passou a ser conhecido como Satanás, que significa adversário. Dependendo do ponto de visão, ele pode ser considerado parceiro, amigo, mestre. A conotação adversário, por exemplo, é pertinente a quem está do lado oposto. Se há adversário, significa que há dois lados.

O outro lado é Deus, o Todo-Poderoso. O que criou os céus e a terra, com tudo que há neles. Entretanto, para Satanás, Deus, seus anjos de luz, querubins, e seus seguidores na terra (homens), é que são seus adversários.

Teologicamente, ou melhor, do ponto de vista antropológico, não convém, por medidas cautelares da sociologia, que o homem por si só defina ou redefina o que certo e errado. Contudo, existe uma característica um tanto misteriosa pertinente à nossa existência, que é chamado pela psicologia e outras ciências de inconsciente coletivo.

Está contido num lado do cérebro humano há gerações. Alguns conceitos imutáveis de certo e errado, que vem associar-se espontaneamente aos mandamentos de Moisés. Isto é uma conotação do bom adversário. Não significando, todavia, que o homem há que definir-se: Deus ou Satanás.

O homem, ao contrário dos espíritos, convive, desde sua criação, com as moléculas da inconstância. Dubiedade faz parte do caráter humano. Dúvidas e crises existenciais. Nem mesmo um dos apóstolos de Jesus Cristo, o Judas Escariotes escapou de tal ameaça. O caráter não pode ser definitivo sem treinamento espiritual.

Fica claro, ao menos para mim, que a dificuldade que encontramos em aceitar Deus como mantenedor de nossa existência, talvez seja a dose excessiva de liberdade, o livre arbítrio pertinente à raça humana. Independente da religião, haverá nela o bem e o mal. É possível encontrar pessoas boas nas religiões mais dúbias em seu caráter formativo, como também, a exemplo de Judas, o mal habita em toda parte.

No final das contas, acredito que uso de imagens são de pouca valia. Já temos a propensão a crermos até em pedras e gravuras. A ilustração acima é só para somar ao post.

Ghandi teve um sonho que cresceu. Hitler também.

As novas políticas brasileiras apontam para uma guerra de religião. Desafetos do presidente Lula que não se sabe se está com os evangélicos ou com os umbandistas. De alguma forma, esse Deus que a tudo criou não está contido nesses homens dúbios.

Com relação a imagens, bom advertir que a gravura acima, segundo os Evangelhos, comete um erro – a chave que Satanás segura em sua mão não mais lhe pertenceria. Teria este sido derrotado pelo leão de Judá, que tomou-lhe a chave da vida e da morte, o que garantiria a salvação do homem.

Respeito as religiões. Da evangélica, mesmo não entendendo o Bispo Macedo que, dizem, destina quarenta por cento do dízimo arrecadado à TV Record – a qualquer manifestação. Porém, levantam-se dois lados dentro da política brasileira. Deus versus diabo?
Aguardemos.


Quarta-feira, Setembro 23, 2009

Brasileiro reclama de quê?

publicado por Simas em bicudanacanela

O brasileiro é assim…

1. - Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
2. - Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
3. - Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
4. - Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, dentadura.
5. - Fala no celular enquanto dirige.
6. -Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
7. - Para em filas duplas, triplas em frente às escolas.
8. - Viola a lei do silêncio.
9. - Dirige após consumir bebida alcoólica.
10. - Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.


11. - Espalha mesas, churrasqueira nas calçadas.
12. - Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho.
13. - Faz gato de luz, de água e de tv a cabo.
14. - Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
15. - Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda para pagar menos imposto.
16. - Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
17. - Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10 pede nota fiscal de 20.
18. - Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
19. - Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
20. - Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
21. - Compra produtos piratas com a plena consciência de que são piratas.
22. - Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
23. - Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
24. - Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
25. - Freqüenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.
26. - Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis…. como se isso não fosse roubo.
27. - Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.
28. - Falsifica tudo, tudo mesmo.. só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado…
29. - Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem…
30. - Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.

E quer que os políticos sejam honestos?

Escandaliza-se com a farra das passagens aéreas?

Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo… ou não?

Brasileiro reclama de quê, afinal?

Ou vai dizer que você nunca fez nada dessa lista? Heim?

COMENTÁRIO MEU:

Há seis desses ítens que eu tenho que adimitir que os cometo/cometi/tenho cometido... (em casos que nem sei se considero errado, de fato...). Mas excelente é a discussão sobre a moral que o povo brasileiro quase na totalidade tem (ou deixa de ter) para poder cobrar de alguém depois...


Síndromes e psicologices

por LUÍS NASSIF, Coluna de 2005 (republicada no blog)


Dia desses fui atrás do meu neurologista. Julgava ser vítima do transtorno de hiperatividade e déficit de atenção. No ano passado, saiu um livro sobre o tema, que virou best-seller. Já tinham me alertado de que era um embuste, com muito marketing e quase nada de ciência.

Mesmo assim havia um conjunto de fatores que identifiquei em mim. E toca a visitar Daniele Riva, neurologista, filósofo, intelectual sólido. Perdi a consulta, porque não tinha nada, mas ganhei em conhecimento.

É da natureza da medicina a categorização das doenças. É a partir disso que se definem os procedimentos médicos.

Quando se trata de sintomas de comportamento, esse visão “cabeça de planilha” do médico patina. O comportamento pode ser afetado pela educação do indivíduo e, em muito, pelos próprios valores da sociedade moderna. Entre o comportamento “estranho” e a patologia, há um universo de gradações, sem a compartimentalização que caracteriza outros tipos de doença. Só que, nos últimos anos, a praga do marketing passou a assolar a psiquiatria e, com ela, o recurso de categorizar os sintomas.

A dispersão e o esquecimento são características desses tempos de hiperinformação. A mente não consegue processar todas as informações recebidas não por qualquer síndrome do indivíduo, mas porque existe uma superdosagem de informações. Além disso, a formação da maior parte das pessoas visa o sucesso profissional, o que gera ansiedade, dedicação desmedida ao trabalho.

Nossos pais trabalhavam tanto quanto nós e não tinham por hábito o lazer. Hoje esse perfil seria tratado como “compulsão pelo trabalho”, e a busca do lazer, imposta como necessidade médica. Homens namoradores eram tidos como “galinhas”. Hoje, viraram “compulsivos sexuais”, especialmente após o episódio Michael Douglas. O gosto pelo chocolate transforma as pessoas em “chocólatras”. E a gula virou “compulsão pela comida”.

Quando se analisam sintomas de síndromes diversas, se verão muitos pontos em comum. O que parece é que o médico pega um conjunto de características, comuns aos tempos modernos, monta o quebra-cabeça a seu gosto e cria o seu diagnóstico, que pode ser de borderline, síndrome da atenção ou qualquer outra.

Aliás, nos anos 70 tornou-se famosa em São Paulo a história do dono de uma construtora flagrado pela mulher no sofá da sala com a empregada. Sua reação foi um ataque de risos, seguido de uma fuga rápida. Dois dias depois um amigo dele, psiquiatra, procurou a mulher e informou-a de que ele tinha rido devido a um ataque nervoso, de que estava disposto a voltar para casa, mas ela não poderia em hipótese nenhuma relembrar o episódio, pois colocaria em risco sua sanidade mental.

Por trás disso tudo, existe uma rentável indústria do psicologismo, contra a qual os consumidores têm poucas defesas. A subjetividade do tema, o fato de os analistas atuarem em grupos, uns indicando outros, e o receio dos pacientes de denunciar os manipuladores tornam o homem moderno não apenas vítima das doenças modernas mas também dessa indústria da terapia.


O governo Collor e João-Bafo-de-Onça

DO BLOG DO LUIS NASSIF:

Da coluna da Mônica Bérgamo:

“Mas, se ganha, não governa”, continuou Lula. “Outro dia, eu viajei com o Collor pra Alagoas. E eu perguntei pra ele: “Mas, Collor, como você foi nomear um cara como o João “Bafo de Onça” para o seu ministério [referindo-se a João Santana, nomeado por Collor secretário de Administração], um cara, sabe, que não ganhava nem eleição para diretório do PT?” E o Collor me disse: “Eu não tinha quadros”. É isso. Sem quadros, você não governa.”

Comentário do Luis Nassif:

Ainda está por merecer uma análise sóbria o governo Collor. O despreparo da equipe era evidente. O João “Bafo-de-onça”, mencionado por Lula, era o João Santana, primeiro indicado Secretário de Administração, depois Ministro da Infra-estrutura – um superministério que juntava quatro ou cinco ministérios de peso.

Na época, João era um meninão. Freqüentávamos o Bar Brasil, dos irmãos Caruso. Cada vez que arrumava uma namorada bonita, o João se comportava como um ser superior, que nem olhava para o lado, para gargalhada de uma turma de sacanas empedernidos, como o Percival Maricatto e outros.

Era um meninão, apenas isso, de idade e de cabeça. Seu cargo anterior mais relevante tinha sido o de uma espécie de guarda-costas do ex-Ministro Dilson Funaro.

Eleito presidente, Collor o indicou para a Secretaria da Administração. O estrago que ele fez levou anos para ser parcialmente corrigido. Conseguiu, inclusive, liquidar com o censo decenal do IBGE.

Na Infra-estrutura, Santana declarou certa vez à Gazeta Mercantil que caberia a ele definir o sistema de celular da Telesp. Fiz uma crítica duríssima a ele. Me chamou em Brasília, esticou um documento na minha frente e perguntou: “O que você acha agora desse modelo de licitação?”. Havia recuado da posição anterior e queria o aval de um jornalista para o novo modelo de licitação que estava preparando.

Não acreditei no que ouvia. Perguntei se ele estava brincando. Não, estava falando sério. Expliquei com toda calma que pude que não era advogado, não era especialista em licitação e não era avalista de ninguém. Se quisesse, divulgasse a minuta do edital e recolhesse as repercussões pela imprensa.

São dois episódios que mostram, por alto, a estrutura extremamente precária que Collor levou para seu governo. Sem contar sua Ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello, possivelmente a pessoa mais despreparada a ocupar esse cargo na história moderna do país.

Por outro lado, embora os métodos de Collor fossem conhecidos – e em nada fossem diferentes do que veio antes e depois -, antes do seu processo de demonização muitos políticos relevantes aceitaram os acenos feitos para que fossem compor a sua equipe.

No PSDB, por exemplo, Fernando Henrique Cardoso e José Serra quase aceitaram o convite. Foram impedidos por Mário Covas – na época, duramente criticado pelo então governador do Ceará, Ciro Gomes, por sua intransigência.

Não estou “acusando”FHC , Serra e Ciro de quase terem se tornado colloridos. Aliás, acho que o país teria ganhado muitíssimo se tivessem ido para o governo. Apenas mostro que houve dois Collors, o anterior ao período de demonização e o que foi demonizado pela imprensa e virou maldito.

Depois que ele caiu, nenhum dos quase aliados ousou sequer mostrar partes positivas de seu governo, por medo do patrulhamento. A mesma imprensa que o incensara, depois o amaldiçoara, jogando-o no limbo da história.

Aquela máxima das apelações na polêmica – invocar Hitler e o nazismo para liquidar a discussão – aplicou-se a Collor. Basta comparar um argumento ou situação com o Collor para liquidar com a discussão.

O tema Collor, aliás, mostra um dos pontos pobres da discussão pública. Não se pode analisar o personagem com seus defeitos e qualidades. A pobreza retórica faz com que se isole o elogio, o sujeito seja taxado de “pró-Collor” e estamos conversados.

E, assim, esse blogueiro, jornalista mais perseguido por Collor – tirou meu programa do ar em Brasília e no Rio, seu pessoal me processou várias vezes – teve que dar a cara a bater e defender isoladamente, nesses anos todos, que o governo Collor teve aspectos positivos e uma visão de futuro não igualada por seus sucessores, e só proporcional à sua falta de cintura política.

PS – Quem for patrulhar, devagar que hoje é o início da Primavera.

COMENTÁRIO MEU:

Cara-pintada que eu fui, tendo estado na rua pedindo o impedimento do presidente, devo dizer duas coisas, fica provado pela passagem do tempo, que não foi a corrupção quem tirou Collor do poder, haja visto os escândalos de maior gravidade, e sem punição alguma ou punições menores (meras maquiagens) que se seguiram na cena política nacional nos últimos 15 anos. Sendo a demonização que houve da figura do ex-presidente fato muito mais midiático do que jurídico.
A segunda coisa é que hoje, quando o Brasil alcança a terceira avaliação de grau de investimento (ou Investment Grade, para quem assim preferir), se formos olhar bem, quem lançou as bases para que o Brasil se modernizasse e aparecesse hoje como um player a ser levado a sério, foi exatamente o presidente Collor com as reformas que seu governo implementou.

Não me arrependo de nada que fiz naquela época, mas avaliando corretamente, Collor foi sim bom para a economia. Agiu mal no tratamento da coisa pública, e por isso mereceu o impedimento. Se fosse mantido o raciocíno tanto FHC, como Lula, repetiram a trajetória, tanto no que diz respeito a economia, tanto quanto no trato da coisa pública.


Os perigos de Marina

Por Dora Kramer para o Estado de São Paulo (trecho reproduzido no blog do noblat)

Pergunte-se a um integrante do comando do PSDB ou a dirigente nacional do PT qual dos dois partidos se sente mais prejudicado com a entrada de Marina Silva na disputa presidencial, a resposta será a mesma.

"Acho que ela tira mais votos de nós", concluem ambos, que só não falam em coro porque a análise é feita em dia e local diferentes. O tucano diz a frase numa terça-feira no bairro Morumbi e o petista a repete na noite de sábado em Higienópolis, em São Paulo.

A coincidência de opiniões não representa uma certeza absoluta. Até que as próximas pesquisas desenhem melhor o comportamento do eleitorado, tanto o PT quanto o PSDB vivem na dúvida a respeito de quem sofre mais perdas com a candidatura "verde".

Que Marina leva desvantagem para um dos lados, todos concordam, já que sua entrada em cena acabou com o plano do presidente de fazer da eleição um plebiscito. Mas ninguém sabe ao certo quem perde mais.

Em princípio, cada um dos lados se sente a maior vítima.

A primeira impressão do PSDB é a de que Marina Silva conquista aquele eleitor decepcionado com o PT e que ficaria com os tucanos só por falta de opção, um contingente nada desprezível com o qual estava contando a oposição.

Já o PT acha que esse mesmo eleitorado poderia hesitar, mas não estava perdido. Antes de Marina aparecer como alternativa, os petistas mantinham a esperança de que, na hora da polarização entre PT e PSDB, prevalecesse a rejeição aos tucanos em geral e ao governo de Fernando Henrique Cardoso em particular.

Com a ex-ministra do Meio Ambiente na disputa, os petistas desiludidos teriam onde desembarcar.

Mas, o fato de reconhecerem de maneira igualitária os danos provocados por uma candidatura do PV não quer dizer que PT e PSDB tenham a mesma visão a respeito de como lidar com a questão durante a campanha.

Os tucanos parecem enxergá-la como uma possível aliada. Já os petistas - os engajados no projeto de Lula para Dilma Rousseff , bem entendido - a veem como uma bomba a ser desarmada, caso suas intenções de voto venham a crescer de maneira preocupante.

Como não é possível cooptá-la - para o posto de vice, por exemplo -, a única opção seria explorar seus pontos fracos. Do ponto de vista do PT, os seguintes: radicalismo na questão ambientalista, defesa inflexível dos movimentos sociais, MST incluído, questionamentos sobre a conduta de dirigentes do PV, identificação religiosa com teses repudiadas pelos "modernos", como a posição dela contra o aborto.

Se Marina crescer muito, há no PT o sentimento de que o PSDB se aliaria ao bombardeio. Uma das armas tidas como poderosas é a filiação (e militância) do deputado Sarney Filho no Partido Verde. Pensa-se em apresentar a candidata como "companheira" do "filho de Sarney".

Um ato ousado para o partido que salvou o pai de ser processado pelo Senado por quebra de decoro parlamentar.

Além de uma ação de execução complicada essa de "desconstrução" de imagens, pois há sempre o risco - como se viu na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2008 - de o feitiço fazer picadinho do feiticeiro.

COMENTÁRIO MEU:

De fato Marina Silva vem modificar totalmente o quadro, e destruir o caráter plebsitário, que não apenas o governo, mas também a oposição procuravam. Para mim ela é um player importante nesse cenário, e pode de fato levar a ambos um grnde prejuízo. Quero crer que a discussão não se tornará no palanque de quem Marina subirá no segundo turno, mas que o povo brasileiro definirá no primeiro turno, quem subirá no palanque da Marina na disputa do segundo turno.

Tomara


Domingo, Setembro 20, 2009

Mundo Moderno

"Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutaias, majestoso manicômio. Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio -- maior maldade mundial. Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna. Monta matumbo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior. Manhãzinha, move moinho, moendo macaxeira, mandioca. Meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho. Meia-noite, mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, macilentos, maltrapilhos. Morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis. Menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre.Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, marafonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas. Mundo medíocre. Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, mercedes, motorista, mãos... Magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando. Moradia meiágua, menos, marquise. Mundo maluco, máquina mortífera. Mundo moderno, melhore. Melhore mais, melhore muito, melhore mesmo. Merecemos. Maldito mundo moderno, mundinho merda. "

(I see trees of green........ red roses too
I see em bloom..... for me and for you
And I think to myself.... what a wonderful world.

I see skies of blue..... clouds of white
Bright blessed days....dark sacred nights
And I think to myself .....what a wonderful world.)
Chico Anysio (no programa do Jô)


(para Marina, menina, esteje bem)


10 coisas que a internet está destruindo

Claudio R S Pucci (Publicado no Blog do Luis Nassif por Sérgio Troncoso)

Há 30 anos, ninguém imaginava que o computador iria revolucionar a vida das pessoas como faz hoje. Tarefas que antes levavam dias para serem completadas, hoje são acabadas em minutos. Dezenas de papéis que iam e vinham nas famosas “comunicações internas” viram seu fim com o advento do e-mail. O fluxo de informações também aumentou e é possível achar dados de qualquer assunto pela web. Só que, como tudo na vida, existe o lado negativo da internet e assim relacionamos 10 coisas que estão desaparecendo ou mudando, não necessariamente para melhor, graças à rede mundial:

10) A língua portuguesa: Ronald Golias tinha um quadro na década de 70 onde discorria sobre o más, mas e mais e suas diferenças (elas são más, mas têm mais qualidades que defeitos, por exemplo). Isso sumiu com os comunicadores eletrônicos. Só o MAIS existe. Além disso nos acostumamos a abreviar. “Você” é “vc”, “Por que” é “pq” e até um gostoso beijo é “bj”. Não podemos também deixar de lado a nova gramática internética que produz pérolas como “podexá qui to sussa lah nu msn”.

9) Álbum de fotografia: antigamente para você ver as maravilhas que registrou na sua viagem ou festa de aniversário tinha que mandar revelar o filme e aí era só montar o álbum e mostrar para todo mundo. Hoje não. Sem a limitação de chapas a serem batidas, podemos disparar mais de 1.000 vezes e depois jogar tudo no Facebook, Picasa, Flickr ou seja qual for o site que pretende se expor e deixar lá para quem quiser ver.

8 ) Expectativa pelo resultado do jogo: bons tempos aqueles onde você mal esperava o momento para comprar o jornal e finalmente ver como foi XV de Piracicaba versus Bangu, direto de Limeira. Agora é só entrar na net e conferir em um dos milhares de sites de esportes.

7) Hora do almoço: quantas vezes você sai a pé no almoço para espairecer, tomar um sol ou respirar ar de verdade ao invés de ficar atualizando seu Orkut, Facebook etc ou lendo seus e-mails pessoais?

6) Ler jornais: comprar um “solta-tinta” na banca ou assistir um telejornal à noite eram as únicas maneiras de se manter diariamente informado. Agora as notícias são apresentadas em tempo real e se você não as ler no exato momento em que saíram, em uma hora já está caduca.

5) Dezenas de cartões de Natais em sua caixa de correio: era tão bom quando chegava o fim do ano e você recebia cartas e cartões de gente que não via há décadas. Naquelas mal traçadas linhas, sentia um calor imenso no peito por ter sido lembrado. Hoje tem o impessoal e-mail, fácil de enviar, fácil de apagar. E as linhas não são mais mal traçadas porque tem corretor autográfico.

4) As emoções da pornografia: lembra quando você era moleque e tinha uma alegria imensa em colocar suas mãos em uma revista de sacanagem que ficava devidamente escondida em algum rincão escuro do seu armário ou debaixo do colchão? Era uma transgressão imensa, não é mesmo? Isso acabou. Hoje qualquer garoto pode acessar sites adultos e achar de vietnamitas anãs lésbicas a homens que se vestem de Pato Donald com apenas alguns cliques. E ainda limpar os rastros com uma facilidade imensa (sim, eventualmente nossas mães achavam as revistas).

3) Comprar um disco ou CD por causa de uma música: você escutava na rádio alguma música que gostava e eram horas pensando se valia a pena adquirir a duras custas o LP (esse é velho) ou CD daquele artista, mesmo porque não era barato. Atualmente existem os sites que vendem música a música e os recursos do download ilegal, que fazem com que “os artistas de um sucesso só” se multipliquem como coelhos.

2) A visita à biblioteca: quando você estava na escola e precisava fazer um trabalho sobre a influência do asfalto na cultura de aspargos em Zâmbia, tinha que ir para a biblioteca do colégio, já que sua coleção da Conhecer não abordava esse importante tópico. O Google (e agora o Bing) acabou com isso e o recurso do Copiar/Colar ainda faz com que a molecada nem leia o texto. Sem contar que, nem toda a informação da internet é verdadeira e nem toda verdade está na internet.

1) A privacidade: além dos softwares que registram o que você acessa e procura e mandam para os imperadores da internet todas as informações a seu respeito, as redes sociais se tornaram verdadeiras vitrines com pessoas se expondo de uma maneira que nem seus pais conheciam. A falta de bom senso também impera naqueles que se abrem de maneira explícita (os famosos “apague essa mensagem” do Orkut) e nos cafajestes que adoram publicar fotos de ex-namoradas nuas em páginas especializadas em amadoras.


Sábado, Setembro 19, 2009

Rádio-Ed Número 4

Escrevi antes sobre a busca da ressonancia, e eis que tive um dia nessa semana um dia (e foi a quinta) que eu me senti assim, não com algo que eu tenha emitido, mas com coisas que recebi.


Eu tinha me preparado hoje para fazer um belo pre-âmbulo, onde eu ia linkar, como o que hoje eu sinto, penso, a minha atitude, a minha percepçãone tudo sobre o momento que eu vivia estava demonstrado nesses textos lhes que reproduziria. Mas agora a mente bloqueou e perdi a condição de demonstrar-lhes a teia que minha mente construiu quando li estes dois textos e ouvi a música que também segue...

Um outro dia talvez eu retome, mas por enquanto, segue apenas os textos e a música e o comentário de como de repente me vi neles todos.

“O Beijo da Mulher Aranha”

"Finalmente estamos a sós. Como ninhada desmamada que grita de longe por colo. Somos tristes, contudo, quem mais pode-se dizer feliz, se a crosta terrestre derrete-se lentamente; o céu está estranho. A internet assusta com suas previsões e previsíveis profecias. Precisamos beijar.

Um apanhado de nostálgicos escritores escrevem coisas bonitas, entretanto, a biologia anuncia a decadência da ciência e da poesia. Não há clones humanos; não haverá teletransporte humano. Política mundial, sim, cessará a crise. Comeremos frutas e lagostas.

