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segunda-feira, janeiro 17, 2011

Paradoxo do Nosso Tempo



    George Carlin


Nós bebemos demais, gastamos sem critério. Conduzimos depressa demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, vemos televisão demais e raramente estamos com Deus. Multiplicamos os nossos bens, mas reduzimos os nossos valores. Nós falamos demais, amamos muito raramente, odiamos frequentemente. Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida, mas não a vida aos nossos anos. Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio. Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores. Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não o nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planeamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a apressar-nos mas não sabemos esperar. Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas comunicamos cada vez menos. Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande e de carácter pequeno; de lucros acentuados e de relações vazias. Esta é a era dos dois empregos, de vários divórcios, casas chiques e de lares e corações despedaçados. Esta é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas 'mágicas'. Um momento de muita coisa na vitrine e de muito, muito pouco na despensa. Uma era que leva esta carta até si, e que lhe permite dividir esta reflexão ou, muito simplesmente, clicar na tecla 'delete'. Lembre-se de passar algum tempo com as pessoas que ama, pois elas não vão estar aqui para sempre. Lembre-se de dar um abraço carinhoso aos seus pais ou a um amigo, pois não lhe vai custar sequer um cêntimo. Lembre-se de dizer 'amo-te' à sua companheira(o) e às pessoas que ama, mas, em primeiro lugar, ame... ame muito… Um beijo e um abraço curam a dor, sempre que emanam bem lá de dentro, do fundo de si mesmo. Por isso, valorize sua família e as pessoas que estão ao seu lado, sempre!


terça-feira, agosto 31, 2010

O Mundo em que eu Nasci...

domingo, janeiro 24, 2010

O sumiço dos livros


do BLOG DA DAI


Era ano novo. Uma virada na vida daquele povo. Muitos fogos. Finalmente a liberdade! O decreto saíra minutos antes da meia noite. Homens, ministros e príncipes trabalharam muito. O povo estava livre. Não haveria mais livros naquele reino. Chegava de leituras, religiões, escolas, filosofia, romances, poesias, ficção científica, ficção.
Buba subiu as escadas, meio bêbado. Estava naquela casa havia muito tempo. Sempre fora um criado esmerado. Atencioso e servil. Não entendia direito todo aquele reboliço, aquela nova lei. Entendia, isto sim, daquela dorzinha no fundo do coração.
Soluçou, de álcool e dor. Urinou um pouco nas calças, mas dera tempo de ir ao banheiro. Pegou aquele cartaz de novo: “Caiu a leitura, livros nunca mais!”
O povo, todos falavam em ditadura intelectual. Homens inteligentes – antropólogos, sociólogos, etc. – falavam em reinvenção do Novo Homem. Nova era. Nova aliança.
Buba, simpático e obediente, correu para seu armário e juntou, com muito custo, todos os seus livros. E não lera a maioria. Começara a ler havia pouco tempo. Aos poucos, via desaparecer, no fundo da caixa de papelão Machado de Assis, a Bíblia, José de Alencar, Nietzsche, Castro Alves, Platão, Tio Patinhas, Playboys…
Suspirou quase resignado. Aqueles homens deveriam saber o que estavam fazendo. Eram agora uma ilha obtusa, pensou, com parada cerebral, cercada de países confusos por todos os lados.
Um Chanceler de uma grande nação considerara perigoso tamanha ousadia, abuso de poder. Sem livros, que país sobreviveria? Entretanto, a ilha era um paizinho fechado ao mundo, auto suficiente e muito bélico. Paradoxo serem eles tão tecnologicamente armados. Tinham até a tal bomba invisível, que matava pelo ar. Um assombro.
O pobre homem deve ter passado horas com Gonçalves Dias sobre as pernas, as velas estavam por um triz. Minha terra tem palmeiras… minha terra tem palmeiras… Acariciou um Lenin, bocejando. Estava tão orgulhoso de sua humilde biblioteca. Adormeceu, ouvindo sabiás.
Acordou com os cacetetes dos guardas. Estava sendo levado ao cárcere. “Memórias do cárcere”. Graciliano Ramos. A professora, os seios arfando sobre a, b, c, d, e… tão linda. Casaria com ela pouco depois. A cabeça doía. O sangue tinha gosto de revolução. Mas era século vinte e dois. Câmeras por todo lado. Chips nos pulsos. Nova era. Sangue e Charles Bukowski. Os seios da professora moreninha. Dormiu.
A primeira visão que teve foi de seu filho chegando com a mãe. Estivera sonhando. Riu, com a boca ressequida. O garoto subiu no colo do pai, o abraçou e beijou.
Buba perguntou: Quer que eu leia uma estória? Mas o filho arregalou os olhos para o pai e gritou: Mamãe, o pai endoidou! Buba, assustado, olhou para a esposa e o filho diversas vezes. Com horror piscava os olhos, enquanto o filho ria: Esqueceu que aqui não temos livros?!


