Eu não ia ter como escrever tudo que eu acho que merecia a ocasião. Não pode passa em branco a despedida deste homem que foi um ídolo da minha infância, que com certeza foi figura importante na formação do meu caráter e do meu pensamento na vida adulta. Colocarei aqui textos de dois outros Blogs, que me foram enviados pelo amigo e chefe Coutinho. Meu sentimento é imprescionantemente parecido com o dos redatores. Espero que se eles souberem da minha citação, não fiquem chateados.
"Arthur C. Clarke, O Profeta do Futuro
“Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da mágica.”
Morreu ontem no Sri Lanka um dos maiores escritores de ficção científica de todos os tempos, o grande e imortal Sir Arthur C. Clarke, que profetizou em mais de uma centena de livros muitas invenções que se tornaram realidade como o satélite artificial, o ônibus espacial, os super computadores e os sistemas de comunicação instantânea que todos nós conhecemos tão bem.
Nos anos 40, Sir Arthur defendeu a tese de que o homem iria pisar na Lua até o ano 2000, algo que era considerado impossível naquela época. Algum tempo depois, foi convidado para participar como comentarista das transmissões das missões lunares da Apollo 12 e Apollo 15.
Além de ter influenciado a criação de diversas tecnologias que usamos no dia a dia, Sir Arthur também foi uma enorme influência para diversos escritores, diretores de cinema e produtores de séries de TV. Em 1964 trabalhou com o grande diretor de cinema Stanley Kubrick para adaptar seu conto “O Sentinela”, que acabou se tornando o magistral filme “2001: Uma Odisséia no Espaço”.
Seus escritos despertam a paixão pela tecnologia em milhões de crianças ao redor do mundo, inclusive no blogueiro que digita estas linhas. Eu tenho uma enorme dívida de gratidão com Clarke por ele ter criado obras geniais como por exemplo “Encontro com Rama”, e posso dizer que se não tivesse tido um contato precoce com as obras de Sir Arthur e do seu velho amigo Isaac Asimov, eu jamais teria criado um blog sobre novidades tecnológicas.
Ele e Asimov inclusive criaram um tratado pessoal muito curioso, que estabelecia que sempre iriam indicar o outro como o melhor escritor de ficção científica do mundo. Nada mais justo, afinal, ambos estavam certíssimos.
Sir Arthur também é famoso pelas suas frases, simplesmente geniais. Citando o mestre: “Se nós tivermos aprendido algo da história de invenções e descobertas, é que, a longo prazo – e muitas vezes a curto prazo – as profecias mais audaciosas parecem ridiculamente conservadoras.”
Outro assunto que mexia com Sir Arthur era a questão da religião e o absurdo do Criacionismo, ele cunhou esta pérola: “Eu até defenderia a liberdade de adultos criacionistas praticarem qualquer perversão intelectual que eles quisessem na privacidade de suas casas, mas também é necessário proteger os jovens e os inocentes.”
Ainda falando sobre religião, Sir Arthur disse: “O conceito de que Deus criou o homem a sua imagem e semelhança é como uma bomba relógio nas fundações do Cristianismo”.Sir Arthur cunhou as Leis de Clarke, que estipulam:
1. Quando um cientista renomado e experiente diz que algo é possível, ele está quase certamente certo. Quando ele diz que algo é impossível, ele está muito provavelmente errado.
2. O único caminho para desvendar os limites do possível é aventurar-se além dele, através do impossível.
3. Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da mágica.
Em reconhecimento ao seu legado, Clarke ganhou os prêmios Nebula Award em 1972, 1974 e 1979; e o Hugo Award of em 1974 e 1980, além de ter se tornado o Grande Mestre dos Escritores de Ficção Científica da América em 1986.
Seu último livro, The Last Theorem, co-escrito com Frederik Pohl, deve ser lançado no final deste ano.
Sir Arthur viverá para sempre no coração dos seus fãs, e nas estrelas de onde buscou inspiração para sua magnífica obra. Descanse em paz, Mestre, nós sentiremos muito a sua falta."
Visite o site da Clarke Foundation.
Confira aqui uma entrevista com o mestre, feita em 2004.
Via AP e BBC.
Do blog DIGITAL DROPS - http://www.digitaldrops.com.br
"Arthur Clarke (16.12.1917-19.03.2008)
Ele morreu e, como meus maiores ídolos (Sagan, Asimov…), não quis funeral religioso.
É bom, porque adoram inventar que grandes ateus da história humana ficaram religiosos perto do fim. O que não é verdade.
Arthur Clarke foi grande. Mudou minha vida, junto com alguns outros autores relevantes de ficção e divulgação científica. Quando eu era adolescente, cheio de idéias subversivas de que o mundo não era exatamente como andavam me dizendo que era, foram ele, Asimov, Sagan, Stephen Jay Gould e alguns outros cientistas e escritores que me ajudaram a entender que eu não estava só. Que aquelas idéias não eram tão estranhas e absurdas. Tendo sido criado numa família católica, eles foram minha vela na escuridão.
Todos foram embora. Ontem foi a vez de Clarke, o último deles. Deixou um legado indiscutível."
Do Blog de Alexandre Maron -http://www.alexmaron.com.br
Espaço para opiniões diversas dos propietários e dos leitores sobre quaisquer coisas que lhe interessem, ou não.
Blogueiros
quinta-feira, março 20, 2008
A Lenda
Eu vi a lenda.
Em seu terno prateado,
eu vi a lenda.
Empunhando a sua guitarra,
eu vi a lenda.
Atacando ferozmente o piano,
eu vi a lenda.
Eu vi a lenda e sua lendária voz
quase sumindo.
Eu vi a lenda num hercúleo esforço
para cantar.
E eu vi que todos viram o mesmo.
E vi que as pessoas reconheceram
e reverenciaram o seu esforço.
Eu vi e ouvi a lenda
cantando as suas lendárias canções.
Vi e ouvi todos cantarem juntos
a plenos pulmões.
Eu vi a lenda tocar dezenas de novas músicas.
E relegar dezenas de clássicos a ficarem ressoando
apenas na memória dos fãs.
Como se a sua história começasse ali.
Como se a lenda não fosse lenda.
Eu vi a lenda e sua lendária sisudez.
Eu vi a lenda e sua energia magnética.
Eu vi a lenda e o brilho em todos os olhares.
E os corações crepitando de entusiasmo.
E senti o Mundo pulsando em seus acordes e letras.
Eu vi a lenda e senti todos os gigantes dos séculos
tocando a mão sobre a sua cabeça
e dizendo: "Estamos contigo."
Eu vi a lenda, e vi que a lenda é mortal.
Eu vi a lenda e que ele é apenas um garoto das terras do Norte.
Eu vi a lenda e que ele é apenas mais um homem triste e solitário.
Eu vi a lenda. E a lenda se chamava Bob Dylan.
Mendelson
Em seu terno prateado,
eu vi a lenda.
Empunhando a sua guitarra,
eu vi a lenda.
Atacando ferozmente o piano,
eu vi a lenda.
Eu vi a lenda e sua lendária voz
quase sumindo.
Eu vi a lenda num hercúleo esforço
para cantar.
E eu vi que todos viram o mesmo.
E vi que as pessoas reconheceram
e reverenciaram o seu esforço.
Eu vi e ouvi a lenda
cantando as suas lendárias canções.