O sol continuará nascendo e se pondo. Oriente e ocidente se dando bom dia e boa noite em horários diferentes. Depois do sol, o negror.

(Tanto faz, se para o poeta é sempre noite – boêmias cavernas virtuais).

O biólogo beija a astronomia, que flerta com a telecinética; enquanto isso as pernas das prostitutas sentem frio. E levitam seus sonhos neste mundo louco, clima estranho, elas dizem. As coisas mudaram, concluem. Precisamos beijar.

As formigas, ao menos, são um povo organizado, enquanto nós nos cansamos do açúcar. Amargo. Queremos o sabor amargo da violência, afinal, a televisão é para isso.

Desligo o sinal e vou ao cinema. The Spirit, o HQ pode transportar você por enquanto. Velozes e Furiosos 4 poderia fazer-me voar. Mas é em preto e branco que eu encontraria, em Veneza, aquele diretor argentino.

Ou, ainda temos o Hitchcock no banheiro da memória, o box terror, o box! Sua lápide irônica; e os biônicos pênis dos robôs prostitutos da Atlântica.

Ainda são estrelas aqueles pontos lá no céu. É de solidão que queremos falar. Ou queríamos. Quem há de ficar a sós, quando na mão se tem uma caneta! Mas apenas os poetas cantam. Nós, eu, tão somente borro no papel, a perplexidade desses tempos.

Para Manoel Puig"

(publicado por Daisy Carvalho no A Fênix Apoplética Blog da Dai:)

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Dos paradoxos do amor

Olha, um dia eu fui tímida.

Eu sei, você deve estar rindo e desacreditando, mas é verdade.

Eu era tímida que nem você e por isso mesmo você me chamou tanta atenção quando nos conhecemos. Porque você era eu aos 14 anos – só que você já tinha 28…

Com 14 anos me apaixonei perdidamente – pra se apaixonar tem que ser perdidamente – por um rapazinho chamado Duda – já falei nele em outro texto, o do meu primeiro beijo.

Pois bem.

Mesmo depois que nos afastamos, eu continuei a gostar do Duda por um tempão. Aí, vieram os Jogos Estudantis e eu resolvi assistir a todos os jogos dele – e torcer por ele, claro – mesmo ele sendo de outro colégio que não o meu.

Eu ia aos ginásios, via os jogos, torcia pelo colégio alheio, o Duda me via, mas logo que terminava o jogo eu ia embora.

Até que chegou o dia dele jogar contra o time do colégio onde eu estudava. Foi terrível. O placar foi 120 a 20 pro meu colégio, mesmo eu torcendo muito pelo colégio do Duda.

Foi a única vez que, terminado o jogo, me aproximei do Duda, na arquibancada. Fiquei lá, parada, sentada ao lado dele, sem dizer nada diante da cara triste que ele fazia.

Quando cheguei em casa escrevi uma carta, dizendo o quanto lamentava pela derrota e o quanto queria ter dado um abraço grande nele após o jogo.

Passou um tempo e um dia resolvi entregar não só essa, mas todas as outras cartas que escrevia e guardava – fora os poemas de um certo caderno preto… Se eu tivesse quatorze anos hoje, escreveria tudo em um blog!

Depois de ler tudo, o Duda conversou comigo e a coisa mais marcante desse papo ao telefone foi ele dizendo que eu deveria ter dado aquele abraço no dia do jogo, porque ele bem que precisava naquela hora.

Me lembro com nitidez de ter me sentido a garota mais puramente idiota do mundo inteiro naquele momento.

E me lembro de, dali em diante, nunca mais ter deixado passar nada que me desse vontade real.

Hoje é engraçado ver você estranhar o meu jeito atirado, o meu jeito sem jeito de gritar todo esse amor que eu sinto por você, mas saiba que eu te amo porque você, ainda hoje, tem essa timidez que eu tinha aos 14 anos.

E se eu não tivesse deixado de lado a minha timidez seria bem provável que até hoje você não soubesse do que sinto e que um monte de cartas – hoje em dia mails, né? – se acumulassem mais uma vez em minhas gavetas.

Publicado por Luciana no Agridoce
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Sonhos Sonhos São
Chico Buarque

Negras nuvens
Mordes meu ombro em plena turbulência
Aeromoça nervosa pede calma
Aliso teus seios e toco
Exaltado coração
Então despes a luva para eu ler-te a mão
E não tem linhas tua palma

Sei que é sonho
Incomodado estou, num corpo estranho
Com governantes da América Latina
Notando meu olhar ardente
Em longínqua direção
Julgam todos que avisto alguma salvação
Mas não, é a ti que vejo na colina

Qual esquina dobrei às cegas
E caí no Cairo, ou Lima, ou Calcutá
Que língua é essa em que despejo pragas
E a muralha ecoa

Em Lisboa
Faz algazarra a malta em meu castelo
Pálidos economistas pedem calma
Conduzo tua lisa mão
Por uma escada espiral
E no alto da torre exibo-te o varal
Onde balança ao léu minh’alma

Em Macau, Maputo, Meca, Bogotá
Que sonho é esse de que não se sai
E em que se vai trocando as pernas
E se cai e se levanta noutro sonho

Sei que é sonho
Não porque da varanda atiro pérolas

E a legião de famintos se engalfinha
Não porque voa nosso jato
Roçando catedrais
Mas porque na verdade não me queres mais
Aliás, nunca na vida foste minha

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Hoje será difícil entender, mas eu mesmo pouco me entendo...


Sexta-feira, Setembro 18, 2009

Cruzeiro é eleito o melhor time brasileiro do século 20, segundo a IFFHS

Levantamento foi divulgado nesta sexta-feira no site oficial da Federação Internacional de História e
 Estatísticas do Futebol ( fonte: GLOBOESPORTE.COM )

Ser o mehor clube brasileiro do século 20 servirá de estímulo para o time no Brasileirão O Cruzeiro é o melhor time brasileiro do século 20. Um levantamento realizado pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS), que baseou o estudo qualificando os clubes da América do Sul que disputaram competições internacionais no século passado, a exemplo do que fez na Europa, coloca o clube mineiro como o melhor do país no período. As informações estão publicadas no site oficial do time celeste.

Dono da taça em sete competições sul-americanas no século passado (Taça Libertadores da América 1976 e 1997, Supercopa dos Campeões da Libertadores da América 1991 e 1992, Recopa Sul-Americana 1998, Copa Ouro 1995 e Copa Master da Supercopa 1995), o Cruzeiro soma 295,5 pontos e ocupa o sétimo lugar da lista, que tem o Peñarol como líder, com 531 pontos. O São Paulo é o segundo clube brasileiro da lista, com 242, e o Palmeiras vem em seguida, com 213.

O ranking leva em conta o desempenho dos times em jogos internacionais ao longo do século 20. Os critérios determinam oito pontos por vitória sobre times estrangeiros na Libertadores da América e quatro pontos por empate. Na Supercopa da Libertadores e na Recopa Sul-Americana, as vitórias valem seis pontos e o empate, quatro. As Copas Mercosul e Merconorte, já extintas, também serviram como critério. Nelas, o triunfo valia cinco pontos e a igualdade 2,5.

No entanto, o Fluminense, do Rio de Janeiro, acabou ignorado da lista. No período, a equipe carioca disputou as Libertadores de 71 e 85, além da Copa Conmebol em 1992 e 93. De acordo com os critários de pontuação, o Tricolor das Laranjeiras estaria com 49 pontos, na frente do Botafogo, que é o 37º no ranking.

Segue a cópia do Ranking:

club country points

1. CA Peñarol Montevideo Uruguay 531,00
2. CA Independiente Avellaneda Argentina 426,50
3. Club Nacional de Football Montevideo Uruguay 414,00
4. CA River Plate Buenos Aires Argentina 404,25
5. FC Olimpia Asunción Paraguay 337,00
6. CA Boca Juniors Buenos Aires Argentina 312,00
7. EC Cruzeiro Belo Horizonte Brasil 295,50
8. São Paulo FC Brasil 242,00
9. CD América Cali Colombia 220,00
10. SE Palmeiras São Paulo Brasil 213,00
11. CR Flamengo Rio de Janeiro Brasil 200,00
12. CA Estudiantes de La Plata Argentina 175,00
13. CDC Atlético Nacional Medellín Colombia 158,50
14. Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense Brasil 157,00
15. Racing Club Avellaneda Argentina 149,00
16. Santos FC Brasil 140,00
17. CSD Colo Colo Santiago Chile 139,50
18. Cerro Porteño FBC Asunción Paraguay 110,00
19. CR Vasco da Gama Rio de Janeiro Brasil 109,50
20. Barcelona SC Guayaquil Ecuador 108,00
21. CA San Lorenzo de Almagro Buenos Argentina 98,50
22. CA Mineiro Belo Horizonte Brasil 95,50
23. Asociación Deportivo Cali Colombia 95,00
24. CD »Los Millonarios« Bogotá Colombia 91,00

25. CA Vélez Sarsfield Argentina 88,00
CD Universidad Católica Santiago Chile 88,00

27. CD Cobreloa Calama Chile 84,00
28. Universitario de Deportes Lima Perú 78,00
29. AA Argentinos Juniors Buenos Aires Argentina 71,00
30. CA Rosario Central Argentina 65,00

31. SC Corinthians Paulista São Paulo Brasil 60,00
SC Internacional Porto Alegre Brasil 60,00

33. CA Newell's Old Boys Rosario Argentina 56,00

34. CD Universidad de Chile Santiago Chile 50,00
Sporting Cristal Lima Perú 50,00

36. Deportivo Unión Española Santiago Chile 48,00
37. Botafogo FR Rio de Janeiro Brasil 44,00
38. CS Emelec Guayaquil Ecuador 43,75
39. Guaraní FC Asunción Paraguay 40,00

40. CA Lanús Argentina 36,00
Independiente Santa Fe CD Bogotá Colombia 36,00

42. Club Alianza Lima Perú 29,00
43. Liga Deportiva Universitario Quito Ecuador 28,00
44. CPD Junior Barranquilla Colombia 26,00
45. CC Deportivo Municipal Lima Perú 25,50

46. Club Bolívar La Paz Bolivia 24,00
Danubio FC Montevideo Uruguay 24,00

48. Club Mariscal Santa Cruz La Paz Bolivia 20,00

49. CCD Tolima Ibague Colombia 16,00
Club Jorge Wilsterman Cochabamba Bolivia 16,00

51. Club El Nacional Quito Ecuador 15,00

52. CA Talleres de Córdoba Argentina 14,00
Centro Sportivo Alagoano Maceió Brasil 14,00

54. Club Libertad Asunción Paraguay 12,00
EC Bahia Salvador Brasil 12,00

56. CA Atlanta Buenos Aires Argentina 10,00
CD América de Quito Ecuador 10,00
Club de Gimnasia y Esgrima La Plata Argentina 10,00
Club Deportivo Italia Caracas Venezuela 10,00
Estudiantes de Mérida FC Venezuela 10,00
Sampaio Corrêa FC São Luís Brasil 10,00
São Raimundo EC (AM) Brasil 10,00

63. CA Huracán Buenos Aires Argentina 8,00
CD Palestino Santiago Chile 8,00
CSCD Blooming Santa Cruz Bolivia 8,00
Portuguesa FC Acarigua Venezuela 8,00

67. CD Litoral La Paz Bolivia 6,50

68. CA Colón de Santa Fe Argentina 6,00
Deportivo Portugués Caracas Venezuela 6,00
The Strongest La Paz Bolivia 6,00

71. Caracas FC Venezuela 5,00

72. CA Bella Vista Montevideo Uruguay 4,00
CA Colegiales de Asunción Paraguay 4,00
Carabobo FC Venezuela 4,00
CD Independiente Medellín Colombia 4,00
CD Oriente Petrolero Santa Cruz Bolivia 4,00
CD Santiago Wanderers Valparaíso Chile 4,00
Club Atlético San Cristóbal Venezuela 4,00
Club Cerro Corá Campo Grande Paraguay 4,00
Club Sol de América Asunción Paraguay 4,00
Club Sport Luqueño Luque Paraguay 4,00
Criciúma EC Brasil 4,00
CSDC Español de Buenos Aires Argentina 4,00
Deportivo Municipal La Paz Bolivia 4,00
EC Vitória Salvador (Bahia) Brasil 4,00
IA Sud América Montevideo Uruguay 4,00
Minervén FC Puerto Ordaz Venezuela 4,00
Paraná Clube Curitiba Brasil 4,00

89. CA Bragantino Bragança Paulista Brasil 2,00
CD Aurora Cochabamba Bolivia 2,00
Club Juan Aurich de Chiclayo Perú 2,00
Deportivo Wanka Huancayo Perú 2,00
Rampla Juniors FC Montevideo Uruguay 2,00
Sociedad Deportivo Quito Ecuador 2,00
Sport Boys Association Callao Perú 2,00


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Meu comentário:

Bem, taí o Ranking, estão descritos os critérios e eles são objetivos. E contra fatos não há argumentos.

ED


Brasil um País de Tolos

Amigos, quero tratar de um assunto aqui, mas já não quero mais, elaborar um texto, então vou colocar aqui a cópia do e-mail que mandei para o Luis Nassif:


Chegando hoje para trabalhar la no Banco do Brasil hoje de manhã, recebi um "comunicado a funcionários" com uma pequena propaganda um abaixo assinado em apoio a tal PEC da alimentação (nunca tinha ouvido falar), achei que era mais uma vez uma propaganda governamental nos canais da empresa e nem li com muita atenção. Uns minutos depois recebi no meu e-meil pessoal de um colega de trabalho, esse mesmo convite para o abaixo assinado. Depois disso fui ver do que se tratava, e me indignei. Começou aí um diálogo via e-mail, vou trancrevê-lo:

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Proposta de Emenda à Constituição - alteração do art. 6º - Direitos Sociais

Mobilizar movimentos sociais, governos e cada um dos brasileiros em nome de mais um direito social é o principal objetivo da campanha "Alimentação: direito de todos", organizada pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). A Campanha conta com o apoio de várias instituições públicas, privadas e da sociedade civil.
Apesar de o Brasil já ter ratificado diferentes tratados internacionais, o Consea avalia como prioritária a inclusão explícita do direito à alimentação na Constituição brasileira, por intermédio de uma Proposta de Emenda à Constituição - PEC. A aprovação da chamada PEC nº 047/2003 levará à alteração do Artigo 6º. Para o Conselho, esse passo é fundamental para fortalecimento do processo de institucionalização do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e para o conjunto de políticas públicas pertinentes ao assunto já em andamento. Quem desejar contribuir para essa causa, pode manifestar seu apoio em http://www4.planalto.gov.br/consea/pec-alimentacao/abaixo-assinado. O apoio público à PEC, com o conjunto de assinaturas colhidas, será entregue aos parlamentares num ato público que acontece ainda este mês.
===> RECEBI ESTE COMUNICADO EM MENSAGEM CORPORATIVA AQUI NO BANCO. ACHEI INTERESSANTE REPASSAR PARA QUE TODOS POSSAM PARTICIPAR. NÃO DEIXE DE ACESSAR O ENDEREÇO (é rapidinho...vc vai ver que o site é realmente do planalto - quem quiser pode acessar a partir dele - site seguro, tipo https://, etc...) REPASSE AOS SEUS CONHECIDOS. VAMOS INTERROMPER O DESCANSO DOS DEPUTADOS E SENADORES PARA A APROVAÇÃO DE ASSUNTOS DE INTERESSE DA NOSSA SOCIEDADE...

Abraços,
Walter Maia
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Sei não turma, olha o que fazem com nosso dinheiro. (e o salário de um deputado não é pequeno, ainda tem todos o funcionários que dão suporte, mais os insumos do congresso, água luz telefone, enfim uma burra dum dinheiro). Este projeto de emenda constitucional PEC 47-2003 está tramitando no congresso desde 30/04/2003. E PASMÉM DEPOIS DE SEIS ANOS DE UM TRABALHO QUE DEVE REALMENTE TER SIDO EXTENUANTE, OLHA O QUE ELA MODIFICA NA CONSTITUIÇÃO:

(atualmente)

ARTIGO 6º - São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.

(se aprovada a emenda)

ARTIGO 6º - São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.

Percebeu que estão te fazendo de palhaço?
Você sustenta toda uma estrutura de burocracia estatal para os seus congressistas gastarem seis anos e meio para isso?

ONDE É QUE EU ASSINO PARA DIZER QUE SOU CONTRA ISSO , CONTRA ELES, CONTRA TODOS OS QUE ACHAM QUE O DINHEIRO DOS IMPOSTOS QUE EU PAGO DÁ EM ÁRVORES?

EDmundo Fontela Emediato Grieco
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Amigo, Ed...
Quando fizerem uma lista das pessoas que são contrárias à corrupção, à desídia com que nossos representantes vivem em seus gabinetes, à queima desenfreada da grana pública, etc, se a sua assinatura for a primeira, pode saber que a minha vem logo depois.

É realmente vergonhoso que propostas e mais propostas, projetos e mais projetos se amontoem no Congresso à espera da atenção daqueles que "precisam do nosso carinho", como disse um desses sem-vergonha... Não discordo em nada do que você disse, que eles estão nos enganando, mas aqui não se trata disso... A discussão é outra.

A PEC não está simplesmente acrescentando uma palavra no nosso email, mas no texto Constitucional.
Incluir uma simples palavra no texto Constitucional pode sim, mudar muita coisa. Ao incluir o verbete, mais do que estender uma conversa ou encher uma linguiça, cria-se uma obrigação positiva do Estado, ou seja, o Estado vai ter que garantir aquilo ali.

Atualmente o Estado oferece assistência? sim, oferece... alguns julgam que pouca... outros já o acham assistencialista. Talvez não mude em nada, na prática e imediatamente, a intensidade com que o Estado se faz presente nos assuntos... mas entende que gera um dever? E todo dever, toda obrigação é exigível, pode ser reclamada.

Aliás, os direitos que você possui e de que se vale, às vezes sem refletir sobre eles, devem estar garantidos para que assim possa ser. Pode ser por uma condição material, uma realidade, um "costume" - em geral é assim que começa - ou por um texto formal - onde, como uma conquista histórica (nesse caso 6 anos - rsrsrsrs), acaba por chegar. E te digo meu amigo, nesta hora, uma palavra faz muita diferença.

Se o Estado quiser "tomar" sua casa amanhã para construir um viaduto ou um monumento ao José Sarney, ele o fará... mas mediante JUSTA e PRÉVIA indenização... ninguém vai tirar sua casa e te pagar daqui a 50 anos, apenas por causa da palavra PRÉVIA. E a indenização tem que ser justa... Se você não achar justa, pode questionar o valor na justiça, mas apenas por existir a palavra JUSTA no texto... percebe?

No próprio artigo 6º... Se não houvesse a palavra SAÚDE, aquele que está morrendo por falta de um medicamento não poderia cobrar judicialmente do Estado E RECEBER (porque está acontecendo, pode confiar) por imposição do judiciário...

Qualquer palavra no texto Constitucional tem muito significado, muito valor e deve ser considerada com uma conquista de um povo. Por cada um dos nossos Direitos já rolaram muitas cabeças na história... inclusive pelo seu e pelo meu direito de pensamento, de opinião, que também está lá assegurado no texto Constitucional.

É uma consulta ao povo, esse mesmo que você descreveu como enganado... trata-se de uma oportunidade de se manifestar... Achei importante apor ali minha assinatura, minha opinião, em um "papel" em que valha a pena.

Abraço,
Walter Maia
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Amigo Walter, conheço você, sei da sua boa intenção, e respeito você considerar importante o seu apoio a esta medida,

Do meu ponto de vista, acho que há outras prioridades, e vou explicar, aguarde, no fim sobre esse processo de colocar essa palavra no texto da constituição precisar de um processo de 6 anos e meio, com todo o custo que um homem hora médio do congresso significa, é totalmente imperdoável.

Mas vamos falar das palavras do texto; como você disse no caso do estado faltar com assistencia a saúde do cidadão ele pode ser processado e tem perdido (tá certo que nem 1% das vezes em que o estado falta com o atendimento acontece de fato uma ação contra o estado - mas essa eu deixo passar 1 x 0 para você). Que mais que temos no texto atual... educação vamos lá com o sistema atual de promoção automática os alunos tem recebido seus certificados, sem receber os conhecimentos, você como professor sabe disso, pergunto eu, você tem notícia de alguma ação de algum aluno com diploma de ensino médio e com sérias dificuldades para ler e para fazer contas (para ficar no mais básico do curriculo escolar), que por isso não consegue se colocar no mercado de trabalho, e que também não tem mais vaga na escola, ganhar uma ação contra o estado por este se recusar a dar a educação (e não o certificado) que ele em princípio teria direito. (ok 1 x 1). Vamos continuar... Moradia, Lazer, Segurança, Infância... preciso dizer alguma coisa sobre isso? Qual é o placar agora?

O artigo sexto da constituição federal, é um artigo genérico, e não leva o estado a responsabilização de fato. Escreva lá Alimentação... por acaso, no dia seguinte o mendigo que mora debaixo da ponte aí perto da sua casa vai receber almoço e jantar fornecidos pelo estado? (acho que não) Não conseguindo se alimentar por suas próprias fontes e o estado não chegando com o alimento para ele, ele será indenizado? (acho que não) E dizendo que vá sim ser indenizado, ele estará vivo quando chegar a hora de receber (com certeza não). É por isso que considero uma total perda de tempo, desperdício de dinheiro e uma afronta a minha inteligência e paciência esta iniciativa. Não a sua que é positiva quando mira no país ideal, mas a da burocracia estatal brasileira, que quer o factóide, para algumas pessoas aperecem bem na foto na mídia, e não uma solução para um problema que existe.

É por isso que não aponho minha assinatura nesse papel. É por isso que quero saber quem foi que propôs, quem é que trabalha a favor disso, para que esses nunca recebam o meu voto. Tanto quanto não vou dar o meu voto a quem esteja envolvido com corrupção, também não vou dar meu voto a quem desperdiça o tempo do parlamento com palavras vazias (sim nesse caso é apenas uma palavra vazia, no momento em que o estado não se resposabiliza, de fato, por garantir o direito que a constituição "garante" ao cidadão) e jogo de cena.

Mas esse é só o meu ponto de vista... que venho espalhar é pra mostrar que se é para a sociedade se mobilizar, o foco deveria ser outro, o de fazer as coisas funcionarem de fato. O problema está nas raízes da democracia brasileira. Já a outra PEC incluindo a palavra comunicação neste artigo, daqui uns dias vem outro desocupado desses e propõe incluir outra, mas e daí? Quando a gente vê os deputados correndo para o plenário como ontem para derrubar a proposição do senado de proibir candidaturas de politicos com a ficha suja, nada poderá ser levado a sério...

Espero que o sr não me considere extremamente chato pela firmeza de minha posição nesse caso....
Grande abraço.
EDmundo Fontela Emediato Grieco
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Olá Walter,

Concordo que esta simples palavra muda muito e trará benefícios para a população mais carente.
Acredito até que o direito à alimentação é o mais importante de todos os descritos. Ele é um pilar da sobrevivência juntamente com a saúde.

Agora, seis anos para chegar a uma conclusão tão óbvia, é motivo para ficar muito indignado. O que esses caras andam fazendo em Brasília????????

