Desejo,
Necessidade,
Vontade...
Três sentimentos afins e tão diferentes... já trabalhados numa música dos titãs, num texto que tende ao concretismo, têm me tomado o pensamento nesses últimos dias. Não pela música, mas pelo meu momento de vida em diversos aspectos... O que tem me tomado o pensamento, são as diferenças tão suaves e ao mesmo tempo tão cruciais que existem entre eles...
Necessidade, vontade e desejo, são sentimentos que temos pelas mesmas coisas... alimento, conforto, contato social, sexo, status e poder...
São essas coisas que nos geram tudo ou quase tudo de necessidade, de desejo e de vontade na nossa vida, mas são esses sentimentos como nos portamos frente a cada um desses alvos dos citados sentimentos.
Todos temos necessidade de nos alimentar, temos desejos esporádicos de comer coisas diferentes, as vezes estapafúrdias, e todos temos vontade de comer sempre os nossos pratos preferidos...
Todos temos necessidade de nos relacionar, as vezes desejamos que um de nossos relacionamentos ganhe em importância, ou que nós ganhemos destaque ou ascendencia nessa relação, e a vontade de todos é que suas relações familiares profissionais e de amizade sejam saudáveis e gratificantes.
Todos temos necessidade de participar de meios sociais, comunidades, populações e povos. As vezes temos desejos de ascêdencia de poder sobre esses grupos. Mas nossa vontade é sempre de ser respeitado e reconhecido em seus valores.
Nossos impulsos sexuais são necessidades que precisamos atender...
Desejamos atender esses impulsos com determinadas figuras que atiçam nossa libido
Mas o que nós queremos é fazer amor com aquelas pessoas que nos completam.
Enfim, concluí que o atendimento de nossas necessidades é que nos impedem de morrer, de explodir, de çular de uma ponte ou sei lá... o atendimento de nossos desejos, é que nos tira da inércia e nos faz busar o algo mais, que nos faz progredir...
O atendimento da vontade é que é a cereja do bolo, é que nos faz ter prazer em viver, ter orgulho de ter vivido e valorizar todo o processo dessa jornada de viver...
Posso dizer hoje, que nunca passei necessidade, venho há bastante tempo tendo tendo em minhas mãos o poder de lutar para tender os meus desejos... tendo tido sucesso em boa parte dessas frentes...
Já as cerejas... cada dia que passa mais tenho me deliciado com elas... não que tenha tido minhas vontades todas alcançadas... mas cada vez uma parte cada vez maior delas...
Entender, que há na vida, preços que se paga por escolhas que são feitas e por necessidades, por desejos e vontades que se busca... ajuda tanto no sentido de saber e pagar os preços quando assim se decide, tanto quanto no sentido de entender a não satisfação do sentimento quando esta situação a decisão é contrária a este pagamento.
No fim quero dizer... que meu momento é muito bom em relação a estes sentimentos... acho que muito pela compreensão cada vez maior da diferença entre eles, e do peso que se deve dar a cada um deles, e da energia que se deve dispender para atingir cada um desses objetivos...
Minha vontade é que todos vocês que leem consigam o mesmo sucesso, ou até maior...
Espaço para opiniões diversas dos propietários e dos leitores sobre quaisquer coisas que lhe interessem, ou não.
Blogueiros
segunda-feira, junho 29, 2009
domingo, junho 28, 2009
TEMPO
O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor.
Embora inconsumível...
O tempo é o nosso melhor alimento.
Se a medida que o conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza...
Não tem começo, não tem fim...
Rico não é o homem que coleciona e se pesa num amontoado de moedas.
Nem aquele devasso, que se estende em mãos e braços em terras raras.
Rico; só o homem que aprendeu piedoso e humilde a conviver com o tempo.
Aproximando-se dele com ternura...
Não se rebelando contra o seu curso...
Bem lidando antes com sabedoria...
Para receber dele os favores, e não sua ira.
O equilíbrio da vida está essencialmente nesse bem supremo.
E quem souber com acerto, a quantidade de vagar ou de espera que se deve por nas coisas...
Não corre nunca o risco, ao buscar por elas e defrontar-se com o que não é...
Pois só a justa medida do tempo dá a justa natureza das coisas.
(por Raduan Nassar)
quinta-feira, junho 25, 2009
?q!?!@$^&(%)#???!
E o Michael Jackson morreu... Caralho!!!
CARALHO! O Michael Jackson Morreu!!
E o Michael Jackson, cara. Morreu!!!
CARALHO! O Michael Jackson Morreu!!
E o Michael Jackson, cara. Morreu!!!
quarta-feira, abril 08, 2009
PERFECT NIGHT IN SP
Postado originalmente na Quinta-feira, 2 de Abril de 2009 as 11:10 no blog do Moisés, o Abrigo Madrugada.
Um dia o desejo de ter uma Banda entrou em meu coração. O maior responsável por isso foi o Alex (Lekso), que me fez acreditar na possibilidade de montarmos não apenas uma Banda de Rock, mas sim a Banda, aquela que seria a expressão maior do nosso desejo, da nossa vontade de quebrar barreiras e fazer as coisas da forma mais visceral que pudéssemos. Conversando com o Lekso, concluímos que a Banda teria por fundamento o amor à arte, num elo indestrutível que viria por abaixo muitas das bobagens que víamos. Ficou convencionado que eu aprenderia bateria, ele seria o vocalista, Rodrigo o guitarrista e Humberto levaria o baixo. Assim foi concebida a Banda, que teve dois nomes, para ao final, ficar sem nenhum... Primeiro a chamamos de “A Porra do Platão”, e depois de uma noite no quintal da minha casa, em que li o capítulo VII / O Delírio, do Memórias Póstumas de Brás Cubas, ela levou o nome de “Herbívoros do Delírio”. Após receber tão inusitados nomes, a Banda foi deixada de lado, tornando-se algo bastante pessoal entre mim o Lekso, uma espécie de sombra cuja morte se deu no show do Radiohead.Sempre estive disposto a esclarecer o significado desse desejo. Se é verdade que houve interrupções, especialmente por causa de uma pessoa com a qual convivi, é mais verdade ainda que dentro de mim a questão permanecia. Sendo bem aberto, a Banda, para mim, seria a fudeção total, algo que hoje posso fazer quando escrevo, quando canto ou toco violão. É que naquele tempo, 2004/2005, sentia a voz da arte a me convidar para dar o passo para o outro lado, no entanto havia muita insegurança e medo (daqueles que paralisam). A história do show da Sandy e Junior, no qual fomos afastados das “perninhas bacanas” da Sandy pela corda que separa os vips dos não vips, demonstra um pouco do que pretendíamos com nossa Banda. Jamais haveria área vip! Jamais seríamos babacas! Jamais deixaríamos que o sucesso tomasse conta! Teríamos, isso sim, a entrega completa de nossas almas, seria arte selvagem, uma verdadeira guerra contra o comodismo, contra a beleza enlatada, contra os undergrounds tolos. Seria algo único, sensacional, original, uma explosão, um tapa na cara... Seria mais ou menos como o Radiohead. Aí está. “Seria mais ou menos como o Radiohead”. Antes de viajar à São Paulo, ainda aqui em Montes Claros, numa visita relâmpago do Lekso, sentamos para conversar. Dentre os diversos assuntos, um foi sobre a viagem à São Paulo. Chegamos à conclusão de que o melhor lance do show seria a viagem, a companhia, as conversas. Então, quando coloquei o carro na estrada, estava convicto de que o Radiohead seria um apêndice de luxo às descobertas do caminho. Nem passava por minha cabeça aquilo que aconteceu no dia 22/03/2009. Radiohead, além de justificar o caminho, contribuiu para a solução do mistério. Naquela noite descobri que não preciso montar banda nenhuma.Jonny Grenwood entrou no palco encapuzado, estiloso ao extremo. Thom Yorke, ao chegar se remexendo todo, já deu um indício do que seria a noite. Devido a um toque do Mendel, prestei bastante anteção ao baterista – sensacional; se eu estivesse ali, não faria melhor. O baixista, praticamente o tempo inteiro ao lado da bateria, convocava o público à guerra, entre gestos de palmas e mímica. O outro guitarrista, o Eddie, dava um toque de sobriedade ao aparente caos que poderia emergir de uma hora para outra. Entretanto, caos nenhum vinha, apenas Thom remexendo feito um bicho, cantando como um anjo, provocando o delírio de todos que estávamos ali. Pura magia da Banda que poderia ser minha. As vísceras, os cacos de meu coração estavam no meio de trinta mil pessoas espremidas, espantadas com tanta riqueza. O show acontecia dentro do meu espírito; por mais de uma vez, saí de meu corpo, caminhei sobre as centenas de cabeças que me separavam do palco, e estive ali, abraçado ao Thom, ao lado do Jonny, rasgando a bateria, e morrendo mil vezes para nascer outras mil, como num ritual, como num culto. Talvez a alguém pareça herético de minha parte dizer que senti a presença de Deus ali naquele lugar. A quem assim pensar, ofereço minha compreensão, pois somente eu sei o que vi, o que senti. Eu vi meu sonho realizado por aqueles rapazes! Ali havia uma Banda de verdade! Muito além de qualquer outra, inatingível, absoluta. Uma nave espacial que pousou na Chácara Jóquei. Quando Karma Police foi executada, cantei arrepiado o “I lost Myself”. Feito um mosaico de fotos, passou em minha cabeça todos os momentos em que estive perdido, à procura dessa magia que, não sendo só minha, também é do Radiohead, do Ed, do Black. Creep, ao final, veio coroar
a noite perfeita que tivemos. Perfect Night in SP – este é o nome do primeiro disco da minha banda. Radiohead redimiu todos os meus fracassos musicais, trouxe à luz um adolescente remasterizado em pulos e gritos. Percebi que o mais importante de todo caminho, de toda viagem, de todo risco, é o encontro consigo mesmo. Não foi um apêndice, foi o ápice.Acho que o Lekso não vai entender; é possível que ninguém o faça. Contudo, isso não é importante. Algo fundamental ocorreu: eu entendi, e com isso foi resolvido um dos impasses da minha vida. Já posso investir em minha carreira musical solitária, com meu violão e minha voz desafinada. O verdadeiro nome da Banda sempre foi Radiohead. Os outros solitários, como Cohen, Dylan, Neil, são apenas meus amigos e parceiros. Nesse caminho que não tem fim, sigo andando debaixo do suave sol, em busca de nada além do que já está dentro de mim. Agradeço muito a Deus por me proteger da arrogância, por ter me dado o Radiohead e os grandes amigos que tenho. Acho que serei feliz algum dia. Tenho tudo que preciso. Sou finalmente quem eu gostaria de ser. Era isso que eu tinha a dizer.
Um dia o desejo de ter uma Banda entrou em meu coração. O maior responsável por isso foi o Alex (Lekso), que me fez acreditar na possibilidade de montarmos não apenas uma Banda de Rock, mas sim a Banda, aquela que seria a expressão maior do nosso desejo, da nossa vontade de quebrar barreiras e fazer as coisas da forma mais visceral que pudéssemos. Conversando com o Lekso, concluímos que a Banda teria por fundamento o amor à arte, num elo indestrutível que viria por abaixo muitas das bobagens que víamos. Ficou convencionado que eu aprenderia bateria, ele seria o vocalista, Rodrigo o guitarrista e Humberto levaria o baixo. Assim foi concebida a Banda, que teve dois nomes, para ao final, ficar sem nenhum... Primeiro a chamamos de “A Porra do Platão”, e depois de uma noite no quintal da minha casa, em que li o capítulo VII / O Delírio, do Memórias Póstumas de Brás Cubas, ela levou o nome de “Herbívoros do Delírio”. Após receber tão inusitados nomes, a Banda foi deixada de lado, tornando-se algo bastante pessoal entre mim o Lekso, uma espécie de sombra cuja morte se deu no show do Radiohead.Sempre estive disposto a esclarecer o significado desse desejo. Se é verdade que houve interrupções, especialmente por causa de uma pessoa com a qual convivi, é mais verdade ainda que dentro de mim a questão permanecia. Sendo bem aberto, a Banda, para mim, seria a fudeção total, algo que hoje posso fazer quando escrevo, quando canto ou toco violão. É que naquele tempo, 2004/2005, sentia a voz da arte a me convidar para dar o passo para o outro lado, no entanto havia muita insegurança e medo (daqueles que paralisam). A história do show da Sandy e Junior, no qual fomos afastados das “perninhas bacanas” da Sandy pela corda que separa os vips dos não vips, demonstra um pouco do que pretendíamos com nossa Banda. Jamais haveria área vip! Jamais seríamos babacas! Jamais deixaríamos que o sucesso tomasse conta! Teríamos, isso sim, a entrega completa de nossas almas, seria arte selvagem, uma verdadeira guerra contra o comodismo, contra a beleza enlatada, contra os undergrounds tolos. Seria algo único, sensacional, original, uma explosão, um tapa na cara... Seria mais ou menos como o Radiohead. Aí está. “Seria mais ou menos como o Radiohead”. Antes de viajar à São Paulo, ainda aqui em Montes Claros, numa visita relâmpago do Lekso, sentamos para conversar. Dentre os diversos assuntos, um foi sobre a viagem à São Paulo. Chegamos à conclusão de que o melhor lance do show seria a viagem, a companhia, as conversas. Então, quando coloquei o carro na estrada, estava convicto de que o Radiohead seria um apêndice de luxo às descobertas do caminho. Nem passava por minha cabeça aquilo que aconteceu no dia 22/03/2009. Radiohead, além de justificar o caminho, contribuiu para a solução do mistério. Naquela noite descobri que não preciso montar banda nenhuma.Jonny Grenwood entrou no palco encapuzado, estiloso ao extremo. Thom Yorke, ao chegar se remexendo todo, já deu um indício do que seria a noite. Devido a um toque do Mendel, prestei bastante anteção ao baterista – sensacional; se eu estivesse ali, não faria melhor. O baixista, praticamente o tempo inteiro ao lado da bateria, convocava o público à guerra, entre gestos de palmas e mímica. O outro guitarrista, o Eddie, dava um toque de sobriedade ao aparente caos que poderia emergir de uma hora para outra. Entretanto, caos nenhum vinha, apenas Thom remexendo feito um bicho, cantando como um anjo, provocando o delírio de todos que estávamos ali. Pura magia da Banda que poderia ser minha. As vísceras, os cacos de meu coração estavam no meio de trinta mil pessoas espremidas, espantadas com tanta riqueza. O show acontecia dentro do meu espírito; por mais de uma vez, saí de meu corpo, caminhei sobre as centenas de cabeças que me separavam do palco, e estive ali, abraçado ao Thom, ao lado do Jonny, rasgando a bateria, e morrendo mil vezes para nascer outras mil, como num ritual, como num culto. Talvez a alguém pareça herético de minha parte dizer que senti a presença de Deus ali naquele lugar. A quem assim pensar, ofereço minha compreensão, pois somente eu sei o que vi, o que senti. Eu vi meu sonho realizado por aqueles rapazes! Ali havia uma Banda de verdade! Muito além de qualquer outra, inatingível, absoluta. Uma nave espacial que pousou na Chácara Jóquei. Quando Karma Police foi executada, cantei arrepiado o “I lost Myself”. Feito um mosaico de fotos, passou em minha cabeça todos os momentos em que estive perdido, à procura dessa magia que, não sendo só minha, também é do Radiohead, do Ed, do Black. Creep, ao final, veio coroar
a noite perfeita que tivemos. Perfect Night in SP – este é o nome do primeiro disco da minha banda. Radiohead redimiu todos os meus fracassos musicais, trouxe à luz um adolescente remasterizado em pulos e gritos. Percebi que o mais importante de todo caminho, de toda viagem, de todo risco, é o encontro consigo mesmo. Não foi um apêndice, foi o ápice.Acho que o Lekso não vai entender; é possível que ninguém o faça. Contudo, isso não é importante. Algo fundamental ocorreu: eu entendi, e com isso foi resolvido um dos impasses da minha vida. Já posso investir em minha carreira musical solitária, com meu violão e minha voz desafinada. O verdadeiro nome da Banda sempre foi Radiohead. Os outros solitários, como Cohen, Dylan, Neil, são apenas meus amigos e parceiros. Nesse caminho que não tem fim, sigo andando debaixo do suave sol, em busca de nada além do que já está dentro de mim. Agradeço muito a Deus por me proteger da arrogância, por ter me dado o Radiohead e os grandes amigos que tenho. Acho que serei feliz algum dia. Tenho tudo que preciso. Sou finalmente quem eu gostaria de ser. Era isso que eu tinha a dizer.
Tudão
Postado por Zeca Camargo em 23 de março de 2009 às 09:58 na coluna do Zeca Camargo no G1
Tudo no seu lugar certo. Mesmo sem nunca ter ido a um show desses caras, eu já sabia que seria aquilo – a perfeição. De quem eu estou falando? No caso de alguém ter chegado agora de um retiro de dez anos no Círculo Polar Ártico, vale a pena dar um pouco mais de informação sobre nosso tema de hoje: a apresentação de uma das bandas mais esperadas por estas terras, que finalmente aconteceu neste fim de semana. Como diziam as manchetes de quando os Rolling Stones finalmente vieram ao Brasil, a espera acabou: o Radiohead tocou na sexta-feira (20) no Rio, e domingo (22), em São Paulo. Nessa segunda noite eu estava, digamos, “ocupado” – trabalhando. Mas a do Rio eu peguei, depois de um dia atribulado (minha sexta começou cedo em São Paulo entrevistando o estilista Marc Jacobs, e continuou numa usina de reciclagem de lixo no bairro do Caju, no Rio). Já no início da noite, de volta à Redação do “Fantástico”, eu olhava constantemente o relógio, torcendo para que a lista de coisas para adiantar não colocasse em risco a operação que eu tinha montado para ver o Radiohead no Sambódromo.
