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domingo, junho 20, 2010

A ERA DO GRUNHIDO

Por Flávio Gomes no Blog da Copa (nem com muito orgulho, nem com muito amor)


O Brasil tem uma revista semanal, “Veja”, que se considera a maior do país. Deve até ser mesmo, sei lá quais são os critérios, não sei quantos leitores tem, quanto fatura, não me interessa. Deixei de assinar essa porcaria anos atrás, já não me lembro se por algum motivo específico, ou se foi, apenas, porque um dia peguei na porta de casa e me espantei: eu ainda gasto dinheiro com esta merda?
Tal revista perdeu a relevância, para estabelecer um marco, depois da queda de Collor de Mello. Naqueles anos de impeachment, as semanais deram vários furos, foram importantes, descobriram coisas. Depois, sumiram. Hoje, a “Veja” é reduto de uns caras chiliquentos como Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes. “Ah, você não lê, como sabe?”, vai perguntar alguém.
Eu de tudo sei, tudo conheço. Piadinha interna.
Mas não quero falar aqui dessas figuras ridículas que acham que escrevem bem e que se julgam parte de algum grupo de pensadores contemporâneos, já que são cheios de fazer citações by Wikipedia e com elas impressionam seus leitores babacas. O que escrevem e dizem, para não ofender demais, repercute entre eles três e seus leitores babacas, todos compartilhados. Eles detestam o Lula e o PT, e é tudo que conseguem exprimir com sua verborragia enjoativa e padronizada. Mas dali não sai, suas opiniões e ataques histéricos contra o que chamam de esquerda brasileira não têm importância alguma, não produzem eco algum.
Só que a capa da “Veja”, embora a revista seja uma droga indizível, tem importância, sim. Afinal, ela é vista por alguns milhões de pessoas, repousa amarrotada durante meses em mesinhas de consultórios médicos, dentistas e despachantes, e as pessoas a notam nas bancas de jornais, ao lado de mulheres peladas. E algumas pessoas ainda puxam assunto em mesas de bares e restaurantes dizendo “li na ‘Veja’”, e tal. São os “formadores de opinião”. Uau.
E aí aparece aqui na minha frente, no estúdio da rádio, a ”Veja” que foi hoje às bancas. Na capa, “CALA BOCA GALVÃO”, uma foto do narrador da Globo, e está dada a senha para uma pretensa reportagem séria de sete páginas, um “box” e três gráficos sobre o poder do Twitter, motivada por uma bobagem infanto-juvenil que nem os “tuiteiros” levam muito a sério, lançada no dia da abertura da Copa. Aliás, nem o Galvão levou a sério, claro, porque discutir um uma “hashtag” de Twitter é como sugerir um seminário para analisar a musicalidade de uma vuvuzela, ou um congresso sobre comunidades bizarras do Orkut.
Ontem morreu José Saramago. O maior escritor da língua portuguesa mereceu desse semanário indefensável meia página, com uma foto e uma legenda editorializada, porque ”Veja” tem opiniões formadas até sobre índice e numeração de páginas. Diz a legenda: “ESTILO E EQUÍVOCO”, reduzindo Saramago a isso, a alguém que tinha estilo e era equivocado, para atacar as posições políticas e religiosas do escritor, comunista e ateu.
Alguém ser comunista e ateu, para a “Veja”, é algo mais condenável do que estuprar a mãe no tanque. “Ao lado da criação literária, manteve-se sempre ativo, e equivocado, na política”, diz o texto pastoso, que nem assinado foi. Uma pobreza jornalística inacreditável. “Nos países cujos regimes ele defendia, nenhum escritor que ousou discordar teve o luxo de uma morte tranquila”, encerra o autor. Como é que alguém pode escrever uma merda desse tamanho? Será que essa gente não tem vergonha do que coloca no papel?
Pois todas as palavras ditas e escritas por Saramago, capaz de obras-primas da literatura universal como “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, “Ensaio Sobre a Cegueira”, “Todos os Nomes”, “Memorial do Convento”, “Caim”, “Jangada de Pedra”, mereceram da “Veja” meia página, enquanto três palavras bobas espalhadas pelo Twitter foram parar na capa da revista e em sete de suas páginas.
O que mais me atormenta, quando vejo essas coisas, é saber que graças a decisões editoriais como essa, uma babaquice como o “CALA BOCA GALVÃO” assume, diante dos olhos e do julgamento dos retardados que levam tal revista a sério, uma importância bem maior do que a vida e a obra de Saramago.
Saramago pedindo um café a sua esposa tem mais conteúdo, provavelmente, do que todas as edições juntas de “Veja” dos últimos 15 anos. Ele tinha razão, quando falava do Twitter — não se enganem, Saramago tinha até blog, não era um velhote vivendo numa caverna. Numa recente entrevista por e-mail a “O Globo”, disse: “Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido”.
Pois a “Veja”, hoje, inaugurou a era do grunhido impresso.
Autor: Flavio Gomes

sábado, maio 15, 2010

Dunga sorri na Globo. Coerente ou subserviente e intransigente?

