Mostrando postagens com marcador MEIO AMBIENTE. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MEIO AMBIENTE. Mostrar todas as postagens

terça-feira, dezembro 22, 2009

O Terrorismo Pisco-ecológico

Antes de começar e descrever este raciocínio que tive, vou antes de mais nada dizer que creio no aquecimento global, acho que sem dúvida ele está acontecendo, e acho também inquestionável que há influênia da atividade humana nessa situação. Mas há outras coisas em que acredito, como outras influencias concomitantes, a capacidade do proprio planeta de se adaptar e outras tantas crenças. Respeito também quem crê em situações outras, diferentes das minhas e/ou da maioria.

Terminada a COP15, devo dizer que fiquei triste por ela não ter tido resultado nenhum (vão tentar reduzir a magnitude desse fracasso porém inutilmente, porque foi sim estrondoso), eu estou longe de ser um eco-chato, mas já há mais de 20 anos, desde a infância que tenho posturas ambientalmente preocupadas (reduce, reuse, recicle), uso inteligente de energia e outros insumos, descarte cuidadoso de materiais tóxicos e/ou recicláveis, isso tudo muito antes dessas coisas estarem assim tão em voga. E sempre agi assim, mas só na atitude, nunca fui de discursos, pregações ou algo que os valha. Eu de fato gastaria que fosse estabelecida uma nova ordem mundial mais ecologicamente correta. Acho que seria bom para o ambiente, para a economia e para o desenvolvimento de países pobres. Acho que seria bom até para a solução de conflitos internacionais e/ou regionais.

Mas nesse texto aqui, serei como Michael Moore. Cético.
Não vou falar dos e-mails roubados com indicios de manipulação de dados para convencer o mundo dos perigos do aquecimento. (isto porque acredito que em politica é assim, uns forçam para um lado, outros para o outro, então creio, há manipulação de dados tanto por quem acredita na influencia do homem no aquecimento global e em seus perigos, como também há na trincheira oposta - cabe então a cada um filtrar essas informações todas, ver o que lhe parece mais factível e coerente e nester ponto ter suas conclusões, que quero crer que para a maioria das pessoas não será nos extremos defendidos por qualquer parte.)
Não. O que tratarei aqui, parte só de argumentos confessáveis do lado dos ecologistas.

Para começar, vamos nos lembrar de décadas passadas, que como eu tem mais de 30 anos deve se lembrar da última grande tricheira ambiental mundial, e todos os impactos até agora discutidos, falo da camada de ozônio. O ozonio é um gás de fórmula O3, que apesar de ser formado apenas por átomos de oxigênio, não deve ser respirado podendo ser até mesmo letal, mas é um gás leve, que na atmosfera forma uma camada, a ozonosfera, que é parte da estratosfera. Essa camada forma um escudo contra os raios ultra-violeta emitidos pelo sol e tidos como cancerígenos.
Eis que há um outro gás, o Clorofluorcarboneto, que até a década de 80 era bastante usado em geladeiras e aerossois, que era bastante reagende ao ozônio, e quebrava essa molécula e teria criado então um gigantesco buraco na camada de ozônio.
Na época o discurso era que no ano 2000, as pessoas não poderiam sair a luz do dia sob pena de ter câncer de pele. Já naquela época, não deveríamos tomar sol entre as 11:00 e as 14:00 e deveríamos usar protetores solares com alto fator de proteção (o máximo que existia à época era o fps 15), isso é o que nos era dito lá pelo ano de 1987. As pessoas mais acostumadas ao sol, morenadas pela praia, usavam protetores co fps 2, 4 as vezes 6. Só os branquelos de pele sensivel (leia-se que viravam pimentões ardentes sob efeito do sol), usavam protetores com fator 10, 12 ou 15 (eu sempre usei o 15 e sempre fiquei todo vermelho). Mas não vi toda a propalada ocorrencia de cancer de pele aumentar, aliás estamos em 2009 e eu continuo podendo saiir no sol. Sabe outra coisa interessante, hoje vejo indicações de que não se deve tomar sol das 9:00 as 15:00, e os FPS hoje são 30, 35 e 50 e todo mundo usa.
Lá na década de 80 eram as mesmas pessoas e entidades que hoje berram contra o aquecimento global, que antes brigavam pela camada de ozônio e fizeram o CFC ser totalmente banido de qualquer indústria. Ótimo, beleza, não há mais CFC, mas continuamos não devendo tomar sol, hoje até devemos nos proteger mais do que antes, apesar de não haver nenhuma incidência alarmante de câncer, é assim que devemos proceder e procedemos. Só isso seria suficiente para desqualificar o discurso dessas pessoas? Não é claro que não.