Veja fotos do show
Morto do pescoço para cima – essa era a minha imagem olhando para a tela do computador da minha mesa, às 20h30: um zumbi tentando ficar livre de todas as obrigações, para sair do bairro do Jardim Botânico no horário limite de não perder o show - 21h30 (não cheguei a duvidar nem por um momento da pontualidade prometida – e cumprida – pelo Radiohead). Saí no último segundo possível, e, quando o táxi me deixou na boca da Sapucaí – um lugar que costumo freqüentar só no Carnaval para experimentar a incomparável sensação de passar da concentração da escola onde saio para o desfile em si –, pouco depois das 22h, ao ouvir nos auto-falantes lá longe um reggae indistinto, sabia que aquela não era “minha” banda. Eu havia chegado no intervalo. E que não era entre Los Hermanos (que lamentavelmente perdi) e Kraftwerk (que adoraria ter visto mais uma vez), mas entre Kraftwerk e Radiohead. Alguma coisa estava para acontecer, porém…
Só porque você a sente, não significa que ela está ali. Será mesmo que eles, os caras do Radiohead iriam entrar dali a alguns minutos naquele palco? Obviamente, meu nível de expectativa estava nas alturas. Os amigos que encontrava pelo Sambódromo já estavam em diferentes níveis de, digamos, excitação – e eu tentava decidir em qual deles me encaixar. Antes que eu fizesse essa escolha, porém, como que trapaceado pelo meu relógio que esqueci de consultar, as luzes se apagam e em questão de segundos reconheço “15 step”. “Achtung baby!” – o show já é.
Eu costumava pensar que não existia futuro algum. Pelo menos não nos shows ao vivo. Meus leitores mais dedicados sabem – e quem já leu meu livro “De a-ha a U2” também – que eu tenho um “problema” com bandas se apresentando ao vivo. Essa é uma questão muito longa que não vale a pena discutir (novamente) hoje por aqui, mas basta dizer que eu sempre preferi a música gravada à interpretada no palco. No entanto, mesmo antes de “15 step” acabar, quando os primeiros acordes letais de “Airbag” ainda eram uma possibilidade, eu saquei que ali poderia voltar a sentir o mesmo entusiasmo por esse tipo de performance que vivi quando vi Kurt Cobain, no saudoso Hollywood Rock, cuspir nas lentes das câmeras que transmitiam o show do Nirvana ao vivo. Radiohead estava se apresentando – e, em questão de minutos, tinha tomado completamente o poder naquela noite: todos ali estavam irremediavelmente sob seu comando.
Por um minuto ali, eu me perdi. Estava tão atordoado de estar finalmente assistindo a um show do Radiohead que, a exemplo do fora que tomei de Michael Stipe (R.E.M.) quando me vi entrevistado esse grande ídolo pela primeira vez (ele, percebendo que eu estava à beira da tietagem, encerrou a entrevista na mesma hora – mais uma história do meu livro de encontros com os grandes nomes do pop), dei uma “descolada” de mim mesmo. Foi como se eu tivesse saído do meu corpo e tivesse tido assim a chance de ver eu mesmo vendo uma banda adorada tocar – e, pior (ou melhor?): como se eu não estivesse acreditando no que estava vendo. “There there”, “All I need”, “Karma Police”, “Nude”, “Weird fishes/Arpeggi” – o que estava acontecendo? Eu tinha a ilusão que eles estavam tocando todas as músicas que eu havia pedido. Será que Thom Yorke recebeu meu email? O bilhete que deixei na portaria do hotel?
Suas orelhas deveriam estar queimando. Não havia passado ainda nem uma hora de show, e você tinha a impressão de que já tinha ouvido todos os sons do universo. Mas aí, depois de “The national anthem” e “The gloaming” – ambas devastadoras – veio “Faust arp”. E tudo começou a desmoronar. Para cima. Na sua intrincada simplicidade, nos seus frágeis dois minutos e pouco, a música era o respiro necessário para fãs que, como eu, precisavam se conectar novamente com seus sentidos. Aos poucos, enquanto nossos pés se aproximavam novamente do chão, a serenidade ia voltando ao Sambódromo, e o único desejo desse humilde servo era que toda a experiência de até então, como diz a própria música, duplicasse e triplicasse. Um momento de paz, enfim – era o que eu pensava. Mas aí veio “No surprises”…
Eu estou surpreso que sobrevivi. Os cilindros iluminados, que definiam brilhantemente o espaço de apresentação da banda com cores, desenhos e movimentos coreografados, agora pintava uma forma geométrica estática, que lembrava uma igreja – mas nós ali na platéia sabíamos que não estávamos diante de nenhum templo, mas do próprio céu. O impacto dessa dobradinha (“Faust arp/No surprises”) certamente vai ter conseqüências para o resto da minha vida. Mas enquanto estava ali, assistindo tudo, sem tempo nem sobriedade para codificar o que se passava, quem disse que eu conseguia elaborar sobre isso? “Jigsaw falling into place” não me ajudou em nada a recobrar a consciência – e foi só no pequeno hiato entre essa música e a introdução da seguinte (que eu custava a reconhecer), que reencontrei algum equilíbrio. Foi então que ouvi Thom Yorke murmurar “who’s in the bunker?” – e tudo ficou novamente fora de controle.
Aqui eu podia tudo o tempo todo. E esse estranho sentimento não era só meu. Muitas pessoas em volta de mim que demoraram ainda mais que eu para reconhecer “Idioteque” (uma das cinco melhores faixas que o Radiohead já compôs, na minha opinião) já dançavam involuntariamente – como que tomados pelo transe de uma pista de dança surrada às 4h30 da manhã. Mas ainda era por volta de meia-noite (se é que eu podia confiar nos relógios à minha volta) e eu não sabia mais explicar nada. “I might be wrong”, “Street spirit (fade out)”, “Bodysnatchers” e “How to disappear completely” encerraram o que era – um pouco obviamente demais – um “boa noite” de mentira.
Você vai para o inferno pelo que sua mente suja está pensando. Mas mesmo assim, você (e todo mundo) não sai do lugar desejando que o Radiohead voltasse logo e tocasse aquelas músicas que você passava incessantemente pela cabeça – as que você não tinha ouvido ainda. E poucos minutos depois, como que para recompensar esse seu esforço mnemônico, eles entram como uma seqüência inacreditável: “Videotape” (a segunda melhor faixa de “In rainbows”, depois de “Faust arp”), “Paranoid android” (!!!), “House of cards” (com o mantra “I don’t want to be your friend, I just want to be your lover”), “Just” (das antigas!), e, claro, “Everything in its right place”. Achei que tinha terminado. Fui deixando a praça da Apoteose vagarosamente, ainda com os ecos da introdução inesquecível da faixa de abertura de “Kid A”, quando, da maneira mais discreta possível, Yorke volta ao palco para cantar “You and whose army?” – discrição, no caso, marcada pela imagem do rosto multiforme do cantor cantando bem próximo a uma das câmeras do palco, enquanto também trabalhava o teclado. “Reckoner” veio em seguida – e, embora impecável, parecia uma canção improvável para fechar uma apresentação desse porte. Eles tinham que cantar mais uma… talvez “aquela”? Meu palpite era de que eles viriam com “Fake plastic trees” – que embora não fosse das mais animadas do cânone “radioheadiano”, fecharia o “set” como um clássico indiscutível. Mas aí veio “Creep”.
A poeira e a gritaria. Era só isso que eu via quando, com as luzes todas do palco no talo – e ajustadas para emitir um branco intenso –, vinha aquele refrão surreal, o maior hino (ao lado de “Loser”, de Beck) ao fracasso da adolescência que não acaba nunca. De vez em quando um flash multicolorido quebrava aquela claridade, surpreendendo os olhos que achavam que já tinham registrado todas as variações possíveis dos criativos enquadramentos dos próprios membros da banda pelo palco, projetados nos telões eletrônicos. “What the hell I’m doing here?” – quisera eu saber…
Sem alarmes e sem surpresas. Isso que acabei de relatar aqui – uma descrição aproximada da experiência de assistir ao primeiro show do Radiohead no Brasil –, por mais arrebatador que possa parecer, era exatamente o que eu esperava. Aliás, foi mais: eu esperava tudo – e veio “tudão”. Lá dos idos de 1993 – quando eu, por acaso, capturei a banda na primeira entrevista para a televisão da carreira deles (sim, outra história contada em “De a-ha a U2”) – até a primeira audição (e todas as outras que vieram) de “In rainbows”, eu já contava com isso. A surpresa maior seria se eles não cumprissem essa promessa. Mas eles não fariam isso comigo – nem com ninguém. E é por isso que prestei uma pequena homenagem à banda neste texto que, muito provavelmente, eles nunca vão ter a chance de ler. Que homenagem? Você me acompanhou até aqui e ainda não percebeu? Tem certeza de que é um fã do Radiohead? Se você descobriu a “charada”, seu comentário com a resposta será tão bem-vindo quanto outras opiniões sobre o show (a sede de saber o que as outras pessoas acharam desse evento é insaciável – passei o fim de semana discutindo esse assunto, e ainda quero mais!). Se não sacou ainda, na quinta eu desvendo o mistério. Quer uma pista para ajudar? O segredo está sempre no começo de tudo…
Tudo no seu lugar certo. Mesmo sem nunca ter ido a um show desses caras, eu já sabia que seria aquilo – a perfeição. De quem eu estou falando? No caso de alguém ter chegado agora de um retiro de dez anos no Círculo Polar Ártico, vale a pena dar um pouco mais de informação sobre nosso tema de hoje: a apresentação de uma das bandas mais esperadas por estas terras, que finalmente aconteceu neste fim de semana. Como diziam as manchetes de quando os Rolling Stones finalmente vieram ao Brasil, a espera acabou: o Radiohead tocou na sexta-feira (20) no Rio, e domingo (22), em São Paulo. Nessa segunda noite eu estava, digamos, “ocupado” – trabalhando. Mas a do Rio eu peguei, depois de um dia atribulado (minha sexta começou cedo em São Paulo entrevistando o estilista Marc Jacobs, e continuou numa usina de reciclagem de lixo no bairro do Caju, no Rio). Já no início da noite, de volta à Redação do “Fantástico”, eu olhava constantemente o relógio, torcendo para que a lista de coisas para adiantar não colocasse em risco a operação que eu tinha montado para ver o Radiohead no Sambódromo.
Veja fotos do show
Morto do pescoço para cima – essa era a minha imagem olhando para a tela do computador da minha mesa, às 20h30: um zumbi tentando ficar livre de todas as obrigações, para sair do bairro do Jardim Botânico no horário limite de não perder o show - 21h30 (não cheguei a duvidar nem por um momento da pontualidade prometida – e cumprida – pelo Radiohead). Saí no último segundo possível, e, quando o táxi me deixou na boca da Sapucaí – um lugar que costumo freqüentar só no Carnaval para experimentar a incomparável sensação de passar da concentração da escola onde saio para o desfile em si –, pouco depois das 22h, ao ouvir nos auto-falantes lá longe um reggae indistinto, sabia que aquela não era “minha” banda. Eu havia chegado no intervalo. E que não era entre Los Hermanos (que lamentavelmente perdi) e Kraftwerk (que adoraria ter visto mais uma vez), mas entre Kraftwerk e Radiohead. Alguma coisa estava para acontecer, porém…
Só porque você a sente, não significa que ela está ali. Será mesmo que eles, os caras do Radiohead iriam entrar dali a alguns minutos naquele palco? Obviamente, meu nível de expectativa estava nas alturas. Os amigos que encontrava pelo Sambódromo já estavam em diferentes níveis de, digamos, excitação – e eu tentava decidir em qual deles me encaixar. Antes que eu fizesse essa escolha, porém, como que trapaceado pelo meu relógio que esqueci de consultar, as luzes se apagam e em questão de segundos reconheço “15 step”. “Achtung baby!” – o show já é.
Eu costumava pensar que não existia futuro algum. Pelo menos não nos shows ao vivo. Meus leitores mais dedicados sabem – e quem já leu meu livro “De a-ha a U2” também – que eu tenho um “problema” com bandas se apresentando ao vivo. Essa é uma questão muito longa que não vale a pena discutir (novamente) hoje por aqui, mas basta dizer que eu sempre preferi a música gravada à interpretada no palco. No entanto, mesmo antes de “15 step” acabar, quando os primeiros acordes letais de “Airbag” ainda eram uma possibilidade, eu saquei que ali poderia voltar a sentir o mesmo entusiasmo por esse tipo de performance que vivi quando vi Kurt Cobain, no saudoso Hollywood Rock, cuspir nas lentes das câmeras que transmitiam o show do Nirvana ao vivo. Radiohead estava se apresentando – e, em questão de minutos, tinha tomado completamente o poder naquela noite: todos ali estavam irremediavelmente sob seu comando.
Por um minuto ali, eu me perdi. Estava tão atordoado de estar finalmente assistindo a um show do Radiohead que, a exemplo do fora que tomei de Michael Stipe (R.E.M.) quando me vi entrevistado esse grande ídolo pela primeira vez (ele, percebendo que eu estava à beira da tietagem, encerrou a entrevista na mesma hora – mais uma história do meu livro de encontros com os grandes nomes do pop), dei uma “descolada” de mim mesmo. Foi como se eu tivesse saído do meu corpo e tivesse tido assim a chance de ver eu mesmo vendo uma banda adorada tocar – e, pior (ou melhor?): como se eu não estivesse acreditando no que estava vendo. “There there”, “All I need”, “Karma Police”, “Nude”, “Weird fishes/Arpeggi” – o que estava acontecendo? Eu tinha a ilusão que eles estavam tocando todas as músicas que eu havia pedido. Será que Thom Yorke recebeu meu email? O bilhete que deixei na portaria do hotel?
Suas orelhas deveriam estar queimando. Não havia passado ainda nem uma hora de show, e você tinha a impressão de que já tinha ouvido todos os sons do universo. Mas aí, depois de “The national anthem” e “The gloaming” – ambas devastadoras – veio “Faust arp”. E tudo começou a desmoronar. Para cima. Na sua intrincada simplicidade, nos seus frágeis dois minutos e pouco, a música era o respiro necessário para fãs que, como eu, precisavam se conectar novamente com seus sentidos. Aos poucos, enquanto nossos pés se aproximavam novamente do chão, a serenidade ia voltando ao Sambódromo, e o único desejo desse humilde servo era que toda a experiência de até então, como diz a própria música, duplicasse e triplicasse. Um momento de paz, enfim – era o que eu pensava. Mas aí veio “No surprises”…
Eu estou surpreso que sobrevivi. Os cilindros iluminados, que definiam brilhantemente o espaço de apresentação da banda com cores, desenhos e movimentos coreografados, agora pintava uma forma geométrica estática, que lembrava uma igreja – mas nós ali na platéia sabíamos que não estávamos diante de nenhum templo, mas do próprio céu. O impacto dessa dobradinha (“Faust arp/No surprises”) certamente vai ter conseqüências para o resto da minha vida. Mas enquanto estava ali, assistindo tudo, sem tempo nem sobriedade para codificar o que se passava, quem disse que eu conseguia elaborar sobre isso? “Jigsaw falling into place” não me ajudou em nada a recobrar a consciência – e foi só no pequeno hiato entre essa música e a introdução da seguinte (que eu custava a reconhecer), que reencontrei algum equilíbrio. Foi então que ouvi Thom Yorke murmurar “who’s in the bunker?” – e tudo ficou novamente fora de controle.
Aqui eu podia tudo o tempo todo. E esse estranho sentimento não era só meu. Muitas pessoas em volta de mim que demoraram ainda mais que eu para reconhecer “Idioteque” (uma das cinco melhores faixas que o Radiohead já compôs, na minha opinião) já dançavam involuntariamente – como que tomados pelo transe de uma pista de dança surrada às 4h30 da manhã. Mas ainda era por volta de meia-noite (se é que eu podia confiar nos relógios à minha volta) e eu não sabia mais explicar nada. “I might be wrong”, “Street spirit (fade out)”, “Bodysnatchers” e “How to disappear completely” encerraram o que era – um pouco obviamente demais – um “boa noite” de mentira.
Você vai para o inferno pelo que sua mente suja está pensando. Mas mesmo assim, você (e todo mundo) não sai do lugar desejando que o Radiohead voltasse logo e tocasse aquelas músicas que você passava incessantemente pela cabeça – as que você não tinha ouvido ainda. E poucos minutos depois, como que para recompensar esse seu esforço mnemônico, eles entram como uma seqüência inacreditável: “Videotape” (a segunda melhor faixa de “In rainbows”, depois de “Faust arp”), “Paranoid android” (!!!), “House of cards” (com o mantra “I don’t want to be your friend, I just want to be your lover”), “Just” (das antigas!), e, claro, “Everything in its right place”. Achei que tinha terminado. Fui deixando a praça da Apoteose vagarosamente, ainda com os ecos da introdução inesquecível da faixa de abertura de “Kid A”, quando, da maneira mais discreta possível, Yorke volta ao palco para cantar “You and whose army?” – discrição, no caso, marcada pela imagem do rosto multiforme do cantor cantando bem próximo a uma das câmeras do palco, enquanto também trabalhava o teclado. “Reckoner” veio em seguida – e, embora impecável, parecia uma canção improvável para fechar uma apresentação desse porte. Eles tinham que cantar mais uma… talvez “aquela”? Meu palpite era de que eles viriam com “Fake plastic trees” – que embora não fosse das mais animadas do cânone “radioheadiano”, fecharia o “set” como um clássico indiscutível. Mas aí veio “Creep”.
A poeira e a gritaria. Era só isso que eu via quando, com as luzes todas do palco no talo – e ajustadas para emitir um branco intenso –, vinha aquele refrão surreal, o maior hino (ao lado de “Loser”, de Beck) ao fracasso da adolescência que não acaba nunca. De vez em quando um flash multicolorido quebrava aquela claridade, surpreendendo os olhos que achavam que já tinham registrado todas as variações possíveis dos criativos enquadramentos dos próprios membros da banda pelo palco, projetados nos telões eletrônicos. “What the hell I’m doing here?” – quisera eu saber…
Sem alarmes e sem surpresas. Isso que acabei de relatar aqui – uma descrição aproximada da experiência de assistir ao primeiro show do Radiohead no Brasil –, por mais arrebatador que possa parecer, era exatamente o que eu esperava. Aliás, foi mais: eu esperava tudo – e veio “tudão”. Lá dos idos de 1993 – quando eu, por acaso, capturei a banda na primeira entrevista para a televisão da carreira deles (sim, outra história contada em “De a-ha a U2”) – até a primeira audição (e todas as outras que vieram) de “In rainbows”, eu já contava com isso. A surpresa maior seria se eles não cumprissem essa promessa. Mas eles não fariam isso comigo – nem com ninguém. E é por isso que prestei uma pequena homenagem à banda neste texto que, muito provavelmente, eles nunca vão ter a chance de ler. Que homenagem? Você me acompanhou até aqui e ainda não percebeu? Tem certeza de que é um fã do Radiohead? Se você descobriu a “charada”, seu comentário com a resposta será tão bem-vindo quanto outras opiniões sobre o show (a sede de saber o que as outras pessoas acharam desse evento é insaciável – passei o fim de semana discutindo esse assunto, e ainda quero mais!). Se não sacou ainda, na quinta eu desvendo o mistério. Quer uma pista para ajudar? O segredo está sempre no começo de tudo…
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
Rebobine, Por Favor
Texto revisado com a colaboração de Samantha Rodrigues e publicado originalmente no Ogrolândia.