Vi e ouvi todos cantarem juntos
a plenos pulmões.
Eu vi a lenda tocar dezenas de novas músicas.
E relegar dezenas de clássicos a ficarem ressoando
apenas na memória dos fãs.
Como se a sua história começasse ali.
Como se a lenda não fosse lenda.
Eu vi a lenda e sua lendária sisudez.
Eu vi a lenda e sua energia magnética.
Eu vi a lenda e o brilho em todos os olhares.
E os corações crepitando de entusiasmo.
E senti o Mundo pulsando em seus acordes e letras.
Eu vi a lenda e senti todos os gigantes dos séculos
tocando a mão sobre a sua cabeça
e dizendo: "Estamos contigo."
Eu vi a lenda, e vi que a lenda é mortal.
Eu vi a lenda e que ele é apenas um garoto das terras do Norte.
Eu vi a lenda e que ele é apenas mais um homem triste e solitário.
Eu vi a lenda. E a lenda se chamava Bob Dylan.
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segunda-feira, março 10, 2008
ENTREVISTA COM UM MÉDICO
Um médico sincero foi questionado sobre vários conselhos que sempre nos são dados...
Pergunta: Exercícios cardiovasculares prolongam a vida, é verdade?
Resposta: O seu coração foi feito para bater por uma quantidade de vezes e só... não desperdice essas batidas em exercícios. Tudo gasta-se eventualmente Acelerar seu coração não vai fazer você viver mais: isso é como dizer que você pode prolongar a vida do seu carro dirigindo mais depressa. Quer viver mais? Tire uma soneca !!!
P: Devo cortar a carne vermelha e comer mais frutas e vegetais?
R: Você precisa entender a logística da eficiência... .O que a vaca come? Feno e milho. O que é isso? Vegetal. Então um bife nada mais é do que um mecanismo eficiente de colocar vegetais no seu sistema. Precisa de grãos? Coma frango. A carne de porco pode fornecer 100% da sua cota diária recomendada de vegetais.
P: Devo reduzir o consumo de álcool?
R: De jeito nenhum. Vinho é feito de fruta. Brandy é um vinhodestilado, o que significa que, eles tiram a água da fruta de modo que vc tire maior proveito dela. Cerveja também é feita de grãos. Pode entornar!
P: Quais são as vantagens de um programa regular de exercícios?
R: Mi nha filosofia é: Se não tem dor...tá bom!
P: Frituras são prejudiciais?
R: VOCÊ NÃO ESTÁ ME ESCUTANDO!!! !... Hoje em dia a comida é frita em óleo vegetal. Na Verdade ficam impregnadas de óleo vegetal. Como pode mais vegetal ser prejudicial para você?
P: Flexões ajudam a reduzir a gordura?
R: Absolutamente não! Exercitar um músculo faz apenas com que ele aumente de tamanho.
P: Chocolate faz mal?
R: Tá maluco? !!!! Cacau!!!! Outro vegetal!! É uma comida boap´ra se ficar feliz !!! E lembre-se: A vida não deve ser uma viagem para o túmulo, com a intenção de chegar lá são e salvo, com um corpo atraente e bem preservado. Melhor enfiar o pé na jaca - Cerveja em uma mão - tira gosto na outra - muito sexo e um corpo completamente gasto, totalmente usado, gritando: VALEU !!! QUE VIAGEM!!!!!! !!!!!!
Pergunta: Exercícios cardiovasculares prolongam a vida, é verdade?
Resposta: O seu coração foi feito para bater por uma quantidade de vezes e só... não desperdice essas batidas em exercícios. Tudo gasta-se eventualmente Acelerar seu coração não vai fazer você viver mais: isso é como dizer que você pode prolongar a vida do seu carro dirigindo mais depressa. Quer viver mais? Tire uma soneca !!!
P: Devo cortar a carne vermelha e comer mais frutas e vegetais?
R: Você precisa entender a logística da eficiência... .O que a vaca come? Feno e milho. O que é isso? Vegetal. Então um bife nada mais é do que um mecanismo eficiente de colocar vegetais no seu sistema. Precisa de grãos? Coma frango. A carne de porco pode fornecer 100% da sua cota diária recomendada de vegetais.
P: Devo reduzir o consumo de álcool?
R: De jeito nenhum. Vinho é feito de fruta. Brandy é um vinhodestilado, o que significa que, eles tiram a água da fruta de modo que vc tire maior proveito dela. Cerveja também é feita de grãos. Pode entornar!
P: Quais são as vantagens de um programa regular de exercícios?
R: Mi nha filosofia é: Se não tem dor...tá bom!
P: Frituras são prejudiciais?
R: VOCÊ NÃO ESTÁ ME ESCUTANDO!!! !... Hoje em dia a comida é frita em óleo vegetal. Na Verdade ficam impregnadas de óleo vegetal. Como pode mais vegetal ser prejudicial para você?
P: Flexões ajudam a reduzir a gordura?
R: Absolutamente não! Exercitar um músculo faz apenas com que ele aumente de tamanho.
P: Chocolate faz mal?
R: Tá maluco? !!!! Cacau!!!! Outro vegetal!! É uma comida boap´ra se ficar feliz !!! E lembre-se: A vida não deve ser uma viagem para o túmulo, com a intenção de chegar lá são e salvo, com um corpo atraente e bem preservado. Melhor enfiar o pé na jaca - Cerveja em uma mão - tira gosto na outra - muito sexo e um corpo completamente gasto, totalmente usado, gritando: VALEU !!! QUE VIAGEM!!!!!! !!!!!!