Mas passemos a dados. O tal buraco da camada de ozônio tem hoje metade do tamanho que tinha na década de 80 (devido ao banimento dos CFCs), torna-se completamente incoerente então a indicação de cuidados maiores hoje com os raios ultravioleta, do que na década de 80 quando seus efeitos eram já conhecidos e a ameaçã era maior pelo tamnho do buraco na camada de ozonio. Em segundo lugar, o ozonio lá em sua cada estratosférica,absorve os raios ultravioleta, e então se aquece, sendo portanto um poderoso gás de efeito estufa. Tendo esta camada de gás no exterior da atmosfera se aquecendo por radiação ela impede que o calor deixe a terra por convecção e contato, o que acontece então o tal buraco, sobre a antártida permite que o calor da terra deixe o planeta por aquela região permitindo que o continente gelado assim permaneça, ajudando a regular a temperatura de todo o globo. Com sua redução em tamanho, diminui também esse efeito sobre a Antartida, assim a periferia do continente tem se aquecido e descongelado gerando efeitos em todo globo, enquanto o interior do continente continua protegido pelo buraco na camada de ozonio, mantêm-se gelado, por enquanto. Acontece que o buraco na camada de ozonio continua a diminuri e deve, até o fim do século a camada estar totalmente recomposta, aquecendo ainda mais a antartida e por consequencia o mar e por fim o mundo.

Não é portanto, uma conclusão totalmente errada que o aquecimento global, tal como demonstrado hoje, pode ter uma de suas causas, na luta dos mesmos ambientalistas que hoje o combatem, ao combaterem no passado os CFCs. Não tendo resolvido um problema que nem mesmo chegou a se demonstrar, do câncer de pele, nem de cuidados relativos ao sol, podem ter acelerado a questão do aquecimento do globo, talvez até de forma definitiva.

E devo dizer, que não me assustaria, e até acharia engraçado, quando acontecer, e eu acho que vai acontecer de alguém aparecer com a idéia de lançamentos massivos de CFCs na atmosfera como forma de conter e/ou reverter o aquecimento global (e aí com grande impacto no valor de empresas de protetores solares que então passarão a FPS 150, 200 e 500).