Em cartaz nos cinemas, Rebobine, Por Favor é uma inusitada comédia dirigida por Michel Gondry (de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças) e protagonizada por Jack Black, Mos Def, Danny Glover e Mia Farrow. Com o uso expressivo da metalinguagem, esta delirante produção pode dar um novo ânimo a este gênero que tem andado, nos últimos anos, em franco declínio.
Na estória, Fletcher (Danny Glover) é dono de uma decadente locadora de fitas VHS. Certo dia, deixa a lojinha aos cuidados de seu funcionário Mike (Mos Def) para fazer uma viagem. Os problemas começam quando Jerry (Jack Black), seu desmiolado amigo, apaga, acidentalmente, o conteúdo de todas as fitas da locadora. Desesperado, Mike resolve refilmar, por conta própria, e com a ajuda de Jerry, o filme Os Caça-Fantasmas, para satisfazer a uma cliente fiel (Mia Farrow).
Na sequência, os dois são obrigados a fazer mais e mais filmes para atender aos clientes que chegam. Acontece que estas toscas recriações viram uma inacreditável febre no bairro e a locadorazinha fica lotada de clientes em busca das tais fitas, a despeito da cara-de-pau dos dois amigos na "administração" da trapalhada. Aos poucos, de tanta demanda, a própria comunidade vai se envolvendo nas refilmagens. Com criatividade à toda prova, Mike e Jerry conseguem com pouquíssimos recursos, soluções sensacionais para remontagens de Robocop, A Hora do Rush 2, King Kong, Conduzindo Miss Daisy, e mais uma pá de filmes!
O diretor Michel Gondry consegue, assim, trazer com Rebobine, Por Favor, um pouco de uma certa nostalgia perdida da Sétima Arte e, simultaneamente, uma reflexão sobre o que é (ou o que se tornou) o Cinema hoje. Primeiro porque presta uma bela homenagem a diversos filmes dos Anos 70 e 80, verdadeiros “Clássicos de Sessão da Tarde”, e que nas hilárias versões de Mike e Jerry demonstram que, embora alguns deles estejam longe de ser filmes primorosos, já fazem parte do imaginário popular e a sua lembrança nos remete a tempos que foram, enfim, bastante prolíficos na indústria cinematográfica.
E, desta forma, dá um recado direto aos todos-poderosos magnatas dos grandes estúdios, de que é possível fazer bons e divertidos filmes sem recorrer a orçamentos estratosféricos, cachês irreais, campanhas de publicidade esmagadoras, e milhares e milhares de horas de efeitos especiais trabalhadas em estúdios de computação.
O que Michel Gondry vem lembrar para os ranzinzas da Era Digital é que a mágica do Cinema não advém somente da tecnologia gráfica de última geração, entremeados pelas caras e bocas de atrizes e atores bonitões. Ele mostra que a criatividade nas soluções visuais, de roteiro e de edição podem, sim, fazer a diferença. Mas, principalmente, quer mostrar que a abertura do espaço produtivo para a participação das pessoas, a possibilidade de absorção de diversas idéias (mesmo as que seriam, em princípio, as mais estapafúrdias), e a experimentação pura e simples, incluindo, desta forma, a possibilidade libertadora do erro, podem constituir uma saída para a pasteurização e a mesmice da produção cinematográfica atual.
Em cartaz nos cinemas, Rebobine, Por Favor é uma inusitada comédia dirigida por Michel Gondry (de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças) e protagonizada por Jack Black, Mos Def, Danny Glover e Mia Farrow. Com o uso expressivo da metalinguagem, esta delirante produção pode dar um novo ânimo a este gênero que tem andado, nos últimos anos, em franco declínio.
Na estória, Fletcher (Danny Glover) é dono de uma decadente locadora de fitas VHS. Certo dia, deixa a lojinha aos cuidados de seu funcionário Mike (Mos Def) para fazer uma viagem. Os problemas começam quando Jerry (Jack Black), seu desmiolado amigo, apaga, acidentalmente, o conteúdo de todas as fitas da locadora. Desesperado, Mike resolve refilmar, por conta própria, e com a ajuda de Jerry, o filme Os Caça-Fantasmas, para satisfazer a uma cliente fiel (Mia Farrow).
Na sequência, os dois são obrigados a fazer mais e mais filmes para atender aos clientes que chegam. Acontece que estas toscas recriações viram uma inacreditável febre no bairro e a locadorazinha fica lotada de clientes em busca das tais fitas, a despeito da cara-de-pau dos dois amigos na "administração" da trapalhada. Aos poucos, de tanta demanda, a própria comunidade vai se envolvendo nas refilmagens. Com criatividade à toda prova, Mike e Jerry conseguem com pouquíssimos recursos, soluções sensacionais para remontagens de Robocop, A Hora do Rush 2, King Kong, Conduzindo Miss Daisy, e mais uma pá de filmes!
O diretor Michel Gondry consegue, assim, trazer com Rebobine, Por Favor, um pouco de uma certa nostalgia perdida da Sétima Arte e, simultaneamente, uma reflexão sobre o que é (ou o que se tornou) o Cinema hoje. Primeiro porque presta uma bela homenagem a diversos filmes dos Anos 70 e 80, verdadeiros “Clássicos de Sessão da Tarde”, e que nas hilárias versões de Mike e Jerry demonstram que, embora alguns deles estejam longe de ser filmes primorosos, já fazem parte do imaginário popular e a sua lembrança nos remete a tempos que foram, enfim, bastante prolíficos na indústria cinematográfica.
E, desta forma, dá um recado direto aos todos-poderosos magnatas dos grandes estúdios, de que é possível fazer bons e divertidos filmes sem recorrer a orçamentos estratosféricos, cachês irreais, campanhas de publicidade esmagadoras, e milhares e milhares de horas de efeitos especiais trabalhadas em estúdios de computação.
O que Michel Gondry vem lembrar para os ranzinzas da Era Digital é que a mágica do Cinema não advém somente da tecnologia gráfica de última geração, entremeados pelas caras e bocas de atrizes e atores bonitões. Ele mostra que a criatividade nas soluções visuais, de roteiro e de edição podem, sim, fazer a diferença. Mas, principalmente, quer mostrar que a abertura do espaço produtivo para a participação das pessoas, a possibilidade de absorção de diversas idéias (mesmo as que seriam, em princípio, as mais estapafúrdias), e a experimentação pura e simples, incluindo, desta forma, a possibilidade libertadora do erro, podem constituir uma saída para a pasteurização e a mesmice da produção cinematográfica atual.
terça-feira, janeiro 27, 2009
A Volta do Bloguêmio
Ele Voltou, O Bloguêmio voltou novamente... partiu daqui tão contente porque razão quer voltar...
Estive sim um pouco afastado de algumas areas de interesse minhas, estive sim. O que eu sonhava eram outros sonhos e assim fui seguir vivendo em paz.
Porém, ah porém, foi um caso diferente que marcou um breve tempo, meu coração para sempre. Não era um dia de carnaval, eu carregava uma tristeza, e não pensava em novo amor; quando alguém que bem me lembro anunciou: era ela, era ela... uma moça trazendo a alvorada, meu coração conquistou.
Lá no Bar, lá no bar sempre houve alegria, eu vivia tão contente, como contente agora de volta eu estou. Mas comparar isso com o sonho seria o fim, e vou calar... pois não pretendo, leitor, te chatear.
Quando eu, antes do sonho, eu achava a vida chata, sim eu tinha minha história, meu prazeres e minhas glórias. Tudo bem mas eu senti que precisava me mover.
E do Blog, do bar, dos amigos, dos filmes, gibis, livros e séries, fui desatento.
E o porque deste dezelo, é claro hoje...
Se antes acompanhava (ou escrevia, ou comparecia ou via e falava) sempre e tanto. Depois como que por obra de um encanto. Para um único foco desviei meu pesamento. Priorizei em vários momentos, o meu amor, e desprezei meus contos, e meus amigos, e os meus encantos. Foi sem pesar e com contentamento. Assim eu fui viver o amor (que tive). Não foi imortal, posto que era chama, mas foi infinito em seu durante.
(cansei de ficar parodiando)
(já traduzindo o acima)
Deixei esse espaço um pouco, largado nos últimos tempos, assim como também minha vida social, e outros intereeses e atividades de normalmente. Estive cansado, com outra proridades, e por último, a namorada, em quem concentrei meu tempo e energia nos últimos 5 meses.
Não deu certo, que se há de fazer...
Volto para minhas atividades normais. E venho com energia, e neste espaço por exemplo, pretendo discorrer sobre assuntos passados, que eu acho que mereciam a minha atenção, e que não foram aqui debatidos:
Jogos Olímpicos (e não olimpíada, cujo significado é um espaço de tempo de 4 anos). Obama, Lost, Fringe, Eleições, Os Vingadores, LHC e a Constituição que fez vinte anos. Entre o que mais eu e lembrar... talvez até o Lindemberg, ou os Cruzeiros Hippies e Águas de SC e de MG, ES, RJ e até MA, sei lá...
Mas, Vou começar, com meu próprio relacionamento. Melhor. Com o Fim dele. Melhor ainda. Sobre como eu o vejo.
Há 11 dias, depois de um dia terrível, que prefiro nem comentar. A moça me diz coisas como ela me vê. Uma pessoa que parece não ter vontades. Uma figura que não se impõe, que não decide. Alguém para quem parece que sempre, tanto faz. Extremamente dependente. completamente incapaz de assumir as responsabilidades referentes a realização do meu propalado objetivo de vida (que para ela, seria falso) que é formar família e descendência. E que nem parecia uma figura masculina.
Ouvi, respondi que a agressão, o diminuimento e a humilhação, não eram necessários e nem eficientes. Se ela queria terminar bastava dizer esta intenção, essa vontade. E pronto, eu ainda poderia ir embora com uma boa lembrança, até.
Ela diz que não. que não era isso. Que no tempo só, viu que havia coisas que precisavam mudar, e queria conversar sobre...
Desconstruí então tudo que ela disse. Dependência, não tenho nenhuma. Tenho planejamento, e por isso dou um passo de cada vez. Vontades: tenho. Decisões: tenho. Mas que tenho também jogo de cintura e negociação. E disse também que a própria personalidade dela exigia tais qualidades.
Reiterei que o julgamento que ela fazia de casos pontuais eram inconsistentes quando se observado o todo, mas que isso não modificava o direito dela de tomar qualquer decisão que quisesse, sem ter que justificá-la.
Por motivos outros, paramos por aí nesse dia... Mas ela ligou e quis conversar. Marcou. Desmarcou. Marcou de novo. Esqueceu. Ligou outra vez. E por fim, ontem depois de 10 dias estive na casa dela para esta conversa.
Confesso que me surpreendi, quando ela reciclou o discurso de sábado, e disse as mesmas coisas de uma outra forma. Perguntou se eu tinha então entendido... - ao que tive que responder... que a mensagem tinha sido recebida, antes mesmo de nosso diálogo de 10 dias antes, mesmo que os argumentos fossem incoerentes e inconssitentes com a realidade, além de incompatíveis com sua própria personalidade...
Ela enfim disse... que éramos muito diferentes... que ela nunca acreditou no sucesso, apesar de ter tentado, e que não tinha nenhum motivo para me admirar...
Me senti como Platão em Teeteto. Parindo as ideias.
Neste ponto, eu até satisfeito pelo resultado de nosso colóquio, e sentindo que ela não tinha mais nada a dizer...
- Sem mais para o momento... - ela: "até a próxima... " - e me fui...
É nesse ponto que está o ovo de colombo.
Saí e sem saber o que ia fazer caminhei um pouco, depois de já bastante tempo vi um táxi vindo em minha direção, e como num arco-reflexo, sinalizei pra ele...
Entrei no carro o taxista, um tiozinho gordo, ouvia rádio favela, bem baixinho, Bolero do Lero-lero. Batuquei, ele viu, perguntou se podia aumentar, assenti. ele aumentou e começou a conversar.
Conversa de taxista: o tempo, o transito, as pessoas, a politica, a vida.
Chego em casa, pago o motorista, e aí ele me diz: " muito bacana essa corrida, bacana quando a gente pega uma pessoa otimista e iluminada como você"
Aí que eu me dei conta de como eu estava leve. Fui dispensado, e ao contrário das outras vezes que algo assim me aconteceu , minha auto estima subiu. E não foi no telhado. O que eu fui criticado, foi por fazer coisas que mostram o tanto que eu sou bacana. Estou com a consciência tranquila e sei que fiz o meu melhor, e esse melhor foi bastante bom.
Tem a saudade, tem a decepção, com a pessoa e com a situação. Tem que lidar com o fracasso, é verdade. Mas também tem mais tempo livre para atividades que estavam postas de lado. Tem custo de vida mais baixo. E principalmente a certeza de que agi correto, não magoei ninguém, e cuidei da relação com todo esmero que me foi possível.
Keila Pinto Guimarães é sem dúvida a melhor namorada que tive até então. Mas eu saio tão bem depois dela que digo que ela é a pior da série que se iniciou com ela, porque depois dela não tolerarei nada que seja pelo menos tão interessante quanto.
Para ela meu desejo de toda sorte do mundo. E que ela realiza seus projetos, pessoais profissionais e tenha uma vida como ela sonha. Se ela encontrar alguém, neste momento, eu desejo que seja alguém que além dela conseguir admirar, que tenha mais jogo de cintura, capacidade de entendimento e negociação do que eu; e nunca menos, porque senão ela entrará em outra espiral descendente. E que ela também aprenda a agir com o outro dessa mesma forma, mais serena, para que as coisas possam fluir da melhor forma possível.
Se a obra deste trabalho não foi concluída é que malhei em ferro frio, ou melhor se a relação não frutificou, foi porque semeei em terreno pedregoso. Mas aí eu cito o Henfil e não reclamo:
Se não houver frutos,
valeu pela beleza das flores.
Se não houver flores,
Valeu pela sombra das folhas.
Se não houver folhas,
Valeu a intenção da semente.
Estive sim um pouco afastado de algumas areas de interesse minhas, estive sim. O que eu sonhava eram outros sonhos e assim fui seguir vivendo em paz.
Porém, ah porém, foi um caso diferente que marcou um breve tempo, meu coração para sempre. Não era um dia de carnaval, eu carregava uma tristeza, e não pensava em novo amor; quando alguém que bem me lembro anunciou: era ela, era ela... uma moça trazendo a alvorada, meu coração conquistou.
Lá no Bar, lá no bar sempre houve alegria, eu vivia tão contente, como contente agora de volta eu estou. Mas comparar isso com o sonho seria o fim, e vou calar... pois não pretendo, leitor, te chatear.
Quando eu, antes do sonho, eu achava a vida chata, sim eu tinha minha história, meu prazeres e minhas glórias. Tudo bem mas eu senti que precisava me mover.
E do Blog, do bar, dos amigos, dos filmes, gibis, livros e séries, fui desatento.
E o porque deste dezelo, é claro hoje...
Se antes acompanhava (ou escrevia, ou comparecia ou via e falava) sempre e tanto. Depois como que por obra de um encanto. Para um único foco desviei meu pesamento. Priorizei em vários momentos, o meu amor, e desprezei meus contos, e meus amigos, e os meus encantos. Foi sem pesar e com contentamento. Assim eu fui viver o amor (que tive). Não foi imortal, posto que era chama, mas foi infinito em seu durante.
(cansei de ficar parodiando)
(já traduzindo o acima)
Deixei esse espaço um pouco, largado nos últimos tempos, assim como também minha vida social, e outros intereeses e atividades de normalmente. Estive cansado, com outra proridades, e por último, a namorada, em quem concentrei meu tempo e energia nos últimos 5 meses.
Não deu certo, que se há de fazer...
Volto para minhas atividades normais. E venho com energia, e neste espaço por exemplo, pretendo discorrer sobre assuntos passados, que eu acho que mereciam a minha atenção, e que não foram aqui debatidos:
Jogos Olímpicos (e não olimpíada, cujo significado é um espaço de tempo de 4 anos). Obama, Lost, Fringe, Eleições, Os Vingadores, LHC e a Constituição que fez vinte anos. Entre o que mais eu e lembrar... talvez até o Lindemberg, ou os Cruzeiros Hippies e Águas de SC e de MG, ES, RJ e até MA, sei lá...
Mas, Vou começar, com meu próprio relacionamento. Melhor. Com o Fim dele. Melhor ainda. Sobre como eu o vejo.
Há 11 dias, depois de um dia terrível, que prefiro nem comentar. A moça me diz coisas como ela me vê. Uma pessoa que parece não ter vontades. Uma figura que não se impõe, que não decide. Alguém para quem parece que sempre, tanto faz. Extremamente dependente. completamente incapaz de assumir as responsabilidades referentes a realização do meu propalado objetivo de vida (que para ela, seria falso) que é formar família e descendência. E que nem parecia uma figura masculina.
Ouvi, respondi que a agressão, o diminuimento e a humilhação, não eram necessários e nem eficientes. Se ela queria terminar bastava dizer esta intenção, essa vontade. E pronto, eu ainda poderia ir embora com uma boa lembrança, até.
Ela diz que não. que não era isso. Que no tempo só, viu que havia coisas que precisavam mudar, e queria conversar sobre...
Desconstruí então tudo que ela disse. Dependência, não tenho nenhuma. Tenho planejamento, e por isso dou um passo de cada vez. Vontades: tenho. Decisões: tenho. Mas que tenho também jogo de cintura e negociação. E disse também que a própria personalidade dela exigia tais qualidades.