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domingo, março 09, 2008
PASSEIO SOCRÁTICO
Ao visitar em agosto a admirável obra social de Carlinhos Brown, no Candeal, em Salvador, ouvi-o contar que na infância, vivida ali na pobreza, ele não conheceu a fome. Havia sempre um pouco de farinha, feijão, frutas e hortaliças. "Quem trouxe a fome foi a geladeira", disse. O eletrodoméstico impôs à família a necessidade do supérfluo: refrigerantes, sorvetes etc. A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria figura acima de sua utilidade. Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é inelutavelmente insaciável. É próprio do humano - e nisso também nos diferenciamos dos animais - manipular o alimento que ingere. A refeição exige preparo,criatividade, e a cozinha é laboratório culinário, como a mesa é missa, no sentido litúrgico. A ingestão de alimentos por um gato ou cachorro é um atavismo desprovido de arte. Entre humanos, comer exige um mínimo de cerimônia: sentar à mesa coberta pela toalha, usar talheres, apresentar os pratos com esmero e, sobretudo, desfrutar da companhia de outros comensais. Trata-se de um ritual que possui rubricas indeléveis. Parece-me desumano comer de pé ou sozinho, retirando o alimento diretamente da panela. Marx já havia se dado conta do peso da geladeira. Nos "Manuscritos econômicos e filosóficos" (1844), ele constata que "o valor que cada um possui aos olhos do outro é o valor de seus respectivos bens. Portanto, em si o homem não tem valor para nós." O capitalismo de tal modo desumaniza que já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social. Desprovido ou despojado deles, perco o valor, condenado ao mundo ignaro da pobreza e à cultura da exclusão. Para o povo maori da Nova Zelândia cada coisa, e não apenas as pessoas, tem alma. Em comunidades tradicionais de África também se encontra essa interação matéria-espírito. Ora, se dizem a nós que um aborígene cultua uma árvore ou pedra, um totem ou ave, com certeza faremos um olhar de desdém. Mas quantos de nós não cultuam o próprio carro, um determinado vinho guardado na adega, uma jóia? Assim como um objeto se associa a seu dono nas comunidades tribais, na sociedade de consumo o mesmo ocorre sob a sofisticada égide da grife. Não se compra um vestido, compra-se um Gaultier; não se adquire um carro, e sim uma Ferrari; não se bebe um vinho, mas um Château Margaux. A roupa pode ser a mais horrorosa possível, porém se traz a assinatura de um famoso estilista a gata borralheira transforma-se em cinderela... Somos consumidos pelas mercadorias na medida em que essa cultura neoliberal nos faz acreditar que delas emana uma energia que nos cobre como uma bendita unção, a de que pertencemos ao mundo dos eleitos, dos ricos, do poder. Pois a avassaladora indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito, que nos transfigura quando neles tocamos. E se somos privados desse privilégio, o sentimento de exclusão causa frustração, depressão, infelicidade. Não importa que a pessoa seja imbecil. Revestida de objetos cobiçados, é alçada ao altar dos incensados pela inveja alheia. Ela se torna também objeto, confundida com seus apetrechos e tudo mais que carrega nela mas não é ela: bens, cifrões, cargos etc. Comércio deriva de "com mercê", com troca. Hoje as relações de consumo são desprovidas de troca, impessoais, não mais mediatizadas pelas pessoas. Outrora, a quitanda, o boteco, a mercearia, criavam vínculos entre o vendedor e o comprador, e também constituíam o espaço das relações de vizinhança, como ainda ocorre na feira. Agora o supermercado suprime a presença humana. Lá está a gôndola abarrotada de produtos sedutoramente embalados. Ali, a frustração da falta de convívio é compensada pelo consumo supérfluo. "Nada poderia ser maior que a sedução" - diz Jean Baudrillard - "nem mesmo a ordem que a destrói." E a sedução ganha seu supremo canal na compra pela internet. Sem sair da cadeira o consumidor faz chegar à sua casa todos os produtos que deseja. Vou com freqüência a livrarias de shoppings. Ao passar diante das lojas e contemplar os veneráveis objetos de consumo, vendedores se acercam indagando se necessito algo. "Não, obrigado. Estou apenas fazendo um passeio socrático", respondo. Olham-me intrigados. Então explico: Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo. Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. E, assediado por vendedores como vocês, respondia:
"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz".
Frei Beto
"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz".
Frei Beto
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sábado, março 01, 2008
O Blog na Rede (mês de fevereiro de 2008)
- Agora em fevereiro foram 5 publicações, que orgulhosamente
- apresentamos:
- - OK RADIOHEAD
- - PALINDROMO
- - AMANHÃ A NOIVA NÃO IRÁ AO ALTAR
- - ACIDENTES ECOLÓGICOS: TRISTE DIVERTIMENTO
- Colunista britânico defende 'Plano Marshall' para salvar a Amazônia
E é com o mesmo orgulho, e com muita alegria que apresentamostambém esse espaço e o motivo a que viemos:
Apresentação
Este Blog é espaço para um tributo à liberdade de todos nós.Discutiremos tudo. Sem censura. Escreva pra mim. Eu publico seu texto e respondo. (concordando ou discordando que da MINHA liberdade eu não abro mão).
Como também não abro mão da SUA liberdade o assunto você decide(futebol politica e religião são bem vindos, não temos medo de polemica).
MANTENHAMOS UM BOM NÍVEL, POR FAVOR.
Quer publicar um texto?Polemize aqui não haverá linha editorial ou tendência exponha seus argumentos e os veja confrontados (ou reforçados). Quer falar bobagem? Expor sua arte? Tente colocá-la aqui.
Nosso lema: "Defenderei até a morte o direito de dizê-lo, mas não concordo com nada do que disse."
Muito obrigado pela sua atenção.
ED
Publicado originalmente em 14/04/2006
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RETROSPECTIVA
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
OK RADIOHEAD
Radiohead é a melhor banda do mundo. E não venham me falar de Strokes e de qualquer coisa do tipo. O Radio, com o Ian curtis, opa, digo, com o Thom Yorke, tá indo cada vez mais longe...tá indo longe demais! E é bom que assim seja, porque o lance é esse mesmo, fazer a voz e todos os instrumentos gemerem até o final, para que venha tudo o que há, tudo que se move no invisível e no indizível. Essa semana ouvi bastante a música Creep, que é antiga, de 1993. Nessa época quase ninguém imaginava que o Radio faria algo tão absurdamente legal como o Ok Computer(1997). Porém, se ouvirmos Creep com bastante cuidado, será possível intuir o embrião que ela guarda; será possível enxergar que a banda iria muito longe, iria mexer com cabeças e corações já desiludidos com as perspectivas do rock do final do século. Radiohead explodiu, mostrou muita coisa - aconselho a todos ouvir com muita atenção os álbuns Ok Computer e The Bends (1995). Ocorre que o Radiohead parece que jamais se contentará com o que já fez de bacana, minha impressão é de que chegará num ponto em que não fará música... inventará uma nova arte, algo divino que sintetizará num só canto a tristeza e o amor, a poesia e a triste melodia. Estou ouvindo o In Rainbows (2007) e posso comprovar isso que acabei de dizer. A sensação é de que essas músicas acompanham minha vida, movimentam-se numa dança em comum, fazem mais do que se propõem, vão para além do bem e do mal.Não sou um profundo conhecedor do Radiohead. Conheço-a apenas do Ok Computer e do The Bends e, a partir de hoje, do In Rainbows. Mas tenho me interessado muito, e confesso que desde a primeira vez que vi a cara do Thom Yorke, já sabia que um dia iria me tornar fã. Na época em que o Ok esteve aqui em casa (em maio e junho do ano passado), eu não me encontrava nada bem, minha capacidade de avaliação estava meio comprometida; mesmo assim pude sentir toda magia e insensatez da banda, pude vislumbrar que mais cedo ou mais tarde iria me sentar e ouvir com prazer aqueles estranhos, dóceis e insanos sons. Como disse, estou ouvindo o Rainbows, e posso dizer, sem medo, que estou diante das músicas que mais refletem como as coisas, depois das várias transformações ao longo dos anos, se tornaram... Sinto tristeza na voz do Thom e em toda a melodia do CD; contudo essa tristeza não me faz mal; ao contrário, provoca-me algo de bom, pois revela sobre mim, sobre como vejo e sinto o mundo.