Copenhague, uma conferência histórica


Por Eduardo Nunes no blog do Nassif


Cheguei a Copenhagen vindo de uma visita de trabalho ao Haiti (onde a presença brasileira é também apoiada e criticada, mas é reconhecida como determinante). Por mais distantes que a pobre Porto-Príncipe e sofisticada Copenhagen estejam uma da outra, ambas estão mais perto do Brasil e do novo sistema de poder internacional do que nos fazem crer os parciais editoriais.
Por dever profissional (trabalho em uma ONG Internacional de Desenvolvimento), estive em algumas conferências e reuniões de alto nível da ONU, desde a primeira, a ECO-92. Mas, não estava preparado para o que ocorreu na semana passada, na COp15, em Copenhagen.
Muitas foram as surpresas. A primeira foi perceber que a reunião da qual estava participando era vista de forma totalmente parcial pelos que a acompanhavam daqui do Brasil (talvez, do mundo?). A imprensa mostrou manifestações (alias, como se isto fosse algo ruim), conflitos e um impasse improdutivo. Eu participei de outra COP. Saí como a maioria, frustrado com a não assinatura de um acordo “amplo, justo e legalmente vinculante”. Mas, pouco vi manifestações (confinadas a determinadas áreas e horários). Presenciei avanços impensáveis, há pouco. E testemunhei um marco da mudança profunda na geopolítica global.
Vi uma conferência que além da intensa participação das “partes” (Estados Nacionais), contou com uma inédita forte presença de setores corporativos (com destaque para o financeiro), não-governamentais e multilaterais. Houve e sempre haverá conflitos. Mas avançou-se em iniciativas concretas [ara redução de emissões de diversos gases (a imprensa desprezou os importantes avanços em “green-house emissions’, CFC e outros). Na mesma conferência, centenas de projetos foram apresentados, discutidos, ampliados e acordados. Parcerias de todos os tipos foram celebradas. Representam além de alguns bilhões de euros, novos mapas de ação que coordenam setores privados-governamentais-multilarais-sociedade civil. Projetos que suplantam fronteiras nacionais e criam novas geografias de cooperação.
Tudo isto é ainda insuficiente. Mas, diante das dificuldades de um mundo real, não é pouco. Fora as frases de efeito dos chefes de estado, aqueles que prestaram atenção aos discursos veriam que a maioria deles apresentou fatos e ações que já estão em curso. Somados, elas representam avanços importantes.
As manifestações (que não interferiram com os trabalhos, dentro do Bella Center) e a desorganização comum a eventos deste porte (atrasos em credenciamento, mudanças de salas de reuniões, etc.) não mudam o que ocorreu. No caso das manifestações, a imprensa deveria perceber que elas representam uma tentativa (ainda débil, reconheço) de abrir o sistema de decisões internacional a críticas. Mesmo restringida (mas, nunca proibida) nos últimos dias do evento, a participação ampla de observadores privados e não-governamentais também mostra um progresso. Democracia provoca uma dinâmica que alguns setores conservadores insistem em chamar de “bagunça”. Protestos, impasses e discordâncias são do processo democrático.
Por fim, e talvez mais importante, foi a constatação de que esta não foi uma conferencia sobre clima. Foi uma reunião sobre o novo sistema de poder internacional. Nunca, como brasileiro, havia me sentido no centro de uma discussão. Para o bem e para o mal. Antes, ou éramos vistos como irrelevantes, ou como “bonzinhos bem intencionados”. Mas nunca como líderes. Nunca como protagonistas. Até agora. Colegas de outras ONGs internacionais me buscavam para ter informações e conseguir falar com a delegação brasileira. Todos que me encontravam tinham uma posição a expressar. Um apoio, uma crítica. Todos sabiam e reconheciam o novo papel.
Todos menos a imprensa brasileira.
Desde o início, era sabido que o Brasil teria posição protagônica em qualquer resultado da COP15. China e Índia também. Não houve reunião importante na qual o Brasil não estivesse presente. A diplomacia brasileira, com um profundo conhecimento do intricado e burocrático sistema decisório e processual da ONU, conseguiu barrar a maioria das manobras dos países ricos. Como os dois textos “fantasmas”, plantados pela presidência dinamarquesa da conferencia. É só rever as gravações que se perceberá que ambos textos foram desmontados a partir de falas dos representantes brasileiros.
EUA e EU (Japão e Rússia tiveram papel tímido nesta COP) estavam acostumados a ditar tudo. Controlavam as estratégicas relatorias das comissões, enquanto colocavam diplomatas de países pobres nas burocráticas presidências dos grupos. Compravam pequenos e dependentes países com acordos de cooperação. Desta vez não. Brasil e China assumiram um papel de liderança dos “emergentes”, negociaram e apoiaram os países menos desenvolvidos. Quando EUA e EU começaram a ceder alguma coisa (no fim da 6af, dia 18), mesmo com a concordância do Brasil, Índia e China, foi a vez dos liderados dizerem não. Outra novidade. Mostra que o Brasil não exercerá o tipo de liderança dos EUA, hegemônica. Não é, juntamente com Índia, uma nova potência. É um novo tipo de liderança. Expressão de um mundo mais complexo e multipolar.
Dentro destes líderes, a China ainda mantém uma postura mais tradicional de liderança porque tem países em sua órbita de dominação.
Força e potencial econômico, biomassa e petróleo, diplomacia com prioridades nas relações SUL-SUL, carisma pessoal do presidente, etc. Cada um pode e deve discutir os motivos que levaram o país a assumir esta posição (que não é relativa ao clima, é no cenário internacional como um todo). Se bom ou ruim, cada um faça seu juízo. Mas, não é possível que estejamos ignorando este novo papel global e discutindo suas implicações.