Reiterei que o julgamento que ela fazia de casos pontuais eram inconsistentes quando se observado o todo, mas que isso não modificava o direito dela de tomar qualquer decisão que quisesse, sem ter que justificá-la.
Por motivos outros, paramos por aí nesse dia... Mas ela ligou e quis conversar. Marcou. Desmarcou. Marcou de novo. Esqueceu. Ligou outra vez. E por fim, ontem depois de 10 dias estive na casa dela para esta conversa.
Confesso que me surpreendi, quando ela reciclou o discurso de sábado, e disse as mesmas coisas de uma outra forma. Perguntou se eu tinha então entendido... - ao que tive que responder... que a mensagem tinha sido recebida, antes mesmo de nosso diálogo de 10 dias antes, mesmo que os argumentos fossem incoerentes e inconssitentes com a realidade, além de incompatíveis com sua própria personalidade...
Ela enfim disse... que éramos muito diferentes... que ela nunca acreditou no sucesso, apesar de ter tentado, e que não tinha nenhum motivo para me admirar...
Me senti como Platão em Teeteto. Parindo as ideias.
Neste ponto, eu até satisfeito pelo resultado de nosso colóquio, e sentindo que ela não tinha mais nada a dizer...
- Sem mais para o momento... - ela: "até a próxima... " - e me fui...
É nesse ponto que está o ovo de colombo.
Saí e sem saber o que ia fazer caminhei um pouco, depois de já bastante tempo vi um táxi vindo em minha direção, e como num arco-reflexo, sinalizei pra ele...
Entrei no carro o taxista, um tiozinho gordo, ouvia rádio favela, bem baixinho, Bolero do Lero-lero. Batuquei, ele viu, perguntou se podia aumentar, assenti. ele aumentou e começou a conversar.
Conversa de taxista: o tempo, o transito, as pessoas, a politica, a vida.
Chego em casa, pago o motorista, e aí ele me diz: " muito bacana essa corrida, bacana quando a gente pega uma pessoa otimista e iluminada como você"
Aí que eu me dei conta de como eu estava leve. Fui dispensado, e ao contrário das outras vezes que algo assim me aconteceu , minha auto estima subiu. E não foi no telhado. O que eu fui criticado, foi por fazer coisas que mostram o tanto que eu sou bacana. Estou com a consciência tranquila e sei que fiz o meu melhor, e esse melhor foi bastante bom.
Tem a saudade, tem a decepção, com a pessoa e com a situação. Tem que lidar com o fracasso, é verdade. Mas também tem mais tempo livre para atividades que estavam postas de lado. Tem custo de vida mais baixo. E principalmente a certeza de que agi correto, não magoei ninguém, e cuidei da relação com todo esmero que me foi possível.
Keila Pinto Guimarães é sem dúvida a melhor namorada que tive até então. Mas eu saio tão bem depois dela que digo que ela é a pior da série que se iniciou com ela, porque depois dela não tolerarei nada que seja pelo menos tão interessante quanto.
Para ela meu desejo de toda sorte do mundo. E que ela realiza seus projetos, pessoais profissionais e tenha uma vida como ela sonha. Se ela encontrar alguém, neste momento, eu desejo que seja alguém que além dela conseguir admirar, que tenha mais jogo de cintura, capacidade de entendimento e negociação do que eu; e nunca menos, porque senão ela entrará em outra espiral descendente. E que ela também aprenda a agir com o outro dessa mesma forma, mais serena, para que as coisas possam fluir da melhor forma possível.
Se a obra deste trabalho não foi concluída é que malhei em ferro frio, ou melhor se a relação não frutificou, foi porque semeei em terreno pedregoso. Mas aí eu cito o Henfil e não reclamo:
Se não houver frutos,
valeu pela beleza das flores.
Se não houver flores,
Valeu pela sombra das folhas.
Se não houver folhas,
Valeu a intenção da semente.
terça-feira, janeiro 13, 2009
O Doutor e o Inseto
(PUBLICADO ORIGINALMENTE NO http://ogrolandia.blogspot.com/, DO MENDELSON)
Sexta-feira. Eu estava lavando o meu rosto na pia do banheiro, quando senti um leve roçar por entre os dedos do meu pé esquerdo. Em meio segundo conclui que aquilo só poderia ser uma barata trançando sobre o tapete. Nesse instante, dei um passo rápido para trás. Esse movimento certamente a assustou porque quando dobrei os joelhos para ver aonde a danada estava, não a encontrei. Passei a vista, então, por todo o banheiro. Dei outro passo para trás, uma olhada mais minuciosa e nada. Acendi a luz do quarto ao lado: niente... Quando, de repente, vi algo subindo pelo marco da porta. Pronto. Lá estava ela.Logo fui buscar o inseticida no armarinho da área de serviço. Com a experiência adquirida em exterminar las cucarachas para a minha mãe e as minhas irmãs, sabia que ela provavelmente estaria no mesmo lugar quando eu voltasse. Assim foi. Posicionei então o aerosol a uns dois palmos da bicha e apertei o botão. É um método bastante eficiente. Obviamente que a espertinha tenta fugir, mas basta acompanhar a andança dela com o dedo colado no spray da lata. Em menos de 6 segundos ela desiste e cai, agitando desesperadamente as patas para cima. Daí vem o golpe final, com uma havaianada esmagadora. A gosma branca que sai de suas entranhas decreta o seu fim. Recolho a finada e jogo-a no lixo. Tá feito o "selviço"...Mas o que eu queria, na verdade, era contar de um episódio que aconteceu com o Edmundo: estávamos um dia num boteco, que eu não me lembro qual é. Só sei que não era o Lua Nova, porque lembro de estarmos numa calçada ao ar livre.Num determinado momento, reparei que, de uma mesa ao lado da nossa, veio caminhando sorrateiramente o inseto supra-citado. Não pude deixar de espiar o roteiro que ele fazia. E assim, ao ver que eu não estava prestando atenção na conversa, o Doutor voltou os olhos para trás e viu o que eu estava acompanhando. Imediatamente, ele torceu o corpo e catou a barata entre os seus dedos. Daí extendeu o braço na minha direção e ficou chacoalhando a barata a dois palmos da minha cara e dizendo "É com isso que você está preocupado? Isso é só um inseto, caralho! É só um inseto!" Juro que achei que o Doutor iria atirá-la em cima do meu nariz, ou então partí-la ao meio com os dentes. Mas ele apenas continuou segurando a coitada por alguns instantes, virando-a pra lá e pra cá, observando o casco marrom-escuro e as patas que se agitavam freneticamente, enquanto recitava os primeiros versos de "Bichos Escrotos". Acho que se pudéssemos ouvir a barata naquele instante, ela estaria vociferando: "Me larga, seu covarde! Vai procurar alguém do teu tamanho!". Após a "sessão titânica", o Ed, com cuidado quase solene, soltou a desesperada barata no chão novamente. Depois disso, continuou a prosear, a beber e a comer como se nada tivesse acontecido.O que me ocorreu foi que, às vezes, o Edmundo costuma chupar os dedos depois de comer algum petisco gorduroso servido, já que ele não é muito afeito a estas "frescuras" de usar palito ou garfo em botecos. Não me lembro se ele chegou a fazer isto naquela noite. É bem provável que sim. Mas, ainda bem, a minha memória apagou esta parte da história...Quanto à barata, a bichinha sumiu de vista da nossa mesa como um raio! Certamente, ela deve ter pensado sobre o Ed algo semelhante ao que eu pensei: "Que cara louco!"...
Sexta-feira. Eu estava lavando o meu rosto na pia do banheiro, quando senti um leve roçar por entre os dedos do meu pé esquerdo. Em meio segundo conclui que aquilo só poderia ser uma barata trançando sobre o tapete. Nesse instante, dei um passo rápido para trás. Esse movimento certamente a assustou porque quando dobrei os joelhos para ver aonde a danada estava, não a encontrei. Passei a vista, então, por todo o banheiro. Dei outro passo para trás, uma olhada mais minuciosa e nada. Acendi a luz do quarto ao lado: niente... Quando, de repente, vi algo subindo pelo marco da porta. Pronto. Lá estava ela.Logo fui buscar o inseticida no armarinho da área de serviço. Com a experiência adquirida em exterminar las cucarachas para a minha mãe e as minhas irmãs, sabia que ela provavelmente estaria no mesmo lugar quando eu voltasse. Assim foi. Posicionei então o aerosol a uns dois palmos da bicha e apertei o botão. É um método bastante eficiente. Obviamente que a espertinha tenta fugir, mas basta acompanhar a andança dela com o dedo colado no spray da lata. Em menos de 6 segundos ela desiste e cai, agitando desesperadamente as patas para cima. Daí vem o golpe final, com uma havaianada esmagadora. A gosma branca que sai de suas entranhas decreta o seu fim. Recolho a finada e jogo-a no lixo. Tá feito o "selviço"...Mas o que eu queria, na verdade, era contar de um episódio que aconteceu com o Edmundo: estávamos um dia num boteco, que eu não me lembro qual é. Só sei que não era o Lua Nova, porque lembro de estarmos numa calçada ao ar livre.Num determinado momento, reparei que, de uma mesa ao lado da nossa, veio caminhando sorrateiramente o inseto supra-citado. Não pude deixar de espiar o roteiro que ele fazia. E assim, ao ver que eu não estava prestando atenção na conversa, o Doutor voltou os olhos para trás e viu o que eu estava acompanhando. Imediatamente, ele torceu o corpo e catou a barata entre os seus dedos. Daí extendeu o braço na minha direção e ficou chacoalhando a barata a dois palmos da minha cara e dizendo "É com isso que você está preocupado? Isso é só um inseto, caralho! É só um inseto!" Juro que achei que o Doutor iria atirá-la em cima do meu nariz, ou então partí-la ao meio com os dentes. Mas ele apenas continuou segurando a coitada por alguns instantes, virando-a pra lá e pra cá, observando o casco marrom-escuro e as patas que se agitavam freneticamente, enquanto recitava os primeiros versos de "Bichos Escrotos". Acho que se pudéssemos ouvir a barata naquele instante, ela estaria vociferando: "Me larga, seu covarde! Vai procurar alguém do teu tamanho!". Após a "sessão titânica", o Ed, com cuidado quase solene, soltou a desesperada barata no chão novamente. Depois disso, continuou a prosear, a beber e a comer como se nada tivesse acontecido.O que me ocorreu foi que, às vezes, o Edmundo costuma chupar os dedos depois de comer algum petisco gorduroso servido, já que ele não é muito afeito a estas "frescuras" de usar palito ou garfo em botecos. Não me lembro se ele chegou a fazer isto naquela noite. É bem provável que sim. Mas, ainda bem, a minha memória apagou esta parte da história...Quanto à barata, a bichinha sumiu de vista da nossa mesa como um raio! Certamente, ela deve ter pensado sobre o Ed algo semelhante ao que eu pensei: "Que cara louco!"...
domingo, dezembro 14, 2008
OK COMPUTER
Em 1997 então o Radiohead, alcança a maturidade, não que a Banda tenha envelhecido, mas sim se desenvolvido, com OK, Computer, o radiohead deixava para trás a puberdade e se tornando um jovem adulto...
Neste disco, o Radiohead, promove a reconciliação do Rock com os efeitos eletrônicos, com tal maestria, que integrantes de tribos diversas, e que ora se separavam cruelmente por barreiras de preconceito gigantescas, tiveram que parar, ouvir, refletir... e se render...
As harmonias, os andamentos, e os ritmos propostos neste disco, se não eram inteiramente novas (e eu acho que eram), eram pelo menos diferente de tudo o que estava se produzindo então. O disco foi um grito pela renovação da forma de se fazer e explorar a música na cena pop.
Os temas tratados nas letras da música, e a forma como foram tratados nela, mostram uma banda que definitivamente, vinha falar o que pensava, o que acreditava e o que queria, não deixando nenhum espaço para que alguém pensasse que eles estivessem falando o que o público, ou o mercado ou a indústria quisessem que eles falassem. O disco é forte, mas é suave. É impactante, mas agradável. É barulhento, mas harmônico. É carregado de influências, mas é novo. É diferente, mas Bonito. É profundo, mais dinâmico. É acima de tudo, autentico, verdadeiro.
Ok, computer mudou o mundo da música, mudou a indústria de forma tão avassaladora que só IPOD e o MP3, tiveram efeitos que podem ser comparados a esse rebuliço, que se dá no mercado fonográfico, pós Ok, computer.
O disco nasceu já histórico, apesar da vanguarda (ou talvez por causa dela).
Não há erros. Não há exageros. Não há omissões. É OK, Completo.
(com sua licença, e seu perdão amigo Rednei, me empolguei enquanto escrevia e não aguentei, usei essa expressão que é sua... mas ficou bacana, não ficou?)
Neste disco, o Radiohead, promove a reconciliação do Rock com os efeitos eletrônicos, com tal maestria, que integrantes de tribos diversas, e que ora se separavam cruelmente por barreiras de preconceito gigantescas, tiveram que parar, ouvir, refletir... e se render...
As harmonias, os andamentos, e os ritmos propostos neste disco, se não eram inteiramente novas (e eu acho que eram), eram pelo menos diferente de tudo o que estava se produzindo então. O disco foi um grito pela renovação da forma de se fazer e explorar a música na cena pop.
Os temas tratados nas letras da música, e a forma como foram tratados nela, mostram uma banda que definitivamente, vinha falar o que pensava, o que acreditava e o que queria, não deixando nenhum espaço para que alguém pensasse que eles estivessem falando o que o público, ou o mercado ou a indústria quisessem que eles falassem. O disco é forte, mas é suave. É impactante, mas agradável. É barulhento, mas harmônico. É carregado de influências, mas é novo. É diferente, mas Bonito. É profundo, mais dinâmico. É acima de tudo, autentico, verdadeiro.
Ok, computer mudou o mundo da música, mudou a indústria de forma tão avassaladora que só IPOD e o MP3, tiveram efeitos que podem ser comparados a esse rebuliço, que se dá no mercado fonográfico, pós Ok, computer.
O disco nasceu já histórico, apesar da vanguarda (ou talvez por causa dela).
Não há erros. Não há exageros. Não há omissões. É OK, Completo.
(com sua licença, e seu perdão amigo Rednei, me empolguei enquanto escrevia e não aguentei, usei essa expressão que é sua... mas ficou bacana, não ficou?)
quarta-feira, dezembro 10, 2008
The Bends
Em 1995 é lançado o The Bends. O Segundo Disco do Radiohead, dois anos depois do primeiro. Eu não fiquei, sabendo deste lançamento, assim como a grande maioria do Brasil... internet era coisa para poucos, e compartilhamento de música nem pensar, o máximo que a gente fazia era pegar uma caixa de fitas cassete BASF ou TDK, levar para a casa de amigos e fazer cópias dos CDs e LPs bacanas que eles tinham... Mas Radiohead, só no exterior... por aqui nem notinha no jornal ou revista especializada.
A gente talvez nem nunca tivesse ouvido falar desse álbum, não fosse a fantástica peça publicitária do Carlinhos, vocês se lembram?
Carlinhos vai à escola todos os dias. O amigo dele, não. Carlinhos faz natação.
O amigo dele, não. Carlinhos tem aulas de piano. O amigo dele, não. Ei este é o Carlinhos. Este é o amigo dele ele é um menino de rua. Milhares de crianças no Brasil precisam de sua ajuda. Os portadores da síndrome de Down só precisam do seu respeito. DOWN – A pior síndrome é a do preconceito...
Lembrou?
Não... então se lembre.
Aí você já sabe o Radiohead voltou com força para as rádios e aconteceu de pela primeira vez chegarem as lojas no Brasil...
Eu lembro que eu nem sabia que essa música da propaganda era do Radiohead, eu tinha visto de relance a propaganda uma vez e tinha me interessado fiquei na frente da Tv até ver de novo e fiquei todo arrepiado, o enredo muito bom a fotografia linda e aquela música que arrebentava... o andamento mudando e te preparando para cada informação nova... putaquepariu...
Um dia andando pela Avenida Paraná vejo na porta de uma loja Sem Nome, vejo um cartaz, "aqui tem o CD da música da propaganda do Carlinhos"... Botei a mão no bolso... 20 reais, deve dar.. entrei e segui o cartaz... que surpresa a banda era o Radiohead, depois de uns cinco anos procurando eu teria enfim o disco com aquela música que eu tinha ouvido num shopping uns cinco anos antes, procurei a listagem das músicas, mas ela não estava lá... (demorei mais uns anos para conseguir achar o Pablo Honey). Levei o disco mesmo assim e fui para casa ouvi-lo... fiquei ouvindo até o fim de semana acabar... estava de novo apaixonado pelo Radiohead, e agora eu conhecia um pouco mais e tinha até uma disco.
Fake plastic Trees é sensacional e principalmente para nós no Brasil que temos a ligação direta com o video da APAE, mas o disco tem mais, tem The Bends, tem Planet Telex, High and Dry, (nice dream), Just, My Iron Lung, Bones... Enfim
Meu Primeiro disco do Radiohead parecia ser um disco de um Banda já madura e evoluída, eu não tinha o conhecimento ainda do Pablo Honey, mas já enxergava grande evolução... eu estava errado é bem verdade... não sobre a evolução e o amadurecimento, ocorrido, mas sobre o diagnóstico de madura sobre a Banda... eles estavam apenas dando um primeiro passo rumo ao que se tornariam depois.. The Bends é um disco fantástico, maravilhoso e histórico... Qualidade irrepreensível e pela primeira vez um produto com personalidade da Banda Radiohead entranhada em si. Um Álbum que obrigatoriamente figura entre os mais importantes, marcantes e influentes na história do Rock e da música Pop mundial, se ele fica ofuscado dentro da própria discografia do Radiohead, é não por ser menor o menos importante, mas por ser difícil mensurar e comparar o Radiohead com o próprio Radiohead em suas produções sequentes...
Com o The Bends o Radiohead disse ao mundo, teve os Beatles, e eles foram e são importantes e geniais, teve os Rolling Stones eles foram e são importantes e geniais, teve também o Led Zeppelin, o Pink Floyd e por último o Nirvanna, todos eles fizeram coisas que não eram feitas antes e todo mudo copiou o que pode e o que não pode... Doravante esta é que será a Matriz a ser seguida.