MOISÉS
PUBLICAÇÃO ORIGINAL: ABRIGO MADRUGADA
http://abrigomadrugada.blogspot.com
MOISÉS
PUBLICAÇÃO ORIGINAL: ABRIGO MADRUGADA
http://abrigomadrugada.blogspot.com
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
PALINDROMO
Tô entrando numa sala de cinema sete anos atrás. Pra ver uns curta-metragens.... Tô eu, a minha boa amiga Tatiane Lopes Bueno e uma grande amiga dela que eu tinha acabado de conhecer, nós tomamos uns três chopes cada um e estamos atrasados... a sessão já começou. Nós entramos e vemos um cara andando pra trá e divagando: "...eu rio porque eu sei que no final tudo dá certo. E quando tudo dá certo na minha vida eu sou feliz. Eu sou feliz até na praga. Exalo felicidade por todos os poros. Uma felicidade contagiante. Uma hora dessas... puxa, nem sei..." Porra!!! Três chopes na cabeça entrando correndo na sala de cinema, e o cara me vem com essa....eu entrei em transe.... acho que a Tati também.... porque aquilo que cara tava dizendo tinha tudo a ver com a vida que a gente vinha levando na época. Soluções que só surgiam aos 48 do segundo tempo.... cara eu pirei. Vimos os três outro curtas da sessão, eu ainda num clima meio catargico, sei lá...
Saímos de lá fomos tomar umas cervejas, um papo bacana, três universitários muitos sonhos muitos projetos, divertido... comentamos os filmes, e essa cena final do primeiro filme. Caralho... Aquela divagação foi algo bacana pra todos nós termos ouvido... dava uma conciência diferente da nossa própria realidade... ao mesmo tempo ficou faltando alguma coisa. Mas enfim existiam muitos outros assuntos tomamos algumas cervejas, fui com as moças para os pontos de ônibus, de uma e depois de outra, com as duas nos respectivos ônibus fui pro meu próprio ponto mas com aquela cena martelando na cabeça.....
Agora tô eu sozinho no dia seguinte. Sentado na mesma sala de cinema. So que antes da sessão começar.... aí vem...
O FILME
Palindromo se você não sabe, é uma palavra ou expressão ou texto que de trás pra frente é a mesma coisa. E agora que eu vi o filme todo eu penso sobre isso e tento ver as coisas nos dois sentidos.putaqueopariu. Minha cabeça deu um nó... mas eu peguei.... aquilo me fez bem.... fez bem pra caralho.
Sabe o que mais de vez em quando eu penso naquela época, e penso naqueles dias e penso nesse filme, e daí pra minha vida até hoje isso me faz muito bem. e cada vez que eu lembro é um bem diferente, e daí eu rio.... eu rio é porque eu sei que no final tudo dá certo....
(esta postagem é com muita saudade da época, da faculdade e dos amigos como a Tati que faz parte dessa história e que ficou perdida no tempo, como lágrimas na chuva)
Saímos de lá fomos tomar umas cervejas, um papo bacana, três universitários muitos sonhos muitos projetos, divertido... comentamos os filmes, e essa cena final do primeiro filme. Caralho... Aquela divagação foi algo bacana pra todos nós termos ouvido... dava uma conciência diferente da nossa própria realidade... ao mesmo tempo ficou faltando alguma coisa. Mas enfim existiam muitos outros assuntos tomamos algumas cervejas, fui com as moças para os pontos de ônibus, de uma e depois de outra, com as duas nos respectivos ônibus fui pro meu próprio ponto mas com aquela cena martelando na cabeça.....
Agora tô eu sozinho no dia seguinte. Sentado na mesma sala de cinema. So que antes da sessão começar.... aí vem...
O FILME
Palindromo se você não sabe, é uma palavra ou expressão ou texto que de trás pra frente é a mesma coisa. E agora que eu vi o filme todo eu penso sobre isso e tento ver as coisas nos dois sentidos.putaqueopariu. Minha cabeça deu um nó... mas eu peguei.... aquilo me fez bem.... fez bem pra caralho.
Sabe o que mais de vez em quando eu penso naquela época, e penso naqueles dias e penso nesse filme, e daí pra minha vida até hoje isso me faz muito bem. e cada vez que eu lembro é um bem diferente, e daí eu rio.... eu rio é porque eu sei que no final tudo dá certo....
(esta postagem é com muita saudade da época, da faculdade e dos amigos como a Tati que faz parte dessa história e que ficou perdida no tempo, como lágrimas na chuva)
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domingo, fevereiro 24, 2008
AMANHÃ A NOIVA NÃO IRÁ AO ALTAR
Pois é caros leitores, não procurarei mais entender (se é que ainda não entendo) porque as moças parecem não querer se envolver com um cara bacana ( igual que nem eu). Dez anos procurando uma esposa, já estive focado nos mais diversos tipos de mulheres. e cheguei ao ponto de ficar simplesmente disponível para a garota que viesse e quisesse. Nada disso funcionou. Pode ser minha personalidade forte, ou minha conta bancária fraca, que sabe? Mas não importa. Os fatos postos a mesa são todos contra o que eu penso que deva ser um casamento, e contra o que eu pretendia que fosse o meu casamento.
Dividir uma cama, um apartamento e as contas, as responsabilidade sobre a casa e sobre os filhos, isso são coisas muito fáceis de se fazer e eu já estaria pronto faz horas. Mas achar uma parceira pronta para tal é um pouco mais difícil. E mesmo que eu achasse, não bastaria. é preciso um pouco mais, dividir uma vida (ou melhor duas vidas) é que é o ideal de um casamento. Para isso eu teria um pouco de dificuldade mas talvez fosse capaz de conseguir, mas para tal teria que encontrar alguém com essa compreênsão (jamais conheci alguém), com essa vontade de investir numa coisa desta e ainda por cima me escolher para tal empreitada. Tanta coincidência assim é coisa bastante improvável, eu teria de ter muita fé (e isso eu não tenho) para acreditar que surgirá alguém que cumprirá todos esses requisitos e em tempo hábil para que essa relação seja construída com toda a pujança que eu gostaria, e que desse tempo de eu construir tudo que eu esperava fazer na instituição casamento, e colher todos os frutos que e desejava deste investimento.
Já não me importa mais, se as moças foram criadas por mulheres que viveram a revolução sexual, se libertara escolheram maridos ruins, se decepcionaram e ensinaram suas filhas a não confiar em homem nenhum. Também não quero saber se elas viram novelas demais e muito filme água com açucar e ficam esperando sinos tocarem, estrelas caírem ou qualquer coisa que o valha. Também não ligo mais se algumas mulheres procuram uma certa independência financeira num casamento porque essas não tem porque me levar em consideração e não levem mesmo, porque mesmo que eu faça dinheiro na vida eu o farei por mim e para aqueles que estiverem comigo sempre e não por quem passar pela minha vida em algum momento.
Poder-se-ia dizer que eu poderia ter me casado com uma pessoa qualquer e depois tentado implementar o meu pensamento e meu ponto de vista depois dentro de uma relação estabelecida. Para tal é bem verdade que não seria difícil. Hoje em dia isso acontece muito, mulheres normalmente bem sucedidas se casam e investem na relação com objetivo maternal, criam os filhos e depois desistem do casamento que tinha apenas o objetivo procriador. Acontece toda hora mas isso não é algo que eu queira viver.
Como já disse o que eu procurava era alguém com quem dividira a minha vida (e a dela), fundir projetos, construir sonhos compartilhados e depois usufruir desta construção numa parceria sem data para acabar. Isso eu não acredito mais que seja possível, ces't la vie....
Mas não creiam que torno me um rapaz sem esperaça na vida, longe disso. É apenas uma mudança no foco... Comprei um video-game. não que eu jogue muito, não jogo. mas a simbologia é que é bacana. No lugar de concentrar meus esforços em poder construir uma certa segurança para uma família em formação, ora invisto em qualquer prazer que a vida possa me trazer. Retorno a boemia, e dela farei minha família, é mais fácil e mais garantido, sei que é menos gratificante e não é nada edificante, mas na vida todos tem de encontrar o seu nicho, e este é o meu.