[]’s,
Jefferson Campos
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É, meu amigo...

vamos continuar concordando apenas que as coisas não vão bem com os representantes que temos, seja na Educação, Moradia, Segurança e tudo mais, além da Alimentação...

abraços a todos,

Walter Maia

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Por que quis vir aqui e relatar isso? Porque quis, talvez, ampliar a discussão com os leitores, até mesmo para eu refletir, a luz de mais informações e pontos de vista, se é meu coração que está muito duro, ou se de fato, essa história tem um quê de non sense.

Agradecido.
EDmundo Fontela Emediato Grieco


Quinta-feira, Setembro 17, 2009

Kid A, Quase uma década… ou: Radiohead no Brasil



Um dia você acorda e descobre que a sua banda de rock foi escolhida por todos como a mais importante da sua década, o que você faria?

Thom Yorke e seus companheiros de banda, o Radiohead, preferiram se isolar e sumir por mais de dois anos. Após o desaparecimento eles tentaram graver um disco, mas a imensa sombra de seu trabalho anterior, o já clássico “Ok, Computer”, projetada sobre suas mentes fez os criativos “cabeças de radio” travarem.

Em quase sete meses de estúdio nada saía. Ou pior, o que saía soava ruim, abaixo das suas capacidades e a sombra ia aumentando, deixando o futuro da banda mais adorada do momento – e você tem que lembrar que essa década era a do rock agressivo dos grunge - negro.

Até que um dia Thom Yorke acordou com uma idéia genial: vamos gravar de uma forma nova: cada membro vai para um estúdio diferente – espalhado pelo mundo - os trechos do que é gravado por cada um, por dia, é enviado por computador. No outro dia, aquele trecho recebe novos intrumentos em outro estúdio e segue para outro até que a canção fique completa.

Como chamar uma idéia maluca como essas? Nome perfeito: “Kid A” – uma lenda entre os pesquisadores do genoma que afirmavam que os nazistas já haviam tentado a experiência de clonar um ser vivo, e que esse projeto se chamava Kid A.

E logo no título do álbum, o Radiohead dizia o que pretendia: achar um som tão perfeito quanto o do seu disco anterior, nem que pra isso seus membros se afastassem e tentassem o seu melhor de forma metódica e solitarias, como os cientistas o fazem.

“ ‘Kid A’ é o Revolver do Radiohead”.

Essa frase dita ou escrita em algum lugar no distante outubro de 2000, quando o disco foi lançado, sempre me pareceu bem intencionada, mas mal realizada. Explico: “Revolver” foi a revolução no som dos Beatles, esse passo já havia sido dado pela banda de Thom Yorke ao lançarem “Ok, Computer”.

Em “Kid A” eles conseguiram desconstruír o mito Radiohead em 10 canções, que não tocaram em canto nenhum e que não lideraram listas dos melhores dos críticos de plantão.




Ali você encontrava de tudo, assim como o “Magical Mistery Tour”, dos Beatles: banda moderna (“Everything In Its Right Place” e “Idioteque”), experimentalismo ao bom e velho estilo Kraftwerk (“Kid A” e “Treefingers”), rock com postura e balançado (“The National Athen”), músicas estranhas para se ouvir em dias de chuva (“How to Disapear Completely”, “In Limbo” e “Motion Picture Soudtrack”) - como só a banda de Yorke é capaz de fazer, viu Chris Martin? e ainda sobrou espaço para o próprio Radiohead (“Optimistic” e “Morning Bell”).

Era estranho? Sim, essa era a intenção. E genial? Claro, é Radiohead.

E “Kid A” fez algo pela banda que o já citado “Magical…” fez pelos 4 fantásticos: separou o jôio do trigo e somente, ou seja, os que realmente gostavam do Radiohead os seguiram. Nota 9,0!

Ah, mesmo mostrando que a intenção era ser anticomercial – como em certa parte de “Optimistic’ em que Yorke berra que aquilo era o anti marketing - a banda conseguiu atingir o primeiro lugar da Billboard daquele ano, mas foi apenas por uma semana.

Rodrigo Castro
PUBLICADO ORIGINALMENTE NO artedamiseenscene.blogspot.com  EM 28/03/2009 POR BRENO YARED


Terça-feira, Setembro 15, 2009

Rádio-Ed Número 3 - Respostas

                                                                                                                 
Ed, você matou a pau! Muito bom o seu Radio-ED!
Parabéns.

Jefferson.
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Gradecido, amigo...


Que bom que você gostou...

Eu venho me divertindo fazendo.

Valeu pela força,

Um abraço.
 
ED
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Obrigado pela citação de meu nome. Mas o que interessa é: "Quando você vai parar de fumar?".


Abraços
 
Alessandro Pereira
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Amigo Ed, há um pequeno equívoco (pelo menos considerando meu humilde conhecimento) em seu texto. Até onde eu sei, o homem de Neanderthal não brigava com os


seus, e mesmo contra o Homo Sapiens só lutava se agredido (inclusive em seu espaço) para se defender. Não era da natureza do Neanderthal lutar em qualquer

hipótese que não fosse a busca por alimentos e peles, logo, contra os animais.

O Homo Sapiens foi o primeiro humano racista que se tem notícia, e o foco de seu preconceito era o homem de Neanderthal, que apesar de muito mais forte, era de menor

estatura e não tinha a mobilidade do Homo Sapiens, principalmente com os braços. Além disso, só os homens Neanderthais caçavam, para si e para suas mulheres.

Logo sucumbiram.

Há vertentes inclusive, fontes (inclusive cientistas e antropólogos) às quais não presto credulidade, que dizem que o homem de Neanderthal e o Homo Sapiens jamaisconviveram na Terra.

Nada a ver com o contexto, né. Viajada legal na mainese. Mas fica aí o relato, o importante é discordar de alguma coisa, mesmo que seja um detalhezinho escondido lá no meio do texto.

Com direito a assinatura eletrônica nova, abaixo.

ÉÉÉÉÉÉÉ CAMPEÃO!!!!


Carlos Ameba
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Agradecido pelas suas colocações amigo ameba

Acho até que publicarei no blog...
mas devo colocar algumas informações...

recentemente foram descobertos fosseis de homo sapiens mais antigos, datados da mesma época dos fosseis mais recentes dos neanderthais, parece que em algum momento histórico eles conviveram...

Se os neanderthais não brigavam entre si, não invalida o raciocinio colocado, vez que descendemos dos outros (os que, de fato brigavam entre si). E de qualquer forma apesar da herança genética de busca por espaço e de competitividade dos sapiens, foi sim no entendimento e na divisão das reponsabilidades e do espaço que aconteceram as evoluções tento tecnológicas quanto sociais do ser humano.

Ademais, quando a história é boa é assim: se os fatos a contradizem, azar dos fatos....

Grande abraço amigo.

P.S.: Parabéns pelo provável título da série C . Sábado quero levar minha irmã no independencia para ver isso.

ED
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É... Cada dia é mais difícil não ser invadido... No trabalho já é notório, todo mundo é vigiado, o e-mail vive lotado de spam (dá vontade de gritar, até promoção de aumento peniano chega, obviamente sem nenhum uso para minha anatomia), e mesmo a correspondência, mais da metade vai para o lixo. Nem ajeitar a roupa no elevador a gente pode, tem sempre uma câmera e um aviso imbecil (sorria, você está sendo filmado - a felicidade se tornou compulsória?)... Mas acho que todos tentamos nos defender do jeito que dá, e procuramos construir (em casa, no quarto, no carro, etc) um espaço, se não intransponível ( o que nem seria desejável), pelo menos agradável, confortável, onde possam estar somente aqueles que permitimos...


PS: O Oswaldo Montenegro é mesmo um chato de galochas...hehehehe... mas a letra da música é interessante .


Beijoca!
Samantha.



 

Rádio-Ed Número 3

Olá Amigos,olha eu de volta aqui. Demorei mais voltei. É que a cabeça tá a milhão e produzindo bastante, mas o tempo tem rareado. Por falar nisso, agradecimento especial ao patrão Alessandro pela dispensa do sábado (a primeira vez em mais de tres anos que eu deliberadamente pedi uma dispensa da escala), e também ao amigo, gordo e safado Gervásio pela calorosa acolhida em Santa Bárbara neste fim de semana. Daí dois novos destinatários incluído nessa lista a paritr desta edição, os amigos Cachorro Ninja e Cecília, cujos endereços passei a ter devido a essa viagem. Informo a vocês também que tive alguns retornos interessantes dos dois números anteriores e tratarei deles mais a frente, e também que o amigo Washington me deu a idéia, e diz que vai me ajudar a tentar transformar isso num podcast. Tomara que funcione, e fique bacana, apesar de que eu terei bem mais trabalho para roteirizar daí para frente. Este texto começou a ser escrito na noite da última quinta e foi finalizado na tarde da sexta, mas só agora consegui digitá-lo.




Antes de começar a discorrer sobre o assunto do dia, relatarei os fatos que motivaram o início do pensamento.



Estava lá eu hoje começando o meu primeiro intervalo para um cigarro hoje, fui para a rua e sentei no degrauzinho na porta, como faço quatro vezes por dia e acendi um cigarro. Tinha uma dona sentada lá nessa hora, e ela usava um uniforme do salão que tem a uns 50 metros lá da porta. Estava dando o segundo trago no cigarro, até olhando paa o outro lado, quando esta dona me chama - "Ei amigo" - eu olho para ela - Com Licença, viu - Levantou-se e foi na direção do salão. Em princípio eu não entendi nada, mas depois achei que ela ficou incomodada, de eu sentar ali ao lado dela e acender um cigarro. Achei aquilo chatíssimo, porque se aquele espaço real mente não é meu, também, de fato, não é dela. Fumei meu cigarro e voltei ao trabalho.



Cerca de hora e meia depois, retornei aquele espaço para o segundo cigarro do dia, e tinha outra tia lá, essa uma doidinha, cheguei sentei, e acendi o cigarro, estou olhando para a rua, ela me chama, eu olho, ela começa a conversar comigo... não entendi um terço do que ela disse, mas o que eu entendi, percebi que ela contou coisas dela que eu nao perguntei, e que ela especulou algumas coisas sobre mim (com impressionante parcela de acerto), e isso me incomodou, me senti invadido. Aí ela me acende um fumo de rolo, que cheirava horrores, me lembrei imediatamente da outra dona. Aí eu fiquei mais simpático a essa tia, terminei meu cigarro, me despedi e coltei ao trabalho.



Passarei agora a um pequeno ensaio sobre, a chatice, e o espaço:



Há centenas de milnhares de anos havia duas espécies de hominídeos sobre a Terra: Os Neanderthais e os Sapiens. Elas competiam por espaço e por comida (nessa época eram apenas caçadores e coletores). Mas havia também disputas intra-especies, pelos mesmos espaço e comida, além das fêmeas então batalhas entre membros da mesma espécie levando a muitas mortes.



Quando os Sapiens, começaram a desenvolver uma maior capacidade de comunicação, puderam desenvover uma maior estruturação social e aí diminuindo as disputas dentro da espécie. Aí veio uma maior especialização dos individuos em caçadores, coletores, e guerreiros. Foi estabelecida então uma supremacia tal dos Sapiens, que de cara levou a extinção dos Neanderthais.



Havia então apenas alguns milhares de de humanos no mundo, vivendo em uns poucos locais, e foi a mesma ânsia por espaço, que antes levava as batalhas com os Neanderthais, que agora levaram os Sapiens a colonizar o Mundo inteiro. Mas o processo de compartilhamento de responsabilidades e de espaço, estava só começando, e nunca mais foi interrompido. Veio a domesticação de plantas e animais. E novas especialidades para os homens, Produtores de Alimentos, Guerreiros, Líderes e Burocratas, que continuou cada vez mais se diversificando até chegar as milhares de profissões existentes hoje. Vieram as instituições sociais: as famílias, clãs, caravanas, aldeias, tribos, cidades, nações,estados, países e até o processo ainda incipiente da globalização.



Partimos de uns poucos milhares, para milhões, depois bilhões. Hoje somos 7 Bilhões, a uns duzentos anos éramos mais ou menos 3 bilhões.



E o tamanho do espaço não se modificou. E vamos continuar aumentando em número, mas continuaremos convivendo no mesmo espaço.



Há razões históricas, biológicas e sociológicas para demandarmos espaço, e repelirmos o diferente, é verdade.



Mas numa análise mais detida é no entendimento, na aproximação e na aceitação que se explica nosso sucesso enquanto espécie. É por isso que conscientemente povoamos, cada vez mais, as cidades, onde há falta de espaço e relacionamento compulsório com o diferente.



Daí minhas conclusões:



1 - Não há como espernear. Teremos cada vez menos espaço, e sentiremo-nos cada vez mais invadidos.



2 - Não há como evitar que encontremos chatos pelo caminho, nem de que assim sejamos considerados pelos outros. Melhor é encarar isso numa boa.



3 - Antes termos uns pequenos transtornos causados por impulsos naturais de busca pelo espaço e repulsão, do que o maléfico resultado que o atingimento do isolamento pode trazer.



Hoje, excepcionalmente duas músicas. Uma sobre o "assumimento" da chatice como normal. (Essa em especial para o amigo Coutinho bastante chato o autor e intérprete e provavelmente da mesma forma considerará a música). A outra trata é da tragédia do isolamento.



O Chato
Oswaldo Montenegro

Todos os personagens sobre os quais escrevi, hoje, são fantamas que me habitam. Que olham pra mim pensando: Eu sou você amanhã e ontem.
Como se estivem num castelo aqui. Um castelo psiquico, todos me olhando. Escrevi sempre sobre o patético humano, o nosso ridículo eterno.
Nós temos a impressão, pela igreja católica, de que temos o pecado original, mas temos mais, temos o ridículo original. Essa nossa cara de quem vai tropeçar a qualquer momento, na frente da namorada.
Escrevi sobre personagens que tem esse patético acentuado, representantes disso: A bailarina gorda; o vampiro doidão que detestava sangue, era bonzinho; o gago que queria ser locutor de corrida de cavalo; a-a-aten-tenção v-vai se-ser dada saída, eles chegavam e ainda não saia; o Rei do mau-humor; Walfrido, o paranóico; Montenegro, o desajeitado; João, o ciumento. E todos eu identifico, são pessoas que eu posso dar o nome: eu fiz para esta pessoa. Esse eu não posso denunciar pra quem fiz porque a canção se chama: O Chato.
Segundo Millor Fernandes o Chato é aquele que conta tudo tim tim por tim tim, e depois ainda entra em detalhes.
Gente é preciso perdoar o chato. O chato não tem defeito grave. Ele só confunde as coisas, ele não entende, ele tem uma ingenuidade perene.
Você fala para o chato: "Como vai?" Ele responde. Gente, como vai quer dizer: Oi. Não é pra responder. Ninguém quer saber como você vai. "Como é que vai? - Oi."
Você fala para cara: Aparece lá em casa... Ele aparece.
Derruba o copo. Na hora que ele vai paquerar a menina derruba o uísque.
Mas é preciso perdoá-lo
Lá vou eu...
....
tem que tratar bem a imprensa, po...
....
Já faz parte da performance essa introdução enorme porque não tem nada mais chato do que o cara ficar se mostrando no violão antes de cantar...
....
Aí ele quer dizer que toca pra cacete, aí faz uma careta...
....
Ah, todo chato é bonzinho
nunca nos faz nenhum mal
ah, todo chato é calminho
como se faltasse sal
Ah, todo chato te conta
aonde passou o Natal
E sempre te da um dica
de onde ir no carnaval
Ah, todo chato cutuca
pra você prestar atenção
chama cabeça de cuca
e arranha um violão
diz que inventou uma música
e toca as seiscentas que fez
e quando você abre a boca e boceja
ele toca tudinho outra vez
Ah, todo chato é gosmento
mas não há como evitar
eu sou um chato e meu Deus não me agüento
só me tacando no mar
eu sou um chato e meu Deus não me agüento
só me tacando no mar
eu sou um chato e meu Deus não me agüento
só me tacando no mar
eu sou um chato e meu Deus não me agüento
só me tacando no mar

Não tem nada mais chato do que o cantor que fica repetindo o refrão pra galera pegar. Viu a música pegou de prima, repeti só 743 vezes.
Montenegro também é terapia. O momento baseando em Jung, e na teoria estética de Tonico e Tinoco. É o momento em que você vai visualizar o seu chato primordial, o seu chato fundamental. Se ele estiver sentado do seu lado, você finge que não é com ele e olha pra mim. Isso olha pra cá. É preciso não ofender o chato. Isso olha pra mim. Você vai cantar baixinho, visualizando ele, espinha ereta, respira ... vamo lá ... tu ta rido de que de adesão ou autocrítica.

eu sou um chato e meu Deus não me agüento
(baixinho)
só me tacando no mar
É engraçado quando eu olho para alguém na platéia, ele faz uma caras assim... deve ser horivel... tu é um chato mesmo... fica me enchendo o saco... é foi mal...
vamo lá
eu sou um chato
vamo lá baixinho
Respira fundo
Vamo lá, Jung previu a catarse através da liberação conta o chato.
Vamo lá...
eu sou um chato e meu Deus não me agüento
só me tacando (vamo lá bem baixinho)
eu sou um chato e meu Deus não me agüento
só me tacando no mar

Sabe porque que eu peço baixinho?
Porque n;ao tem nada mais chato, do que quando eu vou a um show de um amigo meu, e o cara fala: todo mundo comigo... e não entra ninguém... então eu já mando cantar baixinho, que amanhã tá no jornal: Tinha o público na mão.
Vamo lá, Visualiza ele, respira fundo, espinha ereta, vamo cantar baixinho, e depois vamos num cescendo numa catarse absoluta. Ele vai te cutucar não canta - eu vou cantar porra - não canta eu vou cantar porra - se comporta você tá pensando que você tá num teatrinho é?

eu sou um chato e meu Deus não me agüento
só me tacando no mar
(crescendo por adesão)
eu sou um chato e meu Deus não me agüento
só me tacando no mar
(alegro sem exuberância)
eu sou um chato e meu Deus não me agüento
só me tacando no mar
(Raivoso mas non tropo, pensa nele)
eu sou um chato e meu Deus não me agüento
só me tacando no mar
(adesivo se confessando)
eu sou um chato e meu Deus não me agüento
só me tacando no mar
(agora libera geral, catarse para fora)
eu sou um chato e meu Deus não me agüento
só me tacando no mar
(alegro com descompostura, vá)
eu sou um chato e meu Deus não me agüento
só me tacando no mar
(agora gritando, vai, pra fazer bem, terapia honra, agora mais, mais..)
eu sou um chato e meu Deus não me agüento
só me tacando no mar
(com a banda agora, 1,2,3,4)
eu sou um chato e meu Deus não me agüento
só me tacando no mar
(pra aliviar, vai)
eu sou um chato e meu Deus não me agüento
só me tacando no mar
eu sou um chato e meu Deus não me agüento
só me tacando no mar
(a coisa mais chata que tem são os finais da musica pop, todos são assim a banda faz assim taaam e aí o cara tchum. Porque é que não inventam outro final, eu jamais faria um final assim.

....

Um Homem Chamado Alfredo
Toquinho e Vinicius de Moraes

O meu vizinho do lado
Se matou de solidão
Abriu o gás, o coitado
O último gás do bujão
Porque ninguém o queria
Ninguém lhe dava atenção
Porque ninguém mais lhe abria
As portas do coração
Levou com ele seu louro
E um gato de estimação

Há tanta gente sozinha
Que a gente mal adivinha
Gente sem vez para amar
Gente sem mão para dar
Gente que basta um olhar
Quase nada
Gente com os olhos no chão
Sempre pedindo perdão
Gente que a gente não vê
Porque é quase nada

Eu sempre o cumprimentava
Porque parecia bom
Um homem por trás dos óculos
Como diria Drummond

Num velho papel de embrulho
Deixou um bilhete seu
Dizendo que se matava
De cansado de viver
Embaixo assinado Alfredo
Mas ninguém sabe de quê

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É isso aí galera.... até a próxima...



Segunda-feira, Setembro 14, 2009

Corrupção e governabilidade

por RUBENS RICUPERO, 72, diretor da Faculdade de Economia da Faap e do Instituto Fernand Braudel de São Paulo, foi secretário-geral da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) e ministro da Fazenda (governo Itamar Franco). Escreve quinzenalmente essa coluna para a folha de São Paulo. (copiado do Blog do Luis Nassif).


No país, substituíram-se a violência e a tortura como suposta condição para ter segurança e governar

A CORRUPÇÃO passou a ser condição da governabilidade. É essa a justificativa de dirigentes de partidos do governo para sua cumplicidade no enterro dos escândalos parlamentares. A diferença com o regime militar é uma só: substituíram-se a violência e a tortura pela corrupção como suposta condição para ter segurança e governar.

Corrupção e violência, ensinava o filósofo Norberto Bobbio, são os dois tipos de câncer que destroem a democracia. No regime militar sacrificou-se a democracia em nome da segurança, elemento da governabilidade. Hoje a situação mudou e se usa o mesmo pretexto para fazer engolir o conluio ou a indulgência com a corrupção. Não sendo apanágio apenas de um governo, o vício se agrava ano a ano.

Nem a seriedade dos últimos escândalos, que comprometem instituições inteiras, conseguiu alterar a complacência dos governos, que pode não ser eterna, mas tem se revelado infinita enquanto dura.

Outro escândalo, agora de caráter intelectual, é que os politicólogos julgam o sistema de “presidencialismo de coalizão” como perfeitamente funcional, pois produziria governabilidade. Aparentam-se os nossos sábios aos fundamentalistas do mercado, que também acreditavam na neutralidade moral do mercado, que seria autorregulável, capaz de se corrigir automaticamente.

Em ambos os casos, os resultados justificariam os meios. Contudo, o derretimento do mercado financeiro mostrou que as torpezas e as falcatruas dos operadores acabam por provocar degeneração funcional, destruindo a própria instituição. A moral e a ética não são adornos para espíritos delicados, mas componentes indispensáveis ao bom funcionamento de qualquer sistema.

Isso não vale apenas para os mercados. A Primeira República italiana, que resistira ao desafio de governabilidade devido à presença do maior Partido Comunista do ocidente, se desmoronou à luz da corrupção desvendada pela Operação Mãos Limpas. A República Velha brasileira afundou no pântano da corrupção eleitoral e foram os escândalos que puseram fim à carreira e à vida de Getulio Vargas.

Não passa de autoilusão a ideia de que a economia cresce e o país se desenvolve apesar da corrupção e dos escândalos. Também na Itália, o “milagre econômico”, o dinamismo, a inovação pareciam legitimar um sistema decadente. Com o tempo, a corrupção e o fracasso na reforma das instituições produziram o inevitável: a estagnação e o desaparecimento do dinamismo. Seria diferente aqui onde os mesmos vícios tendem a produzir idênticos efeitos?

Quando foi assassinado o juiz Giovanni Falcone, Bobbio chocou a opinião pública ao declarar que sentia vergonha de ser italiano e deixaria o país se fosse mais jovem. Recompôs-se depois desse momento de abatimento moral. Neste centenário do seu nascimento, a capacidade de se indignar do velho filósofo tem sido evocada ao lado da lição do grande poeta Giacomo Leopardi.

Numa das incontáveis horas amargas da Itália, dizia o poeta: “Se queremos um dia despertar e retomar o espírito de nação, nossa primeira atitude deve ser não a soberba nem a estima das coisas presentes, mas a vergonha”.

No panorama de miséria moral de nossas instituições, deve-se escolher entre a atitude de soberba e estima das coisas presentes da propaganda complacente e a vergonha regeneradora do país futuro.