(agradecimento eterno os publicitários da propaganda da Apae, por terem propiciado a chegada do Radiohead as prateleiras das lojas no Brasil e permitido que eu enfim começasse a minha coleção que se mantêm completa, até hoje)
A gente talvez nem nunca tivesse ouvido falar desse álbum, não fosse a fantástica peça publicitária do Carlinhos, vocês se lembram?
Carlinhos vai à escola todos os dias. O amigo dele, não. Carlinhos faz natação.
O amigo dele, não. Carlinhos tem aulas de piano. O amigo dele, não. Ei este é o Carlinhos. Este é o amigo dele ele é um menino de rua. Milhares de crianças no Brasil precisam de sua ajuda. Os portadores da síndrome de Down só precisam do seu respeito. DOWN – A pior síndrome é a do preconceito...
Lembrou?
Não... então se lembre.
Aí você já sabe o Radiohead voltou com força para as rádios e aconteceu de pela primeira vez chegarem as lojas no Brasil...
Eu lembro que eu nem sabia que essa música da propaganda era do Radiohead, eu tinha visto de relance a propaganda uma vez e tinha me interessado fiquei na frente da Tv até ver de novo e fiquei todo arrepiado, o enredo muito bom a fotografia linda e aquela música que arrebentava... o andamento mudando e te preparando para cada informação nova... putaquepariu...
Um dia andando pela Avenida Paraná vejo na porta de uma loja Sem Nome, vejo um cartaz, "aqui tem o CD da música da propaganda do Carlinhos"... Botei a mão no bolso... 20 reais, deve dar.. entrei e segui o cartaz... que surpresa a banda era o Radiohead, depois de uns cinco anos procurando eu teria enfim o disco com aquela música que eu tinha ouvido num shopping uns cinco anos antes, procurei a listagem das músicas, mas ela não estava lá... (demorei mais uns anos para conseguir achar o Pablo Honey). Levei o disco mesmo assim e fui para casa ouvi-lo... fiquei ouvindo até o fim de semana acabar... estava de novo apaixonado pelo Radiohead, e agora eu conhecia um pouco mais e tinha até uma disco.
Fake plastic Trees é sensacional e principalmente para nós no Brasil que temos a ligação direta com o video da APAE, mas o disco tem mais, tem The Bends, tem Planet Telex, High and Dry, (nice dream), Just, My Iron Lung, Bones... Enfim
Meu Primeiro disco do Radiohead parecia ser um disco de um Banda já madura e evoluída, eu não tinha o conhecimento ainda do Pablo Honey, mas já enxergava grande evolução... eu estava errado é bem verdade... não sobre a evolução e o amadurecimento, ocorrido, mas sobre o diagnóstico de madura sobre a Banda... eles estavam apenas dando um primeiro passo rumo ao que se tornariam depois.. The Bends é um disco fantástico, maravilhoso e histórico... Qualidade irrepreensível e pela primeira vez um produto com personalidade da Banda Radiohead entranhada em si. Um Álbum que obrigatoriamente figura entre os mais importantes, marcantes e influentes na história do Rock e da música Pop mundial, se ele fica ofuscado dentro da própria discografia do Radiohead, é não por ser menor o menos importante, mas por ser difícil mensurar e comparar o Radiohead com o próprio Radiohead em suas produções sequentes...
Com o The Bends o Radiohead disse ao mundo, teve os Beatles, e eles foram e são importantes e geniais, teve os Rolling Stones eles foram e são importantes e geniais, teve também o Led Zeppelin, o Pink Floyd e por último o Nirvanna, todos eles fizeram coisas que não eram feitas antes e todo mudo copiou o que pode e o que não pode... Doravante esta é que será a Matriz a ser seguida.
(agradecimento eterno os publicitários da propaganda da Apae, por terem propiciado a chegada do Radiohead as prateleiras das lojas no Brasil e permitido que eu enfim começasse a minha coleção que se mantêm completa, até hoje)
Pablo Honey
O PRIMEIRO DISCO DO RADIOHEAD É O PABLO HONEY, DE 1993 (CARALHO, JÁ TEM 15 ANOS).
É UM BOM DISCO DE ROCK INGLÊS CONTEMPORÂNEO, MAS DE RADIOHEAD, SÓ O NOME FANTÁTICO (FANTASTICO MESMO, ALGUÉM QUE APAREÇA COM UMA BANDA CHADA RADIOCABEÇA, DEVE NO MÍNIMO SER OLAHDA COM ATENÇÃO). ERA AINDA UMA BANDA INCIPIENTE, A INFLUÊNCIA MAIS PRONUNCIADA DA BANDA, QUE PARA MIM É O JOY DIVISION, JÁ ESTAVA LÁ, APESAR DE QUE NUMA OLHADA MAIS SUPERFICIAL, NA ÉPOCA TALVEZ (TALVEZ É FIGURA DE LINGUAGEM) A PRIMEIRA IMAGEM COMPARATIVA SERIA DO DURAN, DURAN; OU QUANDO MUITOALGUÉM PUDESSE VISLUMBRAR UM THE CURE... TANTO PELO SOM QUE NÃO ERA AINDA MADURO, QUANTO PELA ARTE MARGINAL, APARENCIA E FORMA DE DIVULGAÇÃO (O QUE CLARAMENTE PODEMOS ATRIBUIR A PRODUTORES QUE NÃO CONHECIAM O PRODUTO QUE ELES TINHAM).
DESTE DISCO, O QUE DE PRINCIPAL FICOU FOI A FAIXA 2 "CREEP" . MÚSICA ESTA QUE JÁ TINHA A CARA DO QUE O RADIOHEAD SE TORNARIA, E QUE TINHA AO MESMO TEMPO ESSA COISA CONTEMPORÂNEA, QUASE DE ANTECIPAÇÃO QUE O RADIOHEAD TEM, MAS QUE AO MESMO TEMPO TINHA UMA AURA DE ANOS 80, PODERIA ATÉ MESMO SERVIR DE TRILHA SONORA PERFEITA PARA ALGUNS FILMES DOS ANOS 80 COMO "NAMORADA DE ALUGUEL", VOCÊS SE LEMBRAM?
EALIER 90S, EU CORTANDO CAMINHO, POR DENTRO O SHOPPING CIDADE, OUÇO UMA MUSICA AMBIENTE NO FUNDO... PARO LÁ NO MEIO (DO LADO DA VIDE BULA) E ESPERO MAIS DUAS MUSICAS ANTES DO RADIALISTA (ACHO QUE ERA DA ALVORADA), DAR O NOME DA MÚSICA E BANDA...
RADIOHEAD, CREEP....
PODEM DIZER QUE O MAIS ESQUISITO SOU EU QUE LEMBRO COM DETALHES DISSO,
POIS É, VOCÊS TEM RAZÃO....
FORA ELA NÃO SOBRAM HITS E NEM MÚSICAS MUITO DETERMINANTES NO REPERTÓRIO, OU NA TRAJETÓRIA DA BANDA....
MAS SÃO PARTE DA HISTÓRIA DELA...
É UM BOM DISCO DE ROCK INGLÊS CONTEMPORÂNEO, MAS DE RADIOHEAD, SÓ O NOME FANTÁTICO (FANTASTICO MESMO, ALGUÉM QUE APAREÇA COM UMA BANDA CHADA RADIOCABEÇA, DEVE NO MÍNIMO SER OLAHDA COM ATENÇÃO). ERA AINDA UMA BANDA INCIPIENTE, A INFLUÊNCIA MAIS PRONUNCIADA DA BANDA, QUE PARA MIM É O JOY DIVISION, JÁ ESTAVA LÁ, APESAR DE QUE NUMA OLHADA MAIS SUPERFICIAL, NA ÉPOCA TALVEZ (TALVEZ É FIGURA DE LINGUAGEM) A PRIMEIRA IMAGEM COMPARATIVA SERIA DO DURAN, DURAN; OU QUANDO MUITOALGUÉM PUDESSE VISLUMBRAR UM THE CURE... TANTO PELO SOM QUE NÃO ERA AINDA MADURO, QUANTO PELA ARTE MARGINAL, APARENCIA E FORMA DE DIVULGAÇÃO (O QUE CLARAMENTE PODEMOS ATRIBUIR A PRODUTORES QUE NÃO CONHECIAM O PRODUTO QUE ELES TINHAM).
DESTE DISCO, O QUE DE PRINCIPAL FICOU FOI A FAIXA 2 "CREEP" . MÚSICA ESTA QUE JÁ TINHA A CARA DO QUE O RADIOHEAD SE TORNARIA, E QUE TINHA AO MESMO TEMPO ESSA COISA CONTEMPORÂNEA, QUASE DE ANTECIPAÇÃO QUE O RADIOHEAD TEM, MAS QUE AO MESMO TEMPO TINHA UMA AURA DE ANOS 80, PODERIA ATÉ MESMO SERVIR DE TRILHA SONORA PERFEITA PARA ALGUNS FILMES DOS ANOS 80 COMO "NAMORADA DE ALUGUEL", VOCÊS SE LEMBRAM?
EALIER 90S, EU CORTANDO CAMINHO, POR DENTRO O SHOPPING CIDADE, OUÇO UMA MUSICA AMBIENTE NO FUNDO... PARO LÁ NO MEIO (DO LADO DA VIDE BULA) E ESPERO MAIS DUAS MUSICAS ANTES DO RADIALISTA (ACHO QUE ERA DA ALVORADA), DAR O NOME DA MÚSICA E BANDA...
RADIOHEAD, CREEP....
PODEM DIZER QUE O MAIS ESQUISITO SOU EU QUE LEMBRO COM DETALHES DISSO,
POIS É, VOCÊS TEM RAZÃO....
FORA ELA NÃO SOBRAM HITS E NEM MÚSICAS MUITO DETERMINANTES NO REPERTÓRIO, OU NA TRAJETÓRIA DA BANDA....
MAS SÃO PARTE DA HISTÓRIA DELA...
Radiohead: duplicar e triplicar
(retirado de http://colunas.g1.com.br/zecacamargo - escrito e publicado por Zeca Camargo (só é pena o link para o artigo de 1997 não funcionar)
(Vem aí Vampire Weekend. Isso não tem nada a ver com o Radiohead, mas como essa vai ser uma das bandas de 2008, achei melhor falar logo dela – assim, quando você começar a ouvir esse nome por aí, por favor, lembre-se de mim (aliás, se quiser já ouvir alguma coisa agora, comece por “Mansard roof”, refresque com “Oxford comma”, e feche com “Apunk”, no MySpace).
Mas vamos lá: Radiohead!)
Antes de mais nada, é importante dizer que, diante de qualquer trabalho deles, nenhum fã da banda – ou mesmo que tem mesmo uma admiração reservada por ela – está livre da influência de “OK computer”. Quando esse CD apareceu, em 1997, o impacto foi tão grande que as reverberações podem ser ouvidas até hoje (parece que já chegaram em Saturno!). “OK computer” era (e é) tão genial, tão diferente, tão inesperado, tão honesto, um tapa na sua cara tão forte, que uma simples escutada contínua era capaz de deixar marcas permanentes em quem a ele emprestava seus ouvidos.
Eu, claro, não fiquei imune a isso – como pude checar novamente ao reler uma resenha sobre o disco, que fiz então. E durante todos esses anos, desde 1997, fui tomado por uma espécie de sebastianismo (Wikipédia – rápido!), aguardando o retorno messiânico “daquele” Radiohead. “Kid A”? Muito bom – nem que fosse pelos 4 segundos que abrem “Everything in its right place” (tudo, de fato, no seu devido lugar… que petulância começar o disco mais esperado do final do século 20 com aquelas notas glaciais!); ou simplesmente pela faixa mais injustamente esnobada por todos os DJs do mundo, “Idioteque”. “Amnesiac”? Mais um título sensacional, mais uma capa enigmática, mais um punhado de faixas desafiadoras – mas ainda longe de algo que pudesse encostar “OK computer”. “Hail to the chief” chega em 2003 e, como indicava a sua primeira faixa (“2 + 2 = 5”), suas partes não somavam muito bem: momentos belíssimos entrecortados por sonoridades confusas – um provável truque perverso do próprio Radiohead, como se a banda estivesse dizendo indiretamente aos fãs: “ainda não é isso, mas estamos tentado – e com afinco!”.
A cada um desses lançamentos, eu voltava para “OK computer”, só para ter a certeza de que ele continuava imbatível. Perguntava: seria possível mesmo superar aquele conjunto? A elegância de “Karma police” coexistindo com o desespero de “Let down”? A tempestade cerebral de “Paranoid android” anunciando a calmaria quase bucólica de “No surprises”? O conceitual-cabeça de “Exit music (for a film)” com o sensual-épico de “Airbag”? E a conclusão era sempre a mesma: “OK computer”, ainda na frente.
Entra, então, “In rainbows”. Oficialmente, ele chegou dia 10 de outubro do ano passado – um lançamento comentadíssimo, não apenas por ser exclusivamente virtual (o disco só estava disponível para ser “baixado” pelo site da banda), mas também pela proposta inovadora de deixar para os fãs a decisão de quanto eles deveriam pagar pelo prazer de ter o álbum em seu arquivo pessoal. Muito se falou dessa nova abordagem na relação artista e público (com o item “gravadora” perversamente fora da equação). Foram matérias e matérias com previsões abstratas sobre o futuro da indústria fonográfica e especulações vazias sobre quantos (e quanto) fãs pagaram de fato por “In rainbows” – estimativas bem “chutadas” colocam o “preço” médio do trabalho entre R$ 10 e R$ 16.
Este post, porém, não vai acrescentar nada a esse debate – desculpe. O que vem a seguir é um comentário à moda antiga… Como os próprios formatos para consumir música estão mudando, as maneiras de analisá-la também se renovam. Mas, se o Radiohead insiste num “velho” conceito chamado “álbum”, acho melhor acompanhá-los na intenção com uma crítica do disco. “Ah”, dirão os mais engraçadinhos, “por que você não fez isso em outubro?”.
Primeiro porque, como um bom quarentão, ainda tenho reservas quanto a “baixar” qualquer coisa da internet – mesmo que seja autorizada pelo autor (reparou as aspas no verbo “baixar”?). E, também como um bom quarentão, ainda gosto da minha música servida num CD – ou num vinil. Aliás, no caso de “In rainbows”, pude me empanturrar com os dois formatos: comprei, logo no dia primeiro de janeiro – quando já estava disponível nos Estados Unidos – a versão “metida” do álbum: o CD oficial, o CD de bônus (mais oito faixas inéditas, 26 minutos e 53 segundos fesquinhos!), um livreto com as letras, um “livrão” só com arte (fotos e grafismo, assinados por Stanley Donwood, colaborador de longa data da banda), e dois discos de vinil, com as dez faixas impressas em 45 rotações por minuto (pergunte ao seu tio o que significa isso).
Não posso, de fato, reclamar: ouvi “In rainbows” de tudo quanto foi jeito. Assim, aqui está o veredicto.
Não é um “OK Computer”. Mas também eu não tenho mais “só” 34 anos; nesses dez anos, já dei uma volta ao mundo e escrevi três livros; o cenário musical – brasileiro e internacional é outro; já passamos pela revolução do iPod; as Torres Gêmeas desabaram; o “BBB” chegou à oitava edição; o biocombustível não é mais uma alternativa, mas uma salvação; Britney Spears circulou uma dúzia de vezes o ciclo de ascensão e queda de uma celebridade; o mundo reconheceu a inventividade do cinema brasileiro; “mensalão” já veio e já foi como se nada tivesse acontecido; Los Hermanos apareceram, gravaram quatro discos e entraram em um hiato; e “esse” Radiohead já não é “aquele” Radiohead.
Esse pequeno panorama é, claro, uma mera alegoria apenas para lembrar que as coisas mudam, e que, sebastianismos à parte, não faz o menor sentido esperar por um novo “OK computer”. Deixei claro? Inclusive para mim mesmo? Acho que sim! Dito isso… “In rainbows” é sensacional – e se eu tiver de explicar esse adjetivo em apenas uma frase, vou pegar emprestado o verso de uma das faixas novas do próprio Radiohead (“Faust arp”): é exatamente “o que você sente agora”. Elaborando: da bizarra batida “disco” que abre o álbum (“15 step”) ao pseudo-reco-reco hipnótico que marca seu final (em “Videotape”), todo o conjunto de músicas é a tradução mais eficaz de tudo que você deveria sentir agora – e não apenas com seus ouvidos…
Um rápido faixa-por-faixa: do estranho convite à dança de “15 step” você é levado a um brilhante arremedo de u2 em “Bodysnatchers” – que na verdade é uma releitura de PIL pelo olhar sempre assustador de Thom Yorke; as coisas ficam mais calmas e chamam à reflexão em “Nude”, só para pegar um pouco mais de ritmo em “Weird fishes/Arpeggi” (achou o título estranho? Você não viu nada…), onde, dessa vez, o arremedo é de Coldplay – ou melhor, é o Radiohead mostrando como o Coldplay deveria ser desde o início; quem procura uma canção de amor, o mais próximo que eles têm a oferecer nesse disco é a música seguinte, “All I need”; aí surge “Faust arp” – e você finalmente se lembra por que se apaixonou (pela banda ou por uma pessoa qualquer) pela primeira vez (mais sobre essa faixa daqui a pouco); “Reckoner” é o momento mais distante do trabalho, mas quem se sente afastado logo é reconquistado com “House of cards” – uma bossa nova futurista, se é que eles alguma vez pensaram em gravar uma coisa assim (alerta “Bebel Gilberto” em potência máxima!); depois vem “Jigsaw falling into place”, cujo nome (mais ou menos, “Quebra-cabeças encaixando no lugar”) funciona como uma senha para entender o disco todo (musical e poeticamente); e o disco fecha com a aparentemente inofensiva “Videotape” – “aparentemente” porque você não dá nada na primeira vez que ouve, mas de perto, ela é a segunda melhor faixa de “In rainbows”, na minha humilde opinião.