TEXTO BLOG MAURO CEZAR PEREIRA - ESPN BRASIL

Não vou discutir nomes, afinal, Dunga é "coerente". Tanto que não chamou Paulo Henrique Ganso e Neymar por terem sido reservas no Santos em jogos no Brasileirão 2009. Mas convocou Doni, Júlio Baptista e Kléberson, que são suplentes hoje! Tão "coerente" que alegou não poder levar os santistas porque não foram testados. Mas incluiu o meia na lista de espera. E chamou Grafite, que atuou só 26 minutos em sua equipe.

Bobagem discutir nomes quando o aspecto técnico não importa tanto. Para Dunga, o que vale é "paixão", "emoção", "o sonho de vestir a camisa da seleção", "ser patriota". Opa, alto lá. Patriota? Então quem não torce loucamente pelo time da CBF é menos brasileiro do que aqueles que se descabelam pelo dunguismo? Não, essa eu não aceito, professor.

Se a turma do panetone passar a Copa vestida de amarelo e festejando cada gol, isso não fará desses elementos bons brasileiros.Pátria de chuteiras em pleno século 21? O mesmo discurso quatro décadas depois? Não, obrigado. Seleção é apenas um time de futebol. Ninguém é obrigado a torcer por ela, tampouco pode ser atacado por não adotar tal comportamento. Jornalistas devem informar e analisar. Imprensa não existe para apoiar nada, e ninguém dá resposta aos críticos.

A seleção da CBF não é "a" favorita ao título, mas apenas uma das equipes com chances. As escolhas de Dunga foram pela dedicação, que em alguns casos pode ser entendida como subserviência. Sim, prioridade para os cordatos que se deixam levar pelo discurso tacanho do técnico que a CBF criou. Falta talento. Com Ronaldinho Gaúcho e Ganso nos lugares de Michel Bastos e Kléberson, por exemplo, ele poderia mudar os rumos de uma partida.

Mas a inflexibilidade impede Dunga de rever conceitos. Não em todos os terrenos. Quando assumiu a seleção da CBF, ele assegurou que não haveria privilégios a jogadores, tampouco a veículos de comunicação. Dunga esteve no Bola da Vez da ESPN Brasil. Chamado a retornar, recusou. Outras TVs, rádios, jornais, revistas e sites gostariam de entrevistá-lo com mais tempo. Nada feito.

Mas concedeu uma exclusiva ao canal Sportv há alguns meses, e após a convocação apareceu no Jornal Nacional. Durante sete minutos, respondeu perguntas. Deu mais ênfase às reações emocionais dos jogadores do que ao desempenho técnico. E sorriu. Dunga estava em casa. Claro, sabia que ali ninguém lhe faria questionamentos de difícil resposta e com chance de réplica, algo que não acontece nas coletivas organizadas pela CBF.

O treinador parece viver num universo paralelo, só dele. Fala sobre uma volta da paixão do torcedor e de um desejo dos atletas de jogarem pela sua seleção como se isso fosse algo novo. Quantos renunciaram à convocação de Parreira em 2006? Todos os por ele chamados estiveram na Alemanha. O que houve foi bagunça há quatro anos, graças à permissividade geral, inclusive de Américo Faria e Ricardo Teixeira, até hoje na CBF, ao lado de Dunga, que ignora tal "detalhe".

Jogadores de nível técnico discutível veem a seleção como algo distante e, quando dentro dela, aceitam o que lhes é imposto, seja o que for. A lista de Dunga está cheia de gente assim, daí o comportamento tão elogiado. Até porque, para ele, jogar bola não é o mais importante. Pesa mesmo a capacidade de aceitar o discurso que parece extraído de um livro de auto-ajuda.

Coerência? Não me parece esta a palavra que marque a atual "Era". Que tal contradição, subserviência e intransigência?




sábado, abril 22, 2006

O Melhor do Mundo

O Telê morreu ontem. Me força a voltar a falar e futebol aqui neste espaço. Ele era definitivamente um cara diferenciado. dois títulos mundiais, dois do campeonato brasileiro, dirigiu a seleção brasileira em duas copas do mundo, foi o campeão de longevidade em clubes do Brasil, isso por si dá uma idéia da qualidade do trabalho e da pessoa do Telê.

Mas ele era mais. O último romântico do futebol, um cara que formou jogadores, homens, dirigentes e clubes. Fazia cartolas trabalharem como homens sérios, montava grandes times, recheando-os de jogadores comuns, fazia jogadores com potencial se transformarem em verdadeiros craques de bola.

Fazia o futebol ser bonito, sério e leal. Há pessoas que só gostam de futebol hoje, porque o Telê mostrou que o futebol podia não ser só daquele jeito que era até então.

Só é pena que ele não pode ensinar os zagueiros do Brasil a jogar bola antes de ser atrapalhado por eles em sua grande obra. Porque se os zagueiros jogassem lealmente, como ele apregoava antes de 82 e o Reinaldo pudesse ter chegado inteiro àquela copa, ninguém saberia hoje quem é Paolo Rossi. E aquele time, o que apresentou futebol mais incomparável da história do futebol teria sido campeão e se tornado referência para todo o futebol que se desenvolvesse de lá pra cá.