Domingo, Setembro 13, 2009

O dia de Rubinho

Por Antonio Sisoto publicado no Blog do Luis Nassif.


A vitória de um desacreditado na Formula 1



Nassif, um dos caras mais escrachados do Brasil sem dúvida foi o Rubens Barrichello.



Tantas vezes humilhado e desacreditado, dá a volta por cima. Com a vitória hoje em Monza, a segunda da temporada, o brasileiro tem chance de ser campeão mundial.



Poucas vezes vimos um esportista brasileiro ter tanta garra , determinação e auto-confiança. Muito bem resolvido financeiramente, o cara podia apenas curtir a vida , mas Rubens não. Uma lição de determinação que vale para todos nós. Autêntico, demonstra sentimentos, ainda chora ao pódio, fala com emoção , além de um exemplo de profissional e ser humando.



Acho que ele merece uma justa homenagem e reconhecimento , sobretudo pela sua força de vontade.



Parabéns Rubinho.


Quinta-feira, Setembro 10, 2009

O Caso Piquet - Briatore / Triste Retrato de Nosso Tempo

A declaração do Piquezino a FIA:

"Eu, Nelson Ângelo Piquet, nascido em 25 de julho de 1985 em Heidelberg, Alemanha, morando atualmente em Mônaco, disse o que segue:




1 - Salvo prova em contrário, os fatos e declarações contidas neste depoimento são baseadas em fatos e assuntos de meu conhecimento. Acredito que os fatos e declarações contidos neste depoimento são verdadeiros e corretos. Sempre que quaisquer fatos ou declarações não estiverem dentro de meu próprio conhecimento, eles serão verdadeiros ao melhor de meu conhecimento e crença e, se este for o caso, indico a fonte deste conhecimento e desta crença.



2 - Faço esta declaração voluntariamente à FIA, a fim de permitir que ela exerça suas funções de supervisão e regulamentação no que diz respeito ao Mundial de Fórmula-1.



3 - Estou ciente de que existe um acordo entre os participantes do Mundial de F-1 e todos os titulares tem sua superlicença para assegurar a justiça e a legitimidade do campeonato, e estou ciente das consequências caso forneça à FIA informações falsas ou enganosas.



4 - Entendo que a minha declaração completa foi gravada áudio e que uma transcrição completa será disponibilizada para mim e para a FIA. O documento constitui um resumo dos principais pontos abordados durante minha declaração verbal.



5 - Gostaria de trazer os seguintes fatos ao conhecimento da FIA.



6 - Durante o GP de Cingapura, realizado no dia 28 de setembro de 2008, fui convidado pelo Sr. Flavio Briatore, que é tanto meu 'manager' quanto diretor da equipe Renault, e pelo Sr. Pat Symonds, diretor técnico da mesma equipe, a bater deliberadamente meu carro, a fim de influenciar positivamente o desempenho da Renault no evento em questão. Concordei com esta proposta e conduzi meu carro para acertar o muro, provocando um acidente entre as voltas 13 e 14.



7 - A proposta de provocar deliberadamente um acidente me foi feita pouco antes da corrida, quando fui convocado pelo Sr. Briatore e pelo Sr. Symonds no escritório do Sr. Briatore. O Sr. Symonds, na presença do Sr. Briatore, perguntou se eu estaria disposto a sacrificar minha corrida pela equipe por um safety car. Todo piloto sabe que o safety car entra na pista quando há um acidente que a bloqueia ou joga detritos, ou quando há um carro parado onde é difícil resgatá-lo, como foi o caso.



8 - No momento da conversa, estava em um estado mental e emocional muito frágil. Este estado de espírito foi provocado pelo estresse intenso causado pelo fato de que o Sr. Briatore se recusou a informar da existência da renovação de meu contrato de piloto para 2009, como habitualmente ocorre no meio da temporada (entre julho ou agosto). Ao contrário, o Sr. Briatore repetidamente pediu-me para assinar uma "opção", o que significava que eu não estava autorizado a negociar com outras equipes no mesmo período. Ele repetidamente me colocou sob pressão para prolongar a opção que tinha assinado, e iria me chamar regularmente em seu escritório para discutir a renovação, mesmo em dia de corrida - um momento que deveria ser apenas para concentração e relaxamento. Este esforço foi acentuado pelo fato de que, durante o GP de Cingapura, tinha me classificado em 16º no grid, então estava muito inseguro sobre meu futuro na Renault. Quando me pediram para bater o carro e provocar a entrada do 'safety car' a fim de ajudar a equipe, aceitei porque esperava que pudesse melhorar minha posição na equipe neste momento crítico da temporada. Em nenhum momento fui informado por qualquer pessoa que, ao concordar em provocar um incidente, eu teria garantido a renovação de meu contrato ou qualquer outra vantagem. No entanto, no contexto, pensei que seria útil para alcançar este objetivo. Por isso, concordei em provocar o incidente.



9- Após a reunião com o Sr. Briatore e o Sr. Symonds, o Sr. Symonds me puxou para um canto tranquilo e, usando um mapa, apontou-me para a curva exata da pista onde eu deveria bater. Esta curva foi escolhida porque aquele local específico não possui guindastes que permitiriam que um carro danificado pudesse ser rapidamente removido da pista, nem possui entradas laterais, o que permitiria que um fiscal pudesse empurrar rapidamente o carro para fora dela. Assim, considerou-se que um acidente neste lugar específico seria quase certo de provocar uma obstrução da pista e que, portanto, seria necessária a entrada do safety car a fim de permitir que a pista fosse limpa e para assegurar a continuidade da corrida.



10 - O Sr. Symonds também me disse em que volta exata, eu deveria provocar o incidente, de modo a proporcionar a meu companheiro de equipe, o Sr. Fernando Alonso, uma boa estratégia, já que ele faria seu reabastecimento pouco antes da entrada do safety car, durante a 12ª volta. A chave para a estratégia reside no fato de que o conhecimento de que o safety car entraria na pista entre as voltas 13 e 14 permitiu que a equipe fizesse no carro do Sr. Alonso uma estratégia agressiva de combustível, suficiente para chegar a 12 voltas, mas não muito mais. Isso permitiria que o Sr. Alonso ultrapassasse o máximo de carros possível, sabendo que os carros teriam dificuldade em recuperar o tempo perdido depois do pit stop devido à implantação posterior do safety car. A estratégia foi bem sucedida e o Sr. Alonso venceu o GP de Cingapura de F-1 de 2008.



11 - Durante as discussões, não foi feita qualquer menção de quaisquer preocupações no que diz respeito à segurança desta estratégia para mim, para os espectadores ou para os outros pilotos. O único comentário feito neste contexto foi realizado pelo Sr. Pat Symonds, que me alertou para "ter cuidado", dizendo que não deveria me ferir.



12 - Intencionalmente causei o acidente, deixando o carro sair lateralmente pouco antes da curva. A fim de me certificar que eu provocaria o acidente durante a volta certa, perguntei para a minha equipe por diversas vezes, através do rádio, para confirmar o número da volta, algo que não faria normalmente. Não me feri no acidente, nem ninguém.



13 - Após as discussões com o Sr. Briatore e o Sr. Symonds a "estratégia do acidente" nunca foi discutida novamente. O Sr. Briatore discretamente disse "obrigado" após o final da corrida, sem falar mais nada. Não sei se alguém tinha conhecimento da estratégia no início da corrida.



14 - Após a corrida, informei ao Sr. Felipe Vargas, amigo da família, o fato de que o acidente tinha sido intencional. O Sr. Vargas ainda informou meu pai, o Sr. Nelson Piquet, algum tempo depois.



15 - Depois da corrida, vários jornalistas perguntaram sobre o acidente e me questionaram se eu havia feito de propósito, porque sentiram que era "suspeito".



16 - Na minha equipe, o engenheiro do carro questionou a natureza do incidente, porque achou incomum, e respondi que tinha perdido o controle do carro. Acredito que um engenheiro inteligente notaria que os dados de telemetria indicariam que o acidente foi causado de propósito, já que continuei acelerando, enquanto que o "normal" seria frear o mais rapidamente possível.



Declaração de Verdade



Acredito e juro que os fatos citados nesta declaração são verdadeiros.



Este depoimento foi feito na sede da FIA em Paris, no dia 30 de julho de 2009, na presença do Sr. Alan Donnelly (chefe dos comissários da FIA), Sr. Martin Smith e Sr. Jacob Marsh (ambos investigadores da empresa Quest, mantidos pela FIA para ajudar na investigação). As notas foram tomadas pela Sra. Dondnique Costesec (Sidley Austin LLP).



Assinado:



Nelson Piquet Jr."


Por tudo que está aí, e pelo que isso envolve, creio que seja tudo verdade, devo dizer que torci muito para que não fosse, mas desde que o Reginaldo Leme revelou essa história na última corrida, eu meio que sabia que era verdade.

Então vamos partir daí, por que eu torci para que não fosse verdade? Porque o Piquet (pai) é na minha opinião o melhor piloto que eu vi, e eu  transferi, para o filho, a torcida, que eu já tinha para o pai.

Mas não mais, e agora eu vou explicar as diferenças das gerações...

O Piquet Senior, teve de brigar com o seu pai para ir ser piloto, se fez por si, sabia tudo de carro, modificou a história da fórmula 1 sendo responsável pela incorporação de um monte de tecnologias. Ganhou três títulos, era competitivo, e se não era simpático, pelo  menos era homem.

O Juninho, coitado. Teve tudo na mão. Equipe do papai e tudo mais. Chegou a fórmula 1 novo e com uma carreira vitoriosa. Mas ainda moleque e imaturo.

A atitude que ele tomou, se forçado, ou não, foi extremamente infeliz e sou obrigado a concordar com o que disse o Rubinho. Na carta acima ele diz sabe das consequencias de pestar informações falsas a FIA, mas será que ele não sabia das consequencias de cometer aquela fraude que ele agora assume. O pai dele teria dado uns sopapos no chefe, se isso lhe fosse sugerido, e creio que foi meninice do Júnior não fazê-lo. Ao topar uma coisa dessa, ele só por isso já demonstra uma fraqueza de caráter tremenda, que o coloca no mesmo patamar do Briatore, que há muito é sabido é o pior caráter de circo todo.

Ele ter feito questão de deixar pistas no caminho, e de  ter usado isso para manter o emprego, demonstrou que ele pelo menos não é um tapado completo, como o próprio Briatore demonstrou ser, ao não acreditar na ameaça que foi colocada pela família Piquet de revelar tudo.

Se a carreira do Briatore se acaba aqui (graças a deus), com a imagem de um total anti-ético e covarde. A do Nelsinho também se encerra... com a imagem de anti-ético, pau-mandado e dedo-duro. Ou seja, ao contrário do pai, não honra as calças que veste.

Que coisas estranhas,acontecem na fórmula 1, sempre aconteceram, o próprio Rubinho que o diga, o Schumacher que ganhou um título em cima do Hill e tentou ganhar outro em cima do Villeneuve causando acidentes (isso quando ele trabalhava para o Briatore). O Senna e o Prost em dois anos seguidos feraram um com o outro lá no Japão... enfim.

Mas penso que a ética do empregador nesse caso é essa:... se faz, mas não se denuncia. O Piquezinho não deve ser punido, pela delação premiada, será então um portador da super-licença desempregado, por ser completamente indigno de confiança.

O Nelsão, coitado, deve ter ficado puto, quando soube dessa história, fez o que pode para evitar o mal maior, mas quando o sangue subiu resolveu ferrar com o Briatore, e não acho que fez errado.

Agora ele talvez queira ter uma equipe para empregar  Juninho, mas aí nada será resolvido, porque continuará sendo um filhinho de papai que só tem emprego porque o papai manda. E isso não é uma característica de alguém que vá marcar alguma coisa.


Quarta-feira, Setembro 09, 2009

Apresentação

Este Blog é espaço para um tributo à liberdade de todos nós.
Discutiremos tudo. Sem censura. Escreva pra mim. Eu publico seu texto e respondo. (concordando ou discordando que da MINHA liberdade eu não abro mão) .

Como também não abro mão da SUA liberdade o assunto você decide (futebol politica e religião são bem vindos, não temos medo de polemica).

MANTENHAMOS UM BOM NÍVEL, POR FAVOR.

Quer publicar um texto?
Escreva para: blogdoed@gmail.com

Polemize aqui não haverá linha editorial ou tendência exponha seus argumentos e os veja confrontados (ou reforçados). Quer falar bobagem? Expor sua arte? Tente colocá-la aqui.

Nosso lema: "Defenderei até a morte o direito de dizê-lo, mas não concordo com nada do que disse."

Muito obrigado pela sua atenção.

ED

Publicado originalmente em 14/04/2006



Segunda-feira, Setembro 07, 2009

Rádio-Ed Numero 2

Eu estava aqui lembrando de São Paulo, onde em março último, fui ver show do Radiohead. Aí pensei uma outra coisa, toda vez que eu fico a toa e começo a pensar na vida, penso no passado, e penso no futuro, mas raro pensar no presente... Interessante que eu sei que o presente é o ponto sobre o qual temos poder, e que é ele a pedra fundamental do futuro a construir. Mas por outro lado, o presente é sempre volátil, e nos escapa o tempo todo, diferentemente do futuro, que um sábio disse uma vez que é o tempo em que os negócios vão bem, a saúde está pefeita, a família prospera e o coração está em paz. E também do passado qu sempre que olhamos, vemos o que já realizamos, e todas as vitórias que alcançamos. De fato, o passado e o futuro serão em via de regra mais sedutores que o presente, só não o serão nos momentos de glória, mas nessa hora, não teremos tempo de pensar na vida, viveremos o momento nos esquecendo de porque ele acontece.

Mas retornando a São Paulo, foi realmente um momento de realização para mim, lembro de minhas palavras ainda durante o evento: " É o melhor momento da minha vida, passada, presente e futura". Ainda utilizarei esse espaço e qualquer outro que eu tenha par falar daquele dia, do show do perfeito show do Radiohead, do sensasional show do Kraftwerk, mas hoje eu vou falar da banda da abertura, porque foi nela que meu ensamento se fixou nesses ultimos dias. Devo dizer que sempre tive preconceito contra os Los Hermanos, muito por causa das músicas que ganharam a mídia, principalmente aquela que foi propaganda de celular e que é, de fato muito chata. Mas lá no show, vi que os caras realmente eram muito bons (digo eram porque naquele dia a banda estava se reunindo de novo mas eles já tinham se separado), suas performances, suas composições e seus aranjos são realmente diferentes, e muito bons. O uso de metais (muito bem colocados) numa banda d rock'n roll, me leva a pensar mais atrás, me lembra do Jerry Lee Lewis, quando fez rock com piano na década de 50, do rock progressivo nos 70, com o Queen o Pink Floyd e cia, trazendo o piano de volta, com flautas, violinos, e nova explosãode qualidade. Aí mesmo começam experiencias com elementos eletrônicos. Mas os metais, eu não me lembro numa banda de rock, talvez o amigo Bruno possa me ajudar a lembrar de alguma (mas ão o paralamas ou o skank, porque isso é Ska e não Rock), quem sabe a Bjork, usou um pouco,o próprio radiohead, mas ningúem me impressionou tando quanto eles, ali, naquele dia.

Enfim a música que escolhi agora é: "Todo Carnaval tem seu fim", cuja letra tem um estilo comptemporâneo, de informações aparentemente disconexas, com a comunicação se dá hoje em dia na na geração internet, mas que eu vejo dentro da letra, através do recurso das antitese,uma crítica tanto a comunicação parcial, quanto a generalização fácil. Ao mesmo tempo revela uma resignação e uma adaptabilidade para essa situação (que jeito, não é mesmo?). Enfim muita viagem minha talvez. Gosto bem dessa letra, mas atenção especial aos metais da música que eu acho sensacionais, e o agradecimento politicamente incorreto no fim também acho bacana. Eu fiquei muito feliz de ter tido a oportunidade de vê-los ao vivo, mesmo depois do fim da banda, para desfazer a impressõ errada que eu tinha. Já ouvi essa música umas quinze vezes nesse fim de semana...

Amiga Érica, quando você me procurou no gtalk eu estava dormindo, por isso não respondi, qualquer hora nossos horarios baterão e trocaremos uma idéia. E a vida em SP como vai? Seu marido como está? Próxima vez que vier a Lagoa da Prata tipo num feriado, me avisa antes, que de repente dá pra eu dar um pulo aí para ver vocês...

Abraços a todos...

Todo Carnaval Tem Seu Fim
Los Hermanos
Composição: Marcelo Camelo


Todo dia um ninguém josé acorda já deitado
Todo dia ainda de pé o zé dorme acordado
Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia
Toda trilha é andada com a fé de quem crê no ditado
De que o dia insiste em nascer
Mas o dia insiste em nascer
Pra ver deitar o novo

Toda rosa é rosa porque assim ela é chamada
Toda Bossa é nova e você não liga se é usada
Todo o carnaval tem seu fim
Todo o carnaval tem seu fim
E é o fim, e é o fim

Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz

Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco
Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco
Toda escolha é feita por quem acorda já deitado
Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado
E pinta o estandarte de azul
E põe suas estrelas no azul
Pra que mudar?

Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz


Rádio-Ed Numero 1

Olá amigos,

Como vão? Espero que bem.
Eu vou muito bem graças a deus, obrigado por peguntarem...
Venho primeiro explicar isso aqui.
Eu a vida inteira tive alguma coisa com esse ano de 2009, sempre achei que seria um ano determinante na minha vida. A idade de trinta anos sempre me pareceu algo marcante. Enfim... não sei se pela previsão, ou pela expectativa, ou talvez por coincidência, de fato, não hove em minha vida, por ora ano tão rico. De experiências, de decisões e de impactos. Ora assustador, ora deleitoso. Está bacana.
De tudo que se passou nesse ano, o mais forte me aconteceu nesta semana, com o tempo creio que todos vocês, no tempo certo, saberão o que foi. O que ficou de quinta-feira foram três coisas, uma que me dá orgulho, uma que me dá pressa e outra que me proporcionará muito prazer.

Provei para mim mesmo que minha atitude é correspondente ao meu discurso e as minhas convicções sobre a vida mesmo em situações extremas, e isso me deu muito orgulho. A vida é muito curta, e há muito que se fazer que não deve ser deixado para depois. Enxerguei também que o maior prazer que eu encontro na vida é a ressonancia. E daí esse contato com vocês amigos.

A ressonancia, que estudei com alguns de vocës, é o fenomeno que ocorre quando duas ondas vibram na mesma frequencia, o ser humano é um ser social, e quando ele se sente em ressonancia com seu interlocutor, grupo ou ambiente, isso lhe faz bem. E confrontado com minha vida, que fui, observei como eu, particularmente, me realizo quando me sinto em ressonancia com os meus.

Cada vez mais me ligo nisso, sei que minha onda é meio que como um harmonico, e a frequencia e a forma da onda mudam muito, mas pelo menos por periodos, essa ressonancia acontece com um ou com outro. Decidi ir pra uma escola de comunicação e quem sabe talvez até num futuro virar o radialista que eu sempre quis ser, e assim espalhar a minha frequencia de momento, para encontrar alguma ressonancia, ou não... Vou buscar isso, mas não com toda a força, porque, no fim, não é assim que eu ajo.

Mas o assunto está escapando... vamos retornar, encaminharei aos amigos, e-mails como este, acompanhado de uma música, assim eu brinco de radialista, e espalho a minha vibração do momento, sei que não estarei sempre em ressonancia com todos vocês, mas amigos, lhes digo, mesmo quando não formos, ondas ressonantes, seremos ondas afins.


O que me marca mais agora é que a vida é curta, e há que se aproveitar o tempo que se tem, fazendo aquilo, que se cre que se deve, como eu estou fazendo agora. E dentro disso, a música que acompanha, será uma do Lobão, que diz "melhor viver dez anos a mil do que mil anos a dez", sempre acreditei nisso, e é assim que construí minha vida até aqui, e assim prosseguirei até onde for, porque meu perfil sempre foi esse, de ser ávido por tudo que o sensorialismo puder me trazer, tem uma poesia de Thoreau, que é a da minha vida (e principalmente no meu momento de hoje), essa poesia já a vi citada em dois filmes, que se não viram, lhes indico, que é o "Sociedade dos Poetas Mortos" e "Admirável Mundo Novo", Transcreverei aqui uma tradução (poesia traduzida é complicado, não achei uma tradução boa então eu mesmo fiz essa).

"A vida nas Árvores"
Henry David Thoreau


"Fui para os bosques viver deliberadamente
Defrontar-me apenas com as coisas essênciais da vida.
Ver se eu não poderia aprender tudo o que deveria ser ensinado
Não desejava o que não fosse vida, a doce vida
Não queria resignar-me, a não ser que fosse extremamente necessário
Queria sugar todo o tutano da vida
e viver assim como um autêntico espartano
Pronto para aniquilar tudo o que não fosse vida
Dirigir minha vida, para onde eu quisesse,
Sendo mau, que eu o fizesse de forma completa e genuína e pública
Sendo sublime, que eu o fizesse por escolha própria e me desse conta disso
Para, quando morte chegasse, eu não descobrisse que não vivi"



Grande abraço para os amigos todos e até o próximo programa... (pra frente sem explicar antes, serão e-mails menores)

Decadence Avec Elegance
Lobão


Há muito tempo que eu já dizia
Toda essa chinfra não te garante
Você não sabe arte de saber andar
Nem de salto alto, nem de escada rolante

Sua vida não tem muito sentido
Sempre em dia com o seu atraso
Mas e daí ela se acha tão chic
Troca seu destino por qualquer acaso
E perdeu a pose ...

Decadence avec elegance
Decadence avec elegance
Ou ou ou ou ou ou ou ou ou... (x2)

Ela diz pra mim: Seja um bom rapaz
Pratique algum esporte, tenha bons ideais
Afinal de contas o fim do mundo não é nenhum fim de mundo
E se for ... Descanse em paz

E no final da madrugada perambulando pelos bordéis
Decadence - é melhor viver
dez anos a mil,
do que mil anos a dez

Decadence avec elegance
Decadence avec elegance
Ou ou ou ou ou ou ou ou ou...

Decadence avec elegance
Decadence avec elegance
Ou ou ou ou ou ou ou ou ou...


Diálogo entre Dois Médicos (via imprensa)

RESPOSTA DE UM MÉDICO,
DR. HUMBERTO DE LUNA FREIRE FILHO,
PUBLICADA NO “O ESTADO DE SÃO PAULO ”
A OUTRO MÉDICO, DR. ALDO PACINOTO


Carta do Dr. Aldo Pacinoto
Date: Thu, 4 Jun 2009 12:35:10 -0300
Subject: CARTA ESTADÃO
From: producao197
To: hlffilh

Prezado senhor Humberto.
Sei perfeitamente que os leitores do jornal O Estado de S.Paulo são conserva­dores, muitas vezes reacionários,claramente de direita. Mas algumas car­tas chegam ao cúmulo do absurdo.
Ontem um leitor disse que a culpa dos erros nas cartilhas do governo do se­nhor José Serra é culpa de algum "petista infiltrado" na Secretaria da Educação. Hoje, o senhor faz uma observação completamente equivocada. Não é apenas o presidente americano Obama que elogia o nosso presidente. Os elogios estão vindo de todos os continentes. É o presidente francês, é o presidente sul-africano, o premiê in­glês, finlandes, a alemã.