sábado, novembro 21, 2009

Do incômodo

(originalmente publicado em agridoce da luciana)

“Animal arisco
Domesticado esquece o risco”



Acomodada

Com meus empreguinhos de estimação

Meu dinheirinho de estimação

Naquela conta, no fim do mês, quarta estação

Morando com a mamãe sem pagar nada

Ou quase nada

Acomodada

Indo pra aula com as amiguinhas

Lanchando, conversando, ouvindo música com as amiguinhas

Batendo papo no msn

Aquele papo

Tuitando flashs da minha vida

Aquela vida

Nao era isso que eu sonhava aos cinco anos

Eu queria ser bombeira, astronauta, cabeleireira

Todas essas coisas de aventura

Nao era isso que eu sonhava aos dez anos

Eu queria ser jornalista, professora

Todas essas coisas que agora eu sou,

Mas nem é tão legal assim.

Acomodada

Sem fotografar, sem me achar a melhor mesmo

Sem escrever aqueles textos legais

Aqueles textos que te faziam chorar

Aqueles textos que ainda te fazem vir aqui me procurar

Aqueles textos ansiosos, sonhadores, inquietos

Incomodados.

Luciana

COMENTÁRIO MEU:

ED Said,

É que a vida não é sempre o último capitulo da novela, ou os primeiros 13 minutos de um filme de ação… a maior parte do tempo temos é que continuar em busca daqueles momentos que fazem a diferença… e eles eventualmente acontecem… e eu que nem te conheço de fato… já chorei copiosamente com alguns textos que você escreveu (e ainda escreve) … acomodar-se … as vezes é necessário … e as vezes é essa percepção que causará a grande mudança… e mais um daqueles momentos singulares… vamo em frente….



terça-feira, outubro 06, 2009

Viagem ao tempo do double-deck

Por Bia Kunze no Tecnoblog




Minha sala de estar tem uma daquelas enormes estantes com rack que, além de abrigar TV, som, DVD player, etc, tem aqueles espaços para guardar coleção de CDs e DVDs. Esses espaços já estavam lotados faz tempo, mas não é por isso que os deixei de usar. É que comprar CD e DVD tem se tornado coisa cada vez mais rara, salvo um ou outro box de seriado ou sequências de filmes – a maioria, ganhos de presente.

Mas olhar aquele amontoado de coisas estava me incomodando mais a cada dia. Além de juntar poeira, já que eles nunca saíam dos seus nichos, estavam interferindo na decoração da sala. Por mais arrumadinhos que estivessem, iam contra meu senso de “clean”. Um belo dia, numa tarde de domingo, tirei tudo de lá (com direito a máscara, por causa da asma) e no lugar coloquei uns poucos objetos de decoração, porta-retratos, etc. Numa casa onde não há tapetes nem cortinas (apenas persianas), tive a sensação que desalojei de vez os últimos ácaros que coabitavam meu lar.