E qual seria a primeira? Disparado, “Faust arp”. Passar aqui, num texto, a sensação de ouvir essa música é um exercício de frustração. Mas, como eu sou teimoso (e fiquei particularmente encantado com essa canção, que não parece fazer o menor sentido, mas que é simplesmente perfeita), vou tentar: numa melodia tão delicada e ao mesmo tempo coesa, que parece feita de fios de uma teia de aranha, as frases musicais se sucedem de maneira tão natural que nem parecem que foram compostas uma a uma – é como se a faixa tivesse nascido pronta, inteira, indivisível; a voz de Thom York reescreve palavras como “tingling” e reinventa expressões como “on again off again” – tudo dentro de uma de suas poesias mais inspiradas, com imagens intensas, que enchem os olhos pelos ouvidos e, sem nunca romper a fragilidade da canção, explodem como as tintas que ilustram o livreto do CD: um corpo morto do pescoço para cima, um elefante tropeçando na sala, alguém que cai como dominós fazendo belos desenhos no chão; e tudo isso duplicando e triplicando, duplicando e triplicando…
Esse comando – que é também um verso de “Faust arp” e que emprestei para o título deste post – é, para fãs como eu, uma leitura do desejo eterno de que sempre exista música boa no mundo. Talvez não tão boa quanto à de “OK computer”… mas bela o suficiente para nos inspirar por muitos e muitos anos. E quem melhor que o próprio Radiohead para desejar isso?
(Vem aí Vampire Weekend. Isso não tem nada a ver com o Radiohead, mas como essa vai ser uma das bandas de 2008, achei melhor falar logo dela – assim, quando você começar a ouvir esse nome por aí, por favor, lembre-se de mim (aliás, se quiser já ouvir alguma coisa agora, comece por “Mansard roof”, refresque com “Oxford comma”, e feche com “Apunk”, no MySpace).
Mas vamos lá: Radiohead!)
Antes de mais nada, é importante dizer que, diante de qualquer trabalho deles, nenhum fã da banda – ou mesmo que tem mesmo uma admiração reservada por ela – está livre da influência de “OK computer”. Quando esse CD apareceu, em 1997, o impacto foi tão grande que as reverberações podem ser ouvidas até hoje (parece que já chegaram em Saturno!). “OK computer” era (e é) tão genial, tão diferente, tão inesperado, tão honesto, um tapa na sua cara tão forte, que uma simples escutada contínua era capaz de deixar marcas permanentes em quem a ele emprestava seus ouvidos.
Eu, claro, não fiquei imune a isso – como pude checar novamente ao reler uma resenha sobre o disco, que fiz então. E durante todos esses anos, desde 1997, fui tomado por uma espécie de sebastianismo (Wikipédia – rápido!), aguardando o retorno messiânico “daquele” Radiohead. “Kid A”? Muito bom – nem que fosse pelos 4 segundos que abrem “Everything in its right place” (tudo, de fato, no seu devido lugar… que petulância começar o disco mais esperado do final do século 20 com aquelas notas glaciais!); ou simplesmente pela faixa mais injustamente esnobada por todos os DJs do mundo, “Idioteque”. “Amnesiac”? Mais um título sensacional, mais uma capa enigmática, mais um punhado de faixas desafiadoras – mas ainda longe de algo que pudesse encostar “OK computer”. “Hail to the chief” chega em 2003 e, como indicava a sua primeira faixa (“2 + 2 = 5”), suas partes não somavam muito bem: momentos belíssimos entrecortados por sonoridades confusas – um provável truque perverso do próprio Radiohead, como se a banda estivesse dizendo indiretamente aos fãs: “ainda não é isso, mas estamos tentado – e com afinco!”.
A cada um desses lançamentos, eu voltava para “OK computer”, só para ter a certeza de que ele continuava imbatível. Perguntava: seria possível mesmo superar aquele conjunto? A elegância de “Karma police” coexistindo com o desespero de “Let down”? A tempestade cerebral de “Paranoid android” anunciando a calmaria quase bucólica de “No surprises”? O conceitual-cabeça de “Exit music (for a film)” com o sensual-épico de “Airbag”? E a conclusão era sempre a mesma: “OK computer”, ainda na frente.
Entra, então, “In rainbows”. Oficialmente, ele chegou dia 10 de outubro do ano passado – um lançamento comentadíssimo, não apenas por ser exclusivamente virtual (o disco só estava disponível para ser “baixado” pelo site da banda), mas também pela proposta inovadora de deixar para os fãs a decisão de quanto eles deveriam pagar pelo prazer de ter o álbum em seu arquivo pessoal. Muito se falou dessa nova abordagem na relação artista e público (com o item “gravadora” perversamente fora da equação). Foram matérias e matérias com previsões abstratas sobre o futuro da indústria fonográfica e especulações vazias sobre quantos (e quanto) fãs pagaram de fato por “In rainbows” – estimativas bem “chutadas” colocam o “preço” médio do trabalho entre R$ 10 e R$ 16.
Este post, porém, não vai acrescentar nada a esse debate – desculpe. O que vem a seguir é um comentário à moda antiga… Como os próprios formatos para consumir música estão mudando, as maneiras de analisá-la também se renovam. Mas, se o Radiohead insiste num “velho” conceito chamado “álbum”, acho melhor acompanhá-los na intenção com uma crítica do disco. “Ah”, dirão os mais engraçadinhos, “por que você não fez isso em outubro?”.
Primeiro porque, como um bom quarentão, ainda tenho reservas quanto a “baixar” qualquer coisa da internet – mesmo que seja autorizada pelo autor (reparou as aspas no verbo “baixar”?). E, também como um bom quarentão, ainda gosto da minha música servida num CD – ou num vinil. Aliás, no caso de “In rainbows”, pude me empanturrar com os dois formatos: comprei, logo no dia primeiro de janeiro – quando já estava disponível nos Estados Unidos – a versão “metida” do álbum: o CD oficial, o CD de bônus (mais oito faixas inéditas, 26 minutos e 53 segundos fesquinhos!), um livreto com as letras, um “livrão” só com arte (fotos e grafismo, assinados por Stanley Donwood, colaborador de longa data da banda), e dois discos de vinil, com as dez faixas impressas em 45 rotações por minuto (pergunte ao seu tio o que significa isso).
Não posso, de fato, reclamar: ouvi “In rainbows” de tudo quanto foi jeito. Assim, aqui está o veredicto.
Não é um “OK Computer”. Mas também eu não tenho mais “só” 34 anos; nesses dez anos, já dei uma volta ao mundo e escrevi três livros; o cenário musical – brasileiro e internacional é outro; já passamos pela revolução do iPod; as Torres Gêmeas desabaram; o “BBB” chegou à oitava edição; o biocombustível não é mais uma alternativa, mas uma salvação; Britney Spears circulou uma dúzia de vezes o ciclo de ascensão e queda de uma celebridade; o mundo reconheceu a inventividade do cinema brasileiro; “mensalão” já veio e já foi como se nada tivesse acontecido; Los Hermanos apareceram, gravaram quatro discos e entraram em um hiato; e “esse” Radiohead já não é “aquele” Radiohead.
Esse pequeno panorama é, claro, uma mera alegoria apenas para lembrar que as coisas mudam, e que, sebastianismos à parte, não faz o menor sentido esperar por um novo “OK computer”. Deixei claro? Inclusive para mim mesmo? Acho que sim! Dito isso… “In rainbows” é sensacional – e se eu tiver de explicar esse adjetivo em apenas uma frase, vou pegar emprestado o verso de uma das faixas novas do próprio Radiohead (“Faust arp”): é exatamente “o que você sente agora”. Elaborando: da bizarra batida “disco” que abre o álbum (“15 step”) ao pseudo-reco-reco hipnótico que marca seu final (em “Videotape”), todo o conjunto de músicas é a tradução mais eficaz de tudo que você deveria sentir agora – e não apenas com seus ouvidos…
Um rápido faixa-por-faixa: do estranho convite à dança de “15 step” você é levado a um brilhante arremedo de u2 em “Bodysnatchers” – que na verdade é uma releitura de PIL pelo olhar sempre assustador de Thom Yorke; as coisas ficam mais calmas e chamam à reflexão em “Nude”, só para pegar um pouco mais de ritmo em “Weird fishes/Arpeggi” (achou o título estranho? Você não viu nada…), onde, dessa vez, o arremedo é de Coldplay – ou melhor, é o Radiohead mostrando como o Coldplay deveria ser desde o início; quem procura uma canção de amor, o mais próximo que eles têm a oferecer nesse disco é a música seguinte, “All I need”; aí surge “Faust arp” – e você finalmente se lembra por que se apaixonou (pela banda ou por uma pessoa qualquer) pela primeira vez (mais sobre essa faixa daqui a pouco); “Reckoner” é o momento mais distante do trabalho, mas quem se sente afastado logo é reconquistado com “House of cards” – uma bossa nova futurista, se é que eles alguma vez pensaram em gravar uma coisa assim (alerta “Bebel Gilberto” em potência máxima!); depois vem “Jigsaw falling into place”, cujo nome (mais ou menos, “Quebra-cabeças encaixando no lugar”) funciona como uma senha para entender o disco todo (musical e poeticamente); e o disco fecha com a aparentemente inofensiva “Videotape” – “aparentemente” porque você não dá nada na primeira vez que ouve, mas de perto, ela é a segunda melhor faixa de “In rainbows”, na minha humilde opinião.
E qual seria a primeira? Disparado, “Faust arp”. Passar aqui, num texto, a sensação de ouvir essa música é um exercício de frustração. Mas, como eu sou teimoso (e fiquei particularmente encantado com essa canção, que não parece fazer o menor sentido, mas que é simplesmente perfeita), vou tentar: numa melodia tão delicada e ao mesmo tempo coesa, que parece feita de fios de uma teia de aranha, as frases musicais se sucedem de maneira tão natural que nem parecem que foram compostas uma a uma – é como se a faixa tivesse nascido pronta, inteira, indivisível; a voz de Thom York reescreve palavras como “tingling” e reinventa expressões como “on again off again” – tudo dentro de uma de suas poesias mais inspiradas, com imagens intensas, que enchem os olhos pelos ouvidos e, sem nunca romper a fragilidade da canção, explodem como as tintas que ilustram o livreto do CD: um corpo morto do pescoço para cima, um elefante tropeçando na sala, alguém que cai como dominós fazendo belos desenhos no chão; e tudo isso duplicando e triplicando, duplicando e triplicando…
Esse comando – que é também um verso de “Faust arp” e que emprestei para o título deste post – é, para fãs como eu, uma leitura do desejo eterno de que sempre exista música boa no mundo. Talvez não tão boa quanto à de “OK computer”… mas bela o suficiente para nos inspirar por muitos e muitos anos. E quem melhor que o próprio Radiohead para desejar isso?
Se arrependimento matasse... ou: “Ok Computer” fez 10 anos
(retirado do http://artedamiseenscene.blogspot.com de Breno Yared
Manaus, Amazonas, Brazil - assinado por Rodrigo Castro )
(não é minha história e nem parecida, mas o arrebatmento é igual)
Quantas vezes em sua vida você teve uma grande oportunidade e a desperdiçou? Várias com certeza. Desde uma vaga de emprego. Passando por um encontro em que você chegou atrasado. Uma amizade que poderia ter sido feita. Outra que sempre deveria ter sido desfeita. E terminando com aquele disco que você ouviu e odiou de primeira.
Todos os dias, essas situações ocorrem e a tal frase, mais cedo ou mais tarde, será proferida pelos seus lábios com certo rancor ou até mesmo melancolia: “Ah se arrependimento matasse”.
Há mais de dez anos, proferi com orgulho essa frase. Após ler a minha Showbizz e gostar muito de um artigo feito pelo Zeca Camargo – você não está lendo errado, é o Zeca do Fantástico mesmo – sobre o novo disco do Radiohead – banda que me era mais conhecida pela excelente música “Creep” – Ok Computer.
O texto era tão bem feito que não pensei duas vezes: fui a uma loja que importava CDs – no tempo que o dólar tava um por um – e fiz minha encomenda. Dali a duas semanas aquela maravilha estaria em minhas mãos e faria parte de minha pequena, mas boa, coleção de CDs de rock.
Ouvindo mais um disco do Led Zeppelin, sou chamado pelo dono da loja para pegar o meu Ok Computer. Ansioso, separo o discman – lembra disso? – ponho CD pra rodar. Vou ouvindo as canções até chegar em casa. Dou o eject de um aparelho e coloco-o no meu aparelho de som.
Ouço uma, duas, três vezes. Leio duas vezes o artigo e chego ao veredicto: uma porcaria, o Zeca me enganou. Ligo para a loja, falo com o dono, pergunto se há possibilidade dele devolver metade do dinheiro se eu devolver o CD, ele concorda. Separo o disco e no caminho para a loja, arrisco a colocar a porcaria no discman, por total sorte, vou direto para “Paranoid Android”.
“Please Could You Stop The Noise. I Try to Get Some Rest” implora uma voz sofrida enquanto violões e uma sutil bateria fazem uma parede melódica de fundo. Outra frase da mesma canção me interrompe no caminho a loja: “Whats There? Whats There?”. Sentei na calçada e comecei a me perguntar: o que era aquilo?
Antes de chegar a uma conclusão real a voz sentencia: “Ambition Makes You Look Pretty Ugly. Kicking, Squealing gucci little piggy. ”. E as coisas começaram a abrir em minha cabeça. Aquilo era a resposta contra a mesmice que o roque havia se tornado após Seattle. Esse CD era a volta do que realmente prestava no estilo que sempre mais gostei: renovação e experimentalismo junto a excelentes letras e uma produção impecável.
Eu não sabia – mas muita gente que comprou “Revolver” e “Physical Graffiti” antes de todo mundo também não deveria saber - mas ali em meus ouvidos eram tocadas as melhores músicas daquele ano e olha que o Depeche Mode já havia voltado das trevas e feito o excelente “Ultra”. Mas Ok Computer ia além: viajava pelo espaço sonoro em “Subterranean Homesick Alien”, relembrava o Queen, com a já citada “Paranoid Android” e ainda fazia uma das canções mais tristes que ouvi em minha vida: “Exit Music (For A Film)”.
E olha que não chegamos nem a metade do disco. Levantei da sarjeta, sorri comigo mesmo e fui fazendo o caminho de volta para casa. De repente uma chuva caiu, como se me limpasse e imediatamente outro trecho de “Paranoid Android” em que Thom Yorke suplica por ela “Rain down, rain down. Come on rain down on me. From a great height. From a great height... height...” me veio a lembrança.
Sem nem mesmo dar o pause, fui me secando com uma toalha e lembrando de que um dia fui criança, daquelas que corre para o pátio quando a chuva cai e toma um banho daqueles enquanto ouvia a maravilhosa, melancólica e desafiante “Let Down”.
Stop. Eject. Tira o CD. Põe o CD no aparelho de som do quarto. Aperta o play. Pula para a faixa 6 e um mantra começa a ser emitido, “Karma Police”. A música é tranqüila, sua letra é pessoal e com certeza ali, naquela linda canção, no momento em que o som pára, é que tive discernimento do quanto aquele disco – sou velho e nesse tempo as pessoas nem sonhavam com o MP3 – seria importante para dezenas de outras bandas.
A fórmula “piano, voz amargurada, cantor com estilo excêntrico de cantar e subida de tom em momento chave da canção” seguida por Keane, Coldplay, Muse e muitas outras foi criada em “Karma Police”.
Você pode reclamar da informatização de “Fitter Happier”, da “pauleira” de “Electroneering”, da canção perfeita para um filme de David Lynch (“Climbing Up The Walls”), da segunda viagem espacial da banda em “Lucky” e da nostalgia de “The Tourist”. Mas todas essas faixas são necessárias para que o sentido de se ouvir um dos melhores discos de roque já feitos seja completo.
E olha que eu não vou nem falar de um clássico instantâneo que se chama “No Surprises”, talvez a mais linda canção já feita por uma banda nos últimos 30 anos e que tem tudo para entrar em uma daquelas compilações das “músicas mais marcantes de cada década”.
Escrevi todo esse texto para você: que não conhece esse material do Radiohead, que é apaixonado por Keane, Coldplay e Muse, que quer ouvir algo diferente, moderno e que possa inspirar você por alguns bons minutos da sua existência. E também porque não vi nenhum, se tiver favor indicar, artigo do ano passado que falasse de “Ok Computer” em pleno seus dez anos de lançamento.
Ouça sem alarmes e tenha muitas surpresas.
ED
Manaus, Amazonas, Brazil - assinado por Rodrigo Castro )
(não é minha história e nem parecida, mas o arrebatmento é igual)
Quantas vezes em sua vida você teve uma grande oportunidade e a desperdiçou? Várias com certeza. Desde uma vaga de emprego. Passando por um encontro em que você chegou atrasado. Uma amizade que poderia ter sido feita. Outra que sempre deveria ter sido desfeita. E terminando com aquele disco que você ouviu e odiou de primeira.
Todos os dias, essas situações ocorrem e a tal frase, mais cedo ou mais tarde, será proferida pelos seus lábios com certo rancor ou até mesmo melancolia: “Ah se arrependimento matasse”.
Há mais de dez anos, proferi com orgulho essa frase. Após ler a minha Showbizz e gostar muito de um artigo feito pelo Zeca Camargo – você não está lendo errado, é o Zeca do Fantástico mesmo – sobre o novo disco do Radiohead – banda que me era mais conhecida pela excelente música “Creep” – Ok Computer.
O texto era tão bem feito que não pensei duas vezes: fui a uma loja que importava CDs – no tempo que o dólar tava um por um – e fiz minha encomenda. Dali a duas semanas aquela maravilha estaria em minhas mãos e faria parte de minha pequena, mas boa, coleção de CDs de rock.
Ouvindo mais um disco do Led Zeppelin, sou chamado pelo dono da loja para pegar o meu Ok Computer. Ansioso, separo o discman – lembra disso? – ponho CD pra rodar. Vou ouvindo as canções até chegar em casa. Dou o eject de um aparelho e coloco-o no meu aparelho de som.
Ouço uma, duas, três vezes. Leio duas vezes o artigo e chego ao veredicto: uma porcaria, o Zeca me enganou. Ligo para a loja, falo com o dono, pergunto se há possibilidade dele devolver metade do dinheiro se eu devolver o CD, ele concorda. Separo o disco e no caminho para a loja, arrisco a colocar a porcaria no discman, por total sorte, vou direto para “Paranoid Android”.