Só não vêem em Lula um grande líder pessoas preconceituosas que ainda o enxer­gam como um metalúrgico analfabeto. O senhor deve ser de classe média média ou alta.
Pergunto: o que piorou em sua vida com o governo Lula? O que vai melhorar com o governo Serra? É claro que a classe média não quer enxergar em Lula um presi­dente que tem enfrentado crises econômicas internacionais como ninguém.
O senhor lê a Economist? O El País? O Le Monde? Se ficar lendo apenas o Estadão e a Veja terá uma visão burguesa e centrada em críticas e mais críticas. Radical.
O senhor sabe o quanto o atual governo melhorou a vida dos menos favoreci­dos? O senhor não quer que ele melhore a vida dos mais pobres? Sou mé­dico, não sou petista, sou classe média até digamos alta. Tinha tudo para pensar como os lei­tores do Estadão, que mandam frases de efeito, às vezes engraçadi­nhas, que o jor­nal adora publicar. Mas, felizmente, penso exatamente ao contrário desses leito­res. Graças a Deus e ao meu pai, que me ensinou a olhar a vida sem radicalismos.

Atenciosamente.
ALDO PACINOTO
Curitiba
___________

RESPOSTA DO DR. HUMBERTO DE LUNA FREIRE FILHO
Date: Fri, 5 Jun 2009 01:54:52 +0000
From: hlffil
To: producao1972@
Subject: RE: CARTA ESTADÃO

Prezado colega Aldo (Também sou médico - Neurocirurgião)

Antes de mais nada quero deixar claro que não sou eleitor do Sr.José Serra, sou apolítico, não filiado a nenhum partido, tenho nojo de politíca, e consequente­mente, de políticos, principalmente dos atuais.
Sou a favor sim, dos princípios morais, mas, para meu desapontamento, isso transformou- se em fruta rara nos três Poderes da República no atual go­verno. Quero também informar ao colega que leio qualquer publicação e não só O Estado de S. Paulo e a Revista Veja, como também já viajei por meio mundo, portanto vou responder suas indagações com conhecimento, e o que é mais im­portante, com a independência de um profissional liberal não comprometido com governo nem com imprensa nem com igreja nem com sindicatos ou com quem quer que seja.

Quanto à sua pergunta sobre o que piorou na minha vida durante o governo Lula e as possíveis melhoras em um possível governo Serra, eu diria que não houve nem haverá nenhuma mudança. Nem eu quero que haja, porque de go­verno, qualquer que seja a tendência ideológica, eu só desejo uma coisa: DIS­TÂNCIA.

Não dependo nem nunca dependi de nenhum deles. Uma outra afirmativa sua é sobre a melhoria da vida dos mais pobres (por conta do bolsa família, ima­gino). Minha opinião é que bolsa família não é inclusão social, é esmola, mais pre­cisa­mente compra disfarçada de votos. O pobre não quer esmola, quer escolas, hos­pitais, ambulatórios que funcionem na realidade. Nos palanques eleitorais já foi dito até que a medicina pública brasileira está próxima da perfeição Só que a cú­pula do governo, quando precisa de assistência médica, dirige-se ao Sirio-Libanês ou ao Hospital Israelita, e chega em São Paulo em jatos particulares. O colega, como médico, não deve ignorar essa realidade.

Na área rural, falta mão de obra porque o dito trabalhador rural virou para­sita do governo, e não mais trabalha. Para que trabalhar? eu fico em casa e no final do mês o governo me paga. Essa foi a frase que tive que engolir, não faz muito tempo, antes de abortar um projeto em minha propriedade rural, que empregaria pelo menos 50 pessoas. Quando optamos pela mecanização, vem um bando de sindicalistas hipócritas junto com a quadrilha do MST, diga-se de passagem foras da lei e baderneiros, financiados com dinheiro público, dizer que a máquina está tirando o emprego no campo.

Outro item a que você se refere é sobre a minha observação, completamente
equivocada (equivocada na sua opinião), publicada hoje no jornal O Estado de S.Paulo. Pois é, aquela é a MINHA observação, e eu espero que o colega a respeite como eu respeitaria a sua, se lá estivesse publicada. E mais, se você quiser fazer um giro maior, saindo portanto, da esfera do Estadão e da Veja para fugir do con­servadorismo dos mesmos, (conservadorismo também opinião sua - respeito) , verá que existem muitas outras publicações minhas dentro do mesmo raciocínio, coerência, independência e coragem que tenho para falar o que quero, e assumir totalmente a responsabilidade pelo dito . Colega, por favor, pesquise os seguintes jornais: Diário de Pernambuco (Recife-PE), Diário da Manhã (Goiânia-GO), Gazeta do Povo (Curitiba-PR) , O Dia (Rio de Janeiro-RJ), Jornal O Povo(Fortaleza- CE) e outros, além de dezenas de sites e blogs.

Agora faço a minha primeira pergunta: são todos conservadores e reacioná­rios? Não! são independentes. Não são parte da imprensa submissa e remunerada com dinheiro público, não fazem publicidade da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Economica Federal, do PAC, e o mais importante, não recebem ordens de Franklin Martins, (o Joseph GoebbelsTupiniquin) , manipulador de informações, prestidigi­tador que usa o vulnerável substrato cultural brasileiro, para transformar câncer em voto.

E para encerrar, permita-me fazer mais essas perguntas: O The Economist, o El País,O Le Monde etc. informaram a opinião pública européia sobre as dezenas de escândalos financeiros e morais ocorridos no País nos últimos sete anos, e que permanecem impunes por pressão do grande lider e asseclas? Infor­maram que o Congresso Nacional está tomado por uma quadrilha manipulada pelo Executivo ( 80% envolvidos em algum tipo de delito) e que conseguiram extinguir a oposição? Informaram que a maior empresa brasileira é estatal e ao mesmo tempo usufruto do governo, e que o mesmo tenta desesperadamente blindá-la contra qualquer fiscalização? Informaram que 40% dos ministros e ex-ministros desse governo respondem a processos por malversação de dinheiro público?

Eu acho que os chefes de estados da Europa não sabem dessas particularida­des. Por muito menos estão rolando cabeças no Parlamento Britânico, e com uma grande diferença, o dinheiro lá desviado é devolvido aos cofres públi­cos; enquanto aqui parte é rateada; parte é para pagar bons advogados, e outra parte é incor­porada ao patrimônio do ladrão.

Casos exaustivamente comentados na imprensa vem ocorrendo há anos com pelo menos cinco indivíduos que hoje fazem parte ativa da base de sustentação do grande líder. Isso para não falar de coisas mais graves como os assassinatos dos prefeitos de Campinas e de Santo André, envolvendo verbas de campanha. Crimes esses nunca esclarecidos e cujos cadáveres permanecem até hoje no armário do PT. Portanto, ver Luiz Inácio Lula da Silva como um líder é querer forçar um pouco. Para mim, ele não passa de papagaio de pirata de Hugo Chavéz. Veja a sua última pérola: "O Brasil acha petróleo a 6 mil metros de pro­fundidade, por que não acha um avião a 2 mil". Isso não é pronunciamento de lí­der em um evento público envolvendo dezenas de chefes de estado. Isso cairia bem em reunião de sindicato ou em mesa de botequim. Caracteriza oportunismo vulgar.

Moro no Brasil, sei ler e não sinto azia quando leio. Não sou preconceituoso nem radical, modéstia a parte, sou esclarecido, e se combater corrupção é radica­lismo, aí sim, sou RADICAL, e estou pronto para qualquer coisa como todo nor­destino.. . de caráter.


Atenciosamente.
Humberto de Luna Freire Filho
São Paulo


Quarta-feira, Setembro 02, 2009

O Incrível Furo do Reginaldo Leme (e as Lamentáveis Furadas do Galvão Bueno e da Globo)

Quem como eu assistiu neste último domingo pela globo a transmissão do Grande prêmio da Bélgica, viu algumas coisas muito interessantes, para começar uma boa corrida, a Ferrari voltando a vencer depois de longo e tenebroso inverno com Kimmi Haikonen, viu a surpreendente Force India, não apenas marcando os seus primeiros pontos na Fórmula 1, mas também seu primeiro pódio, com o segundo lugar do, não menos surpreendente, Giancarlo Fisichella, viu também o Rubens Barrichello, com seu indefectível azar, ficar parado durante a largada mas fazer um bela corrida alcançando a sétima posição, diminuindo, ainda que pouco, a vantagem do líder do campeonato, o seu companheiro de equipe Jeson Button. Foi uma corrida bacana e só por isso já valia, mas além da corrida tivemos a oportunidade de ver mais. O comentarista de Fórmula 1 da Globo, já nem sei há quantos anos, fez o que é um sonho para qualquer jornalista e furou toda a imprensa mundial ao dar ali, ao vivo a informação sobre a investigação em curso sobre o acidente de Nelson Piquet Jr, no ano passado no GP de Cingapura, aquele que foi o primeiro realizado à noite. A notícia, importante para o mundo do automobilismo, na mesma proporção em que é chocante e estarrecedora, torna o feito de Leme ainda mais auspicioso, pois no métier da Fórmula, abarrotado de profissionais que trabalham com isso, as vezes, as décadas, onde todos se conhecem, todos têm as mesmas fontes, a pessoa se antecipar e divulgar antes do mundo inteiro a informação, denota não só a sua competência, sua perspicácia na busca de fontes, mas também um grande arrojo e coragem do profissional (explico isso mais tarde). Depois do fim da corrida, o alvoroço causado pela revelação do Reginaldo Leme, deve ser para ele motivo de bastante orgulho, pois a imprensa do mundo inteiro deu a informação depois, citando, todos, o responsável pelo furo, como exemplifico aí abaixo, vocês poderão conferir:

Gazzetta.it

Sport365.fr

Rallyroom.ro

Canchallena.com

Eurosport.fr

Lequipe.fr

Sports.fr

Laaficio.com

Formula.hu

Sporthirado.hu

Realmotor.it

vitalfootball.uk

Isso aí por si, já seria bacana de ver, o bom jornalista Reginaldo Leme, que conhece do assunto, realizar uma coisa grande, como esse furo.

Só é pena o Galvão Bueno e seu ego do tamanho do mundo, não ter percebido, ou ter invejado talvez, o que o seu colega tina acabado de fazer. Aliás, pena para ele porque pra nós expectadores, nada foi mais divertido do que ver o Galvão dando chilique ao vivo em rede nacional, e o problema do cara é tão grave que ele ainda conseguiu encaixar mais uma daquelas patriotadas ufanistas e chatas, que só ele sabe fazer, até nesse assunto. Lamentável (apesar de engraçado).

Mais Lastimável que a postura do Galvão Bueno Frente ao feito de Reginaldo Leme, só a postura da Globo frente a notícia... veja aí essas duas fontes:

24horasnews

Terra

Lendo essas duas notícias, enxergo que a direção da Globo, através do ponto eletrônico, optou por retirar da pauta o assunto, da forma mais rápida possível, por interesse do patrocinador das transmissões (A Renault do Brasil), que não ficaria satisfeita de ver discutido sob grande audiência dos fãs de automobilismo do Brasil, a grande merda feita pelos integrantes da equipe mantida pela matriz.

Essa atitude do meio de comunicação, para mim, é, no mínimo tão grave quanto é esse crime que teria sido cometido pelo Flávio Briattore e sua equipe.

O Saudoso Januário Carneiro fundador da Rádio Itatiaia de Belo Horizonte, tinha que ter feito mais escola, e aquele quadro colocado por ele no estúdio da rádio: "Aqui vendemos espaço, opinião não." Mas será que há, ou já houve alguém que seguisse, de fato, esse lema? Talvez, nem mesmo o próprio Carneirão, nem o Oswaldo Faria (coragem para dizer a bobagem), seu funcionário mais ilustre.

Mas enfim, a Reginaldo Leme os parabéns. Great Job!

(p.s.: a corruptela do lema de Oswaldo Faria foi proposital, sempre a repeti assim, o que não tira de mim a condição de fã que sempre fui dele, Deus o tenha em bom lugar)


Segunda-feira, Agosto 31, 2009

Políticos brasileiros sonham em ser Obama no Twitter, mas não passam de um Mercadante

Política e Twitter. Eis um assunto que vem ganhando cada vez mais interesse. O Twitter ganhou credibilidade como importante meio político na última eleição americana. Com suficiente antecedência, a campanha de Obama soube construir a imagem do candidato através de mídias sociais. Essa interação na rede mostrou um candidato diferente, que se aproxima dos eleitores e sabe ouvi-los. Além disso, "humanizou" o político, normalmente estampado estaticamente em santinhos e cartazes. Se a televisão e o rádio exibem um político distante, protegido pela distância da comunicação de massa, o Twitter oferece a sensação de intimidade.

Enquanto isso, no Brasil o Twitter aparece na política apenas como paródia. Conscientes do poder midiático e interativo dos novos meios digitais, nossos políticos começam a divulgar seus perfis em serviços da Web 2.0. Mas, não sabem eles, as mídias sociais não fazem milagres eleitorais. São de fato um potente canal de interação, não apenas uma vitrine reluzente. Veja-se por exemplo as trapalhadas do senador Mercadante (sim, aquele que já apoiou Renan Calheiros). Sua equipe está ciente de que blogs e Twitter pautam a mídia de massa e de que as mensagens com 140 caracteres podem ter grandes efeitos. Por outro lado, esqueceram que a ferramenta não é suficiente. De que adianta uma mensagem forte e de impacto instantâneo se o responsável pelo perfil é inseguro e a todo momento trai os seus princípios?

No Twitter tudo é rápido. Um pseudo-protesto do senador, que avisava que iria deixar a liderança do PT no senado em caráter "irrevogável" (risos, muitos risos!), transformou-se pouco tempo depois em um atestado de óbito. Discursando para um plenário vazio (bem, isso não é novidade no senado), o senador vacilão atestava em viva voz que aquilo que se lera em seu Twitter era uma mentira virtual de um covarde real. Pobre política nacional, pobre Twitter. Pobre eleitor brasileiro.

Gostamos muito de elogiar o uso do Twitter pelo Obama. Mais ainda de mostrar a importância desse meio nos protestos do Irã. Por outro lado, muitos criticam o uso da tag #forasarney. É como se lá fora o Twitter realmente movimenta o debate público, enquanto no Brasil ele não passa de uma ignição para modas passageiras. Sim, Sarney não vai arredar o pé. Ele está "blindado" (palavra asquerosa que virou bordão na imprensa). Mesmo assim, continuo crendo que tanto a tag #FORASARNEY (sim, as maiúsculas é para indicar que estou GRITANDO) quanto os debates em blogs tem um impacto no espaço de debates. Certamente alguns estamparam a tag pouco sabendo quem é o senador bigodudo e os colegas que o apóiam. Mesmo assim, o tema estava circulando, provocando reflexões.

A insistência das mensagens na blogosfera e na Twittosfera pedindo a necessária saída de Sarney nunca teria sozinha a força de afastá-lo do cargo. Mesmo assim, o debate no ciberespaço é mais uma força, não a única, nem a mais forte. Quero crer que esses movimentos no mínimo despertam a curiosidade de jovens eleitores. Mais do que isso, ajudem a fortalecer a crescente insatisfação de nosso povo com seus representantes políticos. Essas mudanças são lentas. Mesmo assim, olhando para trás podemos ver o quanto nossa política já evoluiu. Pode parecer que estamos indo ladeira abaixo, em direção àquele imenso lamaçal. Mas hoje podemos expressar livremente nossas opiniões, sem sermos exilados, perseguidos ou torturados. E podemos testemunhar em tempo real como os políticos que elegemos roubam nossos bolsos e saqueiam nossa dignidade. Quem sabe essa total visibilidade e tanto debate nos conduzam a escolhas melhores no futuro.

Enfim, blogs e Twitter não são nossa salvação na política, nem a estratégia eleitoral certeira. Os debates que lá ocorrem tampouco são mudos, sem real impacto. São, na verdade, mais um elemento do debate político.

(por ALEXPRIMO em http://www.interney.net/blogs/alexprimo/2009/08/25/politicos_brasileiros_sonham_em_ser_obam/ )


Domingo, Agosto 30, 2009

Vanusa assassina o Hino Nacional

Mas ela não está lendo a letra?



http://www.youtube.com/watch?v=TfzyqxWHrQo


Incrível. Lamentável. Extraordinário.

A sensação é que ela emendou uma espécie de improviso quando sentiu que tinha se perdido completamente. Não. Pensando melhor, ela não deve nem saber onde está. Vai entender.

Tem vários momentos sensacionais. Mas eu adoro quando eles agradecem à cantora Vanusa e ela continua cantando no fundo.

Esse é aquele link que veio de todos os cantos no Twitter,

Publicado por Alex Maron em:
http://www.alexmaron.com.br/2009/08/30/vanusa-assassina-o-hino-nacional/


Eu e o Cinema

Enquanto mero espectador das mudanças que alteravam o cenário da cidade, eu procurava me divertir para superar a redução em meu círculo de amizades, afinal a vida continuava. As opções resumiam-se ao parque na praça Cândido Mendes, diante de minha casa ao lado do cartório do velho e calvo Daniel Rego, e ao Cine Carolina, duas quadras atrás da praça, cujo altofalante gritava os nomes dos filmes nas noites e matinês dos finais de semana.

Ali assisti ao meu primeiro filme. Não foi uma boa experiência. Não havia àquele tempo qualquer classificação dos filmes por faixa de idade ou restrição à presença de criança nas sessões. Valia tudo. Os filmes eram antigos, com anos de atraso. A maioria das películas em preto-e-branco, de tanto manuseio, tinha inúmeros riscos brancos dificultando a identificação da cena.

Mas era um filme.

E o cinema causou tanto impacto quando chegou a Carolina que enlouqueceu um homem ou, na melhor das hipóteses, ele achou uma razão prática para a sua loucura. Foi o Bia Louro. Quando viu Charles Chaplin, quis sua vida em preto-e-branco. Rápido arranjou um paletó retrô, uns sapatões de palhaço e um chapéu-coco. A bengala, de um tio falecido décadas atrás, completou o conjunto. Não mais admitiu em sua vida outras cores que o preto e o branco. Cultivou um bigodinho que o deixava não com a cara de Carlitos, mas como a sombra do ditador germânico que arrastou o mundo à conflagração da década de 1940. Sem respeito algum, muitos frequentadores do cinema chamavam-no Hitler. Paravam diante dele à entrada principal — onde religiosamente se postava todo dia desde os primeiros anos da década de 1950 —, perfilavam, jogavam abruptamente o braço para o alto e gritavam com um riso sardônico: Heil Hitler! Ele enrijecia o corpo, como tocado por uma corrente elétrica, segurava com firmeza à mão esquerda a bengala assentada no chão, abria um sorrisinho idiota que distendia o bigodinho e parecia realizado. Aos primeiros sons do altofalante ele chegava, surgido de uma bruma do passado, e ali na rua, diante do cinema, bamboleava o corpo incansavelmente de um lado a outro com passinhos miúdos, parecendo pato novo. Quando os espectadores saíam da sessão, a escuridão da noite já o havia engolido.

Foi no meu primeiro filme que vi aquela figura senil, decrépita, o bigodinho não mais preto, mas gris —formando um triste conjunto com o velho paletó e o chapéu-coco —, amargando o escárnio público. Foi um choque tão grande quanto o meu primeiro filme. Passei arredio, dando voltas para evitá-lo, enquanto algumas pessoas cumprimentavam-no à moda nazista.

Mesmo assim entrei com gosto pela primeira vez no cinema. Eu e Paulo. Mais velho três anos que eu, acredito que ele fosse assíduo nas matinês. Minha mãe nos havia arrumado, não esquecendo de conferir com o zelo habitual todos os detalhes da roupa, o cabelo — curto e gomalinado — brilhando. No bolso, o dinheiro para a pipoca na porta do cinema e as tradicionais recomendações de cuidado que não ouvi pois era grande a minha ansiedade.

O filme era de terror, por sinal um ordinário terror. Homens com paletós de gola alta e cartolas esgarçavam a boca a todo o momento, mostrando os grandes dentes de vampiro —mais para amedrontar a plateia que os inimigos. Ao mau espetáculo os presentes opunham gritos de medo e suspiros que davam maior peso ao suspense vagabundo, nem um pouco ligando para a qualidade do filme.
Eu contorcia as mãos de medo, encolhia-me na cadeira de madeira compensada, agradecendo que a escuridão da sala não permitisse verem o meu vexame. Na hora em que alguns homens de paletós pretos abriram uma cova e preparavam-se para estocar com um pedaço de pau o vampiro dentro do caixão, não resisti: escondi a cabeça entre as pernas e assim fiquei até o final do espetáculo. Remoía uma certeza enquanto ouvia os gritos dos atores se misturarem aos da plateia: ‘não vou enlouquecer como o Bia Louro, não vou!’

Fora do prédio, ao final da sessão, Paulo questionou o meu suor. Restou-me dizer, desconversando, que a sala era muito abafada e suara além do comum.
Em casa, naquela noite de domingo, o medo me dominou. Não podia ficar sozinho, estava sempre grudado em meu pai ou minha mãe, pois do contrário me sentiria à mercê dos homens de cartolas pretas e grandes dentes de vampiro. Queriam cravar-me também uma estaca no peito por minha intromissão no filme deles, acreditava. Desconfiava que a loucura do Bia Louro fora forjada em circunstâncias idênticas.

Por algum tempo evitei ir ao cinema. Se cinema era aquilo, esconjuro!, não era para mim. Não conseguiria dormir à noite, como não consegui naquele dia sonhando com vampiros e homens de paletós de gola alta.

Paulo foi por muito tempo sozinho ou na companhia de minha irmã Josete, mais velha que eu, ou de João. Antes de o espetáculo começar ele ficava à frente do cine, onde as pessoas se concentravam, conversando com os amigos, trocando revistas que comprara, lera e passava adiante, ou comendo pipoca. Tinha muitos gibis: Superman, Homem-Aranha, Cavaleiro Negro, Fantasma.

Na volta, eu ia encontrá-lo ainda na praça, para conferir quais as novas revistas que trazia e disfarçadamente saber se o Bia Louro ainda fazia plantão por lá junto com os vampiros de paletó.

Postado por jjLeandro no jjLeandro em 6/27/2009 11:00:00 AM no
http://jjleandro-jjleandro.blogspot.com/


O FIM DA ARTE (como meio de conhecimento)

Não temos a capacidade de destilar em palavras as experiências visuais que fazem o belo repousar naquilo que é apreendido pelo olhar. Uma obra de arte é tudo que ela contém: forma, textura, cor, linhas, conceitos, relações, etc. É aquilo que se vê, e o que se diz não corresponde exatamente ao que se vê. Não representa nada como imagem de outra coisa. E para ler um trabalho de arte é necessário se partir de um modelo (referências, informações...). Existem códigos a priori (aqueles utilizados pelo artista) e códigos a posteriori (aqueles utilizados pelo espectador).

A virtude da arte é afirmar um conhecimento, propondo instrumentos que seduzem a inteligência. A invenção de uma linguagem é o resultado de um exercício paciente de contemplar outras linguagens. Como todo discurso é resultado de outros discursos. Exige-se um método. A arte é o que está além dos limites de tudo o que se considera cultura; não pode se restringir a um exótico experimento ou aparência da superfície de um trabalho, que fica para trás, como uma coisa vazia, no primeiro confronto com o olhar que pensa.