Srtas. mulheres eu continuo apaixonado por vocês, mas agora não as quero mais em minha casa. Divirtamo-nos pois juntos na rua, e depois cada qual siga seu caminho. Felicidades....
É por isso que amanhã a noiva não irá ao altar, porque eu não permitirei que a moça passe a vergonha de chegar a um altar vazio, mas eu também não estarei lá mais, porque agora quem não quer sou eu.
Dividir uma cama, um apartamento e as contas, as responsabilidade sobre a casa e sobre os filhos, isso são coisas muito fáceis de se fazer e eu já estaria pronto faz horas. Mas achar uma parceira pronta para tal é um pouco mais difícil. E mesmo que eu achasse, não bastaria. é preciso um pouco mais, dividir uma vida (ou melhor duas vidas) é que é o ideal de um casamento. Para isso eu teria um pouco de dificuldade mas talvez fosse capaz de conseguir, mas para tal teria que encontrar alguém com essa compreênsão (jamais conheci alguém), com essa vontade de investir numa coisa desta e ainda por cima me escolher para tal empreitada. Tanta coincidência assim é coisa bastante improvável, eu teria de ter muita fé (e isso eu não tenho) para acreditar que surgirá alguém que cumprirá todos esses requisitos e em tempo hábil para que essa relação seja construída com toda a pujança que eu gostaria, e que desse tempo de eu construir tudo que eu esperava fazer na instituição casamento, e colher todos os frutos que e desejava deste investimento.
Já não me importa mais, se as moças foram criadas por mulheres que viveram a revolução sexual, se libertara escolheram maridos ruins, se decepcionaram e ensinaram suas filhas a não confiar em homem nenhum. Também não quero saber se elas viram novelas demais e muito filme água com açucar e ficam esperando sinos tocarem, estrelas caírem ou qualquer coisa que o valha. Também não ligo mais se algumas mulheres procuram uma certa independência financeira num casamento porque essas não tem porque me levar em consideração e não levem mesmo, porque mesmo que eu faça dinheiro na vida eu o farei por mim e para aqueles que estiverem comigo sempre e não por quem passar pela minha vida em algum momento.
Poder-se-ia dizer que eu poderia ter me casado com uma pessoa qualquer e depois tentado implementar o meu pensamento e meu ponto de vista depois dentro de uma relação estabelecida. Para tal é bem verdade que não seria difícil. Hoje em dia isso acontece muito, mulheres normalmente bem sucedidas se casam e investem na relação com objetivo maternal, criam os filhos e depois desistem do casamento que tinha apenas o objetivo procriador. Acontece toda hora mas isso não é algo que eu queira viver.
Como já disse o que eu procurava era alguém com quem dividira a minha vida (e a dela), fundir projetos, construir sonhos compartilhados e depois usufruir desta construção numa parceria sem data para acabar. Isso eu não acredito mais que seja possível, ces't la vie....
Mas não creiam que torno me um rapaz sem esperaça na vida, longe disso. É apenas uma mudança no foco... Comprei um video-game. não que eu jogue muito, não jogo. mas a simbologia é que é bacana. No lugar de concentrar meus esforços em poder construir uma certa segurança para uma família em formação, ora invisto em qualquer prazer que a vida possa me trazer. Retorno a boemia, e dela farei minha família, é mais fácil e mais garantido, sei que é menos gratificante e não é nada edificante, mas na vida todos tem de encontrar o seu nicho, e este é o meu.
Srtas. mulheres eu continuo apaixonado por vocês, mas agora não as quero mais em minha casa. Divirtamo-nos pois juntos na rua, e depois cada qual siga seu caminho. Felicidades....
É por isso que amanhã a noiva não irá ao altar, porque eu não permitirei que a moça passe a vergonha de chegar a um altar vazio, mas eu também não estarei lá mais, porque agora quem não quer sou eu.
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ACIDENTES ECOLÓGICOS: TRISTE DIVERTIMENTO
"Quando a última árvore cair, derrubada; quando o último rio
for envenenado; quando o último peixe for pescado, só então
nos daremos conta de que dinheiro é coisa que não se come".
(Índios Amazônicos)
Os inúmeros desastres ecológicos que vem conduzindo o mundo a um estado melancólico, não passam de discursos que se acomodam tranqüilamente no cotidiano da mídia. A preocupação com o meio ambiente, com o equilíbrio ecológico é objeto de vários discursos da cultura dominante, mostrando as agressões e os perigos que nos ameaçam como uma naturalidade da era industrial. Ou um acidente apenas desagradável. Essa racionalidade que rege o progresso do mundo moderno desprezou a afetividade como uma referência para a convivência das pessoas e estabeleceu uma dicotomia entre o homem e a natureza. O homem moderno é o principal predador do seu próprio meio ambiente, o dominador da natureza.
O meio ambiente nos meios de comunicação vive sua "oralidade", mas longe da reflexão, as questões passam para o plano do discurso, mantendo a natureza como produto de consumo. A fala sobre a preservação da natureza é filtrada por interesses políticos e econômicos. Existe um cuidado da mídia em mostrar e investigar a realidade espetacularizando-a e disfarçando as causas principais. Fazendo do espectador um voyeur romântico de um divertimento triste. Nossa paixão é canalizada para saber mais sobre o fato, a denúncia, o esclarecimento minucioso e histérico da verdade, e não para reagir ao fato. O humor da sociedade capitalista se apropria de tudo, inclusive dos protestos e dos discursos sobre as agressões ao meio ambiente, para seu próprio gozo ligado ao lucro e para disfarçar responsabilidades.
São irreversíveis os danos ecológicos e acabam por apressar o tempo do próprio homem. A estupidez da economia moderna em pensar o homem como exclusivamente força de trabalho, sem sentimento e sem emoção substituiu o desejo pelo desejo de consumo e conseqüentemente a psicologia dos sujeitos. Nunca se falou tanto sobre meio ambiente e passivamente estamos assistindo os desastres ecológicos como um acontecimento ou um destino histórico, isto é, como se o modo de produção, o modelo de desenvolvimento econômico e os interesses de classe nada tivessem a ver com os fatos em questão. Essa idéia de desenvolvimento econômico é insustentável. No desespero da ampliação produção / consumo, uma guerra é inevitável contra a natureza, a ética e quaisquer princípios de valores. No vale tudo por dinheiro não há limites.
Almandrade
(artista plástico, arquiteto e poeta)
Um acidente
Na paisagem
Ninguém e nada
Uma árvore
Madeira e homem
Solidão do mundo
Natureza ácida.
for envenenado; quando o último peixe for pescado, só então
nos daremos conta de que dinheiro é coisa que não se come".
(Índios Amazônicos)
Os inúmeros desastres ecológicos que vem conduzindo o mundo a um estado melancólico, não passam de discursos que se acomodam tranqüilamente no cotidiano da mídia. A preocupação com o meio ambiente, com o equilíbrio ecológico é objeto de vários discursos da cultura dominante, mostrando as agressões e os perigos que nos ameaçam como uma naturalidade da era industrial. Ou um acidente apenas desagradável. Essa racionalidade que rege o progresso do mundo moderno desprezou a afetividade como uma referência para a convivência das pessoas e estabeleceu uma dicotomia entre o homem e a natureza. O homem moderno é o principal predador do seu próprio meio ambiente, o dominador da natureza.