“Please Could You Stop The Noise. I Try to Get Some Rest” implora uma voz sofrida enquanto violões e uma sutil bateria fazem uma parede melódica de fundo. Outra frase da mesma canção me interrompe no caminho a loja: “Whats There? Whats There?”. Sentei na calçada e comecei a me perguntar: o que era aquilo?
Antes de chegar a uma conclusão real a voz sentencia: “Ambition Makes You Look Pretty Ugly. Kicking, Squealing gucci little piggy. ”. E as coisas começaram a abrir em minha cabeça. Aquilo era a resposta contra a mesmice que o roque havia se tornado após Seattle. Esse CD era a volta do que realmente prestava no estilo que sempre mais gostei: renovação e experimentalismo junto a excelentes letras e uma produção impecável.
Eu não sabia – mas muita gente que comprou “Revolver” e “Physical Graffiti” antes de todo mundo também não deveria saber - mas ali em meus ouvidos eram tocadas as melhores músicas daquele ano e olha que o Depeche Mode já havia voltado das trevas e feito o excelente “Ultra”. Mas Ok Computer ia além: viajava pelo espaço sonoro em “Subterranean Homesick Alien”, relembrava o Queen, com a já citada “Paranoid Android” e ainda fazia uma das canções mais tristes que ouvi em minha vida: “Exit Music (For A Film)”.
E olha que não chegamos nem a metade do disco. Levantei da sarjeta, sorri comigo mesmo e fui fazendo o caminho de volta para casa. De repente uma chuva caiu, como se me limpasse e imediatamente outro trecho de “Paranoid Android” em que Thom Yorke suplica por ela “Rain down, rain down. Come on rain down on me. From a great height. From a great height... height...” me veio a lembrança.
Sem nem mesmo dar o pause, fui me secando com uma toalha e lembrando de que um dia fui criança, daquelas que corre para o pátio quando a chuva cai e toma um banho daqueles enquanto ouvia a maravilhosa, melancólica e desafiante “Let Down”.
Stop. Eject. Tira o CD. Põe o CD no aparelho de som do quarto. Aperta o play. Pula para a faixa 6 e um mantra começa a ser emitido, “Karma Police”. A música é tranqüila, sua letra é pessoal e com certeza ali, naquela linda canção, no momento em que o som pára, é que tive discernimento do quanto aquele disco – sou velho e nesse tempo as pessoas nem sonhavam com o MP3 – seria importante para dezenas de outras bandas.
A fórmula “piano, voz amargurada, cantor com estilo excêntrico de cantar e subida de tom em momento chave da canção” seguida por Keane, Coldplay, Muse e muitas outras foi criada em “Karma Police”.
Você pode reclamar da informatização de “Fitter Happier”, da “pauleira” de “Electroneering”, da canção perfeita para um filme de David Lynch (“Climbing Up The Walls”), da segunda viagem espacial da banda em “Lucky” e da nostalgia de “The Tourist”. Mas todas essas faixas são necessárias para que o sentido de se ouvir um dos melhores discos de roque já feitos seja completo.
E olha que eu não vou nem falar de um clássico instantâneo que se chama “No Surprises”, talvez a mais linda canção já feita por uma banda nos últimos 30 anos e que tem tudo para entrar em uma daquelas compilações das “músicas mais marcantes de cada década”.
Escrevi todo esse texto para você: que não conhece esse material do Radiohead, que é apaixonado por Keane, Coldplay e Muse, que quer ouvir algo diferente, moderno e que possa inspirar você por alguns bons minutos da sua existência. E também porque não vi nenhum, se tiver favor indicar, artigo do ano passado que falasse de “Ok Computer” em pleno seus dez anos de lançamento.
Ouça sem alarmes e tenha muitas surpresas.
ED
sexta-feira, agosto 22, 2008
terça-feira, maio 27, 2008
Rocky Balboa
"...O mundo não é ensolarado e cheio de arco-íris. É um lugar muito rude e traiçoeiro que vai lhe deixar de joelhos e fazer você ficar de joelhos pra sempre se você deixar. Nem você, nem eu, nem ninguém dá porradas mais fortes do que a vida. Mas não importa o quão forte é a porrada que você dá; o que importa é quanta porrada você pode tomar e continuar marchando. Quanto você consegue aguentar e continuar seguindo em frente. É assim que se vence. Agora, se você sabe o quanto você vale, então vai lá e lute pelo que você merece. Mas você tem que estar disposto a aguentar a porrada, e não ficar apontando o dedo dizendo que você não consegue por causa dele, dela ou de ninguém..."
Rocky Balboa é um personagem fantástico, o trabalho feito por Sylvester Stallone como criador roteirista produtor diretor e interprete do personagem é magnífico e deve ser reverenciado. Nos seis filmes sobre o personagem a trajetória foi de altos e baixos, mas começou com um filme excelente, super premiado e com retorno financeiro sensacional, teve a sequencia com os ótimos segundo e terceiro filme, o bom quato filme, o quinto filme e o estupendo sexto filme fechando a saga. Ele veio fechar a história do grande Rocky Balboa, da forma como ele merecia, permitindo que os fãs pudessem dar (e receber) o "Adeus" ao ídolo de um jeito tão altivo e bacana, como fez por exemplo o Guga em Rolland Garros, jogando já sem condições, mas com brilhantismo como retratado neste vídeo ou no artigo publicado por Mats Wilander na imprensa francesa.
(desculpem a ênfase no paralelo para a vida real)
É uma pena que a crítica não tenha se despido dos preconceitos para avaliar este último filme. Não que tenham apedrejado o filme, isso não ocorreu, mas não lhes renderam as homenagens que ele merecia, enfim...
Festivais de cinema costumam premiar pessoas "pelo conjunto da obra" ou com um outro prêmio especial como uma forma de tentar reparar injustiças de premiações anteriores. Por tudo que ele é eu acho que Rocky Balboa enquanto personagem merece um prêmio pelo conjunto de sua história, um prêmio de melhor personagem.
Eu poderia, aqui, discorrer sobre os recados que o Stallone tentou passar com os filmes, dar detalhes tecnicos das produções ou destacar os panos de fundo históricos de cada filme e as ideologias reforçadas por eles, mas não o farei. Poderia também, como muitos outros fãs resenhistas, traçar o paralelo entre as trajetórias do Rocky e do seu criador Stallone (essas resenhas são ótimas), mas também não irei por aí...
Vou escrever sobre como minha visão sobre ele evoluiu com o passar do tempo. O personagem e o primeiro filme foram criados alguns anos antes de eu nascer, o segundo filme foi feito no ano em que eu nasci, os doi seguintes durante a minha infância, o quinto durante minha adolescência e o último feito agora quando eu me aproximo dos trinta anos.
Ainda criança, eu, enquanto conhecia o Rocky apenas de ouvir falar, não simpatizava com o personagem, considerava-o aquele prototipo de herói americano, desde sempre tão batido. Quando eu enfim vi o Rocky, percebi que era diferente do que eu esperava, e achei o filme muito bom, e o personagem era fantástico. Não é que o Rocky não fosse um herói americano, ele era; mas não era como o "Capitão América" ou o "Super-Homem", como era comum naquela época. O Rocky era mais como "Homem-Aranha", um cara que vencia não por causa de sua qualidades, mas apesar das suas fraquezas. E a luta ainda termina empatada, para sair, ainda mais, do lugar comum. Fantástico galera.
O Segundo filme, acabou se tornando uma necessidade, com o empate na luta do primeiro filme, sentimos a necessidade de um tira-teima entre o Rocky Balboa e o Apollo Creed e ele vem no segundo filme, que segue a mesma fórmula, com a mesma estética , o que poderia fazer o filme ficar repetitivo ou enfadonho, porém excelentemente bem construído, o filme envolve o espectador em seu início, e faz a platéia chegar ao fim do filme como torcedores do Rocky. Ele enfim vence a luta e se torna pela primeira vez o campeão mundial dos pesos pesados. Se o Rocky já era um personagem bacana, alí ele já começava a ficar etrnizado na história do cinema.
Para o terceiro filme eu tinha motivos para ter preconceitos negativos sobre o filme, a insistência na fórmula e o Mr T. por exemplo, mas com a experiência que eu já tinha em Rocky, não me arrisquei a criticar ante de ver, no que fui muito feliz. Rocky, no início, perde o título mundial, o treinador morre e Rocky fica deprimido, e o Apollo Doutrinador é quem vem para treinar o Rocky para recuperar o título. O filme coloca, de forma ainda mais forte que nos outros, o Boxe como apenas um esporte, importante para os personagens, mas apenas uma parte de suas vidas. Neste filme também fica completamente descontruída aquela imagem de que os adversários representam o mal, são apenas pessoas, as vezes com objetivos avessos uns dos outros, mas que podem mudar como o de qualquer um, e portanto o adversário de um dia pode ser aliado no dia seguinte, sem que para isso alguém tenha que ter sido corrompido. Mais um pítulo fantástico na saga do Rocky.
O quarto capítulo, se peca pelo fundo Guerra Fria, prima pela forma brilhante que retrata a amizade que surgiu entre Rocky e Apollo. O filme tem lá seus defeitos, mas a saga do Rocky prossegue ele continua cada vez mais carismático, é verdade que imaginar os russos gritando o nome dele na luta contra o Draco em Moscou, é realmente superestimar o carisma dele, mas no fim é mais um filme bacana do Rocky.
O Boxe é o esporte mais retratado no cinema em todos os tempos. E muitos dos personagens dos filmes de boxe estão entre os maiores da história do cinema, e dentre todos eles Rocky é o personagem mais forte. E ainda tinha mais.
O quinto episódio é de todos o pior,mas tem suas contribuições, mais do que os outros mostra um Rocky com problemas de pessoas normais, é o menos romântico dos seis filmes, e era triste enquanto pensávamos que era o capítulo final da história, pois o Rocky merecia mais...
E teve mais, destinado desde sempre a apoteoses fantásticas Rocky Balboa aparece no Sexto filme, já velho aposentado, e sua grande luta é em princípio contra os efeitos da passagem do tempo, e acaba se tornando uma jornada de auto-conhecimento e aceitação. Sua grande mensagem é aquela citada em epígrafe. O filme é sensacional e fecha essa saga fantástica de forma excepcional.
É mais um sinal da inexorabilidade da passagem do tempo se mostra para nós, Rocky Balboa enfim parou definitivamente, assim como Fidel Castro se aposentou, só o Silvio Santos continua Sécula Seculorum Amen...
quarta-feira, maio 14, 2008
PHILIP K DICK, RIDLEY SCOTT, E O CAÇADOR DE REPLICANTES
O Gênero ficção científica, é dentre todos, o que mais é capaz de gerar polêmica em seu público, por dois grandes motivos, o segundo é pela forma bem caracteristica em que a crítica da sociedade contemporânea a obra feita. O primeiro, e mais primordial, é a própria crítica. Assumindo, esta primeira premissa, fica fácil definir que o gênero teve, na história da humanidade, quatro grandes gênios: Júlio Verne, o precursor de todos eles, Arthur C. Clarke, Isaac Asimov e Philip K. Dick, são os grandes representantes novescentistas (o século mais afeito a este tipo de linguagem).
(Aqui cabe explicar aos não iniciados, que o gênero ficção científica consiste em elaborar uma realidade alternativa, em via de regra no futuro,, e dentro desta realidade criar uma trama para destilar uma crítica consistente velada sobre uma característica presente e determinante da sociedade em que está inserido o autor da obra de ficção). Dentro disso os quatro nomes citados são grandes monstros sagrados incomparáveis, cada um em seu estilo característico, em especial, Philip K Dick, objeto deste ensaio.
Já li bastante coisa do Dick (entre elas: "Do Androids Dream of Eletric Sheep" ou numa tradução livre "Será que Andrides Sonham com Ovelhas Elétricas) e vi ainda algumas outras coisas adaptadas para o cinema. De tudo que eu vi, o Philip deve se nenhuma injustiça ser classificado como um gènio escritor de ficção científica ou, um esquizofrênico incontrolável (ou pelo menos integrante de um grupo de risco para assim ser classificado).
(Aqui cabe nova explicação; pela qualidade, profundidade ,tipo e enfoque das críticas realizadas em obras de ficção científica, os grupos de pessoas que se interessam pela obra são facilmente identificáveis e classificáveis como NERDS, ARTISTAS, FILÓSOFOS, LOUCOS ou cientistas que tenham em sua linha de pesquisa algum parâmetro similar ao de algo que tenha sido citado na obra), exatamente por isso as pessoas que tomam estas obras como referências importantes sejam, injustamente não levadas a sério pelas pessoas em geral, assim como seus autores, que muitas vezes ficaram estigmatizados como autores menores, pelos críticos de seu tempo.
Determinadas todas as qualidades da proposições filosóficas que Philip K Dick é capaz de nos colocar, e todas as condições que levam (ou levaram) os intelectuais (ou pseudo-intelectuais) a menosprezar sua obra, quero aqui dizer alguma coisa sobre o grande tratado de filosofia e sociologia que é "Do Androids Dream of Eletric Sheep". Quero dizer principalmente, que se trata de um livro que através das técnicas bem desenvolvidas de literatura de ficção científica, desnuda completamente a condição, os desejos e as necessidades humanas, em contraposição as regras determinações e politicas vigentes em seu tempo. Enfim, em toda sua obra Philip é genial, neste produto em especifico é simplesmente sublime.
Ridley Scott é um diretor de cinema raro. Não é um fantástico diretor de atores, como foi o sensacional Glauber Rocha, que definia cobrava e exigia cada detalhe das atuações. Não Scott pelo contrário dá toda liberdade para os atores viverem as realidades de seus personagens,nunca perdendo o controle sobre a história que será contada, porque todo o mundo em que se passa a história, o roteiro, os detalhes de como a história será contada e até a escolha do elenco que viverá os personagens da história ficam sob responsabilidade deste diretor, que sempre monta cenários perfeitos, com enquadramentos e ritmos muito bem colocados, para atores escolhidos com esmero inigualável. Enfim para sobrepujar este grande diretor em qualquer dos seus trabalhos, o mínimo que seria necessário é a genialidade, e essa pode ser suficiente para superá-lo em quase toda a sua obra, mas não no caso desta obra em que trato nestas linhas.
A história contada na tela Grande, de Deckard e os replicantes que ele é incumbido de caçar é simplesmente inigualável sobre todos os aspectos, não é somente uma obra prima do escritor do livro, do roteirista que adaptou, do diretor, do produtor, de um dos atores ou todos os atores; mas um caso único de obra prima de todos os envolvidos, desde o diretor aos contra-regrados atores aos figurinistas, do compositor da trilha sonora aos maquiadores. É insuperável.
Enfim, Blade Runner é uma história fantástica, contada por um sensacional contador de histórias, com uma equipe magnífica, numa jornada extremamente bem aventurada.
Para mim que conheço profundamente a obra, e já apreciei três versões que foram lançadas do Blade Runner e um documentário sobre a produção, além de diversos textos e outras críticas em mídias diversas, o que eu mais gostaria e desejo ver, seria a primeira versão (a de quatro horas), a totalmente sem cortes, que o Ridley e seus assistentes mais próximos viram antes de fazer os primeiros cortes para levar aos financiadores. Deve ser Quaquer coisa.
ED
(Aqui cabe explicar aos não iniciados, que o gênero ficção científica consiste em elaborar uma realidade alternativa, em via de regra no futuro,, e dentro desta realidade criar uma trama para destilar uma crítica consistente velada sobre uma característica presente e determinante da sociedade em que está inserido o autor da obra de ficção). Dentro disso os quatro nomes citados são grandes monstros sagrados incomparáveis, cada um em seu estilo característico, em especial, Philip K Dick, objeto deste ensaio.
Já li bastante coisa do Dick (entre elas: "Do Androids Dream of Eletric Sheep" ou numa tradução livre "Será que Andrides Sonham com Ovelhas Elétricas) e vi ainda algumas outras coisas adaptadas para o cinema. De tudo que eu vi, o Philip deve se nenhuma injustiça ser classificado como um gènio escritor de ficção científica ou, um esquizofrênico incontrolável (ou pelo menos integrante de um grupo de risco para assim ser classificado).
(Aqui cabe nova explicação; pela qualidade, profundidade ,tipo e enfoque das críticas realizadas em obras de ficção científica, os grupos de pessoas que se interessam pela obra são facilmente identificáveis e classificáveis como NERDS, ARTISTAS, FILÓSOFOS, LOUCOS ou cientistas que tenham em sua linha de pesquisa algum parâmetro similar ao de algo que tenha sido citado na obra), exatamente por isso as pessoas que tomam estas obras como referências importantes sejam, injustamente não levadas a sério pelas pessoas em geral, assim como seus autores, que muitas vezes ficaram estigmatizados como autores menores, pelos críticos de seu tempo.
Determinadas todas as qualidades da proposições filosóficas que Philip K Dick é capaz de nos colocar, e todas as condições que levam (ou levaram) os intelectuais (ou pseudo-intelectuais) a menosprezar sua obra, quero aqui dizer alguma coisa sobre o grande tratado de filosofia e sociologia que é "Do Androids Dream of Eletric Sheep". Quero dizer principalmente, que se trata de um livro que através das técnicas bem desenvolvidas de literatura de ficção científica, desnuda completamente a condição, os desejos e as necessidades humanas, em contraposição as regras determinações e politicas vigentes em seu tempo. Enfim, em toda sua obra Philip é genial, neste produto em especifico é simplesmente sublime.
Ridley Scott é um diretor de cinema raro. Não é um fantástico diretor de atores, como foi o sensacional Glauber Rocha, que definia cobrava e exigia cada detalhe das atuações. Não Scott pelo contrário dá toda liberdade para os atores viverem as realidades de seus personagens,nunca perdendo o controle sobre a história que será contada, porque todo o mundo em que se passa a história, o roteiro, os detalhes de como a história será contada e até a escolha do elenco que viverá os personagens da história ficam sob responsabilidade deste diretor, que sempre monta cenários perfeitos, com enquadramentos e ritmos muito bem colocados, para atores escolhidos com esmero inigualável. Enfim para sobrepujar este grande diretor em qualquer dos seus trabalhos, o mínimo que seria necessário é a genialidade, e essa pode ser suficiente para superá-lo em quase toda a sua obra, mas não no caso desta obra em que trato nestas linhas.