É verdade que eu por minhas próprias preferências clubísticas sempre torci mais contra do que a favor do Telê, mas justiça seja feita, se o Pelé é o maior jogador de todos os tempos e nunca será alcançado, e essa é uma verdade da qual não discordo, e essa verdade só não é uma unanimidade pra não ser burra (obrigado Nelson Rodrigues), o Telê será para sempre o melhor de todos o treinadores, e se essa verdade não será também uma unanimidade pelo mesmo motivo, penso que deve se aproximar mais dela do que o próprio Pelé.

Era gênio, e como gênio fez o futebol ficar melhor do que era antes dele.

Isso não é tudo que eu queria, deveria ou poderia dizer sobre o mestre, mas não vou dizer mais nada.

Vá em paz e muito obrigado.

ED.


quarta-feira, abril 19, 2006

O Mais Importante

Como primeira discussão deste blog, resolvi começar com um assunto importante. Acho fácil falar sobre coisas importantes, dificil é descobrir o que é importante para ser falado. Poderíamos discutir as absolvições no Congresso, o sigilo do caseiro, a máquina trabalhando pelo poder constituído, afinal este ano é ano de eleição, a primeira do pós-mensalão, mas isso não é assim tão importante pra gente começar este blog. Quem sabe falar do terceiro ano da invasão no Iraque, a preparação para a invasão do Irã, o banho maria em que está o planejamento da invasão da Coréia do Norte, ou da Venezuela, quem sabem mais tarde até a do Brasil, ou quaisquer outros planos de interferência da potência hegemônica do norte em todo os povos deste planeta, mas que importância tem isso. Acho que menos que aquela passarela do Oscar que o Aécio mandou construir entre o metrô e centro de convenções, pra ser usada no encontro do BID e depois nunca mais. Michele Bachelet, Angela Merkhel, Evo Morales e o Gás natural? Bons temas falaremos de tudo isso, mas em pleno 2006 eu não poderia começar com alguma coisa menos importante para nós, Povo Brasileiro, do que a Seleção para a Copa da Alemanha. (Você não concorda? O povo mais genial que já existiu sobre o qual está fundada toda a sociedade que existe hoje é que inventou essa história de pão e circo, não fui eu, então apenas sigamos aos mestres e falemos sobre nosso mais importante circo.)

Nosso técnico é o Parreira. Eu fico impressionado de como ainda há nos jornais discussões e enquetes sobre as pretensas vagas que ainda restam no grupo. Então vamos entrar nessa jogada:
O Dida e o Júlio César são os dois primeiros goleiros, para terceira vaga tem essa guerra na imprensa, que eu não sei porque, o terceiro goleiro não vai jogar nem um minuto da Copa. Então, que importa se vai ser o Marcos Rogério Ceni ou o Gomes? Mas vamos lá: é minha opinião que o terceiro goleiro deveria ser um jovem que estivesse sendo preparado para ser titular da Seleção um dia. Daí as melhores opções são o Gomes, o Bruno e o Fábio; Eu prefiro o Gomes e, dentre estas opções que eu dei, o Parreira também. Mas isso não importa porque o Parreira deve levar o Marcos mesmo (vai ser teimoso assim!).
Ricardinho ou Alex? Isso nem dá pra discutir. O Alex joga mais e é o único jogador que pode dar uma modificada no esquema sempre cauteloso do Parreira, ou seja, favas contadas: o Ricardinho será o convocado.
Agora no ataque tem aqueles três candidatos pra último reserva (eu acho linda esta disputa!) Nilmar, com todo respeito, você só poderia ser convocado para a seleção da Argentina. Assim o Tévez podia te colocar na cara do gol toda hora. Mas no Brasil, sinto muito. Ricardo Oliveira: eu duvido que consiga ser titular do São Paulo nesses três meses que vai ficar por aqui, o Alex Dias que já é reserva hoje é muito melhor que ele. Só sobra o Fred, e esse caboclo é virado pra lua, viu. Quem acompanhou sua carreira sabe, o risco é ele estando no grupo todos os titulares se machucarem forçando a sua escalação, só não acho que o risco é grande porque com a sorte que ele tem ele entra e acaba com a Copa. Além do mais o Zagallo sabe que "Fred Convocado" tem treze letras. Então está decido.

Agora para a reserva do Roberto Carlos, acho melhor chamar o Erasmo, porque as opções colocadas aí são sofríveis e eu me recuso a discutir qualquer opção e seja o que for que o Parreira levar eu espero que, em caso de necessidade, seja escalado o Zé Roberto pro lugar dele, pras próximas Copas é rezar pra aparecer algum lateral esquerdo que saiba jogar bola neste país.

Pronto é esta a minha opinião sobre o assunto mais importante do momento. Quem quiser falar sobre isso, ou sobre qualquer outra coisa, blogdoed@gmail.com .

É isso aí, obrigado pela sua atenção. Da próxima vez , talvez fale sobre o alterego do Willy Gonzer, o Bento XVI. até...

ED