Olhei o aparelho de som. Ele tem uns 20 anos de uso, mas continua em excelentes condições. Na época em que foi comprado, era um arroubo de ousadia não vir com toca-discos. No lugar, ele orgulhosamente trazia uma enorme gaveta com capacidade para 5 CDs, para ouvir “horas de música ininterrupta sem repetição”. O supra-sumo da modernidade! Intimamente, dei risada. Estava com medo de apertar o botão do carrossel de CDs e uma aranha pular de lá de dentro. Hoje, praticamente só uso a saída auxiliar, devidamente ligada no computador-mediacenter.

Enchi um armário com os DVDs e CDs. Achei algumas coisas que nem lembrava mais que tinha. Filmes velhíssimos da Bette Davis e um do Rodolfo Valentino. (alguém conhece?) Discos do Legião Urbana. Trabalhos audiovisuais da época da faculdade de rádio e TV. Edição de colecionador de “Cantando na Chuva”, com pôster e tudo – presente do marido ainda quando nos conhecíamos. Uma coletânea “10 anos (!) sem Vinícius de Moraes”. DVDs de Cidadão Kane, O Iluminado e Um Estranho no Ninho, que já separei para rever na primeira oportunidade. Um CD do Netinho. (desculpem… é que ô-milaaaaaaa era música tema da minha turma nos tempos da faculdade de odonto).

Aquela faxina se transformou numa viagem no tempo. Boa parte do que eu mais ouvia em MP3 hoje eram coisas que já havia ripado desses CDs há muito tempo. Conversei com o marido, que já pretendia comprar um Time Capsule de 2 TB. Ele também tem uma biblioteca de mídia ótica respeitável. Agora reforçamos os planos e já o colocamos no orçamento para daqui uns meses. Aos poucos, converteremos tudo para digital e, excetuando-se as peças de valor sentimental (tipo o CD do Netinho ), vamos nos desfazer de tudo. Talvez doando para alguma instituição ou biblioteca pública…

A idéia do Time Capsule é ter um super-roteador com armazenamento de sobra e, a partir de qualquer computador da casa, acessar todo o conteúdo que estiver lá. Além de servir de backup para nossas máquinas. Mas, muito mais do que isso, poderemos também viajar e acessar nossas coisas de qualquer lugar, via MobileMe.

Olho para o aparelho de som ligado ao mediacenter na sala e reflito o quanto as coisas mudaram em tão pouco tempo. Como tudo ficou mais fácil, instantâneo e também – por que não – descartável. Há 20 anos consumíamos bem menos mídia que hoje, mas selecionávamos melhor.

Atualmente, na minha sala, a única reminiscência visível do passado é o duplo-deck de fitas cassete do aparelho de som. Até isso se transformou num paradigma: esses tudo-em-um vendiam horrores, todo mundo copiava vinis ou duplicava fitas cassete, mas nenhuma gravadora reclamava disso, lembram?

É. Como o mundo mudou…


Bia Kunze, também conhecida como Garota Sem Fio, teve seu primeiro celular 3 anos antes do seu primeiro PC. É dentista homecare, consultora e palestrante em tecnologia móvel e comentarista da rádio CBN. A paixão pela mobilidade é orgânica: ela não tem a menor paciência de ficar sentada na frente de um computador.


sábado, setembro 19, 2009

Rádio-Ed Número 4

Escrevi antes sobre a busca da ressonancia, e eis que tive um dia nessa semana um dia (e foi a quinta) que eu me senti assim, não com algo que eu tenha emitido, mas com coisas que recebi.


Eu tinha me preparado hoje para fazer um belo pre-âmbulo, onde eu ia linkar, como o que hoje eu sinto, penso, a minha atitude, a minha percepçãone tudo sobre o momento que eu vivia estava demonstrado nesses textos lhes que reproduziria. Mas agora a mente bloqueou e perdi a condição de demonstrar-lhes a teia que minha mente construiu quando li estes dois textos e ouvi a música que também segue...