O meio ambiente nos meios de comunicação vive sua "oralidade", mas longe da reflexão, as questões passam para o plano do discurso, mantendo a natureza como produto de consumo. A fala sobre a preservação da natureza é filtrada por interesses políticos e econômicos. Existe um cuidado da mídia em mostrar e investigar a realidade espetacularizando-a e disfarçando as causas principais. Fazendo do espectador um voyeur romântico de um divertimento triste. Nossa paixão é canalizada para saber mais sobre o fato, a denúncia, o esclarecimento minucioso e histérico da verdade, e não para reagir ao fato. O humor da sociedade capitalista se apropria de tudo, inclusive dos protestos e dos discursos sobre as agressões ao meio ambiente, para seu próprio gozo ligado ao lucro e para disfarçar responsabilidades.
São irreversíveis os danos ecológicos e acabam por apressar o tempo do próprio homem. A estupidez da economia moderna em pensar o homem como exclusivamente força de trabalho, sem sentimento e sem emoção substituiu o desejo pelo desejo de consumo e conseqüentemente a psicologia dos sujeitos. Nunca se falou tanto sobre meio ambiente e passivamente estamos assistindo os desastres ecológicos como um acontecimento ou um destino histórico, isto é, como se o modo de produção, o modelo de desenvolvimento econômico e os interesses de classe nada tivessem a ver com os fatos em questão. Essa idéia de desenvolvimento econômico é insustentável. No desespero da ampliação produção / consumo, uma guerra é inevitável contra a natureza, a ética e quaisquer princípios de valores. No vale tudo por dinheiro não há limites.
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sexta-feira, fevereiro 15, 2008
Colunista britânico defende 'Plano Marshall' para salvar a Amazônia
Os países ricos deveriam criar um fundo nos moldes do Plano Marshall para ajudar a preservar as florestas tropicais do mundo, segundo um artigo do colunista Johann Hari publicado nesta quinta-feira pelo diário britânico The Independent. Para Hari, o desmatamento das florestas tropicais - e da Amazônia, em particular - está sendo causado pelas necessidades de consumo dos países ricos. Ele diz que seria "reconfortante" jogar a culpa pela falta de competência na proteção das florestas sobre os ombros dos países que as administram, mas que, na verdade, os culpados seriam os consumidores nos países ricos. "A destruição da Amazônia está sendo atualmente promovida e impulsionada por mim e por você, através de nossas escolhas como consumidores e do dinheiro de nossos impostos," diz Hari. O colunista afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi bastante franco ao apresentar as opções: ou os países ricos incentivam financeiramente os países em desenvolvimento a preservar suas florestas, ou eles vão continuar a explorar as florestas, antes que o aquecimento global e a exploração ilegal acabem com elas em uma geração. "Ele está certo. Em defesa própria, os países desenvolvidos precisam criar um fundo - ambicioso como o Plano Marshall (plano americano de reconstrução da Europa aliada após a Segunda Guerra) - para preservar as florestas tropicais que ainda restam e assim evitar a desestabilização drástica de nosso clima."Bélgica queimada Segundo o colunista, o aumento do desmatamento da Amazônia, "principal notícia do ano", passou "despercebida" pelos noticiários britânicos. Mas ele lembra que uma área do tamanho da Bélgica, que levou milhares de anos para evoluir, foi destruída apenas no ano passado. "Cerca de 20% da floresta já foram para o lixo e outros 40% devem ser destruídos ainda durante a minha vida. Isso está acontecendo com todas as florestas tropicais do mundo." Segundo o artigo, o desmatamento se dá, principalmente, para abrir áreas para a plantação de soja, que é exportada para alimentar o gado dos Estados Unidos e Europa. "O desmatamento também é motivado por uma série de outras necessidades do mundo rico. Atualmente não há nenhuma restrição legal na Grã-Bretanha ou nos Estados Unidos à venda de madeira explorada ilegalmente na Amazônia. A mania dos biocombustíveis também está (ironicamente) levando a queimadas na floresta para abrir caminho para plantações de cana-de-açúcar."O colunista vai mais longe e afirma que o governo britânico está ajudando na destruição da floresta Amazônica por ser "um dos principais financiadores do Banco Mundial". Hari cita informações vazadas de uma investigação interna do banco, em que a instituição supostamente admite ter "encorajado multinacionais a entrar na floresta e causar danos irreversíveis". Um ex-funcionário de alto escalão do Banco Mundial citado na matéria, Robert Goodland, diz que esse comportamento não era visto como anomalia dentro do banco, visto que o foco da instituição era o de "ajudar empresas multinacionais a extrair petróleo, gás e outros recursos naturais de países em desenvolvimento". Hari diz que essa situação "deixa o governo britânico em uma situação bizarra. Com uma mão, ele paga os governos da Guiana e do Congo para preservarem suas florestas, com a outra, ele dá dinheiro para que o Banco Mundial peça a países que façam exatamente o oposto." Ele sugere que o governo britânico deixe de repassar fundos para o Banco Mundial até que a instituição transforme radicalmente sua política ambiental. O colunista também sugere ações simples aos leitores para ajudar no combate à destruição da Amazônia: "Há algumas escolhas pessoais fáceis, diminuir ou parar o consumo de carne, examinar a origem da madeira que você compra e não usar biocombustível." O ENDEREÇO ONDE ESTÁ A MATÉRIA
http://noticias.uol.com.br/bbc/reporter/2008/01/31/ult4909u2164.jhtm
José Leandro Bezerra Júnior
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José Leandro Bezerra Júnior
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sexta-feira, fevereiro 01, 2008
O Blog na Rede (mês de janeiro de 2008)
O ano de 2008 começa e aqui em seu primeiro mês uma única publicação... e bem bacana:
- PROFUSÃO
Mais um mês passa e mais uma vez, relembro a quem já conhece. e apresento a quem passa a conhecer agora, este blog e seus objetivos através da republicação do primeiro artigo aqui publicado:
- PROFUSÃO
Mais um mês passa e mais uma vez, relembro a quem já conhece. e apresento a quem passa a conhecer agora, este blog e seus objetivos através da republicação do primeiro artigo aqui publicado:
Apresentação
Este Blog é espaço para um tributo à liberdade de todos nós.
Discutiremos tudo. Sem censura. Escreva pra mim. Eu publico seu texto e respondo. (concordando ou discordando que da MINHA liberdade eu não abro mão) .
Como também não abro mão da SUA liberdade o assunto você decide (futebol politica e religião são bem vindos, não temos medo de polemica).
MANTENHAMOS UM BOM NÍVEL, POR FAVOR.
Quer publicar um texto?
Escreva para: blogdoed@gmail.com
Polemize aqui não haverá linha editorial ou tendência exponha seus argumentos e os veja confrontados (ou reforçados). Quer falar bobagem? Expor sua arte? Tente colocá-la aqui.
Nosso lema: "Defenderei até a morte o direito de dizê-lo, mas não concordo com nada do que disse."
Muito obrigado pela sua atenção.