A arte, entendida, como meio de conhecimento, hoje em dia, vem cedendo lugar a uma experiência ligada ao lazer e a diversão, que envolve outros profissionais como responsáveis pela sua legitimação: o curador, o empresário patrocinador e organizador de eventos, marchands, profissionais de publicidade, administradores culturais e captadores de recursos. Com as leis de incentivo a cultura e a presença marcante da iniciativa privada, paradoxalmente, levou a arte a um limite, o fim da obra, do trabalho ligado a um saber. E o artista, nem artesão e nem intelectual, sem dominar qualquer conhecimento, está cada vez mais sujeito ao poder do outro. As grandes mostras são grandes empreendimentos para atender à indústria do entretenimento, (mais empresarial e menos cultural), que movimentam uma quantidade significativa de recursos e envolve um número assustador de atravessadores.

As contradições modernidade / tradição, contemporâneo / moderno, neste início de século, cede lugar a uma outra contradição: artistas que pertencem ao metier e artistas estranhos ao metier, inventados por empresários da cultura, cujos trabalhos se prestam para ilustrar uma tese ou teoria imaginária de um suposto intelectual da arte e garantir o retorno do que foi investido pelo patrocinador e pelo comerciante de arte. Uma mercadoria fácil de investir, sem risco de perda, basta uma boa campanha publicitária. O artista pode ser substituído por um ou por outro, a obra é o menos importante. Aliás, é o que a indústria do marketing tem feito com as mostras dos grandes mestres como: Rodin, Manet, etc., pouco importa as obras desses artistas e sim o nome e o patrocinador. A publicidade leva consumidores/espectadores como quem leva a um shopping center. A quantidade de público garante o sucesso. O público é como o turista apressado, carente de lazer cultural que visita os centros históricos com o mesmo apetite de quem entra numa lanchonete para uma alimentação rápida.

Na “sociedade do espetáculo”, regida pela ética do mercado, o artista sem curador, sem marchand, sem patrocinador, é simplesmente ignorado pelas instituições culturais, raramente é recebido pelo burocrata que dirige a instituição. Seus projetos são deixados de lado. Também pudera, essas instituições, sem recursos próprios, tem suas programações determinadas pelos patrocinadores. Numa sociedade dominada pelo império do marketing, a realidade e a verdade são mensagens veiculadas pela publicidade que disputa um público cada vez maior e menos exigente. A vida é vivida na especulação da mídia, na pressa da informação. E neste meio, a arte é uma diversão que se realiza em torno de um escândalo convencional, deixando de lado a possibilidade do pensamento.

O fantasma do “novo”, que norteou a modernidade foi deslocado para o artista que está começando, pelo menos novo em idade, o artista/atleta, a caça de novos talentos e de experiências de outros campos sociais. Totens religiosos, a casa do louco, a rebeldia do adolescente... Tudo é arte, sem exigir de quem faz o conhecimento necessário. Todo curador quer revelar um jovem talento, como se a arte dispensasse a experiência. Um “novo”, sinônimo de jovem ou de uma outra coisa que desviada para o meio de arte, funciona como uma coisa “nova”. Um novo sempre igual, a arte é que não interessa. Praticamente trinta anos depois do aparecimento da chamada arte contemporânea no Brasil, recalcada nos anos 70 pelas próprias instituições culturais, um outro contemporâneo surgido nos anos 90 passou a fazer parte cotidiano dos salões, bienais, do mercado de arte, das grandes mostras oficiais e de iniciativa privada. Uma contemporaneidade sintomática.

Estamos vivendo um momento em que qualquer experiência cultural: religiosa, sociológica, psicológica, etc. é incorporada ao campo da arte pelo reconhecimento de um outro profissional que detém algum poder sobre a cultura, (tudo que não se sabe direito o que é, é arte contemporânea). Como tudo de “novo” na arte já foi feito, o inconsciente moderno presente na arte contemporânea implora um “novo” e nesta busca insaciável do “novo”, experiências de outros campos culturais são inseridos no meio de arte como uma novidade. Deixando a arte de ser um saber específico para ser um divertimento ou um acessório cultural. Neste contexto, o regional, o exótico produzido fora dos grandes centros entra na história da arte contemporânea. Nos anos 80, foi o retorno da pintura, o reencontro do artista com a emoção e o prazer de pintar. Um prazer e uma emoção solicitados pelo mercado em reação a um suposto hermetismo das linguagens conceituais que marcaram a década de 70. Acabou fazendo da arte contemporânea, um fazer subjetivo, um acessório psicológico ou sociológico. Troca-se de suporte nos anos 90 com o predomínio da tridimensionalidade: escultura, objeto, instalação, performance, etc., mas a arte não retomou a razão.

Na barbárie da informação e da globalização, estamos assistindo ao descrédito das instituições culturais e da dissolução dos critérios de reconhecimento de um trabalho de arte. Tudo é tão apressado que acaba no dia seguinte, os artistas vão sendo substituídos com o passar da moda, ficam os empresários culturais e sua equipe. Uma corrida exacerbada atrás de uma “novidade”, que não há tempo para se construir uma linguagem. O chamado “novo” é a experimentação descartável que não chega a construir uma linguagem elaborada, mesmo assim, é festejado por uma crítica que tem como critério de julgamento interesses pessoais e institucionais. A arte pode ser qualquer coisa, mas não são todos os fenômenos ditos culturais, principalmente os que são gerados à sombra de uma ausência de conhecimento.



Almandrade (artista plástico, poeta e arquiteto)


Quarta-feira, Agosto 26, 2009

A Despedida que não Houve (pelo menos por enquanto)

O escritório em que trabalho lá na empresa há pouco mais de três anos está reduzindo suas atividades (e chegou-se a pensar no fechamento), eu participei de quase toda a história desse escritório, e esse redução chateia um pouco. Eu e outros colegas temos tentado arrumar outra colocação na empresa, e outro dia desses cheguei a participar de uma seleção. Não fui selecionado, o que também chateia, mas de fato eu ainda não queria sair ainda e então não foi tão triste assim, mas na verdade teve um momento em que eu que achei que seria selecionado e então sairia, nessa hora eu estava no ônibus indo para o trabalho, lendo o meu Nietzsche, quando começaram a me brotar as palavras de uma despedida que eu pretendia enviar às mais de cem pessoas que fizeram parte da história desse ambiente. Interrompi a leitura, peguei uma caneta, um rascunho e comecei a escrever numa torrente de pensamentos incontroláveis, achei que ficou bacana, mas quando saiu o resultado e eu não fui selecionado, acho que fiquei mais triste foi de não me despedir das pessoas e desse processo da forma como eu tinha planejado. Enfim... pode ser que eu ainda saia e aí enviarei a carta a todos, pode ser que não, de qualquer forma fica a carta aqui e aí todos poderão ler se por acaso pararem aqui... aliás se você é uma dessas pessoas e parou por aqui por acaso, e gostou, divulgue o endereço para os outros colegas que você tenha contato. Segue o texto da cartinha...



"Estou de saída. Mas quero falar é desde quando eu cheguei, há pouco mais de três anos. Selecionado que fui pelo comitê anterior: Ewerton, Zé Roberto e Maria Helena, eles e depois os outros os outros três do comitê atual me impuseram questões tais, que tal com Platão o diz, em seu dialogo com Teeteto, agiram como parteiras, que fizeram nascer de mim, o profissional e o analista melhor que me tornei hoje.

Mas não é disso que que quero falar. Quero dizer da experiência que aqui tive, ao ver essa estrutura nascer, crescer e se desenvolver. De partirmos praticamente do nada e construirmos tudo isso que nós chegamos a ser. O crescimento pessoal e profissional que pude ver de tantas pessoas. Os diversos momentos de descoberta e de alegria que aqui vi e vivi. Os momentos ruins e de perdas que também acontecem, é a vida seguindo o seu curso. Tudo isso me tornou um homem melhor e mais preparado, mais cônscio da minha força, das minhas qualidades e também das minhas fraquezas e dos meus limites.

Mas também não é disso que quero realmente falar. Quero dizer é das pessoas, e de todo prazer e do orgulho que tive e tenho de ter aqui retomado a minha relação já de onze anos com meu amigo Gustavo Borges. De ter aqui continuado as minhas relações um pouco antes estabelecidas com o Mauro, o Lucas, o Mendel, a Iara e o saudoso Gut. E também de ter aqui construído outras tantas relações bacanas, como com o Marcone, o Coutinho, o Bernardo, o Caio, a Samantha, a Leila, a Vanessa, o Walle, a Vera, a Lígia, o Márcio, o Serjão, a Elcione, o Carlos, o Washington, o Ronaldo, o Cleberson, o Wesley, o Alessandro e a Carla (injustiças foram cometidas, eu sei, mas quando se propõe a citar, quase sempre, acontece), estes, talvez em maior grau,, mas no fim todos mesmo, me deram e me dão tanto prazer e orgulho, como já disse, desse contato que temos e/ou tivemos que eu sou hoje uma pessoa muito mais feliz do que eu era até 31/07/2006.

Eu sei que parte dessas relações se perderão no tempo, como lágrimas na chuva, mas também sei que algumas dessas relações me acompanharão por algum tempo, talvez de forma mais distante, enquanto outras, atravessarão esse teste da distância com louvor, se tornando até mais sólidas, presentes e próximas no fim. E isso me enche ainda mais de alegria.

Me despeço daqui com o sentimento do dever cumprido, com orgulho e alegria em relação a minha participação nesse processo que foi a Mesa, mas também já com certo pesar e saudade. Agora estou dando um passo para trás, não para dar dois a frente depois, mas para evitar de dar dois passos para trás agora. Mas espero e torço que a nova jornada a minha frente seja rica, valorosa, edificante e divertida como a que ora finda.

Sentirei muita falta daqui, do trabalho,do ambiente e das pessoas, mas sei também, que no microssegundo antes da minha morte, quando minha vida inteira passar pela minha mente, vou focar minha atenção a momentos importantes da minha vida, e ali me me lembrarei com carinho, desses últimos três anos e de vocês que me acompanharam nesse caminho.

Felicidades e sucesso a todos. Um beijo no coração de cada um, e que possamos nos encontrar por essa empresa e pelo mundo, em situações cada vez melhores, se Deus, assim, o permitir. "


"Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar,
trucidar
Meu coração fecha aos olhos e sinceramente chora...

Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto

Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intencão e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadura à proa
Mas o meu peito se desabotoa

E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa"


Francisco Buarque de Hollanda & Ruy Guerra





Terça-feira, Agosto 25, 2009

Olha a turma aí, gente...

Publicado em 25/08/2009 por Prof. C. Justino da Silveira cjustino@uol.com.br


Caros amigos, de nada vai valer nos debruçarmos sobre a vergonha atitude dos nossos senadores, que produziram uma verdadeira sacanagem com a população, ao urdirem uma verdadeira palhaçada, ao procederem ao arquivamento sumário das onde acusações contra que o presidente de Senado Sr. José Sarney e em contra partida arquivaram também a acusação contra o líder do PSDB senador Arthur Virgílio.
Que nos desculpem os profissionais do riso, os nossos queridos palhaços, estes que são profissionais e nos trazem alegrias até mesmo que estão com coração doído, com suas atividades nos picadeiros da vida, com muita categoria nos alegram em razão de seu ofício maior, a palhaçada resultado do vosso trabalho é a mais salutar possível...
A “Palhaçada” que nos referimos é a resultante do comportamento idiota, irresponsável, sem respeito algum pelos eleitores, quando nossos senadores no Conselho de Ética (sic, será que eles sabem o que significa), tentam varrer para debaixo do tapete da canalhice, todas as acusações que pesavam contra o presidente da casa, sem ao menos investigá-las, barganhadas com a liberação do Senador Arthur Virgilio, numa demonstração de que “o corporativismo político” é um mal que assola o nosso país.
Terminada toda a apresentação desta comédia bufa de um “teatro de quinta categoria”, onde os bufões se alternaram em cena, recitando as falas já definidas e negociadas prèviamente, a tal ponto que, entre mortos e feridos, os trombadinhas de votos segue em frente, conforme a determinação do “Molusco mor”, que impôs sua vontade ao Senado da República, como se fosse imperador do Império de Corrupnópolis...
A decepção é tamanha, que só nos resta repelir com veemência os pseudos representantes da população, que representam a maioria dos senadores, com as raríssimas exceções, e excluí-los quando vierem à procura dos nossos votos, o que não será tarefa fácil, pois estes pilantras contam com seus currais eleitorais pelo Brasil afora...
O pior em toda esta sacanagem, é que o governo não aceitou a derrota sofrida no final de 2008, quando foi enterrada a famigerada C.P.M.F., e mesmo com a manutenção da arrecadação em níveis normais, eis que a turma do Planalto volta à carga com o Sinistro Temporão enviando para o legislativo a continuidade da C.P.M.F. agora com outro nome o de C.S.S. (Contribuição Social para a Saúde)...
A nova sacanagem chamada C.S.S. nada mais é do que a antiga C.P.M.F. agora com a alíquota de 0,1% sobre todas as movimentações financeiras, e considerando as negociatas pelas quais o Planalto mantém sobre suas rédeas a chamada “Base Aliciada” reforçada pelos trabalhos do jaguncismo político da “tropa de choque”, precisamos ficar alertas e cobrar um posicionamento correto do nosso legislativo contra esta nova aberração...
A antiga desculpa de que precisamos garantir verba para os serviços de saúde, para que a saúde possa atender às necessidades da população, é pura balela e conversa para enganar trouxa, visto que durante os anos em que a famigerada C.P.M.F. foi arrecada, de nada valeu para a população, que continuou recebendo um atendimento de péssima qualidade, o verdadeiro e real problema da saúde é a falha administração dos recursos existentes...
Aliás, o oportunismo político é tamanho que o Sinistro da Saúde chegou a valer-se das vítimas da “gripe suína” para defender a aprovação da C.S.S., dizendo de forma desavergonhada que estes recursos ajudariam na erradicação desta doença, desculpe-me senhor sinistro, o que faltou como sempre acontece, foi levar a sério e epidemia que assola o mundo inteiro.
A população brasileira deverá sair da sua letargia, arregaçar as mangas, sair às ruas e exigir que os nossos representantes, que mais parecem representantes do governo federal, votarem contra esta reedição de um imposto disfarçado de contribuição que penaliza a toda a população brasileira...
O “Moluscão Mor” em uma de suas verborréias mentais, disse “após a rejeição da C.P.M.F. não vi nenhum empresário reduzir seus preços em 0,38%”, o que nos permite lembrá-lo de que:
1- durante a arrecadação da C.P.M.F. o atendimento da saúde manteve-se tão ruim, quanto era...
2- a arrecadação federal após a suspensão da C.P.M.F. não sofreu a queda, que era usada como o mote para a sua manutenção...
3- o maior problema deste país não é falta de arrecadação, o verdadeiro problema são os gastos desnecessários e supérfluos que desperdiçam os recursos arrecadados...
4- a carga tributária brasileira é a maior do planeta, está em torno de 37% do P.I.B. (produto interno bruto) e os serviços que são obrigação do estado tais quais: segurança, saúde, educação e infra-estrutura são de péssima qualidade, o que demonstra que gastos muito e de forma errada...
Acooorda Brasiiil, vamos todos lutar contra esta nova tentativa de espoliação da população brasileira, vamos dizer “NÃO a C.S.S”...

Carlos Justino da Silveira, graduado em Pedagogia, Mestre em Administração de Empresas e Controladoria, atua na área de ensino há 35 anos, e atualmente em Consultoria e treinamento de pessoal, sendo Professor de Administração e Gestão Manufatureira e de Serviços do Centro Universitário de Santo André – UNIÁ


Quarta-feira, Agosto 19, 2009

A Politica, A Imprensa, O Povo e O Futuro (ou o início da morte de um partido)

Hoje foi um dia bastante prolífico em notícias, na politica brasileira. Conforme estava previsto, foram arquivadas definitivamente, todas as representações contra o presidente do senado, o Excelentissimo Sr José Sarney. Isso acontece a despeito, dos muitos indícios que pipocaram, e apesar da opinião pública, estar bem convencida até mesmo da culpa de Sarney em algumas das denúncias. Aconteceram, algumas manifestações no congresso, e muitas, muitas mesmo, através da internet, seja por e-mails, blogs ou microblogs.

Eu outro dia dei uma entrevista a um jornal aqui de bh (o Hoje em dia http://www.hojeemdia.com.br/v2/index.php?sessao=13&ver=1¬icia=7512 ) à repórter Denise Mota, e depois republicada na internet no blog caraspintadasrs ( http://caraspintadasrs.blogspot.com/2009/07/caras-pintadas-deixam-as-ruas-e-hoje.html ), onde eu falei um pouco sobre a efetividade que eu acredito terem essas manifestações. Falei também a veja (essa declaração não publicada) aos repórteres Maria Maia e Leonardo Coutinho. Antes de continuar a falar sobre hoje, reproduzirei aqui a matéria do Jornal e a minhe declaração a revista.

"Caras-pintadas deixam as ruas e hoje protestam na Internet
Denise Motta, para o jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte.
Repórter


O ano era 1992. O clima político era de instabilidade. As manifestações eram reais. Estudantes foram às ruas protestar contra o presidente da República, Fernando Collor de Mello, hoje senador pelo PTB de Alagoas. Passeatas coloridas, estudantes com rostos pintados de verde e amarelo se espalharam pelo país, em favor do impeachment de Collor por suspeita de crimes como enriquecimento ilícito, evasão de divisas e tráfico de influência.


O ano é 2009. O clima político, no Senado, é de instabilidade. As manifestações agora são virtuais, pela Internet. Uma campanha contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AC), intitulada “#forasarney”, ganha dimensões mundiais graças ao Twitter, rede de relacionamentos virtual, uma espécie de microblog que, entre suas ferramentas, lista os dez assuntos mais comentados no mundo. No último dia 29 de junho, o “#forasarney” ocupou a vice-liderança de tópicos mais comentados e chamou atenção de blogs em todo o planeta. As manifestações sumiram das ruas e ganharam as telas dos computadores.


O Twitter é uma rede de relacionamentos onde uma pessoa escolhe quem seguir. Cada usuário tem seus seguidores, e os que ele mesmo segue. O que o usuário escreve, no máximo 140 caracteres, aparece na página dos seguidores. Há variações de privacidade, com mensagens privadas. A frase do campo de texto pergunta o que você está fazendo agora? O usuário segue este roteiro ou não. Famosos, como apresentadores de TV, atores e jornalistas disputam seguidores. Quanto mais tiver (seguidores), a audiência é maior.


Levantamento divulgado pelo jornal “USA Today” indica que, em todo mundo, mais de 10 milhões de pessoas aderiram ao Twitter, um verdadeiro fenômeno na Internet que, conforme avaliação do apresentador Marcelo Tas, “revolucionou o mundo”. Tas é um dos campeões de seguidores no Twitter no Brasil. Até a última quarta-feira, possuía 144.209 seguidores.


“Essa história do Sarney está interessante. Acredito que, no momento em que o Lula se posicionou a favor, cresceu o lado contra. Não é só contra o Sarney, mas contra o sistema. Faz as pessoas pensarem: preste atenção, o presidente assina embaixo tudo o que esse cara faz. No quesito informativo, é genial. Tomara que seja uma ação com resultados”, afirmou a paulistana Cecília Lotufo, 34 anos, conhecida como a musa dos caras-pintadas.


Capa dos principais jornais do país, com a face pintada com um “fora” em vermelho, em 1992, hoje, Cecília descobriu na Internet uma forma de se mobilizar socialmente. Ela se dedica a lutar pela recuperação de praças e criou um blog para divulgação das ações. Uma das lideranças do Movimento Boa Praça, que reúne moradores do Alto da Lapa, Pinheiros e Sumarezinho, em São Paulo, a musa dos caras-pintadas se rendeu aos protestos virtuais.


Outro cara-pintada que hoje se rendeu aos encantos da rede mundial de computadores é o mineiro Edmundo Fontela Emediato Grieco. “Me lembro que, na época dos caras-pintadas, meus professores iam ao aeroporto esperar os deputados para cobrar alguma coisa. Hoje, nós mandamos um e-mail”, compara. O bancário, hoje tem 30 anos, foi cara-pintada aos 13.
Grieco considera enfraquecida algumas ações na Internet por causa da pulverização, mas é confiante de que a pressão virtual tem efeito real na imagem dos candidatos. “Quando votaram a favor da CPMF, circulou um e-mail com os nomes dos parlamentares. Acho que isso facilita a avaliação do eleitor”.


Sobre o movimento contra Sarney, o ex-cara-pintada é confiante de que a pressão pode sim contribuir para que o político deixe o cargo de presidente do Senado. Como Cecília, Grieco possui um blog onde escreve suas impressões sobre os mais variados assuntos, não apenas política.
Há jovens que não acompanharam os caras-pintadas, mas, hoje, se inspiram neles para agitar a rede de computadores. Um exemplo vem de um grupo de estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). Chamado “Os Caras-Pintadas do Rio Grande do Sul”, o movimento gerou um site criado em 28 de março de 2008 e recebeu, até agora, 40 mil acessos.
A intenção dos “caras-pintadas” gaúchos, conforme o estudante Marcus Rocha, é pressionar para que haja investigação na gestão da governadora Yeda Crusius (PSDB).“Estamos pressionando, faltam duas assinaturas para a instalação de uma CPI. Desde que passamos a pressionar, ela (a governadora) enfraqueceu. Hoje, é a mais mal avaliada no país”.


Outra iniciativa de mobilização na Internet com resultados diz respeito à reforma política. O Movimento ProReforma , fruto da união de entidades paulistas, nasceu antes mesmo do escândalo do mensalão, diz um dos organizadores, Daniel Monteiro Lima. A divulgação dos assuntos referentes à reforma política é reunido em um lugar, o portal (www.proreformapolitica.com.br). “O movimento da reforma política surgiu em 2003 ou 2004. Já naquela época, antes do mensalão, já avaliávamos que se não fosse feita alteração no sistema político atual teríamos problema de crise institucional. E foi o que ocorreu”.
Obama tem 1,69 milhão de seguidores


As mobilizações pela Internet acontecem nos mais variados espaços virtuais. Mas o diferencial vem sendo mesmo o Twitter, ferramenta que deu imensa visibilidade ao então candidato Barack Obama (presidente dos EUA, hoje) durante sua campanha. Obama, inclusive, é uma das personalidades de maior visibilidade na ferramenta. Até a última quarta-feira, possuía 1,69 milhão de seguidores.