Um outro dia talvez eu retome, mas por enquanto, segue apenas os textos e a música e o comentário de como de repente me vi neles todos.

“O Beijo da Mulher Aranha”

"Finalmente estamos a sós. Como ninhada desmamada que grita de longe por colo. Somos tristes, contudo, quem mais pode-se dizer feliz, se a crosta terrestre derrete-se lentamente; o céu está estranho. A internet assusta com suas previsões e previsíveis profecias. Precisamos beijar.

Um apanhado de nostálgicos escritores escrevem coisas bonitas, entretanto, a biologia anuncia a decadência da ciência e da poesia. Não há clones humanos; não haverá teletransporte humano. Política mundial, sim, cessará a crise. Comeremos frutas e lagostas.

O sol continuará nascendo e se pondo. Oriente e ocidente se dando bom dia e boa noite em horários diferentes. Depois do sol, o negror.

(Tanto faz, se para o poeta é sempre noite – boêmias cavernas virtuais).

O biólogo beija a astronomia, que flerta com a telecinética; enquanto isso as pernas das prostitutas sentem frio. E levitam seus sonhos neste mundo louco, clima estranho, elas dizem. As coisas mudaram, concluem. Precisamos beijar.

As formigas, ao menos, são um povo organizado, enquanto nós nos cansamos do açúcar. Amargo. Queremos o sabor amargo da violência, afinal, a televisão é para isso.

Desligo o sinal e vou ao cinema. The Spirit, o HQ pode transportar você por enquanto. Velozes e Furiosos 4 poderia fazer-me voar. Mas é em preto e branco que eu encontraria, em Veneza, aquele diretor argentino.

Ou, ainda temos o Hitchcock no banheiro da memória, o box terror, o box! Sua lápide irônica; e os biônicos pênis dos robôs prostitutos da Atlântica.

Ainda são estrelas aqueles pontos lá no céu. É de solidão que queremos falar. Ou queríamos. Quem há de ficar a sós, quando na mão se tem uma caneta! Mas apenas os poetas cantam. Nós, eu, tão somente borro no papel, a perplexidade desses tempos.

Para Manoel Puig"

(publicado por Daisy Carvalho no A Fênix Apoplética Blog da Dai:)

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Dos paradoxos do amor

Olha, um dia eu fui tímida.

Eu sei, você deve estar rindo e desacreditando, mas é verdade.

Eu era tímida que nem você e por isso mesmo você me chamou tanta atenção quando nos conhecemos. Porque você era eu aos 14 anos – só que você já tinha 28…

Com 14 anos me apaixonei perdidamente – pra se apaixonar tem que ser perdidamente – por um rapazinho chamado Duda – já falei nele em outro texto, o do meu primeiro beijo.

Pois bem.

Mesmo depois que nos afastamos, eu continuei a gostar do Duda por um tempão. Aí, vieram os Jogos Estudantis e eu resolvi assistir a todos os jogos dele – e torcer por ele, claro – mesmo ele sendo de outro colégio que não o meu.

Eu ia aos ginásios, via os jogos, torcia pelo colégio alheio, o Duda me via, mas logo que terminava o jogo eu ia embora.

Até que chegou o dia dele jogar contra o time do colégio onde eu estudava. Foi terrível. O placar foi 120 a 20 pro meu colégio, mesmo eu torcendo muito pelo colégio do Duda.

Foi a única vez que, terminado o jogo, me aproximei do Duda, na arquibancada. Fiquei lá, parada, sentada ao lado dele, sem dizer nada diante da cara triste que ele fazia.

Quando cheguei em casa escrevi uma carta, dizendo o quanto lamentava pela derrota e o quanto queria ter dado um abraço grande nele após o jogo.