domingo, dezembro 20, 2009

Marina Silva critica atuação da ministra Dilma Roussef na COP-15



de O Globo por Ronaldo D'Ercol
 A ex-ministra do Meio Ambiente e virtual candidata à Presidência pelo PV Marina Silva criticou, neste sábado, a decisão do governo brasileiro de indicar a ministra chefe da Casa Civil Dilma Roussef para representar o país nas negociações durante a Copo 15, em Copenhague. Segundo a senadora, a pré-candidata do governo não tinha a experiência necessária para tratar dessas questões e sua indicação para chefiar a missão brasileira teve finalidade eminentemente eleitoral.
- No meu entendimento, levamos (para Copenhague) um discurso sem base de sustentação. Lamentavelmente não tínhamos ali uma pessoa experiente -- que eu sei comprometida, não estou aqui questionando o compromisso de ninguém - como o embaixador Celso Amorim - disse Marina durante discurso na convenção nacional do Partido Verde, na manhã deste sábado, na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Marina Silva citou a posição de Dilma durante as negociações de "não assumir compromisso com recursos" do país para o fundo de ajuda aos países mais ameaçados pelo aquecimento global.
- Quando vi a posição da ministra, pensei: tomara que o presidente Lula venha aqui para colocar as coisas no seu devido eixo. Porque isso (a posição de Dilma) é uma contradição com tudo que tem sido feito no governo do presidente Lula, de que há solidariedade com os países da África e com os segmentos mais pobres da sociedade -- disse.
Segundo a ex-ministra, a decisão política de se lançar candidata à Presidência pelo PV já está tomada.
- Essa decisão política já existe, agora o processo legal, formal, se dará no ano que vem. Estamos na fase chamada de pré-campanha, até que haja a homologação (pelo partido) - afirmou ela, que disse já ter superado a fase dolorosa da saída do PT e também a fase prazerosa de chegar ao PV.
- Agora estamos na fase laboriosa de construir uma candidatura, com projeto nacional que busca uma alternativa econômica, social, política e ética para o Brasil.
Marina Silva defendeu um sistema de arrecadação de campanha transparente para sua candidatura, e atacou o modo como os partidos tratam da arrecadação de recursos e a corrupção em que tal prática desemboca.
- Precisamos cada vez mais estarmos comprometidos com uma visão ética, que deixe o discurso moralista pelo discurso moralista, e comece a liderar pelo exemplo. Se criarmos um sistema mais transparente de financiamento de campanha, se tivermos a ousadia de fazer isso, nós faremos a diferença - disse ela, para atacar em seguida os envolvidos no escândalo que envolve o governo do Distrito Federal.
- Temos que acabar de uma vez por toda com essa história de que sobra de campanha vira meio para comprar panetone, envergonhando a ceia de Natal como fizeram lá em Brasília - disse.
Perguntada sobre a desistência do governador tucano Aécio Neves (MG) de concorrer à Presidência, Marina Silva disse não ter se surpreendido.
- Sabíamos que mais hora, menos hora, isso ia acontecer - disse.