ED
Publicado originalmente em 14/04/2006
Discutiremos tudo. Sem censura. Escreva pra mim. Eu publico seu texto e respondo. (concordando ou discordando que da MINHA liberdade eu não abro mão) .
Como também não abro mão da SUA liberdade o assunto você decide (futebol politica e religião são bem vindos, não temos medo de polemica).
MANTENHAMOS UM BOM NÍVEL, POR FAVOR.
Quer publicar um texto?
Escreva para: blogdoed@gmail.com
Polemize aqui não haverá linha editorial ou tendência exponha seus argumentos e os veja confrontados (ou reforçados). Quer falar bobagem? Expor sua arte? Tente colocá-la aqui.
Nosso lema: "Defenderei até a morte o direito de dizê-lo, mas não concordo com nada do que disse."
Muito obrigado pela sua atenção.
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domingo, janeiro 20, 2008
PROFUSÃO
Substantivo feminino da lingua portuguesa, significa grande quantidade, abundância ou exuberância. Pode significar também excesso de liberdade nos gastos, como prodigalidade. Tem sua origem no latim profusionis que significa derramamento ou efusão. Tem como antônimo principal parcimônia mas em alguns casos os antônimos podem ser escassez ou insignificância.
Taí, muito bacana. Profusão. É isso aí.
Taí, muito bacana. Profusão. É isso aí.
terça-feira, janeiro 01, 2008
O Blog na Rede (ano de 2007)
O ano de 2007 (o segundo da existência desse blog), teve novas atividades apenas nos quatro últimos meses do ano.
Foram 19 textos, mas muito mais do que isso foram os temas abordados, porque, acreditamos em falar de muitas coisas, e misturar assuntos, porque achamos que o excesso de foco e de especialização, é como uma miopia que pode embaçar a visão que temos do mundo...
Listo aqui os links para as publicações desse ano:
Foram 19 textos, mas muito mais do que isso foram os temas abordados, porque, acreditamos em falar de muitas coisas, e misturar assuntos, porque achamos que o excesso de foco e de especialização, é como uma miopia que pode embaçar a visão que temos do mundo...
Listo aqui os links para as publicações desse ano:
- Involução inevitável
- O CAMPEONATO DA ALEGRIA
- O Blog na Rede (mês de novembro de 2007)
- IMAGEM É NADA...DESENCANO É TUDO!!!
- EXISTENCIAL
- Fim de uma Civilização
- O Blog na Rede (mês de outubro de 2007)
- ...e a Pitty me deu uma bundada!!!
- O Blog na Rede (mês de setembro de 2007)
- OVOS FRITOS EM 2100
- O HOMEM INVISÍVEL
- EDUCAÇÃO EM VISTA DE UM PENSAMENTO LIVRE
- Diálogos Virtuais do Ogro: Tarantino´s Mind *
- Ontem a Noiva não Foi ao Altar
- ELES NÃO ME ENGANAM
- saudações
- NATÁLIA
- Olá de novo. Desculpas. Homenagem e Despedida
- O Blog na Rede (ano de 2006)
Agora, como já é costume nas retrospectivas, reproduzo a apresentação deste blog, para que a cadamomento em que novas pessoas conheçam o blog, já rapidamente saibam da missão e dos objetivos dele...:
Apresentação
Este Blog é espaço para um tributo à liberdade de todos nós.Discutiremos tudo. Sem censura. Escreva pra mim. Eu publico seu texto e respondo. (concordando oudiscordando que da MINHA liberdade eu não abro mão) .
Como também não abro mão da SUA liberdade o assunto você decide (futebol politica e religião são bemvindos, não temos medo de polemica).
MANTENHAMOS UM BOM NÍVEL, POR FAVOR.
Quer publicar um texto?Polemize aqui não haverá linha editorial ou tendência exponha seus argumentos e os veja confrontados(ou reforçados). Quer falar bobagem? Expor sua arte? Tente colocá-la aqui.
Nosso lema: "Defenderei até a morte o direito de dizê-lo, mas não concordo com nada do que disse."Muito obrigado pela sua atenção.
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O Blog na Rede (mês de dezembro de 2007)
Agora em dezembro, tivemos aqui no blog, duas novas postagens:
- Involução inevitável
- O CAMPEONATO DA ALEGRIA
- Foram, como sempre, exposições de pensamentos de seus escritores, de forma completamente livre, como aliás é a proposta desse blog desde que ele nasceu, como foi apresentado em seu primeiro post, ora reproduzido:
Apresentação
Este Blog é espaço para um tributo à liberdade de todos nós.Discutiremos tudo. Sem censura. Escreva pra mim. Eu publico seu texto e respondo. (concordando oudiscordando que da MINHA liberdade eu não abro mão) .
Como também não abro mão da SUA liberdade o assunto você decide (futebol politica e religião são bemvindos, não temos medo de polemica).
MANTENHAMOS UM BOM NÍVEL, POR FAVOR.
Quer publicar um texto?Polemize aqui não haverá linha editorial ou tendência exponha seus argumentos e os veja confrontados(ou reforçados). Quer falar bobagem? Expor sua arte? Tente colocá-la aqui.
Nosso lema: "Defenderei até a morte o direito de dizê-lo, mas não concordo com nada do que disse."Muito obrigado pela sua atenção.Publicado originalmente em 14/04/2006
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quinta-feira, dezembro 20, 2007
Involução inevitável
O cérebro humano é um monumento à seleção natural. Imagino quantos bilhões de indivíduos das mais variadas espécies, de unicelulares primitivos a hominídeos, foram sacrificados para que a evolução finalmente chegasse a essa maravilhosa máquina, a esse engenho sem precedentes. A triste ironia é que o cérebro humano, justo ele, será responsável pela involução da espécie.
Pois vejam: conforme os mecanismos da seleção natural, interessa a cada indivíduo espalhar seus genes, marcando sua passagem pelo planeta. Richard Dawkins vai mais longe: segundo ele, grosso modo, cada ser vivo é uma máquina programada pelos genes para que eles, os genes, se perpetuem. O mecanismo é irrelevante para minha argumentação, o que importa é o resultado: num ambiente de competição, indivíduos mal adaptados perecem antes de terem a oportunidade de passar seus genes adiante, ou são eliminados pela seleção sexual (por isso não vemos, por exemplo, pavões de cauda curta; o gosto peculiar das fêmeas fez com que a cauda vistosa e grande fosse uma característica desejável nos machos da espécie, mesmo sendo uma desvantagem quando se trata de fugir de predadores).
As primeiras espécies de hominídeos passaram por esse processo, e até o homem moderno, no princípio, precisava estar bem adaptado para sobreviver. O sujeito incapaz de conseguir alimento, ou de fugir dos predadores, ou de sapecar com precisão uma clava na cabeça da fêmea de sua predileção, morria sem deixar descendentes. Ruim para ele, bom para nós.
Acontece, porém, que o ser humano não tem precedentes no planeta. Todas as espécies antes da nossa se contentaram com o ambiente que lhes era oferecido. No máximo faziam uma mudança ou outra, como as barragens dos castores, e era isso. E eis que nós surgimos, e decidimos modificar nosso ambiente de forma radical. Construímos casas, estradas, desviamos o curso dos rios, nivelamos vales, escavamos montanhas, fomos à lua, cruzamos os oceanos com cabos de telecomunicações, colocamos satélites em órbita. Criamos o zíper, a tesoura, a poltrona reclinável, a televisão com 200 canais, a internet, a pornografia, o xadrez, as universidades, o ventilador de teto, o câmbio automático. E então chegamos ao século XXI, olhamos ao redor e não havia nenhuma ameaça à nossa altura. Sim, há doenças e desastres naturais, mas já não dão mais conta de nos assustar. Se um desastre na China mata um milhão de pessoas, isso vira porcentagem, e é um numerozinho ridículo. Estamos imunes, portanto. Vamos comemorar! Vamos?