Para se ter ideia da dimensão do Twitter, basta analisar os números. No dia em que Sarney ocupou a vice-liderança de tópicos comentados, foram escritas 13.436 menções de “#forasarney” no Twitter. O total de menções, nos últimos 30 dias, foi de 39.619, conforme o site blablabra, que monitora o conteúdo do Twitter no Brasil. A média de menção diária é 1.722, e o alto volume na segunda-feira, 29 passada, se deve ao envolvimento de artistas, que possuem muitos seguidores.
Após a empolgação inicial nas telas dos computadores, os internautas passaram a tentar viabilizar uma mobilização nas ruas para pedir a saída de Sarney. Ficou na tentativa. As ações para levar o “#forasarney” às ruas foram consideradas fracassadas na própria rede. Mas há intenção em transformar novamente um protesto virtual em real ? Para a pesquisadora Liliane Dutra Brignol, professora de Jornalismo e especialista em Internet, a web permite que um determinado assunto vire pauta na sociedade e não apenas notícia.
“É uma forma de experimentar a política em outro ambiente. Não é mais passeata, não tem mais palavra de ordem, mas as pessoas estão se posicionando, dando visibilidade a temas importantes. O Sarney não está no Twitter, mas, de alguma forma, isso reflete sim nele”. Liliane ainda lembra, como temas recentes com destaque na rede, o caso do Irã, país que passou por eleição presidencial conturbada, além de Honduras, onde a informação só circulou pela Internet”. "

"PARTICIPEI EM 1992 DAQUELE MOVIMENTO DO FORA COLLOR, COISA DA QUAL TENHO ORGULHO, E QUE ACHEI NA ÉPOCA, (DEVIDO MESMO A PRÓPRIA INGENUIDADE DA JUVENTUDE) QUE AQUELE EPISÓDIO RETRATAVA A VOLTA DA PARTICIPAÇÃO POPULAR EM QUESTÕES POLITICAS NO BRASIL (TAL COMO É FEITO NA ARGENTINA, POR EXEMPLO) DE FATO NÃO FOI ISSO QUE EU VI ACONTECER DEPOIS (TALVEZ COM EXCESSÃO DA ELEIÇÃO DE 2002, EM QUE EU VI DE NOVO UMA MOBILIZAÇÃO NA RUA - MAS ESSA MESMA NEM TEVE CONTINUIDADE JÁ NA SEGUNDA ELEIÇÃO DE LULA, JÁ MUITO PROVAVELMENTE DEVIDO AO ESCANDALO DO MENSALÃO QUE OCORREU DURANTE O PRIMEIRO MANADATO DO PT). ENTRE O PROCESSO DO IMPEACHMENT E A PRIMEIRA ELEIÇÃO DO LULA NÃO VI MAIS A POPULAÇÃO BRASILEIRA SE ENVOLVER DE FATO COM ALGUMA QUESTÃO POLITICA. E NEM DEPOIS DA ELEIÇAÕ DE LULA VI MOVIMENTAÇÕES POPULARES NA RUA.


QUANDO EU OLHO A SITUAÇÃO DE HOJE E VEJO NA MESMA TRINHEIRA SARNEY, COLLOR, RENAN CALHEIROS E LULA, FICO PREOCUPADO. PREOCUPADO COM A PRÓPRIA MATURIDADE POLITICCA DO PAÍS, PORQUE ME LEMBRO DA ELEIÇÃO DE DE 1989, E ME LEMBRO QUE ERAM TODOS ADVERSÁRIOS UNS DOS OUTROS, LEMBRO-ME DE COMO TANTO LULA QUANTO COLLOR BATERAM FORTEMENTE NO GOVERNO E NA PESSOA DO SARNEY DURANTE A CAMPANHA, E O QUANTO SE ACUSARAM ENTRE SI, QUANDO MUDA-SE A CONFIGURAÇÃO DO PODER NO BRASIL E O PT ALCANÇA O GOVERNO, VENDENDOAQUELA ILUSÃO DE SER UM PARTIDO COM MÉTODOS E PRIORIDADES DIFERENTES (QUE ILUDIU INCLUSIVE A MIM), E AÍ O QUE SE VÊ SÃO ELES TODOS JUNTOS E DEFENDENDO POSTURAS INDEFENSÁVEIS DO EX PRESIDENTE, FORJADO COMO CACIQUE AINDA NA REPUBLICA VELHA, E O PT BASEANDO SEU GOVERNO NO MESMO FISIOLOGISMO EM QUE SE BASEOU OS GOVERNOS SARNEY, COLLOR E FERNANDO HENRIQUE, E QUE PODE SER COMPROVADO PELO PESO DA PARTICIPAÇÃO DO PMDB (UM PARTIDO SEM PROJETO, TOTALMENTE ESFACELADO E FORJADO SOMENTE EM INTERESSES REGIONAIS) NA BASE DE APOIO DESSES GOVERNOS.

A ESPERANÇA QUE TENHO É QUE VEJO HOJE UMA OUTRA FORMA DE MOBILIZAÇÃO, AS DISCUSSÕES QUE EXISTEM HOJE, ATRAVÉS DA INTERNET, ATRAVÉS DE SITE DE RELACIONAMENTO, BLOGS, PELO TWITTER E PELO ENCAMINHAMENTO DE E-MAILS (NÃO SPAMS MAS PELO ENCAMINHAMENTO DE MENSAGENS INFORMATIVAS ENTRE PESSOAS QUE SE CONHECEM, E CUJA REPUTAÇÃO É RESPEITADA PELOS RECEPTORES DAS MENSAGENS). NESSE PROCESSO VEJO UMA NOVA JUVENTUDE QUE SE INFORMA E DIVULGA SUAS OPINIÕES, CRIANDO UMA REDE QUE ACABA PO INFLUENCIAR A OPINIÃO PÚBLICA COMO UM TODO, DE UMA FORMA ATÉ MAIS COMPETENTE QUE AQUELA MOBILIZAÇÃO DE 1992.

O MUNDO HOJE É OUTRO E ESSE TIPO DE COMUNICAÇÃO E INFLUÊNCIA JÁ MOSTROU SUA FORÇA, TEMOS COMO EXEMPLOS A CRIAÇÃO DE TODA A REPUTAÇÃO DO PRESIDENTE OBAMA, QUE FOI FEITA DURANTE A CAMPANHA NA PRÉ-CANDIDATURA, E DEPOIS DA CANDITATURA, SENDO BASEADA PRINCIPALMENTE NESSE CONTATO ENTRE OS ELEITORES, E NA DIVULGAÇÃO REALIZADA POR PESSOAS COMUNS, SEM A DEPENDENCIA DA INDUSTRIA DA MÍDIA, OUTRO EXEMPLO FOI A ÚLTIMA ELEIÇÃO AQUI EM BELO HORIZONTE, ONDE O CANDITATO QUE LIDEROU O PRIMEIRO TURNO TEVE SUA REPUTAÇÃO COMPLETAMENTE DESTRUÍDA NUMA CAMPANHA QUE SE DEU PRINCIPALMENTE ATRAVÉS DO ENCAMINHAMENTO DE E-MAILS QUE QUESTIONAVAM ALGUMAS POSTURAS, ATITUDES E A IMAGEM DESSE CANDIDATO QUE ACABOU TENDO MENOS VOTOS NO SEGUNDO TURNO QUE NO PRIMEIRO.

VEJO HOJE SARNEY, COLLOR RENAN E ATÉ MESMO LULA IGNORANDO O SENTIMENTO DO PÚBLICO NESSA CRISE DO SENADO, MAS VEJO TAMBÉM A SOCIEDADE REAGINDO, DISCUTINDO E DIVULGANDO AS SITUAÇÕES E POSTURAS DE CADA UM, E CREIO EM DUAS COISAS, PRIMEIRO QUE AS URNAS ACABARÃO POR PUNÍ-LOS, MESMO QUE OS PARES NÃO O FAÇAM. E ANTES MESMO DISSO, QUE OS PRÓPRIOS PARES SE SINTAM AMEAÇADOS DE NÃO PUNÍ-LOS TEMENDO A REAÇÃO DAS URNAS."

EDMUNDO FONTELA EMEDIATO GRIECO

Meu pensamento, sobre essa questão está bem explicitado, e quero dizer aqui, que o resultado da sessão hoje no conselho de ética do senado, não me surpreendeu, mas me chateou um pouco, a desconexão existente entre o povo brasileiro e os seus representantes eleitos é bastante triste.

Mas não foi de tudo triste esse dia. O anúncio da senadora Marina Silva, que saiu do PT, deve migrar para o PV e ser candidata a presidente, numa novidade realmente interessante para o país e para as eleições do ano que vem, e já me comprometo em votar com ela nesse momento. A discussão na época da eleição será muito mais interessante, e surge um nome e um outro lado, diferente desses dois que foram governantes nesses quatro últimos mandatos presidenciais.

Outra coisa importante para mim, foi a declaração do senador Flávio Arns do PT do Paraná, onde ele exaltou o senador pelo Amazonas Arthur Vírgilio, como um orgulho para o seu estado e para o senado. Enquanto o seu partido, era o motivo de sua vergonha e decepção. Coloco aqui o link para o fim deste pronunciamento:

http://www.youtube.com/watch?v=PE8vxMvBsyc

Este nobre Senador que eu nem mesmo conhecia até então, mostrou que realmente há gente na politica que leva a sério o que faz. E este é outro que deve nas próximas eleições pedirá votos por outro partido.

O Pedro Simon resumiu bem o dia quando disse que foi o dia em que o PT Perdeu a Marina Silva e abraçou Collor e Sarney, através da postura do Presidente Lula e do Presidente do Partido o Berzoini. Minha esperança é como no fim de minha declaração a Veja que as urnas encerrem as carreiras das pessoas envolvidas nos desvios, e que seja a derrocada do PT do poder, e que quando alijados do poder estiverem. que retornem para sua postura o discurso que sempre tiveram, e que já me seduziu, pra quem sabe, numa futura experiência de ascenção ao poder este partido mantenha na postura e na atuação, a defesa da ética, que sempre esteve no discurso do partido, mas que quase nunca esteve presente em suas administrações.


Segunda-feira, Agosto 10, 2009

Uma garota apenas

(só copiando do http://dialetica.org/agridoce/2008/09/08/uma-garota-apenas/ porque eu achei muito sensacional) by luciana


Se eu fosse a Garota de Ipanema, eu teria dado uma chance ao Tom Jobim. Se eu fosse a Garota Papo Firme que o Roberto falou, eu entraria no seu carro, na estrada de Santos e você sabe o resto. Se eu fosse uma das Garotas Que Dizem Ni, eu queria ser a Vivi Griswold. Se eu fosse garota de programa, eu queria ser a Vivian, de Uma Linda Mulher, só por causa daquela cena do piano. Se eu fosse uma garota marota travessa, eu não levaria você ao show da Alcione, e sim aos Lençóis Maranhenses, dentro de mais uma das minhas associações malucas. Se eu fosse Uma Garota Muito Especial eu ia querer você mesmo sem brincos de brilhantes. Se eu fosse a Garota de Rosa Shocking, eu iria ao baile de azul que combina mais comigo. Se eu fosse a Garota Dourada eu não lhe diria “nem que sim nem não”. Se você perguntasse a alguém Who’s That Girl?, eu não seria nem a Madonna nem uma Material Girl. Se eu fosse a sua garota, você poderia cantar pra mim aquela música, My Girl. Se eu dançasse carimbó, eu seria a sua garota do tacacá. Se eu fosse a Garota de Bauru, eu seria da cidade onde tudo começou. Se eu fosse uma Garota Sangue Bom eu não teria medo de agulha e doaria sangue. Se eu fosse Garota Cracatoa eu seria realmente boa. Se eu fosse garota da capa eu seria realmente uma gata. Se eu fosse a Garota de Berlim, o Supla cantaria no meu jardim. Se eu fosse Tati, a Garota, sairia do meio de um folhetim. Se eu fosse a Garota Nacional, deridaundaundaun. Se eu fosse garoto, queria ter sido O Garoto em preto e branco do Chaplin. Se eu fosse garota propaganda, queria ser a da Ofner, pra me acabar de comer Especial de Morango. Eu não fui a Garota do Fantástico e esse não foi o meu fim. “Quem sabe eu ainda sou uma garotinha” não combina comigo, então não me venha com esse papo de “Por isso, garota, façamos um trato”. Se for pra me dizer “Garota, eu vou pra Califórnia”, me leve junto com você. Não me transforme em uma Garota Interrompida por conta do seu medo. Se você me acha uma tremenda Garota Enxaqueca, me esqueça. Mas, acredite, se eu fosse a Garotinha Ruiva, eu faria o Charlie Brown feliz…


Mas acontece que eu sou uma garota apenas.


PS - Uma garota apenas era o nome do meu blog antes do Cintaliga, que era o meu blog antes do Agridoce. Uma saudade…


Segunda-feira, Julho 27, 2009

Um Sonho (que eu sonhei só)

Sonhos são coisas bacanas... já há muito tempo tem uma coisa que eu gosto de fazer, e é analisar sonhos, os meus (quando me lembro deles), e os de outras pessoas (quando me são relatados). Gosto de tentar buscar as mensagens que o subconnsciente pode estar tentando passar ao consciente através dos sonhos; não possuo nenhum treinamento nisso, tenho alguma leitura, alguma vivência e gosto das ilações que faço (acho que sempre é possivel fazer alguma), e penso até que a maior parte das vezes faço leituras que julgo bastante razoáveis destes sonhos, e no que tange as mensagens que meu subconsciente me manda, acredito que as tenho entendido bem e crescido com isso...

Porém desde sexta-feira tenho me ocupado com os possiveis signifivados de um sonho, e não consigo chegar a uma conclusão apesar de me parecer este sonho bastante significativo e forte... relatarei aqui o sonho, se alguém que frequente este blog, ou que passe aqui de passagem, ou esteja lendo por puro acidente, tiver uma idéia, por favor relate, talvez me ajude a chegar a um entendimento...

O sonho se passa num lugar onde nunca estive, pelo que entendi era um apartamento de uma moça com que já me relacionei de forma íntima, eu estava lá, essa moça estava lá, e estavam lá também todas as outras moças com quem já tive envolvimento (exceto a última delas). Então estávamos eu e 15 exs minhas no apartamento de uma delas, elas conversavam entre si, e minha presença como que ignorada. Elas falavam para as outras da relação que tiveram comigo, e me pareceu que estivéssem como que tipo estabelecendo uma disputa, sobre a força, o nível e a intensidade do envolvimento que eu tive com cada uma delas. quando essa percepção me atingiu e me incomodou, minha presença então pareceu ter sido notada, e a postura de todas elas se alterou imediatamente, agora os assuntos eram outros e eram diversos, mas continuava havendo uma disputa, agora pela minha atenção. Então a dona da casa fez um comentário e outra de minhas exs emenda algo do tipo: "isso é coisa de que tem namorado novo" - daí as atenções de todos, inlusive eu, se volta para a dona da casa que enrubesce e pergunta o que eu achava... eu meio que surpreso, disse que a outra tinha razão e que pelo que eu conhecia da dona da casa ela realmente estava namorando há pouco algo entre tres e cinco semanas... ela quis saber como eu poderia saber eu disse que a conhecia bem, que eu prestava atenção nas pessoas próximas e reconhecia as suas reações... enfim ela de fato estava namorando a 3 semanas... depois disso todas as outras quiseram que eu dissesse das situações delas... uma a uma fui dizendo... e a todas o que disse era estavam namorando há pouco... os tempos variaram entre uma semana e tres meses... aí de novo eu fiquei incomodado... primeiro eu completamente ignorado enquanto elas disputavam quem tinha sido mais próxima, por quem eu tinha sido mais apaixonado algo assim, depois elas disputam a minha atenção e no fim descubro que todas estavam namorando alguém a pouco tempo... aí não sei porque resolvi-me por sondar elas, se elas sentiam minha falta, se tinham saudade do tempo em que estivemos juntos, se eu teria chance com elas... recebi como respostas corteses e educadíssimos 15 não para cada uma dessas questões...


Nesse ponto eu acordei sentindo uma dor cotovelo gigante... sei lá tipo 15 dores de cotovelo em uma... e tentei entender o que é que pode ter me levado a ter um sonho esquisito desse... com pessoas de quem eu já nem me lembrava mais... e com tanta riqueza de detalhes das conversas que aconteceram... enfim, estou há tres dias pensando sobre o que pode significar isso e não me passa pela cabeça uma idéia. Bem de qualquer forma acho que pelo menos interessante tentar achar um significado.... as vezes o processo é mais importante e interessante do que o próprio objetivo.


Segunda-feira, Junho 29, 2009

DESEJO NECESSIDADE E VONTADE

Desejo,

Necessidade,

Vontade...

Três sentimentos afins e tão diferentes... já trabalhados numa música dos titãs, num texto que tende ao concretismo, têm me tomado o pensamento nesses últimos dias. Não pela música, mas pelo meu momento de vida em diversos aspectos... O que tem me tomado o pensamento, são as diferenças tão suaves e ao mesmo tempo tão cruciais que existem entre eles...

Necessidade, vontade e desejo, são sentimentos que temos pelas mesmas coisas... alimento, conforto, contato social, sexo, status e poder...

São essas coisas que nos geram tudo ou quase tudo de necessidade, de desejo e de vontade na nossa vida, mas são esses sentimentos como nos portamos frente a cada um desses alvos dos citados sentimentos.

Todos temos necessidade de nos alimentar, temos desejos esporádicos de comer coisas diferentes, as vezes estapafúrdias, e todos temos vontade de comer sempre os nossos pratos preferidos...

Todos temos necessidade de nos relacionar, as vezes desejamos que um de nossos relacionamentos ganhe em importância, ou que nós ganhemos destaque ou ascendencia nessa relação, e a vontade de todos é que suas relações familiares profissionais e de amizade sejam saudáveis e gratificantes.

Todos temos necessidade de participar de meios sociais, comunidades, populações e povos. As vezes temos desejos de ascêdencia de poder sobre esses grupos. Mas nossa vontade é sempre de ser respeitado e reconhecido em seus valores.

Nossos impulsos sexuais são necessidades que precisamos atender...
Desejamos atender esses impulsos com determinadas figuras que atiçam nossa libido
Mas o que nós queremos é fazer amor com aquelas pessoas que nos completam.

Enfim, concluí que o atendimento de nossas necessidades é que nos impedem de morrer, de explodir, de çular de uma ponte ou sei lá... o atendimento de nossos desejos, é que nos tira da inércia e nos faz busar o algo mais, que nos faz progredir...

O atendimento da vontade é que é a cereja do bolo, é que nos faz ter prazer em viver, ter orgulho de ter vivido e valorizar todo o processo dessa jornada de viver...

Posso dizer hoje, que nunca passei necessidade, venho há bastante tempo tendo tendo em minhas mãos o poder de lutar para tender os meus desejos... tendo tido sucesso em boa parte dessas frentes...

Já as cerejas... cada dia que passa mais tenho me deliciado com elas... não que tenha tido minhas vontades todas alcançadas... mas cada vez uma parte cada vez maior delas...

Entender, que há na vida, preços que se paga por escolhas que são feitas e por necessidades, por desejos e vontades que se busca... ajuda tanto no sentido de saber e pagar os preços quando assim se decide, tanto quanto no sentido de entender a não satisfação do sentimento quando esta situação a decisão é contrária a este pagamento.

No fim quero dizer... que meu momento é muito bom em relação a estes sentimentos... acho que muito pela compreensão cada vez maior da diferença entre eles, e do peso que se deve dar a cada um deles, e da energia que se deve dispender para atingir cada um desses objetivos...

Minha vontade é que todos vocês que leem consigam o mesmo sucesso, ou até maior...



Domingo, Junho 28, 2009

TEMPO


O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor.

Embora inconsumível...

O tempo é o nosso melhor alimento.

Se a medida que o conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza...

Não tem começo, não tem fim...

Rico não é o homem que coleciona e se pesa num amontoado de moedas.

Nem aquele devasso, que se estende em mãos e braços em terras raras.

Rico; só o homem que aprendeu piedoso e humilde a conviver com o tempo.

Aproximando-se dele com ternura...

Não se rebelando contra o seu curso...

Bem lidando antes com sabedoria...

Para receber dele os favores, e não sua ira.

O equilíbrio da vida está essencialmente nesse bem supremo.

E quem souber com acerto, a quantidade de vagar ou de espera que se deve por nas coisas...

Não corre nunca o risco, ao buscar por elas e defrontar-se com o que não é...

Pois só a justa medida do tempo dá a justa natureza das coisas.









(por Raduan Nassar)



Quinta-feira, Junho 25, 2009

?q!?!@$^&(%)#???!

E o Michael Jackson morreu... Caralho!!!
CARALHO! O Michael Jackson Morreu!!
E o Michael Jackson, cara. Morreu!!!


Quarta-feira, Abril 08, 2009

PERFECT NIGHT IN SP

Postado originalmente na Quinta-feira, 2 de Abril de 2009 as 11:10 no blog do Moisés, o Abrigo Madrugada.


Um dia o desejo de ter uma Banda entrou em meu coração. O maior responsável por isso foi o Alex (Lekso), que me fez acreditar na possibilidade de montarmos não apenas uma Banda de Rock, mas sim a Banda, aquela que seria a expressão maior do nosso desejo, da nossa vontade de quebrar barreiras e fazer as coisas da forma mais visceral que pudéssemos. Conversando com o Lekso, concluímos que a Banda teria por fundamento o amor à arte, num elo indestrutível que viria por abaixo muitas das bobagens que víamos. Ficou convencionado que eu aprenderia bateria, ele seria o vocalista, Rodrigo o guitarrista e Humberto levaria o baixo. Assim foi concebida a Banda, que teve dois nomes, para ao final, ficar sem nenhum... Primeiro a chamamos de “A Porra do Platão”, e depois de uma noite no quintal da minha casa, em que li o capítulo VII / O Delírio, do Memórias Póstumas de Brás Cubas, ela levou o nome de “Herbívoros do Delírio”. Após receber tão inusitados nomes, a Banda foi deixada de lado, tornando-se algo bastante pessoal entre mim o Lekso, uma espécie de sombra cuja morte se deu no show do Radiohead.Sempre estive disposto a esclarecer o significado desse desejo. Se é verdade que houve interrupções, especialmente por causa de uma pessoa com a qual convivi, é mais verdade ainda que dentro de mim a questão permanecia. Sendo bem aberto, a Banda, para mim, seria a fudeção total, algo que hoje posso fazer quando escrevo, quando canto ou toco violão. É que naquele tempo, 2004/2005, sentia a voz da arte a me convidar para dar o passo para o outro lado, no entanto havia muita insegurança e medo (daqueles que paralisam). A história do show da Sandy e Junior, no qual fomos afastados das “perninhas bacanas” da Sandy pela corda que separa os vips dos não vips, demonstra um pouco do que pretendíamos com nossa Banda. Jamais haveria área vip! Jamais seríamos babacas! Jamais deixaríamos que o sucesso tomasse conta! Teríamos, isso sim, a entrega completa de nossas almas, seria arte selvagem, uma verdadeira guerra contra o comodismo, contra a beleza enlatada, contra os undergrounds tolos. Seria algo único, sensacional, original, uma explosão, um tapa na cara... Seria mais ou menos como o Radiohead. Aí está. “Seria mais ou menos como o Radiohead”. Antes de viajar à São Paulo, ainda aqui em Montes Claros, numa visita relâmpago do Lekso, sentamos para conversar. Dentre os diversos assuntos, um foi sobre a viagem à São Paulo. Chegamos à conclusão de que o melhor lance do show seria a viagem, a companhia, as conversas. Então, quando coloquei o carro na estrada, estava convicto de que o Radiohead seria um apêndice de luxo às descobertas do caminho. Nem passava por minha cabeça aquilo que aconteceu no dia 22/03/2009. Radiohead, além de justificar o caminho, contribuiu para a solução do mistério. Naquela noite descobri que não preciso montar banda nenhuma.Jonny Grenwood entrou no palco encapuzado, estiloso ao extremo. Thom Yorke, ao chegar se remexendo todo, já deu um indício do que seria a noite. Devido a um toque do Mendel, prestei bastante anteção ao baterista – sensacional; se eu estivesse ali, não faria melhor. O baixista, praticamente o tempo inteiro ao lado da bateria, convocava o público à guerra, entre gestos de palmas e mímica. O outro guitarrista, o Eddie, dava um toque de sobriedade ao aparente caos que poderia emergir de uma hora para outra. Entretanto, caos nenhum vinha, apenas Thom remexendo feito um bicho, cantando como um anjo, provocando o delírio de todos que estávamos ali. Pura magia da Banda que poderia ser minha. As vísceras, os cacos de meu coração estavam no meio de trinta mil pessoas espremidas, espantadas com tanta riqueza. O show acontecia dentro do meu espírito; por mais de uma vez, saí de meu corpo, caminhei sobre as centenas de cabeças que me separavam do palco, e estive ali, abraçado ao Thom, ao lado do Jonny, rasgando a bateria, e morrendo mil vezes para nascer outras mil, como num ritual, como num culto. Talvez a alguém pareça herético de minha parte dizer que senti a presença de Deus ali naquele lugar. A quem assim pensar, ofereço minha compreensão, pois somente eu sei o que vi, o que senti. Eu vi meu sonho realizado por aqueles rapazes! Ali havia uma Banda de verdade! Muito além de qualquer outra, inatingível, absoluta. Uma nave espacial que pousou na Chácara Jóquei. Quando Karma Police foi executada, cantei arrepiado o “I lost Myself”. Feito um mosaico de fotos, passou em minha cabeça todos os momentos em que estive perdido, à procura dessa magia que, não sendo só minha, também é do Radiohead, do Ed, do Black. Creep, ao final, veio coroar
a noite perfeita que tivemos. Perfect Night in SP – este é o nome do primeiro disco da minha banda. Radiohead redimiu todos os meus fracassos musicais, trouxe à luz um adolescente remasterizado em pulos e gritos. Percebi que o mais importante de todo caminho, de toda viagem, de todo risco, é o encontro consigo mesmo. Não foi um apêndice, foi o ápice.Acho que o Lekso não vai entender; é possível que ninguém o faça. Contudo, isso não é importante. Algo fundamental ocorreu: eu entendi, e com isso foi resolvido um dos impasses da minha vida. Já posso investir em minha carreira musical solitária, com meu violão e minha voz desafinada. O verdadeiro nome da Banda sempre foi Radiohead. Os outros solitários, como Cohen, Dylan, Neil, são apenas meus amigos e parceiros. Nesse caminho que não tem fim, sigo andando debaixo do suave sol, em busca de nada além do que já está dentro de mim. Agradeço muito a Deus por me proteger da arrogância, por ter me dado o Radiohead e os grandes amigos que tenho. Acho que serei feliz algum dia. Tenho tudo que preciso. Sou finalmente quem eu gostaria de ser. Era isso que eu tinha a dizer.