A história contada na tela Grande, de Deckard e os replicantes que ele é incumbido de caçar é simplesmente inigualável sobre todos os aspectos, não é somente uma obra prima do escritor do livro, do roteirista que adaptou, do diretor, do produtor, de um dos atores ou todos os atores; mas um caso único de obra prima de todos os envolvidos, desde o diretor aos contra-regrados atores aos figurinistas, do compositor da trilha sonora aos maquiadores. É insuperável.
Enfim, Blade Runner é uma história fantástica, contada por um sensacional contador de histórias, com uma equipe magnífica, numa jornada extremamente bem aventurada.
Para mim que conheço profundamente a obra, e já apreciei três versões que foram lançadas do Blade Runner e um documentário sobre a produção, além de diversos textos e outras críticas em mídias diversas, o que eu mais gostaria e desejo ver, seria a primeira versão (a de quatro horas), a totalmente sem cortes, que o Ridley e seus assistentes mais próximos viram antes de fazer os primeiros cortes para levar aos financiadores. Deve ser Quaquer coisa.
ED
domingo, maio 04, 2008
Blog
Você que agora me lê já parou para pensar no que leva uma pessoa a escrever um Blog?
Existe blog para todo gosto: discutir tecnologia politica esporte, para fazer propaganda de algum produto ou idéia, para exaltar filhos, cônjuges, parentes, amigos ou grupos de amigos, ou instuições que fazem parte da vida do autor, como escola empresa ou igreja. Se exalta e se discute e até se disponibilizam midias de artistas e obras que são motivos de outros blogs. Tem gente que faz um blog como se fosse um diário. Tem gente que o faz para auto-promoção. Tem pornográfico, non-sense, enfim...
Muitos blogs sem nenhum objetivo econômico, e outros criados com o claro objetivo de faturamento, apesar de que eu acho que tanto os blogs que tentam vender produtos quanto os blogs jornalísticos, me parecem dar menos retorno que outras formas que essas pessoas poderiam utilizar para ganhar dinheiro. Quem utiliza de publicidade para tentar faturar, vá lá , é logico que é válido, e enfim, pode ser uma forma até interessante de ganhar um extra.
Eu vi outro dia, o Diogo Mainardi, no Manhattan Conection tipo de mídia como fonte de informação, por causa da falta de um certo controle, da proteção do anonimato do escritor, ou da falta de se impor uma responsabilidade a quem publicita informações ao mundo inteiro através da internet, as vezes, sem cuidados, que são desejáveis.
Mas esse não é o foco deste artigo, então, retomemos...
Financeiramente, não creio que seja um negócio assim tão lucrativo, para explicar a existência destes blogs, apenas pelo retorno financeiro que eles dão. E dos muitos blogs que não lucram, será que há algum fator que explica a disseminação desta mídia.
Dirão alguns, que o fator prepoderante seria a intimidade do blogueiro com com as novas ferramentas tecnológicas de mídia. Nesta explicação eu não acredito. Tenho conhecimento de muitas pessoas muito mais linkadas a tecnologias modernas de comunicação, que têm muita coisa a dizer, e não tem blogs. Além de outros tantos muito menos afeitos do que eu, à informática e à rede mundial de computadores, que muitas vezes nem tem tanto a dizer e que mantêm seus blogs.
Minha teoria é a seguinte (e pode-se chamar de teoria do bigode):
A causa pode ser uma sinapse mutante que acontece num ponto do cérebro, sem explicação conhecida, que leva o portador a tomar uma decisão ilógica, como deixar crescer o bigode, ou criar um blog.
Acho que essa explicação me satisfaz.
Existe blog para todo gosto: discutir tecnologia politica esporte, para fazer propaganda de algum produto ou idéia, para exaltar filhos, cônjuges, parentes, amigos ou grupos de amigos, ou instuições que fazem parte da vida do autor, como escola empresa ou igreja. Se exalta e se discute e até se disponibilizam midias de artistas e obras que são motivos de outros blogs. Tem gente que faz um blog como se fosse um diário. Tem gente que o faz para auto-promoção. Tem pornográfico, non-sense, enfim...
Muitos blogs sem nenhum objetivo econômico, e outros criados com o claro objetivo de faturamento, apesar de que eu acho que tanto os blogs que tentam vender produtos quanto os blogs jornalísticos, me parecem dar menos retorno que outras formas que essas pessoas poderiam utilizar para ganhar dinheiro. Quem utiliza de publicidade para tentar faturar, vá lá , é logico que é válido, e enfim, pode ser uma forma até interessante de ganhar um extra.
Eu vi outro dia, o Diogo Mainardi, no Manhattan Conection tipo de mídia como fonte de informação, por causa da falta de um certo controle, da proteção do anonimato do escritor, ou da falta de se impor uma responsabilidade a quem publicita informações ao mundo inteiro através da internet, as vezes, sem cuidados, que são desejáveis.
Mas esse não é o foco deste artigo, então, retomemos...
Financeiramente, não creio que seja um negócio assim tão lucrativo, para explicar a existência destes blogs, apenas pelo retorno financeiro que eles dão. E dos muitos blogs que não lucram, será que há algum fator que explica a disseminação desta mídia.
Dirão alguns, que o fator prepoderante seria a intimidade do blogueiro com com as novas ferramentas tecnológicas de mídia. Nesta explicação eu não acredito. Tenho conhecimento de muitas pessoas muito mais linkadas a tecnologias modernas de comunicação, que têm muita coisa a dizer, e não tem blogs. Além de outros tantos muito menos afeitos do que eu, à informática e à rede mundial de computadores, que muitas vezes nem tem tanto a dizer e que mantêm seus blogs.
Minha teoria é a seguinte (e pode-se chamar de teoria do bigode):
A causa pode ser uma sinapse mutante que acontece num ponto do cérebro, sem explicação conhecida, que leva o portador a tomar uma decisão ilógica, como deixar crescer o bigode, ou criar um blog.
Acho que essa explicação me satisfaz.
E O MALA CASOU
Acontecimento cheio de significados simbólico.
Não é meu primeiro amigo que se casa, mas mais fortemente do que outros, me joga na cara (de novo) a questão da passagem do tempo (tô falando de mais nisso, e pior vou continuar falando para frente).
Foi uma cerimônia bacana, uma oportunidade legal de rever uns amigos e até de conhecer pessoas novas.
Mas mais do que tudo, foi para mim mostrado, pelos noivos, cada um a sua maneira, uma profissão de fé de esperança. não vou explicar isso. Quem os conhece acredito que entendeu.
Márcio e Júlia, parabéns para vocês. E toda sorte do mundo.
Não é meu primeiro amigo que se casa, mas mais fortemente do que outros, me joga na cara (de novo) a questão da passagem do tempo (tô falando de mais nisso, e pior vou continuar falando para frente).
Foi uma cerimônia bacana, uma oportunidade legal de rever uns amigos e até de conhecer pessoas novas.
Mas mais do que tudo, foi para mim mostrado, pelos noivos, cada um a sua maneira, uma profissão de fé de esperança. não vou explicar isso. Quem os conhece acredito que entendeu.
Márcio e Júlia, parabéns para vocês. E toda sorte do mundo.
quinta-feira, maio 01, 2008
O Blog na Rede (mês de abril de 2008)
Este mês foi apenas uma publicação, mas que publicação! Vê ela aí:
Foi muito bacana tudo até aqui, e tomará fique sempre cada vez mais bacana daqui pra frente, seguindo nossas diretrizes que repito novamente:
Apresentação
Este Blog é espaço para um tributo à liberdade de todos nós.
Discutiremos tudo. Sem censura. Escreva pra mim. Eu publico seu texto e respondo. (concordando ou discordando que da MINHA liberdade eu não abro mão) .
Como também não abro mão da SUA liberdade o assunto você decide (futebol politica e religião são bem vindos, não temos medo de polemica).
MANTENHAMOS UM BOM NÍVEL, POR FAVOR.
Quer publicar um texto?
Escreva para: blogdoed@gmail.com
Polemize aqui não haverá linha editorial ou tendência exponha seus argumentos e os veja confrontados (ou reforçados). Quer falar bobagem? Expor sua arte? Tente colocá-la aqui.
Nosso lema: "Defenderei até a morte o direito de dizê-lo, mas não concordo com nada do que disse."
Muito obrigado pela sua atenção.
ED Publicado originalmente em 14/04/2006
Discutiremos tudo. Sem censura. Escreva pra mim. Eu publico seu texto e respondo. (concordando ou discordando que da MINHA liberdade eu não abro mão) .
Como também não abro mão da SUA liberdade o assunto você decide (futebol politica e religião são bem vindos, não temos medo de polemica).
MANTENHAMOS UM BOM NÍVEL, POR FAVOR.
Quer publicar um texto?
Escreva para: blogdoed@gmail.com
Polemize aqui não haverá linha editorial ou tendência exponha seus argumentos e os veja confrontados (ou reforçados). Quer falar bobagem? Expor sua arte? Tente colocá-la aqui.
Nosso lema: "Defenderei até a morte o direito de dizê-lo, mas não concordo com nada do que disse."
Muito obrigado pela sua atenção.
ED Publicado originalmente em 14/04/2006
Marcadores:
2008,
ABRIL,
ABRIL DE 2008,
APRESENTAÇÃO,
BLOG,
ORIGINAIS,
RETROSPECTIVA
quarta-feira, abril 23, 2008
LAVOURA ARCAICA
Esse mês eu vi já pela décima vez o filme Lavoura Arcaica. Eu e esse filme temos uma história de atração mútua, mas em princípio não vou falar aqui da minha história com este filme, vou sim exaltá-lo ao ponto que eu acho que ele merece. Não é um filme que tenha sido muito visto, e entre os que já o viram, sei que existem alguns que não terão dele as mesmas impressões,mas enfim.
Pra começar o básico do filme que chama a atenção de cara no filme é a fotografia, a ambientação, locação guarda roupa; tudo que podia ser feito com para dar o clima da época e da estrutura social em que os personagens estão inseridos e todo o clima do ambiente; foi feito com tal esmero e qualidade, que definitivamente sobre este aspecto Lavoura Arcaica é de longe o filme Brasileiro mais bem feito da história, e sobre isso eu acho que ninguém discutirá.
Vamos falar um pouco da história então: O livro é simplesmente sensacional, uma história, densa, filosófica e polêmica, contada de uma forma que que te prende cheia de recursos ritmicos, vocabulares e gramáticos que te ajudam a entrar não somente na história, mas tambem na cabeçados personagens, de uma forma tão impressionante, que você entende todos os personagens e suas atitudes, de formas que o leitor acaba tendo a impressão da inescapabilidade daqueles destinos todos (ou pelo menos quase todos).
E além disso, tem o tempo. O tempo, senhor de todos os destinos, é agente central da trama, e dele nasce as condições e as reações que dão forma ao livro. Tudo isso extremamente bem trabalhado pelo autor, que com seus recursos linguisticos brinca com o tempo deixando o leitor sempre numa condição psicológica que maximiza a reação causada pelo que o desenvolvimento da trama causará.
Puta texto, do puta escritor que é o Raduan Nassar. Leitura Obrigatória.
No filme,a história está perfeitamente colocada. Nas, sei lá, tipo 3 horas da pelicula, você vai ter as mesmas sensações que a leitura do livro lhe causa. Não tenho dúvida em dizer que nunca houve história mais bem adaptada para o cinema do que esta, no máximo pode ser igualada em algum caso. Para um expectador desavisado ou de julgamento mais apressado, o filme parecerá lento e esquisito. Mas para quem vai um pouco mais preparado, ou analisa de forma mais detida vê que diretor mexe com ritmo, muda os enquadramentos, insere e mescla flashbacks, narrações e monólogos que completam a ação do filme, para levar ao expectador não apenas uma história, mas a história que o Raduan Nassar contou, e da forma como ele contou.
Já ficou claro que eu penso que o diretor fez uma trabalho fantástico assim como a equipe técnica toda, fotografia, edição, montagem guarda-roupa, maquiagem, roteiro enfim, com tudo isso seria uma bela produção, mas não ainda, um filme tão bacana.
Mas os atores que trabalharam neste filme (todos eles), atuaram de forma tão consonante com toda a qualidade da produção e assim fizeram deste filme esta obra incrível. Para não me alongar muito vou dizer que do Raul Cortez que de coadjuvante que era encarnou tão bem o personagem que só não roubaou a cena, porque Selton Melo (o protagonista) teve uma atuação assustadora de tão perfeita. E a atuação mais incrível ainda é a de Simone Spoladore, uma das melhores atuações que já vi. E ela não diz uma palavra. Caralho!
Eu definitivamente considero este filme qualquer coisa....
Sei que muita gente, talvez quase todos vão dizer que só falei bobagens...
Mas eu digo, minha análise desse filme é completa, e se eu sei que não é um filme para qualquer um; também sei que, para quem ele for; ele não será UM, mas sim O filme.
Enfim.eu disse o que eu acho e o que penso que devia ser dito.Se alguém discorda, que diga o que pensa. Agora quem não viu, talvez devesse ver, pra descobrir o que pensaria, mas já sabendo de antemão, tudo que eu disse, de que o filme assim como livro pode ser tudo, menos fácil.
É isso aí.
ED
Pra começar o básico do filme que chama a atenção de cara no filme é a fotografia, a ambientação, locação guarda roupa; tudo que podia ser feito com para dar o clima da época e da estrutura social em que os personagens estão inseridos e todo o clima do ambiente; foi feito com tal esmero e qualidade, que definitivamente sobre este aspecto Lavoura Arcaica é de longe o filme Brasileiro mais bem feito da história, e sobre isso eu acho que ninguém discutirá.
Vamos falar um pouco da história então: O livro é simplesmente sensacional, uma história, densa, filosófica e polêmica, contada de uma forma que que te prende cheia de recursos ritmicos, vocabulares e gramáticos que te ajudam a entrar não somente na história, mas tambem na cabeçados personagens, de uma forma tão impressionante, que você entende todos os personagens e suas atitudes, de formas que o leitor acaba tendo a impressão da inescapabilidade daqueles destinos todos (ou pelo menos quase todos).
E além disso, tem o tempo. O tempo, senhor de todos os destinos, é agente central da trama, e dele nasce as condições e as reações que dão forma ao livro. Tudo isso extremamente bem trabalhado pelo autor, que com seus recursos linguisticos brinca com o tempo deixando o leitor sempre numa condição psicológica que maximiza a reação causada pelo que o desenvolvimento da trama causará.
Puta texto, do puta escritor que é o Raduan Nassar. Leitura Obrigatória.
No filme,a história está perfeitamente colocada. Nas, sei lá, tipo 3 horas da pelicula, você vai ter as mesmas sensações que a leitura do livro lhe causa. Não tenho dúvida em dizer que nunca houve história mais bem adaptada para o cinema do que esta, no máximo pode ser igualada em algum caso. Para um expectador desavisado ou de julgamento mais apressado, o filme parecerá lento e esquisito. Mas para quem vai um pouco mais preparado, ou analisa de forma mais detida vê que diretor mexe com ritmo, muda os enquadramentos, insere e mescla flashbacks, narrações e monólogos que completam a ação do filme, para levar ao expectador não apenas uma história, mas a história que o Raduan Nassar contou, e da forma como ele contou.
Já ficou claro que eu penso que o diretor fez uma trabalho fantástico assim como a equipe técnica toda, fotografia, edição, montagem guarda-roupa, maquiagem, roteiro enfim, com tudo isso seria uma bela produção, mas não ainda, um filme tão bacana.
Mas os atores que trabalharam neste filme (todos eles), atuaram de forma tão consonante com toda a qualidade da produção e assim fizeram deste filme esta obra incrível. Para não me alongar muito vou dizer que do Raul Cortez que de coadjuvante que era encarnou tão bem o personagem que só não roubaou a cena, porque Selton Melo (o protagonista) teve uma atuação assustadora de tão perfeita. E a atuação mais incrível ainda é a de Simone Spoladore, uma das melhores atuações que já vi. E ela não diz uma palavra. Caralho!
Eu definitivamente considero este filme qualquer coisa....
Sei que muita gente, talvez quase todos vão dizer que só falei bobagens...
Mas eu digo, minha análise desse filme é completa, e se eu sei que não é um filme para qualquer um; também sei que, para quem ele for; ele não será UM, mas sim O filme.
Enfim.eu disse o que eu acho e o que penso que devia ser dito.Se alguém discorda, que diga o que pensa. Agora quem não viu, talvez devesse ver, pra descobrir o que pensaria, mas já sabendo de antemão, tudo que eu disse, de que o filme assim como livro pode ser tudo, menos fácil.
É isso aí.
ED
terça-feira, abril 01, 2008
O Blog na Rede (mês de março de 2008)
O mês de março veio e com ele quatro novas publicações aqui no blog. Muito bacanas aliás... foram essas:
- - Arthur C. Clarke
- - A Lenda
- - ENTREVISTA COM UM MÉDICO
- - PASSEIO SOCRÁTICO
- E o blog vai indo bem, com uma frequência e uma regularidade das publicações cada vez maiores.
- Continuamos aí querendo como sempre fazer, aquilo a que nos propomos desde o início e que aqui repito...:
Apresentação
Este Blog é espaço para um tributo à liberdade de todos nós.
Discutiremos tudo. Sem censura. Escreva pra mim. Eu publico seu texto e respondo. (concordando ou discordando que da MINHA liberdade eu não abro mão) .
Como também não abro mão da SUA liberdade o assunto você decide (futebol politica e religião são bem vindos, não temos medo de polemica).
MANTENHAMOS UM BOM NÍVEL, POR FAVOR.
Quer publicar um texto?
Escreva para: blogdoed@gmail.com
Polemize aqui não haverá linha editorial ou tendência exponha seus argumentos e os veja confrontados (ou reforçados). Quer falar bobagem? Expor sua arte? Tente colocá-la aqui.
Nosso lema: "Defenderei até a morte o direito de dizê-lo, mas não concordo com nada do que disse."
Muito obrigado pela sua atenção.
ED
Publicado originalmente em 14/04/2006
Marcadores:
2008,
APRESENTAÇÃO,
BLOG,
MARÇO,
MARÇO DE 2008,
ORIGINAIS,
RETROSPECTIVA
Assinar:
Postagens (Atom)