Passou um tempo e um dia resolvi entregar não só essa, mas todas as outras cartas que escrevia e guardava – fora os poemas de um certo caderno preto… Se eu tivesse quatorze anos hoje, escreveria tudo em um blog!

Depois de ler tudo, o Duda conversou comigo e a coisa mais marcante desse papo ao telefone foi ele dizendo que eu deveria ter dado aquele abraço no dia do jogo, porque ele bem que precisava naquela hora.

Me lembro com nitidez de ter me sentido a garota mais puramente idiota do mundo inteiro naquele momento.

E me lembro de, dali em diante, nunca mais ter deixado passar nada que me desse vontade real.

Hoje é engraçado ver você estranhar o meu jeito atirado, o meu jeito sem jeito de gritar todo esse amor que eu sinto por você, mas saiba que eu te amo porque você, ainda hoje, tem essa timidez que eu tinha aos 14 anos.

E se eu não tivesse deixado de lado a minha timidez seria bem provável que até hoje você não soubesse do que sinto e que um monte de cartas – hoje em dia mails, né? – se acumulassem mais uma vez em minhas gavetas.

Publicado por Luciana no Agridoce
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Sonhos Sonhos São
Chico Buarque

Negras nuvens
Mordes meu ombro em plena turbulência
Aeromoça nervosa pede calma
Aliso teus seios e toco
Exaltado coração
Então despes a luva para eu ler-te a mão
E não tem linhas tua palma

Sei que é sonho
Incomodado estou, num corpo estranho
Com governantes da América Latina
Notando meu olhar ardente
Em longínqua direção
Julgam todos que avisto alguma salvação
Mas não, é a ti que vejo na colina

Qual esquina dobrei às cegas
E caí no Cairo, ou Lima, ou Calcutá
Que língua é essa em que despejo pragas
E a muralha ecoa

Em Lisboa
Faz algazarra a malta em meu castelo
Pálidos economistas pedem calma
Conduzo tua lisa mão
Por uma escada espiral
E no alto da torre exibo-te o varal
Onde balança ao léu minh’alma

Em Macau, Maputo, Meca, Bogotá
Que sonho é esse de que não se sai
E em que se vai trocando as pernas
E se cai e se levanta noutro sonho

Sei que é sonho
Não porque da varanda atiro pérolas

E a legião de famintos se engalfinha
Não porque voa nosso jato
Roçando catedrais
Mas porque na verdade não me queres mais
Aliás, nunca na vida foste minha

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Hoje será difícil entender, mas eu mesmo pouco me entendo...


segunda-feira, setembro 07, 2009

Rádio-Ed Numero 1

Olá amigos,

Como vão? Espero que bem.
Eu vou muito bem graças a deus, obrigado por peguntarem...
Venho primeiro explicar isso aqui.
Eu a vida inteira tive alguma coisa com esse ano de 2009, sempre achei que seria um ano determinante na minha vida. A idade de trinta anos sempre me pareceu algo marcante. Enfim... não sei se pela previsão, ou pela expectativa, ou talvez por coincidência, de fato, não hove em minha vida, por ora ano tão rico. De experiências, de decisões e de impactos. Ora assustador, ora deleitoso. Está bacana.
De tudo que se passou nesse ano, o mais forte me aconteceu nesta semana, com o tempo creio que todos vocês, no tempo certo, saberão o que foi. O que ficou de quinta-feira foram três coisas, uma que me dá orgulho, uma que me dá pressa e outra que me proporcionará muito prazer.

Provei para mim mesmo que minha atitude é correspondente ao meu discurso e as minhas convicções sobre a vida mesmo em situações extremas, e isso me deu muito orgulho. A vida é muito curta, e há muito que se fazer que não deve ser deixado para depois. Enxerguei também que o maior prazer que eu encontro na vida é a ressonancia. E daí esse contato com vocês amigos.