Ora, se não há mais ameaças, isso quer dizer que não há mais diferenças entre preparados e despreparados, adaptados e não adaptados. A princípio, parece justo. Somos todos iguais, como sempre sonhamos. Mas não somos.
Pensem. Eu tenho 32 anos. Minha namorada, não é segredo pra ninguém, tem 30. Quantos filhos temos? Zero. Queremos planejar, investir em nossas carreiras, formar algum patrimônio, e aí sim ter um filho, talvez dois, aos quais possamos oferecer todos os confortos da vida moderna. E por que isso? Porque somos pessoas inteligentes. Enquanto isso, os imbecis se reproduzem como preás que caíram num balde cheio de Viagra. Lembro-me da minha formatura da oitava série. Dava para saber quais eram as meninas inteligentes e quais eram as que tinham chegado ali a muito custo: essas últimas estavam grávidas.
Qual a conseqüência disso? Num campo de jogo em que todos são iguais, só o que conta é a velocidade de reprodução. E nisso, meus caros, os burrinhos estão se dando muito melhor do que nós. Eu quero dizer que um dia eles vão dominar o mundo? Claro que não! Eu estou dizendo é que eles já começaram! Você duvida? Olhe para seu chefe. Viu? Você já foi alvo de chacota por ler um livro, ou falar uma palavra "difícil", ou levantar uma questão qualquer que fosse um tantinho mais elevada do que a precipitação pluviométrica da semana? Pois é.
O que o futuro nos reserva? A extinção, claro. Mas, antes disso, veremos coisas tenebrosas. Antevejo as obras completas de Shakespeare traduzidas (do espanhol) por Paulo Coelho, com notas de rodapé de Roberto Shinyashiki. "Nesse versinho aqui, o nosso amigo Bill Shake dá uma mensagem muito importante para os dias de hoje, pessoal. O que ele quer dizer é que não podemos desistir de nossos sonhos. Você traça um objetivo, e aí você persegue esse objetivo. O universo, já sabia ele, é uma grande câmara de eco". E por aí vai. Imagino acalorados debates sobre a obra de Zibia Gasparetto ou Marcelo Mirisola. A sério.
Eles são muitos, e serão cada vez mais. Nós somos artigo de museu. Conformem-se.
Marco Aurélio Gois dos Santos via Jesus, me chicoteia!
Pois vejam: conforme os mecanismos da seleção natural, interessa a cada indivíduo espalhar seus genes, marcando sua passagem pelo planeta. Richard Dawkins vai mais longe: segundo ele, grosso modo, cada ser vivo é uma máquina programada pelos genes para que eles, os genes, se perpetuem. O mecanismo é irrelevante para minha argumentação, o que importa é o resultado: num ambiente de competição, indivíduos mal adaptados perecem antes de terem a oportunidade de passar seus genes adiante, ou são eliminados pela seleção sexual (por isso não vemos, por exemplo, pavões de cauda curta; o gosto peculiar das fêmeas fez com que a cauda vistosa e grande fosse uma característica desejável nos machos da espécie, mesmo sendo uma desvantagem quando se trata de fugir de predadores).
As primeiras espécies de hominídeos passaram por esse processo, e até o homem moderno, no princípio, precisava estar bem adaptado para sobreviver. O sujeito incapaz de conseguir alimento, ou de fugir dos predadores, ou de sapecar com precisão uma clava na cabeça da fêmea de sua predileção, morria sem deixar descendentes. Ruim para ele, bom para nós.
Acontece, porém, que o ser humano não tem precedentes no planeta. Todas as espécies antes da nossa se contentaram com o ambiente que lhes era oferecido. No máximo faziam uma mudança ou outra, como as barragens dos castores, e era isso. E eis que nós surgimos, e decidimos modificar nosso ambiente de forma radical. Construímos casas, estradas, desviamos o curso dos rios, nivelamos vales, escavamos montanhas, fomos à lua, cruzamos os oceanos com cabos de telecomunicações, colocamos satélites em órbita. Criamos o zíper, a tesoura, a poltrona reclinável, a televisão com 200 canais, a internet, a pornografia, o xadrez, as universidades, o ventilador de teto, o câmbio automático. E então chegamos ao século XXI, olhamos ao redor e não havia nenhuma ameaça à nossa altura. Sim, há doenças e desastres naturais, mas já não dão mais conta de nos assustar. Se um desastre na China mata um milhão de pessoas, isso vira porcentagem, e é um numerozinho ridículo. Estamos imunes, portanto. Vamos comemorar! Vamos?
Ora, se não há mais ameaças, isso quer dizer que não há mais diferenças entre preparados e despreparados, adaptados e não adaptados. A princípio, parece justo. Somos todos iguais, como sempre sonhamos. Mas não somos.
Pensem. Eu tenho 32 anos. Minha namorada, não é segredo pra ninguém, tem 30. Quantos filhos temos? Zero. Queremos planejar, investir em nossas carreiras, formar algum patrimônio, e aí sim ter um filho, talvez dois, aos quais possamos oferecer todos os confortos da vida moderna. E por que isso? Porque somos pessoas inteligentes. Enquanto isso, os imbecis se reproduzem como preás que caíram num balde cheio de Viagra. Lembro-me da minha formatura da oitava série. Dava para saber quais eram as meninas inteligentes e quais eram as que tinham chegado ali a muito custo: essas últimas estavam grávidas.
Qual a conseqüência disso? Num campo de jogo em que todos são iguais, só o que conta é a velocidade de reprodução. E nisso, meus caros, os burrinhos estão se dando muito melhor do que nós. Eu quero dizer que um dia eles vão dominar o mundo? Claro que não! Eu estou dizendo é que eles já começaram! Você duvida? Olhe para seu chefe. Viu? Você já foi alvo de chacota por ler um livro, ou falar uma palavra "difícil", ou levantar uma questão qualquer que fosse um tantinho mais elevada do que a precipitação pluviométrica da semana? Pois é.
O que o futuro nos reserva? A extinção, claro. Mas, antes disso, veremos coisas tenebrosas. Antevejo as obras completas de Shakespeare traduzidas (do espanhol) por Paulo Coelho, com notas de rodapé de Roberto Shinyashiki. "Nesse versinho aqui, o nosso amigo Bill Shake dá uma mensagem muito importante para os dias de hoje, pessoal. O que ele quer dizer é que não podemos desistir de nossos sonhos. Você traça um objetivo, e aí você persegue esse objetivo. O universo, já sabia ele, é uma grande câmara de eco". E por aí vai. Imagino acalorados debates sobre a obra de Zibia Gasparetto ou Marcelo Mirisola. A sério.
Eles são muitos, e serão cada vez mais. Nós somos artigo de museu. Conformem-se.
Marco Aurélio Gois dos Santos via Jesus, me chicoteia!
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