Tudão

Postado por Zeca Camargo em 23 de março de 2009 às 09:58 na coluna do Zeca Camargo no G1



Tudo no seu lugar certo. Mesmo sem nunca ter ido a um show desses caras, eu já sabia que seria aquilo – a perfeição. De quem eu estou falando? No caso de alguém ter chegado agora de um retiro de dez anos no Círculo Polar Ártico, vale a pena dar um pouco mais de informação sobre nosso tema de hoje: a apresentação de uma das bandas mais esperadas por estas terras, que finalmente aconteceu neste fim de semana. Como diziam as manchetes de quando os Rolling Stones finalmente vieram ao Brasil, a espera acabou: o Radiohead tocou na sexta-feira (20) no Rio, e domingo (22), em São Paulo. Nessa segunda noite eu estava, digamos, “ocupado” – trabalhando. Mas a do Rio eu peguei, depois de um dia atribulado (minha sexta começou cedo em São Paulo entrevistando o estilista Marc Jacobs, e continuou numa usina de reciclagem de lixo no bairro do Caju, no Rio). Já no início da noite, de volta à Redação do “Fantástico”, eu olhava constantemente o relógio, torcendo para que a lista de coisas para adiantar não colocasse em risco a operação que eu tinha montado para ver o Radiohead no Sambódromo.
Veja fotos do show
Morto do pescoço para cima – essa era a minha imagem olhando para a tela do computador da minha mesa, às 20h30: um zumbi tentando ficar livre de todas as obrigações, para sair do bairro do Jardim Botânico no horário limite de não perder o show - 21h30 (não cheguei a duvidar nem por um momento da pontualidade prometida – e cumprida – pelo Radiohead). Saí no último segundo possível, e, quando o táxi me deixou na boca da Sapucaí – um lugar que costumo freqüentar só no Carnaval para experimentar a incomparável sensação de passar da concentração da escola onde saio para o desfile em si –, pouco depois das 22h, ao ouvir nos auto-falantes lá longe um reggae indistinto, sabia que aquela não era “minha” banda. Eu havia chegado no intervalo. E que não era entre Los Hermanos (que lamentavelmente perdi) e Kraftwerk (que adoraria ter visto mais uma vez), mas entre Kraftwerk e Radiohead. Alguma coisa estava para acontecer, porém…
Só porque você a sente, não significa que ela está ali. Será mesmo que eles, os caras do Radiohead iriam entrar dali a alguns minutos naquele palco? Obviamente, meu nível de expectativa estava nas alturas. Os amigos que encontrava pelo Sambódromo já estavam em diferentes níveis de, digamos, excitação – e eu tentava decidir em qual deles me encaixar. Antes que eu fizesse essa escolha, porém, como que trapaceado pelo meu relógio que esqueci de consultar, as luzes se apagam e em questão de segundos reconheço “15 step”. “Achtung baby!” – o show já é.
Eu costumava pensar que não existia futuro algum. Pelo menos não nos shows ao vivo. Meus leitores mais dedicados sabem – e quem já leu meu livro “De a-ha a U2” também – que eu tenho um “problema” com bandas se apresentando ao vivo. Essa é uma questão muito longa que não vale a pena discutir (novamente) hoje por aqui, mas basta dizer que eu sempre preferi a música gravada à interpretada no palco. No entanto, mesmo antes de “15 step” acabar, quando os primeiros acordes letais de “Airbag” ainda eram uma possibilidade, eu saquei que ali poderia voltar a sentir o mesmo entusiasmo por esse tipo de performance que vivi quando vi Kurt Cobain, no saudoso Hollywood Rock, cuspir nas lentes das câmeras que transmitiam o show do Nirvana ao vivo. Radiohead estava se apresentando – e, em questão de minutos, tinha tomado completamente o poder naquela noite: todos ali estavam irremediavelmente sob seu comando.
Por um minuto ali, eu me perdi. Estava tão atordoado de estar finalmente assistindo a um show do Radiohead que, a exemplo do fora que tomei de Michael Stipe (R.E.M.) quando me vi entrevistado esse grande ídolo pela primeira vez (ele, percebendo que eu estava à beira da tietagem, encerrou a entrevista na mesma hora – mais uma história do meu livro de encontros com os grandes nomes do pop), dei uma “descolada” de mim mesmo. Foi como se eu tivesse saído do meu corpo e tivesse tido assim a chance de ver eu mesmo vendo uma banda adorada tocar – e, pior (ou melhor?): como se eu não estivesse acreditando no que estava vendo. “There there”, “All I need”, “Karma Police”, “Nude”, “Weird fishes/Arpeggi” – o que estava acontecendo? Eu tinha a ilusão que eles estavam tocando todas as músicas que eu havia pedido. Será que Thom Yorke recebeu meu email? O bilhete que deixei na portaria do hotel?
Suas orelhas deveriam estar queimando. Não havia passado ainda nem uma hora de show, e você tinha a impressão de que já tinha ouvido todos os sons do universo. Mas aí, depois de “The national anthem” e “The gloaming” – ambas devastadoras – veio “Faust arp”. E tudo começou a desmoronar. Para cima. Na sua intrincada simplicidade, nos seus frágeis dois minutos e pouco, a música era o respiro necessário para fãs que, como eu, precisavam se conectar novamente com seus sentidos. Aos poucos, enquanto nossos pés se aproximavam novamente do chão, a serenidade ia voltando ao Sambódromo, e o único desejo desse humilde servo era que toda a experiência de até então, como diz a própria música, duplicasse e triplicasse. Um momento de paz, enfim – era o que eu pensava. Mas aí veio “No surprises”…
Eu estou surpreso que sobrevivi. Os cilindros iluminados, que definiam brilhantemente o espaço de apresentação da banda com cores, desenhos e movimentos coreografados, agora pintava uma forma geométrica estática, que lembrava uma igreja – mas nós ali na platéia sabíamos que não estávamos diante de nenhum templo, mas do próprio céu. O impacto dessa dobradinha (“Faust arp/No surprises”) certamente vai ter conseqüências para o resto da minha vida. Mas enquanto estava ali, assistindo tudo, sem tempo nem sobriedade para codificar o que se passava, quem disse que eu conseguia elaborar sobre isso? “Jigsaw falling into place” não me ajudou em nada a recobrar a consciência – e foi só no pequeno hiato entre essa música e a introdução da seguinte (que eu custava a reconhecer), que reencontrei algum equilíbrio. Foi então que ouvi Thom Yorke murmurar “who’s in the bunker?” – e tudo ficou novamente fora de controle.
Aqui eu podia tudo o tempo todo. E esse estranho sentimento não era só meu. Muitas pessoas em volta de mim que demoraram ainda mais que eu para reconhecer “Idioteque” (uma das cinco melhores faixas que o Radiohead já compôs, na minha opinião) já dançavam involuntariamente – como que tomados pelo transe de uma pista de dança surrada às 4h30 da manhã. Mas ainda era por volta de meia-noite (se é que eu podia confiar nos relógios à minha volta) e eu não sabia mais explicar nada. “I might be wrong”, “Street spirit (fade out)”, “Bodysnatchers” e “How to disappear completely” encerraram o que era – um pouco obviamente demais – um “boa noite” de mentira.
Você vai para o inferno pelo que sua mente suja está pensando. Mas mesmo assim, você (e todo mundo) não sai do lugar desejando que o Radiohead voltasse logo e tocasse aquelas músicas que você passava incessantemente pela cabeça – as que você não tinha ouvido ainda. E poucos minutos depois, como que para recompensar esse seu esforço mnemônico, eles entram como uma seqüência inacreditável: “Videotape” (a segunda melhor faixa de “In rainbows”, depois de “Faust arp”), “Paranoid android” (!!!), “House of cards” (com o mantra “I don’t want to be your friend, I just want to be your lover”), “Just” (das antigas!), e, claro, “Everything in its right place”. Achei que tinha terminado. Fui deixando a praça da Apoteose vagarosamente, ainda com os ecos da introdução inesquecível da faixa de abertura de “Kid A”, quando, da maneira mais discreta possível, Yorke volta ao palco para cantar “You and whose army?” – discrição, no caso, marcada pela imagem do rosto multiforme do cantor cantando bem próximo a uma das câmeras do palco, enquanto também trabalhava o teclado. “Reckoner” veio em seguida – e, embora impecável, parecia uma canção improvável para fechar uma apresentação desse porte. Eles tinham que cantar mais uma… talvez “aquela”? Meu palpite era de que eles viriam com “Fake plastic trees” – que embora não fosse das mais animadas do cânone “radioheadiano”, fecharia o “set” como um clássico indiscutível. Mas aí veio “Creep”.
A poeira e a gritaria. Era só isso que eu via quando, com as luzes todas do palco no talo – e ajustadas para emitir um branco intenso –, vinha aquele refrão surreal, o maior hino (ao lado de “Loser”, de Beck) ao fracasso da adolescência que não acaba nunca. De vez em quando um flash multicolorido quebrava aquela claridade, surpreendendo os olhos que achavam que já tinham registrado todas as variações possíveis dos criativos enquadramentos dos próprios membros da banda pelo palco, projetados nos telões eletrônicos. “What the hell I’m doing here?” – quisera eu saber…
Sem alarmes e sem surpresas. Isso que acabei de relatar aqui – uma descrição aproximada da experiência de assistir ao primeiro show do Radiohead no Brasil –, por mais arrebatador que possa parecer, era exatamente o que eu esperava. Aliás, foi mais: eu esperava tudo – e veio “tudão”. Lá dos idos de 1993 – quando eu, por acaso, capturei a banda na primeira entrevista para a televisão da carreira deles (sim, outra história contada em “De a-ha a U2”) – até a primeira audição (e todas as outras que vieram) de “In rainbows”, eu já contava com isso. A surpresa maior seria se eles não cumprissem essa promessa. Mas eles não fariam isso comigo – nem com ninguém. E é por isso que prestei uma pequena homenagem à banda neste texto que, muito provavelmente, eles nunca vão ter a chance de ler. Que homenagem? Você me acompanhou até aqui e ainda não percebeu? Tem certeza de que é um fã do Radiohead? Se você descobriu a “charada”, seu comentário com a resposta será tão bem-vindo quanto outras opiniões sobre o show (a sede de saber o que as outras pessoas acharam desse evento é insaciável – passei o fim de semana discutindo esse assunto, e ainda quero mais!). Se não sacou ainda, na quinta eu desvendo o mistério. Quer uma pista para ajudar? O segredo está sempre no começo de tudo…



Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009

Rebobine, Por Favor

Texto revisado com a colaboração de Samantha Rodrigues e publicado originalmente no Ogrolândia.

Em cartaz nos cinemas, Rebobine, Por Favor é uma inusitada comédia dirigida por Michel Gondry (de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças) e protagonizada por Jack Black, Mos Def, Danny Glover e Mia Farrow. Com o uso expressivo da metalinguagem, esta delirante produção pode dar um novo ânimo a este gênero que tem andado, nos últimos anos, em franco declínio.

Na estória, Fletcher (Danny Glover) é dono de uma decadente locadora de fitas VHS. Certo dia, deixa a lojinha aos cuidados de seu funcionário Mike (Mos Def) para fazer uma viagem. Os problemas começam quando Jerry (Jack Black), seu desmiolado amigo, apaga, acidentalmente, o conteúdo de todas as fitas da locadora. Desesperado, Mike resolve refilmar, por conta própria, e com a ajuda de Jerry, o filme Os Caça-Fantasmas, para satisfazer a uma cliente fiel (Mia Farrow).

Na sequência, os dois são obrigados a fazer mais e mais filmes para atender aos clientes que chegam. Acontece que estas toscas recriações viram uma inacreditável febre no bairro e a locadorazinha fica lotada de clientes em busca das tais fitas, a despeito da cara-de-pau dos dois amigos na "administração" da trapalhada. Aos poucos, de tanta demanda, a própria comunidade vai se envolvendo nas refilmagens. Com criatividade à toda prova, Mike e Jerry conseguem com pouquíssimos recursos, soluções sensacionais para remontagens de Robocop, A Hora do Rush 2, King Kong, Conduzindo Miss Daisy, e mais uma pá de filmes!

O diretor Michel Gondry consegue, assim, trazer com Rebobine, Por Favor, um pouco de uma certa nostalgia perdida da Sétima Arte e, simultaneamente, uma reflexão sobre o que é (ou o que se tornou) o Cinema hoje. Primeiro porque presta uma bela homenagem a diversos filmes dos Anos 70 e 80, verdadeiros “Clássicos de Sessão da Tarde”, e que nas hilárias versões de Mike e Jerry demonstram que, embora alguns deles estejam longe de ser filmes primorosos, já fazem parte do imaginário popular e a sua lembrança nos remete a tempos que foram, enfim, bastante prolíficos na indústria cinematográfica.

E, desta forma, dá um recado direto aos todos-poderosos magnatas dos grandes estúdios, de que é possível fazer bons e divertidos filmes sem recorrer a orçamentos estratosféricos, cachês irreais, campanhas de publicidade esmagadoras, e milhares e milhares de horas de efeitos especiais trabalhadas em estúdios de computação.

O que Michel Gondry vem lembrar para os ranzinzas da Era Digital é que a mágica do Cinema não advém somente da tecnologia gráfica de última geração, entremeados pelas caras e bocas de atrizes e atores bonitões. Ele mostra que a criatividade nas soluções visuais, de roteiro e de edição podem, sim, fazer a diferença. Mas, principalmente, quer mostrar que a abertura do espaço produtivo para a participação das pessoas, a possibilidade de absorção de diversas idéias (mesmo as que seriam, em princípio, as mais estapafúrdias), e a experimentação pura e simples, incluindo, desta forma, a possibilidade libertadora do erro, podem constituir uma saída para a pasteurização e a mesmice da produção cinematográfica atual.


Terça-feira, Janeiro 27, 2009

A Volta do Bloguêmio

Ele Voltou, O Bloguêmio voltou novamente... partiu daqui tão contente porque razão quer voltar...

Estive sim um pouco afastado de algumas areas de interesse minhas, estive sim. O que eu sonhava eram outros sonhos e assim fui seguir vivendo em paz.

Porém, ah porém, foi um caso diferente que marcou um breve tempo, meu coração para sempre. Não era um dia de carnaval, eu carregava uma tristeza, e não pensava em novo amor; quando alguém que bem me lembro anunciou: era ela, era ela... uma moça trazendo a alvorada, meu coração conquistou.

Lá no Bar, lá no bar sempre houve alegria, eu vivia tão contente, como contente agora de volta eu estou. Mas comparar isso com o sonho seria o fim, e vou calar... pois não pretendo, leitor, te chatear.

Quando eu, antes do sonho, eu achava a vida chata, sim eu tinha minha história, meu prazeres e minhas glórias. Tudo bem mas eu senti que precisava me mover.

E do Blog, do bar, dos amigos, dos filmes, gibis, livros e séries, fui desatento.

E o porque deste dezelo, é claro hoje...

Se antes acompanhava (ou escrevia, ou comparecia ou via e falava) sempre e tanto. Depois como que por obra de um encanto. Para um único foco desviei meu pesamento. Priorizei em vários momentos, o meu amor, e desprezei meus contos, e meus amigos, e os meus encantos. Foi sem pesar e com contentamento. Assim eu fui viver o amor (que tive). Não foi imortal, posto que era chama, mas foi infinito em seu durante.

(cansei de ficar parodiando)

(já traduzindo o acima)

Deixei esse espaço um pouco, largado nos últimos tempos, assim como também minha vida social, e outros intereeses e atividades de normalmente. Estive cansado, com outra proridades, e por último, a namorada, em quem concentrei meu tempo e energia nos últimos 5 meses.

Não deu certo, que se há de fazer...

Volto para minhas atividades normais. E venho com energia, e neste espaço por exemplo, pretendo discorrer sobre assuntos passados, que eu acho que mereciam a minha atenção, e que não foram aqui debatidos:

Jogos Olímpicos (e não olimpíada, cujo significado é um espaço de tempo de 4 anos). Obama, Lost, Fringe, Eleições, Os Vingadores, LHC e a Constituição que fez vinte anos. Entre o que mais eu e lembrar... talvez até o Lindemberg, ou os Cruzeiros Hippies e Águas de SC e de MG, ES, RJ e até MA, sei lá...

Mas, Vou começar, com meu próprio relacionamento. Melhor. Com o Fim dele. Melhor ainda. Sobre como eu o vejo.

Há 11 dias, depois de um dia terrível, que prefiro nem comentar. A moça me diz coisas como ela me vê. Uma pessoa que parece não ter vontades. Uma figura que não se impõe, que não decide. Alguém para quem parece que sempre, tanto faz. Extremamente dependente. completamente incapaz de assumir as responsabilidades referentes a realização do meu propalado objetivo de vida (que para ela, seria falso) que é formar família e descendência. E que nem parecia uma figura masculina.

Ouvi, respondi que a agressão, o diminuimento e a humilhação, não eram necessários e nem eficientes. Se ela queria terminar bastava dizer esta intenção, essa vontade. E pronto, eu ainda poderia ir embora com uma boa lembrança, até.

Ela diz que não. que não era isso. Que no tempo só, viu que havia coisas que precisavam mudar, e queria conversar sobre...

Desconstruí então tudo que ela disse. Dependência, não tenho nenhuma. Tenho planejamento, e por isso dou um passo de cada vez. Vontades: tenho. Decisões: tenho. Mas que tenho também jogo de cintura e negociação. E disse também que a própria personalidade dela exigia tais qualidades.
Reiterei que o julgamento que ela fazia de casos pontuais eram inconsistentes quando se observado o todo, mas que isso não modificava o direito dela de tomar qualquer decisão que quisesse, sem ter que justificá-la.

Por motivos outros, paramos por aí nesse dia... Mas ela ligou e quis conversar. Marcou. Desmarcou. Marcou de novo. Esqueceu. Ligou outra vez. E por fim, ontem depois de 10 dias estive na casa dela para esta conversa.

Confesso que me surpreendi, quando ela reciclou o discurso de sábado, e disse as mesmas coisas de uma outra forma. Perguntou se eu tinha então entendido... - ao que tive que responder... que a mensagem tinha sido recebida, antes mesmo de nosso diálogo de 10 dias antes, mesmo que os argumentos fossem incoerentes e inconssitentes com a realidade, além de incompatíveis com sua própria personalidade...

Ela enfim disse... que éramos muito diferentes... que ela nunca acreditou no sucesso, apesar de ter tentado, e que não tinha nenhum motivo para me admirar...

Me senti como Platão em Teeteto. Parindo as ideias.

Neste ponto, eu até satisfeito pelo resultado de nosso colóquio, e sentindo que ela não tinha mais nada a dizer...

- Sem mais para o momento... - ela: "até a próxima... " - e me fui...

É nesse ponto que está o ovo de colombo.

Saí e sem saber o que ia fazer caminhei um pouco, depois de já bastante tempo vi um táxi vindo em minha direção, e como num arco-reflexo, sinalizei pra ele...

Entrei no carro o taxista, um tiozinho gordo, ouvia rádio favela, bem baixinho, Bolero do Lero-lero. Batuquei, ele viu, perguntou se podia aumentar, assenti. ele aumentou e começou a conversar.

Conversa de taxista: o tempo, o transito, as pessoas, a politica, a vida.

Chego em casa, pago o motorista, e aí ele me diz: " muito bacana essa corrida, bacana quando a gente pega uma pessoa otimista e iluminada como você"

Aí que eu me dei conta de como eu estava leve. Fui dispensado, e ao contrário das outras vezes que algo assim me aconteceu , minha auto estima subiu. E não foi no telhado. O que eu fui criticado, foi por fazer coisas que mostram o tanto que eu sou bacana. Estou com a consciência tranquila e sei que fiz o meu melhor, e esse melhor foi bastante bom.

Tem a saudade, tem a decepção, com a pessoa e com a situação. Tem que lidar com o fracasso, é verdade. Mas também tem mais tempo livre para atividades que estavam postas de lado. Tem custo de vida mais baixo. E principalmente a certeza de que agi correto, não magoei ninguém, e cuidei da relação com todo esmero que me foi possível.

Keila Pinto Guimarães é sem dúvida a melhor namorada que tive até então. Mas eu saio tão bem depois dela que digo que ela é a pior da série que se iniciou com ela, porque depois dela não tolerarei nada que seja pelo menos tão interessante quanto.

Para ela meu desejo de toda sorte do mundo. E que ela realiza seus projetos, pessoais profissionais e tenha uma vida como ela sonha. Se ela encontrar alguém, neste momento, eu desejo que seja alguém que além dela conseguir admirar, que tenha mais jogo de cintura, capacidade de entendimento e negociação do que eu; e nunca menos, porque senão ela entrará em outra espiral descendente. E que ela também aprenda a agir com o outro dessa mesma forma, mais serena, para que as coisas possam fluir da melhor forma possível.

Se a obra deste trabalho não foi concluída é que malhei em ferro frio, ou melhor se a relação não frutificou, foi porque semeei em terreno pedregoso. Mas aí eu cito o Henfil e não reclamo:

Se não houver frutos,
valeu pela beleza das flores.

Se não houver flores,
Valeu pela sombra das folhas.

Se não houver folhas,
Valeu a intenção da semente.