A ressonancia, que estudei com alguns de vocës, é o fenomeno que ocorre quando duas ondas vibram na mesma frequencia, o ser humano é um ser social, e quando ele se sente em ressonancia com seu interlocutor, grupo ou ambiente, isso lhe faz bem. E confrontado com minha vida, que fui, observei como eu, particularmente, me realizo quando me sinto em ressonancia com os meus.

Cada vez mais me ligo nisso, sei que minha onda é meio que como um harmonico, e a frequencia e a forma da onda mudam muito, mas pelo menos por periodos, essa ressonancia acontece com um ou com outro. Decidi ir pra uma escola de comunicação e quem sabe talvez até num futuro virar o radialista que eu sempre quis ser, e assim espalhar a minha frequencia de momento, para encontrar alguma ressonancia, ou não... Vou buscar isso, mas não com toda a força, porque, no fim, não é assim que eu ajo.

Mas o assunto está escapando... vamos retornar, encaminharei aos amigos, e-mails como este, acompanhado de uma música, assim eu brinco de radialista, e espalho a minha vibração do momento, sei que não estarei sempre em ressonancia com todos vocês, mas amigos, lhes digo, mesmo quando não formos, ondas ressonantes, seremos ondas afins.


O que me marca mais agora é que a vida é curta, e há que se aproveitar o tempo que se tem, fazendo aquilo, que se cre que se deve, como eu estou fazendo agora. E dentro disso, a música que acompanha, será uma do Lobão, que diz "melhor viver dez anos a mil do que mil anos a dez", sempre acreditei nisso, e é assim que construí minha vida até aqui, e assim prosseguirei até onde for, porque meu perfil sempre foi esse, de ser ávido por tudo que o sensorialismo puder me trazer, tem uma poesia de Thoreau, que é a da minha vida (e principalmente no meu momento de hoje), essa poesia já a vi citada em dois filmes, que se não viram, lhes indico, que é o "Sociedade dos Poetas Mortos" e "Admirável Mundo Novo", Transcreverei aqui uma tradução (poesia traduzida é complicado, não achei uma tradução boa então eu mesmo fiz essa).

"A vida nas Árvores"
Henry David Thoreau


"Fui para os bosques viver deliberadamente
Defrontar-me apenas com as coisas essênciais da vida.
Ver se eu não poderia aprender tudo o que deveria ser ensinado
Não desejava o que não fosse vida, a doce vida
Não queria resignar-me, a não ser que fosse extremamente necessário
Queria sugar todo o tutano da vida
e viver assim como um autêntico espartano
Pronto para aniquilar tudo o que não fosse vida
Dirigir minha vida, para onde eu quisesse,
Sendo mau, que eu o fizesse de forma completa e genuína e pública
Sendo sublime, que eu o fizesse por escolha própria e me desse conta disso
Para, quando morte chegasse, eu não descobrisse que não vivi"



Grande abraço para os amigos todos e até o próximo programa... (pra frente sem explicar antes, serão e-mails menores)

Decadence Avec Elegance
Lobão


Há muito tempo que eu já dizia
Toda essa chinfra não te garante
Você não sabe arte de saber andar
Nem de salto alto, nem de escada rolante

Sua vida não tem muito sentido
Sempre em dia com o seu atraso
Mas e daí ela se acha tão chic
Troca seu destino por qualquer acaso
E perdeu a pose ...

Decadence avec elegance
Decadence avec elegance
Ou ou ou ou ou ou ou ou ou... (x2)

Ela diz pra mim: Seja um bom rapaz
Pratique algum esporte, tenha bons ideais
Afinal de contas o fim do mundo não é nenhum fim de mundo
E se for ... Descanse em paz

E no final da madrugada perambulando pelos bordéis
Decadence - é melhor viver
dez anos a mil,
do que mil anos a dez

Decadence avec elegance
Decadence avec elegance
Ou ou ou ou ou ou ou ou ou...

Decadence avec elegance
Decadence avec elegance
Ou ou ou ou ou ou ou ou ou...